Raquel abriu a porta e encontrou o Rui do outro lado. Vestia uma camisa leve de tom claro, aberta no colo o suficiente para deixar adivinhar a pele, e umas calças justas que lhe marcavam as ancas sem serem demasiado ousadas. O cabelo solto caía-lhe pelos ombros. Nada na roupa revelava o que tinha por baixo, nem a intenção que a tinha feito convidar o amigo do marido a entrar naquela hora do dia. Rui sorriu daquela forma que ela já conhecia há anos — o sorriso de quem brincava à frente do António e falava a sério quando estavam a sós. Da mesma idade que ela, casado, corpo ainda firme, olhar directo. Entrou sem pressa, como quem já tinha estado ali muitas vezes, e fechou a porta atrás de si. A casa estava silenciosa. O António só voltava ao final da tarde. — Estás sozinha — disse ele, a voz baixa, quase confidente, os olhos a percorrerem-lhe o corpo com uma lentidão deliberada. — Estou. Só nós dois. O António não volta antes do final da tarde. Ele aproximou-se. O cheiro do cologne misturou-se com o perfume discreto que ela usava. Os olhos dele desceram pelo colo da camisa, pela cintura, pelas ancas, e voltaram ao rosto dela com uma atenção que já não era apenas de amizade. — Sabes o que eu digo ao António, não sabes? — murmurou, sem tocar-lhe ainda, a voz quase um sussurro carregado de intenção. — Que és jeitosa. Que tens um corpo que qualquer homem reparava duas vezes. Que se me deixasses ficar, se me desses uma única hipótese, não me escapavas. Digo sempre em tom de brincadeira, à frente dele, à frente de toda a gente. Ele ri. Eu também rio. Mas tu sabes, Raquel… tu sempre soubeste que não era brincadeira. Que cada vez que eu dizia aquilo, estava a dizer a verdade. Que te quero. Que te quero há anos. Raquel não desviou o olhar. O peito subia e descia um pouco mais depressa sob a camisa. A voz saiu baixa, quase cautelosa, mas firme. — Em privado já me disseste que é a sério. Há anos que me dizes. Às escondidas, quando ele se afasta, quando estamos sozinhos dois minutos. Sempre me disseste que o que falavas à frente dele era a vontade real. Que se eu te deixasse, não me largavas. E eu nunca te mandei calar. Nunca. — Nunca — repetiu ele, dando mais um passo, o corpo quase a tocar no dela. — E eu nunca deixei de pensar nisto. Nunca deixei de te imaginar assim. Sozinha comigo. A deixar-me tocar-te. A deixar-me foder-te. Há noites em que me deito ao lado da minha mulher e penso em ti. Na forma como te moves. No cu que tens. Na forma como sorrios quando eu digo aquelas coisas à frente do António. Pensas que eu não noto? Pensas que eu não vejo o teu olhar? Ela engoliu em seco. O ar entre os dois ficou denso, carregado de tudo o que tinha ficado por dizer durante demasiado tempo. — O António não está. E eu não te pedi para saíres. Sabes exactamente porque te pedi para vires. Rui deu o último passo. As mãos dele subiram até à cintura dela e puxaram-na contra o corpo com uma lentidão deliberada, quase cerimoniosa. O pau já estava duro, a pressionar-lhe a barriga através das calças. Beijou-a sem pressa, a língua a explorar-lhe a boca com uma possessividade calma, profunda, como quem finalmente tinha permissão para provar o que desejava há anos. Raquel correspondeu, as mãos a subir pelo peito firme dele, a sentir o corpo familiar e ao mesmo tempo proibido. O beijo alongou-se, molhado, carregado de luxúria contida. Quando se separaram, a respiração de ambos estava mais rápida, os lábios brilhantes. — Quero-te — disse ele contra a boca dela, a voz rouca, as mãos ainda a apertar-lhe a cintura. — Quero-te há demasiado tempo. Quero foder-te aqui, na tua casa, no sítio onde o António se senta, na cama onde dormem juntos. Quero ouvir-te a gemer o meu nome. Quero sentir-te a tremer. Quero ver a cara que fazes quando finalmente levas o pau do homem que durante anos te disse, à frente do teu marido, que não te ia escapar se lhe desses hipótese. — Então vem — respondeu ela, a voz baixa, clara, quase um convite carregado de tesão. — Para o quarto. Quero que me tires a roupa. Quero que me vejas. Quero que me fodes com calma primeiro… e depois como quiseres. Caminharam pelo corredor em silêncio. Só o som dos passos e a respiração ligeiramente acelerada preenchiam o espaço. No quarto, a luz era quente e suave, filtrada pelas persianas semi-fechadas. A cama larga, os lençóis claros, o ar já impregnado do perfume dela e da tensão que os acompanhava. Raquel virou-se para ele e começou a desabotoar a camisa com uma lentidão deliberada. Os botões foram cedendo um a um, revelando primeiro o colo, depois o sutiã verde-escuro de renda fina, depois a barriga lisa. A camisa caiu no chão sem pressa. As calças desceram a seguir, devagar, revelando o cinto de ligas da mesma cor, as meias de renda que lhe subiam pelas coxas e a cueca mínima que realçava o cu empinado. Ficou de pé, apenas de lingerie verde-escura, o corpo escultural completamente à vista: seios generosos contidos pela renda, cintura marcada, ancas largas, o cu redondo e firme, as pernas curtas e bem torneadas. Com um metro e cinquenta e sete, curvas generosas e aquele corpo de mulher na casa dos quarenta, parecia feita para ser desejada com calma e com fome ao mesmo tempo. Rui olhou-a em silêncio durante longos segundos, o olhar a percorrer cada centímetro com uma intensidade quase palpável. Depois tirou a própria camisa, revelando o tronco musculado, o peito definido, os braços fortes. As calças e o boxer desceram a seguir. O pau saiu duro, grosso, a latejar, a cabeça já brilhante. — Vem cá — pediu ele, a voz rouca, quase um comando suave. — Quero sentir-te contra mim. Quero tocar-te com calma antes de te foder. Quero demorar-me. Ela aproximou-se. Subiu para a cama de joelhos, entre as pernas dele, e os corpos encostaram-se. As mãos dele subiram pelas costas nuas, desceram até às nádegas firmes e apertaram com força através da renda verde, os dedos a afundarem-se na carne. O beijo foi mais profundo desta vez, a língua a explorar a boca um do outro com uma luxúria lenta, quase devoradora. O peito musculado dele pressionava os seios dela. O pau duro roçava-lhe a barriga, quente, insistente. Quando se separaram, ela murmurou contra a boca dele, a voz embargada de desejo: — Então agora tens hipótese. A hipótese que sempre disseste que querias. E eu não te vou escapar. Podes tocar-me como quiseres. Podes foder-me como quiseres. Estou aqui. Só tua, nesta hora. Rui virou-a com calma, deitando-a de costas na cama. Ficou de joelhos entre as coxas dela, as mãos a descerem pelas meias de renda com uma lentidão quase reverente, a subir outra vez até ao cinto de ligas, a acariciar a pele entre a renda e a coxa. Puxou a cueca verde para o lado com dois dedos e passou os outros entre as pregas já húmidas. Ela estava molhada, quente, pronta. — Já estavas assim só de me beijares na sala — murmurou, a voz carregada de tesão, os dedos a explorar com calma. — Olha para ti. Molhada só de eu te tocar. Só de eu te dizer as coisas que durante anos só dizia em tom de brincadeira. — Desde que me disseste que vinhas — confessou ela, a respiração irregular, as ancas a moverem-se ligeiramente contra os dedos dele. — Sabia o que ia acontecer. Queria que acontecesse. Queria sentir os teus dedos. Queria sentir o teu pau. Queria deixar de imaginar e passar a sentir de verdade. Ele esfregou a cabeça quente do pau entre os lábios da cona dela, sem entrar ainda, só a provocar, a espalhar a humidade, a roçar devagar. Raquel arqueou as costas, as unhas a cravarem-se no lençol, um gemido baixo a escapar-lhe dos lábios. — Mete — pediu ela, a voz rouca, quase suplicante. — Não me faças esperar mais anos. Quero sentir-te dentro. Quero que me enchas. Quero que me fodes com a mesma vontade com que me falavas à frente do António. Rui enterrou-se de uma só vez. Fundo. Até ao fundo. Raquel soltou um gemido longo, as pernas a envolverem a cintura dele, o corpo a tremer. O corpo curto e escultural encaixou-se no dele com uma precisão quase dolorosa. Ele começou a foder com movimentos longos, profundos, controlados, quase cerimoniosos, como quem queria saborear cada segundo. O som molhado encheu o quarto. A lingerie verde tremeu a cada estocada, as ligas a marcar a pele, os seios a balançarem dentro do sutiã de renda. — Assim? — perguntou ele, a falar-lhe ao ouvido enquanto a empurrava contra a cama, a voz baixa e densa de luxúria. — É isto que imaginas quando eu brinco com o António à frente de ti? Quando digo que se me deixasses ficar não me escapavas? Quando te olho e tu baixas os olhos um segundo, como se soubesses exactamente o que eu estava a pensar? — Sim — gemeu ela, a voz partida, as frases a alongarem-se entre a respiração ofegante. — Sempre imaginei. Sempre quis saber como era sentir-te assim. Como era ter-te dentro de mim. Como era ouvir-te a gemer o meu nome em vez de brincares à frente dele. Fode-me. Mais fundo. Quero sentir-te a sério. Quero que me fodes como sempre disseste que ias fazer se eu te deixasse. Quero que me uses. Quero que me enchas. Ele acelerou gradualmente. As estocadas tornaram-se mais pesadas, mais possessivas, mas nunca perderam a lentidão luxuriosa do início. Uma mão desceu entre os corpos e encontrou o clitóris, esfregando em círculos precisos e lentos enquanto a fodia sem abrandar. A outra mão agarrou-lhe uma nádega, mantendo-a aberta para entrar ainda mais fundo. O peito musculado dele roçava nos seios dela a cada movimento. O cheiro de sexo misturava-se com o perfume e o cologne, preenchendo o quarto com uma luxúria densa e quase palpável. — Diz-me — ordenou, a respiração quente no pescoço dela, a voz rouca de prazer. — Diz-me o que sentes agora que finalmente te estou a foder na tua cama, com esta lingerie que escolheste para mim. Diz-me se é como imaginavas. Diz-me se queres mais. — Sinto o teu pau a encher-me por completo — respondeu ela, a voz embargada, as unhas a cravarem-se nas costas dele. — Sinto cada centímetro. Sinto que devia ter deixado isto acontecer há mais tempo. Continua. Não pares. Fode-me como quiseres. Quero sentir-te a gozar dentro de mim. Quero a tua esporra. Quero sair daqui a tremer e a saber que fui fodida por ti na cama onde durmo com o meu marido. Rui puxou-lhe as pernas para cima, apoiando-as nos ombros, e enterrou-se ainda mais fundo. A lingerie verde ficou completamente desalinhada, a cueca puxada para o lado, o sutiã a meio. O corpo escultural dela arqueava-se sob o dele, as meias de renda a contrastarem com a pele suada. Quando ela gozou, o corpo inteiro tremeu, a cona a apertar-lhe o pau em espasmos quentes e ritmados. Ela mordeu o lábio para não gritar demasiado alto, mas os gemidos saíram longos, quebrados, cheios de prazer. Rui não parou. Continuou a foder através do orgasmo dela, sentindo cada contração, cada tremor, até gozar também — fundo, a encher-lhe o interior com jactos quentes e espessos. Ficou ali, enterrado, a pulsar, enquanto ela tremia debaixo dele, a respiração irregular, a pele brilhante de suor. Quando finalmente saiu, a esporra escorreu-lhe lentamente pelas coxas, manchando a renda verde e os lençóis. Ele deitou-se ao lado, ainda ofegante, e puxou-a para cima do peito. As mãos deslizaram outra vez pelo cu dela, apertando a carne firme com uma posse calma, quase carinhosa. — Ainda não chega — murmurou ela, a voz rouca, os dedos a traçarem linhas lentas no peito musculado dele. — Quero mais. Quero sentir-te outra vez. Quero que me fodes como sempre prometeste. Quero que me uses até eu não conseguir mais. Quero sair desta cama a saber que levei o teu pau e a tua esporra até não aguentar. Rui sorriu, o olhar escuro de tesão, a mão a descer outra vez até à cona molhada, a espalhar a esporra com dois dedos. — Então vais levar. Vou foder-te outra vez. E outra. Até ficares a tremer. Até não conseguires fechar as pernas sem sentires a minha esporra a escorrer. E da próxima vez que eu brincar com o António à frente de ti, vais olhar para mim e vais lembrar-te exactamente disto. Virou-a de quatro na cama, o cu empinado, a lingerie verde ainda vestida mas completamente desarrumada. Ajoelhou-se atrás dela, agarrou-lhe as ancas com as duas mãos e voltou a entrar de uma só vez, fundo, sem pressa no início, a saborear a forma como a cona ainda molhada o engolia. Depois acelerou. As estocadas tornaram-se mais profundas e rítmicas, as mãos a marcar a carne firme das nádegas. Raquel gemia alto, o rosto enterrado nas almofadas, o corpo a empurrar para trás a cada pancada, o cu a tremer. — Mais… assim… fode-me… enche-me outra vez… quero sentir a tua esporra a sair-me depois… quero que me uses até eu não aguentar mais… Ele puxou-lhe o cabelo com firmeza, obrigando-a a arquear as costas, e acelerou até gozar de novo, esporrando-se fundo dentro dela pela segunda vez. A esporra escorreu logo, misturando-se com a anterior, a escorrer pela racha e a manchar as meias de renda e os lençóis claros. Ficaram ofegantes, o corpo dela ainda de quatro, o dele colado por trás. Rui passou a mão pelo cabelo suado dela e beijou-lhe a nuca com uma lentidão quase carinhosa, os lábios a demorarem-se na pele quente. — Da próxima vez que brincar com o António à frente de ti — murmurou contra a pele, a voz baixa e rouca, ainda a recuperar o fôlego — vais lembrar-te disto. Vais lembrar-te de como te fodi na vossa cama, com esta lingerie verde, enquanto ele não estava. Vais lembrar-te do meu pau a encher-te, da minha esporra a escorrer-te pelas coxas, da forma como gemeste o meu nome. E eu vou olhar para ti e vou saber que estás a lembrar-te. Que estás molhada só de ouvir a brincadeira. Raquel virou o rosto, ainda a recuperar o fôlego, os lábios entreabertos, os olhos semicerrados de prazer, a voz rouca e satisfeita. — Eu já me lembro. E quero que te lembres também. Porque isto não vai ficar só por aqui. Quero mais. Quero que voltes. Quero que me fodes outra vez quando ele não estiver. Quero sentir-te outra vez. Quero a tua esporra. Quero que me uses até eu não conseguir disfarçar o sorriso quando estiveres a brincar à frente dele. O quarto ficou em silêncio, apenas o som da respiração dos dois e o cheiro denso de sexo a pairar no ar quente. A lingerie verde-escura de renda, agora encharcada e desalinhada, continuava no corpo dela — marca visível do que durante anos tinha sido dito em tom de brincadeira e que finalmente tinha acontecido a sério, com luxúria, com tempo, com diálogos longos e com a certeza de que nenhum dos dois ia querer parar
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