Ao tentar acender um cigarro, foi contido por um segurança. Klein baixou a cabeça em sinal de respeito — afinal, seu pai sustentara a família inteira trabalhando exatamente naquele ofício, de pé, de uniforme, durante décadas.
Desde o início da noite, seus olhos não se desviaram das duas garçonetes que serviam sua mesa. Uma ruiva, outra loira; corpos parecidos, idades próximas, movimentos sincronizados como se já se conhecessem há anos. Talvez, pensou ele, aquelas duas fizessem a noite valer a pena.
A proposta veio direta, sem preâmbulos: uma de cada vez, muito dinheiro em troca de uma noite com o velho. Elas trocaram um olhar breve, sorriram e aceitaram. Quando a cerimônia terminou, as três saíram juntas. No banco traseiro do carro esportivo, sob a luz intermitente dos postes, as garotas começaram a se beijar, a se tocar. Klein observava pelo retrovisor, silencioso, o copo de whisky ainda na mão.
Chegaram ao apartamento — um loft amplo no topo de um prédio antigo restaurado, com janelas que emolduravam o mar de luzes da cidade. Nas paredes, fileiras de troféus dourados, placas de cristal e certificados emoldurados testemunhavam uma carreira brilhante que o tornara rico, admirado e, no fundo, profundamente indiferente a si mesmo.
Ele se serviu de um copo generoso de whisky escocês, acomodou-se na poltrona de couro ao pé da cama king size e ficou ali, apenas observando. Era exatamente isso que mais o agradava: o espetáculo privado, sem urgência, sem a necessidade de participar de imediato. As duas garotas, ainda com os uniformes negros do evento meio desabotoados, riam baixo entre beijos, como quem compartilha um segredo antigo.
A ruiva — cabelos longos e cacheados que desciam como fogo líquido sobre os ombros pálidos — deitou-se de costas, os olhos semicerrados. A loira, fios lisos e dourados reluzindo sob a luz morna do abajur, inclinou-se sobre ela com lentidão deliberada. Seus lábios traçaram um caminho pelo pescoço, pelos seios, descendo até se perderem entre as coxas da ruiva. Esta arqueou levemente o corpo, soltando um suspiro contido que fez Klein sorrir por trás do copo.
Ele bebia devagar, deixando o calor do álcool se espalhar pelo peito, enquanto o quarto se enchia de sons suaves: respirações que se aceleravam, o roçar dos lençóis, gemidos abafados. Os prêmios nas paredes pareciam observar a cena com a mesma frieza metálica de sempre — melhores romances, recordes de vendas, elogios da crítica —, conquistas de um homem que, na intimidade, preferia ser apenas espectador dos desejos alheios.
A noite, porém, era longa, e o nível do whisky baixava. Quando a ruiva abriu os olhos e os fixou nos dele — um convite mudo, quase desafiador —, Klein pousou o copo na mesinha ao lado. Desabotoou a camisa sem pressa, levantou-se e aproximou-se da cama.
Enfim, decidiu participar da brincadeira.
Afinal, era apenas mais uma noite de premiação — só que, dessa vez, o troféu era vivo, quente e dividido em dois.