O monge e o guerreiro – uma paixão improvável Anno domini MXXXII, Finisterre, dezessete anos atrás, é quando começa essa história. A minha história. Anxo, e nada mais do que isso, pois eram somente essas quatro letras rabiscadas sobre um pedaço roto de pergaminho de pele de cabra que os monges encontraram diante da porta do mosteiro, numa manhã ensolarada de junho, junto ao meu pequeno corpo embrulhado numa trouxa de pano dentro de uma cesta. Dizem que sorri quando enfiaram as caras sobre o cesto, e talvez tenha sido esse o passaporte que me levou para dentro da enorme construção secular de pedras no alto de um promontório no Cabo Finisterre, tido como o ponto extremo mais ocidental do mundo conhecido. A construção inicial era atribuída aos celtas, os primeiros ocupantes daquela região na costa do Atlântico, com uma utilidade desconhecida. Não muito distante havia um menir fincado na vertical que as lendas diziam servir para ritos celtas, nos quais os casais deviam copular para aumentar a fertilidade. Por muitos anos imaginei ter sido concebido ali pelo casal ignorado que me colocou no mundo. A partir do século VIII a construção fustigada pelas rajadas de chuva e vento resistiu por outros tantos séculos servindo de fortaleza durante a ocupação árabe-muçulmana da península Ibérica. A recente desagregação do califado, em meio a um período anárquico de conflitos, deu início a reconquista gradual dos territórios ocupados, dando origem às taifas, pequenos estados independentes e rivais. Em meio a desordem, os cristãos ampliavam a reconquista. Atualmente ela abriga o mosteiro beneditino às portas do qual fui deixado dezessete anos antes. Num primeiro momento nem se chegou a cogitar em me abrigar dentro daquelas grossas paredes frias e silenciosas. Me devolver ao mundo profano e pecaminoso o quanto antes era a solução a ser adotada. Até porque, nenhum daqueles clérigos jamais havia cuidado de um bebê que, sabidamente, era uma criatura, apesar de pequena e frágil, exigia uma enorme carga de trabalho e preocupações, o que nenhum deles estava disposto a encarar. Porém, uma busca pela vila das proximidades resultou infrutífera. Nenhuma mulher da vila havia parido recentemente, além do que, por uma avaliação amadora, eu já devia ter completado um ano de idade, ou estava próximo disso. Para desconsolo geral, não restou outra alternativa que não a de me deixar crescer entre as tarefas monásticas e os ritos religiosos. Ao que parece, não devo ter dado tanto trabalho quanto eles imaginavam. É certo que vez ou outra me flagravam fazendo alguma estripulia que sempre vinha acompanhada de uma reprimenda, quando não de algumas cintadas nos fundilhos. Mas, no geral, eu era meigo e obediente, e tinha o extraordinário poder de desarmar qualquer cara carrancuda com aquele sorriso tímido e inocente, o que acabou por me fazer querido por todos. Também aprendi rápido as letras e, com tenra idade já me debruçava sobre livros e manuscritos em latim que me abasteciam com centenas de dúvidas e perguntas que eu saía questionando entre os monges. - Você deveria ser rebatizado de Anxo dos Porquês! Costumavam me dizer quando perdiam a paciência com o tanto que eu perguntava. Minha pergunta a essa afirmação não podia ser outra – Por quê? Ou ela era seguida de uma carraspana, ou de uma risada divertida. Ninguém ali contava os anos, exceto para fins monásticos, e isso incluía as datas de aniversário, como se todos ali não quisessem fazer a contagem regressiva da vida. Eu parecia ser o único preocupado com essa questão e, desde que me disseram o dia no qual fui encontrado na porta do mosteiro, eu o celebrava no anonimato e sozinho no meu claustro como sendo o do aniversário. Se, como afirmavam, aquilo havia se dado há dezessete anos, mais aquele com o qual julgavam que eu já tinha na época, então aquele final de junho, começo do verão, me deixava com dezoitos anos. Eu não sabia bem o que isso representava, até o padre abade me declarar adulto e, portanto, ainda mais responsável pelos meus atos e pelo caminho que estava prestes a trilhar, até me tornar um deles. No fundo, eu não sabia se esse era meu desejo, mas como não conhecia nada além daquela construção isolada onde passei cada um dos meus dias até então, do terreno cultivável que a cercava, das escarpas rochosas que levavam ao mar que cobria a estreita faixa de areia nas mares altas e, da igreja situada em Compostela, a 80 quilômetros de distância, erguida no século IX onde diziam repousar os restos mortais do Apóstolo Thiago, e para onde me levaram em duas peregrinações. Isso era tudo que eu conhecia do mundo fora daquele mosteiro. A lembrança da primeira peregrinação acredito nunca mais sairá da minha mente. Ela aconteceu logo depois do meu corpo passar por uma ligeira e confusa modificação, que nunca me foi devidamente esclarecida. É assim para todo homem, e não volte a tocar nesse assunto, foi o que me responderam ante o tanto de perguntas que eu tinha para fazer. Ninguém me explicou porque minha voz começou a oscilar já não me permitindo mais alcançar as notas agudas com a mesma pureza e leveza de antes, embora ela ainda soasse melodiosa em contralto infantil durante os cantos do coral. E muito menos alguém quis me explicar o porquê daquela pelugem aloirada estar crescendo ao redor do meu pinto que, a cada dia, parecia estar mais escondido dentro deles. Como haviam me orientado a rezar muito para não cair em pecado quando esses pelos começaram a crescer, eu fazia o mesmo e com mais fervor, quando à noite, deitado no meu claustro, meu pintinho resolvia, por conta própria, ficar duro e deixar escorrer um fluído viscoso de cheiro alcalino, o qual eu corria a lavar avidamente enquanto rezava ardorosamente o Credo dos Apóstolos. Mas era no confessionário durante o sacramento da penitência que eu pecava, pois sempre omitia o fato de ficar com o pinto duro e vazando, com receio de nunca adentrar ao Reino dos Céus. - É só isso, garoto? Pense bem, você deve ter cometido mais algum pecado durante essa semana, não me esconda nada! – exigia o sempre zangado monge Aldán, querendo arrancar de mim esse segredo pecaminoso. - São só esses mesmos, monge, eu juro! – devolvia eu, com a consciência já pesando mais que chumbo. - Então suma daqui e reze dez Pais Nossos, quinze Ave Marias e vinte Credos! – ordenava. E lá ia eu, ajoelhado em frente ao altar, cumprir minha penitência, sabendo que o diabo estava se divertindo por eu não ter sido totalmente sincero na minha confissão. Mas cadê a coragem para revelar o que se passava quando eu estava deitado na minha cama, sozinho, com aquelas sensações estranhas percorrendo meu corpo. Eu estava convencido de que aquilo era obra do diabo querendo se apossar de mim, como aconteceu com Dom Bernal que precisou ser exorcizado por Dom Evencio, naquela noite em que, tomado de inquietações e insone, os encontrei pelados com Dom Evencio grudado no traseiro de Dom Bernal no corredor mal iluminado que levava ao pátio interno depois da cozinha. Dom Bernal, debruçado de quatro, gemia alto com Dom Evencio montado nele movimentando a pelve num vaivém frenético, enquanto ele próprio emitia uma espécie de rugido rouco, provavelmente pelo esforço que estava fazendo para retirar o Satanás de dentro do Dom Bernal. Ao menos foi o que deduzi, depois de eles terem explicado o que estavam fazendo quando os flagrei. - Volte para o seu quarto Anxo! Essa é uma cena nada agradável de se presenciar, especialmente na sua idade. O diabo é bem determinado e não está sendo nada fácil esconjurar as forças malignas que tomaram conta de Dom Bernal. – ordenou Dom Evencio, sem parar o gingado da pelve, enquanto Dom Bernal me encarava com um misto de assombro e prazer. Acho eu que por estar sentindo o diabo sair de seu corpo. - Sim, senhor! Vou rezar pelo senhor, Dom Bernal, vou rezar com fervor! – afirmei, antes de sair correndo dali. - E Anxo, nenhuma palavra a quem quer que seja do que acabou de ver aqui, entendeu? Isso pode fazer com que Satanás resolva se apossar de você também. – berrou Dom Evencio atrás de mim, o que me deixou apavorado e com um arrepio gelado descendo pela minha coluna. Era por isso que eu vivia sobressaltado e aflito com essas sensações que faziam meu corpo todo reverberar, ao endurecerem meu pinto e o fazerem expelir aquele líquido que só podia ser a baba do diabo escorrendo enquanto ele se ria do meu infortúnio. Meditando profundamente concentrado nessa questão e, me recordando das expressões nos rostos de Dom Bernal e Dom Evencio, às vezes me pareciam que o que estavam fazendo era muito prazeroso, pois havia uma espécie de satisfação brilhando em seus olhares. Mas, eu devia estar enganado, como podiam estar satisfeitos quando se tratava de expulsar o diabo? Meus dilemas existenciais começaram logo após esse episódio. Eu nunca os havia tido até então, e agora, não me abandonavam e as minhas dúvidas só aumentavam à medida que eu ia crescendo. Eu precisava de respostas e, por mais que me debruçasse sobre os livros, não encontrava o que estava procurando. Apenas raramente recebíamos a visita de alguém no mosteiro, especialmente de alguém que não fosse clérigo. O mosteiro só abria parcialmente suas portas para leigos, uma vez ao ano, quando terminava o envase das garrafas de vinho produzido a partir do extenso vinhedo que fazia parte das terras do mosteiro. A venda dele representava a quase totalidade dos recursos financeiros com os quais o mosteiro sobrevivia. No restante do tempo apenas os monges reclusos circulavam pela construção. Ele chegou a nós sem explicações. Ao que parece, somente o padre abade sabia do real motivo de sua vinda e da necessidade de ele permanecer enfurnado entre nós. O comunicado oficial foi feito durante o jantar, no mesmo dia de sua chegada. Em tom solene, o padre abade anunciou que ele passaria a residir no mosteiro de forma sigilosa, e que não caberiam questionamentos quanto ao que ele estava a fazer ali. - A partir de hoje, Leuco passa a conviver conosco, não como um de nós, mas como hóspede de nossa generosidade! – anunciou o padre abade, que me pareceu não estar feliz com essa questão. – Os senhores devem tratá-lo como um bom cristão que é. O motivo de estar entre nós cabe somente a mim, e assim deve continuar! – emendou, quando surgiram os murmúrios entre os monges. – E isso se aplica especialmente a você, Anxo, que sempre quer saber de todos os porquês! – acrescentou, dirigindo aquele seu olhar fulminante sobre mim e que me desestimulava a questionar o que quer que fosse. Leuco era um homem jovem e portentoso na casa dos vinte e tantos anos. Tinha um corpão enorme, e que foi justamente a primeira coisa que reparei nele. De frente, o peitoral largo parecia uma muralha, pelas costas, os ombros espadaúdos pareciam ser capazes de carregar o mundo. O rosto anguloso era emoldurado por uma vasta cabeleira castanha que lhe escondia a nuca, e uma barba que só era escanhoada a cada três ou quatro dias, deixando-a com uma aparência meio relaxada, sem lhe tirar a beleza máscula. Seus braços eram imensos e fortes, bem como as pernas grossas metidas em calças, o que era raro de se ver entre nós que andávamos o dia todo com a longa túnica de burel, sob a qual não se tinha a menor ideia do formato do corpo que estava ali dentro. Fiquei tão impressionado com aquele estranho que passei o jantar inteiro com o olhar fixo nele, nos movimentos precisos e calculados que fazia, no modo como sua boca se movia ao falar e sorrir, nos olhos castanhos claros que estavam constantemente a estudar tudo a sua volta, e que eu não conseguia encarar sem ser tomado por tremores estranhos. Após o jantar fui chamado ao gabinete do padre abade. Como sempre acontecia quando era convocado a sua sala, eu já fui com o coração na mão. Mas eu não fiz nada, ou será que fiz, sem saber? Tomara que ele não esteja de mau humor, pois isso só vai aumentar meu castigo, murmurava eu comigo mesmo a caminho da convocação. - Leuco, este é o noviço Anxo! É ele que ficará encarregado de lhe mostrar a parte do mosteiro na qual lhe será permitido circular, que lhe informará sobre os horários da vida monástica, para que suas atividades não interfiram nas dos monges, pois essa foi a condição que impus para o acolher no mosteiro. – disse o padre abade, o que só me confirmou que aquele homem estava ali por uma imposição feita ao padre abade. - Não pretendo ser um estorvo, abade, prometo! Olá, Anxo! Estou ao seu inteiro dispor! – devolveu o Leuco, me deixando corado e sem coragem de o encarar. - Não se mostre tão disponível ao Anxo! Esse moleque já é saliente o bastante sem precisar da ajuda de um leigo. – afirmou o padre abade, fazendo-o rir. – Não, Leuco, não tem nada de engraçado nisso! Ele precisa de disciplina e rédeas curtas, e eu espero que o senhor não alimente as fantasias dele. – emendou sisudo. O Leuco piscou discretamente na minha direção e eu soube naquele instante que seríamos bons amigos. Haviam-no acomodado num claustro próximo ao meu, num dos corredores mais isolados do mosteiro. Após deixarmos a sala do padre abade, já comecei a lhe explicar a rotina monástica. Despertamos por volta das 05:30h em silêncio, seguindo em direção ao refeitório para o café matinal. Entre 06:45h e 08:00h nos dedicamos a oração pessoal, às Laudes Matutinae e a Lectio Divina. - Sabe o que significam? – perguntei, ante a cara esquisita que fez. - Não faço a menor ideia! E, a bem da verdade, não faço questão de saber, deve ser algo tão aborrecido como tudo dentro desse mosteiro. – respondeu. Embora a afirmação tenha me chocado um pouco, continuei minha explicação. Às 09:30h é celebrada a missa e, ao fim dela, se iniciam os trabalhos diários. Entre 12:00h e 13:30h acontece o almoço comunitário no refeitório. Das 14:00h às 18:00h há um breve período de recreação, seguido de estudos e continuidade das tarefas diárias. Ao pôr do sol acontecem as Vésperas, as orações e o canto dos hinos em agradecimento ao dia, seguidas da escuta das regras do mosteiro e, por fim, em torno das 21:00h o recolhimento em silêncio nas celas. - Que vida interessante! – exclamou em tom irônico. – Só não espere que eu vá te acompanhar a todos esses eventos excitantes. – acrescentou, como se estivesse entediado, caminhando impaciente de um lado para o outro como uma fera enjaulada. Minha língua estava impaciente querendo perguntar por que ele estava ali, de onde veio, o que fazia, por que usava aquelas roupas estranhas que eu nunca tinha visto, mas meu receio em desobedecer às ordens do padre abade sobre fazer perguntas ao estranho me calaram. Me calaram por não mais de dois dias, até a comichão na língua se tornar insustentável. - Que roupas eram aquelas com as quais chegou aqui? Eu nunca vi nada parecido. – desatei a questionar. - É meu uniforme militar. – respondeu. – os anéis de ferro trançado que vão até os joelhos chamam-se lorigas, a cota d’armas são os tecidos colocados por cima das lorigas e os cueros são as proteções mais leves feitas de couro lavrado e endurecido. – esclareceu. - Então você é um guerreiro? - Sim! - Como veio parar no mosteiro? – lá estava eu começando meu interrogatório. Ah, se padre abade me ouvisse! - Sou o primogênito de uma família que governa uma das taifas que estão em conflito com as demais e com os cristãos que estão querendo reaver seus territórios, e meu pai obrigou o padre abade a me esconder dos inimigos no mosteiro, uma vez que está localizado em nosso território, para preservar minha vida, mas eu acho que vou morrer de tédio aqui dentro mais rápido do que se fosse atingido por uma espada. - Não diga um sacrilégio desses! Você é muito bonito e jovem para morrer! – exclamei, deixando escapar o quanto estava impressionado com sua pessoa. - Posso dizer o mesmo de você! O que faz um garotão tão lindo querer virar monge para passar o resto da vida enfiado num lugar como esse? – questionou, me fazendo corar com sua ousadia. - Não é ruim viver aqui! Eu não conheço outros lugares, cresci aqui dentro! É um lugar seguro, tranquilo e gostoso de se viver. Às vezes as horas demoram um pouco para passar, mas eu me distraio cuidando das flores dos canteiros do pátio interno, brincando com o Xordas, o cão pastor dos Pirineus que apareceu aqui ainda filhote e que, ao contrário do nome que lhe dei, não tem nada de calmo e silencioso, pois justamente esse comportamento que levou o padre abade a descobrir que eu o escondia perto da despensa da cozinha; e a Bimba, a gata que encontrei perdida no meio do vinhedo numa tarde em que estava perambulando por aqueles lados. O padre abade me avisou que se eu abrigasse mais algum bicho no mosteiro ele me despachava para os quintos dos infernos, embora eu não faça ideia onde fica esse lugar. – o Leuco riu escrachadamente, e eu fiquei sem entender o que tinha dito de tão engraçado. - Você é uma figura, moleque! Pode estar certo de que vou fazer a sua vida aqui bem mais interessante! – afirmou. Eu fiquei feliz, embora não desconfiasse como ele faria isso. – Mas, por hora, quero apenas tomar um bom banho, a longa viagem até aqui nessas estradas poeirentas está me fazendo sentir como um porco na pocilga. Onde posso me banhar, já que vai ser meu cicerone? – indagou. - É por aqui o lavatorium, no claustro próximo a entrada do refeitório, me acompanhe! – respondi, entregando-lhe uma toalha. - É aqui que vocês se banham? Você não quer que eu entre nessa coisa, quer? – exclamou chocado quando se deparou com a estrutura de pedra sextava de cuja coluna central saíam cinco bicas d’água. - Entrar? Que ideia absurda! Não é para entrar dentro do lavatorium, é somente para lavar o rosto e as mãos! – respondi, achando estranho o comentário dele. - Eu preciso de um banho completo, do corpo inteiro, não lavar mãos e rosto! – afirmou. - Mas não estamos em nenhuma data comemorativa para tomar um banho de imersão! – devolvi - Como assim, o que uma data comemorativa tem a ver com um banho? Que esquisitice é essa? – perguntou. - Não é esquisito! Nós só tomamos os banhos claustrais completos algumas vezes no ano, mas isso lá na casa de banho. – respondi. - Pois é para lá que quero ir! Ora, veja se tem cabimento me banhar algumas poucas vezes no ano! Onde fica a higiene nessa história, ou melhor, nesse lugar que a cada minuto me deixa mais perturbado. - Está bem, vou perguntar ao padre abade se posso te levar até lá! - Não seja tão disciplinado e seguidor de regras, moleque! Se sabe onde fica essa tal casa de banho me leve para lá e ponto final! - Eu ... eu ... e se o padre abade ficar zangado comigo? Isso nunca é bom! – ele riu. - Ah, moleque! Você tem muito a aprender! Vai me dar um trabalhão te ensinar como se vive. Anda, me conduza até lá e pare de colocar empecilhos. – ordenou. Eu obedeci, mas já contava com o castigo. Com a tina cheia d’água aquecida, ele se despiu, enquanto eu acrescia folhas de sálvia e louro, como costumávamos fazer. Ao me virar ele estava nu em pelo atrás de mim. - Por São Bento, Thiago e todos os outros santos e apóstolos, o que é isso? – perguntei, ao me deparar com aquele corpão másculo, cheio de músculos e aquela coisa enorme pendurada no meio das pernas vigorosas dele, ao mesmo tempo que era acometido de uma vertigem que fez tudo ao meu redor rodopiar, até eu cair direto nos braços dele. - O que deu em você, moleque? Está se sentindo mal? - Não! É que você ... bem, você ... – gaguejei. - Eu o quê? O que tem eu? - Você está ... está ... está ... pelado! - Claro que estou pelado, vou tomar banho! Queria que eu tomasse banho vestido? Você é meio maluquinho, não é, moleque? - Não sou maluco! – me defendi exaltado. - Pois parece! E o que tanto está me olhando, nunca viu um homem pelado? - Não, nunca! – respondi sincero, com uma ingenuidade que o fez rir. - Foi por isso que teve a vertigem? Por me ver pelado? - Acho ... acho ... acho que sim! – devolvi intimidado e corado. – Esta semana não preciso inventar algum pecado ao me confessar com Dom Aldán, terei um pecado verdadeiro pelo qual me penitenciar. – afirmei. Ele apenas riu da minha inocência e credulidade, pois eu ainda estava tampando os olhos com uma das mãos para não ter que encarar aquele sexo imenso e descaradamente exposto. Tive pesadelos a noite toda com aquele cacetão que, ao que me pareceu, não era muito menor do que os dos cavalos que tínhamos nas cocheiras do mosteiro. Cheguei a cair da cama do tanto que me revolvi durante os pesadelos nos quais ora me via atraído por aquela coisa, seu corpão sensual e seu sorriso encantador, ora queria fugir quando via ele se transformar no capeta, com chifres, rabo e seu tridente me aliciando. Por isso, muito antes do alvorecer, fui à capela e rezei com todas as forças do meu ser para que o diabo não se incorporasse em mim, como havia feito com Dom Bernal. - Está cumprindo com a missão que lhe dei, Anxo? Como está o forasteiro? Faça com que se sinta acolhido, porém nada de exageros, entendeu? E, principalmente, não deixe de cumprir rigorosamente todas as suas demais tarefas! Não quero que ele vire uma distração e te afaste das suas obrigações. – disse o padre abade quando cruzei com ele no corredor do refeitório. - Sim, senhor, estou fazendo tudo conforme o senhor ordenou! - Bom, muito bom! Continue assim! – retrucou, passando a mão na parte glaba do meu cercilho. Acho que o padre abade nunca desconfiou que a missão da qual me encarregou foi o melhor presente que já recebi. Não sei explicar o que estava acontecendo comigo, era algo que jamais havia sentido. Eu gostava do Leuco de um jeito especial, diferente de tudo que já senti. Eu queria estar perto dele o tempo todo, gostava de ouvir sua voz, sentia um calor no peito toda vez que ele sorria ou fazia alguma brincadeira, geralmente caçoando de mim, mas isso não importava. Me arrepiava todo quando ele me tocava, embora achasse que essa sensação era obra do capeta que, à semelhança do que aconteceu com Dom Bernal, também havia se apossado de mim, e me fazia sentir aquelas quenturas estranhas, fazia meu pinto endurecer e provocava uns espasmos no meu cuzinho. Tudo isso era novo para mim, novo e assustador, o que me levava a correr constantemente para a capela e rezar como jamais havia rezado antes. - Que tanto você corre para a capela rezar, moleque, abandonando as tarefas pela metade e disparando para a capela como se o diabo estivesse no seu encalço? – perguntou-me Dom Aldán, numa ocasião em cruzei com ele ao me dirigir apressado para a capela. – Por acaso está precisando se penitenciar dos pecados que está cometendo? - Não padre, não estou cometendo nenhum pecado! É só vontade rezar mesmo, nada mais! – respondi, enquanto ele me encarava cismado procurando descobrir o que eu andava aprontando. Só eu sabia o quanto minha cabeça estava confusa, cheia de pensamentos pecaminosos, repleta de dúvidas e querendo saber porque o Leuco me deixava nesse estado de constante arrebatamento. Ele não facilitava as coisas. Estávamos no verão, eu livrava os meus canteiros de flores e hortaliças das ervas daninhas com a ajuda dele que, de uns tempos para cá, resolveu fazer alguns trabalhos manuais para não morrer de tédio. Do nada ele tira a camisa e continua sob o sol com o torso desnudo. No mesmo instante começam as minhas vertigens. Aquele peitoral imenso com seus dois redemoinhos de pelos ao redor dos mamilos, aquela trilha peluda que desce até o abdômen e some para dentro da calça, os ombros largos e as costas suadas reluzindo sob o sol desencadeiam um palpitar descompassado no meu peito e não me deixam respirar direito. Quanto ao que acontece debaixo da minha túnica sufocante, abaixo da cintura, é bom nem mencionar, uma vez que meu pinto está mais duro do que uma barra de ferro. - Está se sentindo bem, garoto? – perguntou ele, quando constatou a palidez do meu rosto. - Sim, estou! Estou bem! – mal havia balbuciado as frases e um monte de estrelinhas faiscantes surgiu diante dos meus olhos, antes de tudo se apagar. - Acorda Anxo! Vamos moleque, acorde! – ouvi uma voz ordenar, enquanto uma mão batia nas minhas bochechas. – Esse moleque está cada dia mais estranho! Será que está doente? – o questionamento tinha a voz metálica de Dom Evencio, bem como era dele a mão que batia no meu rosto lívido. - Deve ser o calor! – disse o Leuco. – Ele ficou pálido e, de repente, caiu nos meus braços. Não tivesse sido ligeiro o bastante, teria se estatelado no chão entre os canteiros. – revelou. – Também pudera, com essa túnica pesada e grossa sob esse sol, só podia dar nisso! Vocês precisam mesmo usar essas roupas inapropriadas? – questionou. - É evidente que sim, somos monges, o hábito reflete nossa vida ascética e o voto de pobreza! – respondeu indignado Dom Evencio. - Ao menos podiam usar hábitos de tecidos mais leves, não essa lã rústica e pesada! Isso é um castigo para o corpo de qualquer cristão! – retrucou o Leuco, inconformado. - Hã! O que foi, o que aconteceu, onde estou? – sussurrei com a boca seca. - Foi que você desmaiou nos meus braços novamente, isso parece estar se tornando um hábito! – respondeu o Leuco. - Está se alimentando direito, moleque? Você nunca desmaiou antes, o que está acontecendo com você? – indagou Dom Evencio. – Vamos jogar um pouco de água fria nesse rosto e nuca, você está mais branco do que um fantasma, garoto! - Estou, padre! Juro que estou me alimentando bem! – respondi, sabendo que não era por falta de alimentação, nem pelo calor, nem por qualquer outra coisa que não aquele torso sedutor e másculo a me tirar do prumo. Fui dispensado a tarde toda das minhas tarefas, e mandado para a cela para permanecer descansando longe do sol e do calor. O Leuco entrou pouco depois de eu ter me despido e deitado com a janela aberta por onde entrava uma brisa e o perfume que ora vinha dos campos, ora do mar conforme mudavam as correntes de ar. Me cobri ligeiro, quando vi o olhar dele escrutinando meu corpo. - O que faz aqui? - Vim ver se ainda está vivo! - Tonto! - Você é muito bonito para andar por aí coberto do pescoço aos pés! Esse corpo devia estar tomando ar fresco e sol. – afirmou. - Expor o corpo é um ato de luxúria, é pecado, leva a maus pensamentos! - retruquei - Você e suas maluquices! Me diga, o que para você não é pecado? Tudo que é prazeroso para você é pecado! Deixe de ser tão fervoroso, tão ... tão religioso! Maus pensamentos a gente tem quando se depara com esse corpo lindo, branquinho, lisinho e essa bundinha carnuda! Chega a dar falta de ar e dá uma comichão danada aqui embaixo! – exclamou com um brilho libidinoso no olhar, ao apertar algumas vezes o cacetão. – Você nem monge é, por que se privar do que a vida tem de bom a oferecer? – perguntou - Não sou ainda, mas vou ser um dia, quando chegar o momento de fazer a profissão solene e redigir a petição jurando os votos definitivos. - Se eu sou tonto, você é maluco! – devolveu, com um sorriso amistoso e protetor. Embora o mosteiro estivesse a umas duas centenas de metros da costa, a ponto de se poder ouvir as ondas batendo contra as rochas do promontório e um pouco mais distante da pequena praia de areia grossa e cinzenta, eu raramente me dirigia para lá. Era mais uma das regras que haviam me imposto quando eu ainda era criança, talvez para que não me afogasse no mar, jamais seguir para a praia, especialmente sozinho. Como as demais regras, eu a cumpria desde então. Embora estivesse cada vez mais tentado a entrar naquela água salgada e deixá-la envolver meu corpo. Tão logo o verão começou, o Leuco seguia para lá todos os dias, se demorando algumas horas antes de regressar como que renovado e mais disposto. - Precisa vir comigo, não sabe o que está perdendo! Todo esse marzão na sua frente e você me diz que nunca foi se banhar lá? Não é possível que você seja tão retraído! - O padre abade me proibiu, há muitos anos. Disse que posso me afogar, para me manter longe das ondas! – devolvi - E claro que você nunca nem cogitou em desobedecer a mais essa regra, não é? Ah, Anxo, tem horas que tenho vontade de rachar sua cabeça ao meio com um machado para enfiar alguma coisa dentro dela que não seja de cunho religioso! – afirmou intempestivo. - Se rachar a minha cabeça ao meio vai me matar, de qualquer maneira não conseguirei me banhar no mar! – argumentei. Ele riu, me deu uma chave de pescoço e só me soltou quando eu estava sufocando. A curiosidade me fez segui-lo até a praia numa tarde escaldante. Fiquei de longe, escondido atrás a vegetação que crescia nos montículos de areia fofa que desciam em direção à praia. Ele se despiu, abriu os braços, movimentou a cabeça de um lado para o outro, flexionou algumas vezes o tronco para frente e caminhou para dentro da água. Engoli em seco assim que o vi pelado, o pauzão enorme balançando entre as pernas musculosas, sendo tomado por uma tremedeira que me agitava por inteiro. O corpão dele mexia comigo, me fazia sentir coisas estranhas, me dava uma vontade enorme de o tocar, de sentir sua pele, de me encostar nele também nu. De repente, perdi o equilíbrio por estar a algum tempo de cócoras e desabei sobre a pequena duna de areia, no exato momento em que ele dirigiu o olhar em direção à praia. Ao me ver, acenou para que eu fosse ao seu encontro, mas isso seria impossível, dado que meus pés pareciam ter enraizado na areia. Então ele veio na minha direção, a cada passo seu corpo nu ia se revelando ao sair da água, o cacetão se projetava a frente dele, sacolejando de um lado para o outro. Minha visão queria embaçar, a boca não tinha uma gota de saliva sequer, e a vertigem, ah, essa maldita vertigem já estava novamente a me rondar. Mas eu decidi ardentemente que não ia desmaiar dessa vez, que não ia me privar daquela visão espetacular. - Vamos, tire essa coisa, batina, hábito, túnica ou, seja lá o nome que essa merda tem e venha comigo, a água está uma delícia! – sugeriu, estendendo o braço na minha direção. - Não posso! - Deixe de frescura! É claro que pode! Vamos tire essa roupa! – exclamou impositivo, começando a erguer meu hábito para arrancá-lo do corpo. Como não desistiu do intento, tive que ceder e me pus nu, cobrindo com as mãos os genitais que já não eram grandes e se encolheram mais ainda quando ele os observou. O Leuco me jogou sobre seus ombros e caminhou comigo em direção às ondas. De nada adiantou eu espernear e socar suas costas vigorosas. Ele simplesmente continuava andando e dando uns tapas estalados nas minhas nádegas. Quando me soltou dentro d’água e senti aquela quentura me envolvendo compreendi porque diziam que o banho de imersão era uma vaidade a ser sublimada por despertar prazer e luxúria. Se era pecado sentir esse prazer, eu queria pecar todos os dias, queria me soltar entre as ondas e as deixar lamber minha pele. Ficamos a jogar água um no outro; de quando em quando, o Leuco me erguia e tornava a me jogar dentro d’água. Eu nunca me senti tão livre, tão feliz. Os toques constantes com o corpo dele foram me excitando. Agora eu compreendia porque meu pinto ficava duro, era excitação, era tesão que meu corpo sentia. Não só meu pau estava se manifestando. Por alguma razão, assim que eu olhava para o pauzão e o sacão dele, meu cuzinho piscava voluntarioso. Percebi que a brincadeira também o deixou de pau duro e, de repente, ele me abraçou por trás, encaixou o caralhão no meu reguinho e arfou na minha nuca. - Tesudinho do caralho, como você é gostoso! Essa pele, esse seu cheiro virginal, essa bundinha roliça e quente! Eu te quero! Quero te penetrar, quero entrar em você, Anxo, meu padrezinho sedutor! – ronronava ele, impaciente a alvoroçado, me deixando na mesma condição. - O que está fazendo? Pare, não posso! Me solta, Leuco! - Pode sim! Pode e quer! Diz para mim, olhando na minha cara que não quer! – exigiu, ciente de que eu não podia cumprir o que me pedia. - É pec .... – antes de concluir, a boca dele cobria a minha, quente e lasciva. Não consegui mais resistir, e o deixei assumir o controle. Seus braços me puxaram contra si, minhas costas amoldadas ao peito dele, suas mãos bolinando sensualmente meus mamilos, meu gemido de rendição e a penetração firme, potente, ao se empurrar para dentro do meu cuzinho. Meu ganido foi encoberto pelo barulho das ondas quebrando e pela brisa que o carregou para longe. Meu ânus se abria num desabrochar, as preguinhas virgens se rasgando à medida que o caralhão grosso e voraz afundava na maciez quente do meu cu. A dor me fez querer escapulir, mas ele me reteve, estocou o pauzão umas duas, três vezes, até ele desaparecer por completo dentro de mim, me fazendo estremecer. A respiração ofegante e morna dele resvalava na pele arrepiada da minha nuca, me fazendo sentir as pulsações rítmicas e fortes do caralhão entalado no meu rabo. Quase foi demais, quase nova vertigem me atordoou, mas foram apenas segundos, pois a dor dava lugar ao prazer, um prazer carnal e lascivo, um prazer que eu nunca deveria ter sentido, pois nesse momento eu só quis ser um homem comum, não um homem religioso, apenas alguém a quem esse prazer fosse a coisa mais natural desse mundo. - Isso, tesudinho, empina o rabo para mim, empina! Desde que coloquei meus olhos em você pela primeira vez, senti que fomos feitos um para o outro, que era disso que ambos precisavam. Confessa para mim, Anxo, confessa que me queria bem onde estou agora, dentro do seu cuzinho. – sussurrou, enquanto o tesão incontrolável me fazia arrebitar a bunda para o pauzão afundar mais ainda nas minhas entranhas. - Ai Leuco! Fica em mim, não saia daí! Enfia tudo, Leuco, enfia todo esse pauzão em mim! Sou seu, sou todo seu! – devolvi, gemendo libertinamente em meio a um prazer que parecia não ter fim. - Estou enfiando, seu veadinho puritano, estou enfiando! Sente meu caralho te abrindo, sente, moleque! Sente teu macho te cobrindo para te inseminar! – grunhiu, guiado pelo tesão desenfreado. Meu pinto começou a esporrar, não imperceptível como acontecia durante os sonhos, ele esporrava com vontade fazendo os jatos de sêmen leitoso jorrarem como num chafariz. Era a glória, a suprema sensação de prazer, a felicidade explodindo no peito e externada em gemidos cada vez mais intensos. Atordoado pelo prazer, sentia a carne rija e potente dele se movendo dentro de mim num vaivém sublime e que me fazia gemer seu nome, levando-o a um estado de quase delírio no qual se agarrava cada vez mais firme a mim, socando o cacetão sem parar no meu cuzinho arreganhado, até eu o sentir se estremecendo todo, a pelve contraída, o urro grave se sobrepondo aos meus gemidos e, o esperma abundante sendo inoculado nas profundezas do meu cuzinho, preenchendo-o até ele começar a vazar. - Cacete padrezinho, que foda do caralho! Quem diria que eu ia foder um padrezinho virgem e apertado como você algum dia? Foi a melhor foda da minha vida, foi, seu veadinho reprimido! – murmurava ele, sem me soltar, enquanto o cacetão dava os últimos pinotes para expelir toda porra que ainda estava em seus colhões. - Não sou padrezinho! Sou noviço! Não me chame assim! – protestei, pois cada vez que ele me tratava dessa maneira eu me sentia menor, diminuído pela minha ignorância do mundo, quando ele parecia saber de tudo, ter vivido plenamente, conhecido coisas e lugares com os quais eu nem imaginava existir. - Você sempre vai ser meu padrezinho! O padrezinho que não deu certo! O padrezinho que abdicou da vida monástica para a viver ao meu lado, ao lado do seu macho! – acho que o gozo o estava fazendo delirar por falar essas coisas absurdas e sem sentido. De onde ele tirou essa ideia de eu abdicar da vida monástica, isso jamais ia acontecer, eu vivi desde a mais tenra idade dentro de um mosteiro? Contudo, era bom ouvi-las, era bom estar em seus braços e atado a seu corpão. Um filete de sangue escorria pelo lado interno da minha coxa quando saí da água. Antes do desespero se apossar de mim, ele me tranquilizou com um beijo quente e demorado, assegurando que eu ia ficar bem, que o que estava escorrendo pelas minhas coxas tinha o nome engraçado de cabaço, que era minha virgindade vertendo do cuzinho arregaçado. O Leuco sabia de tudo, e era isso que me fazia gostar tanto dele. Por dois dias senti uma ardência ao fazer as necessidades fisiológicas. Quando ele disse que me arregaçou, não mentiu. Enquanto o esperma pegajoso dele formigava no meu cuzinho, eu tinha a sensação de haver uma cratera aberta nas minhas entranhas, o que me levou a travar os esfíncteres e andar com as pernas juntas. Por sorte o hábito longo escondia toda essa devassidão, ou eu teria muito a explicar ao padre abade sobre o que andava fazendo na surdina. Alegando que não conseguia dormir, o Leuco começou a vir à minha cela quase todas as noites. Deitava-se colado a mim, geralmente com o torso nu, quando não completamente. Eu cedia a maior parte da cama para o seu corpão, deixava que me abraçasse, deixava me encoxar até ficar com tanto tesão que empinava a bunda em sua virilha. Ele tirava o caralhão duro da calça, quando tinha uma, e o metia lenta e progressivamente dentro do meu cuzinho, seduzido pelos meus gemidinhos e pelos esfíncteres se contraindo, mastigando sua rola grossa. O prazer sempre me levava ao gozo antes dele, melecando minhas coxas, lençóis e tudo onde meu pinto tocava. O dele era despejado integralmente no meu casulo anal, e ali ficava a formigar, enquanto o pauzão amolecia vagarosamente à medida que caíamos no sono. Muitas vezes ainda estava lá, nem bem rijo nem bem flácido, agasalhado pelo meu cuzinho quando o alvorecer anunciava a hora das abluções e o início da rotina monástica. - Fica mais um pouco, gosto como suas preguinhas encapam meu cacete! Vamos foder, quero te foder! Me beija e pede para eu foder seu cuzinho, pede! – ronronava ele, ainda sonolento, ao contrário do pauzão que estava mais desperto e à postos do que nunca. - Você já deveria ter voltado para seu quarto! Se nos pegam aqui, estou perdido! O padre abade já me deu algumas reprimendas por estar chegando atrasado ao refeitório. Logo ele desconfia e vem me procurar na clausura, e o que eu vou dizer quando ele te pegar grudado na minha bunda? Me diga, o que é que eu vou dizer? - Diga que sou seu macho, que você não quer mais brincar de ser monge, que quer fugir comigo e conhecer o mundo! – respondeu. - Você não tem juízo! É um safado! E está querendo me levar para o mau caminho! - Como sabe que é um mau caminho se nunca o trilhou? - Anda, suma daqui, vá para o seu quarto antes que te peguem! - Só depois do beijo e de uma mamada no meu cacete, meus colhões estão abarrotados e isso pode subir à cabeça! – retrucou libertino - Como pode estar com os colhões abarrotados se eu ainda estou todo molhado por dentro do tanto que gozou no meu cu? – questionei, enquanto ele me provocava alisando o caralhão. – Só um pouquinho, uma mamada rápida! – acrescentei, quando o assédio me deixou com tesão. Segui correndo para o refeitório com o sabor do leite viril dele na boca. Era uma missa comum, daquelas de todos os dias, quando tive o estalo. Ultimamente eu tinha dificuldade em me concentrar nas orações, nos sermões e me perdia durante os hinos, pois o Leuco, seu corpão e os prazeres que ele me proporcionava ocupavam todos meus pensamentos. O estalo aconteceu durante o sermão verborrágico de Dom Eudes, o monge que tinha a capacidade de fazer todos cochilarem durante sua pregação monótona e demorada, inclusive o padre abade que, de tempos em tempos, pendia a cabeça para frente e voltava a despertar assustado e se recompondo. Dom Evencio não estava tirando o Satanás do corpo de Dom Bernal como afirmaram e me fizeram acreditar, eles estavam transando, sim, era isso que estavam fazendo, trepando. Dom Evencio estava fodendo o cu de Dom Bernal do mesmo jeito que o Leuco fodia o meu, daí aquela expressão de prazer no semblante dele. Não havia diabo algum nessa história como queriam me fazer crer quando os flagrei naquela noite. Como fui ingênuo em acreditar no que me disseram. O Leuco tem razão, sou um tolo, um bobinho inocente que à simples menção do diabo se borra todo e sai acreditando que praticamente tudo que pensa e faz é pecado. De repente, senti muita raiva. Raiva por estar ali, raiva por acreditar em coisas que certamente não eram verdade, raiva por ter sido enganado a vida toda e raiva por terem me imposto tantas regras que não tive a oportunidade de viver plenamente. Foi a primeira vez que abandonei a missa antes do final, e saí para respirar, caminhando em direção à praia onde podia soltar aquele grito sufocado que carregava no peito. Ele correu atrás de mim assim que me viu indo em direção à praia. Me chamava, mas eu continuava caminhando sem responder. Se juntou a mim quando soltei o grito libertador, erguendo os braços e berrando feito um doido em direção ao horizonte. - O que está acontecendo? Por que está berrando tanto? – perguntou, achando meu comportamento estranho. - Fui enganado a vida toda! Não tem diabo, Satanás, capeta, tem é um monte de mentiras! Não é pecado sentir prazer, não é pecado sentir o que sinto por você, não é pecado atar meu corpo ao seu! É prazer, só prazer! É divino, sublime, não pecado! – exclamava eu, chutando a areia fofa aos meus pés. - O que você sente por mim? – perguntou, como se fosse a única parte do que ouviu. - Eu gosto de você! Gosto do seu corpo, gosto dos seus beijos, gosto como me segura em seus braços, gosto de sentir esse caralhão cavalar no meu cuzinho, gosto de saborear seu esperma, gosto de tudo em você! – declarei eufórico. - Puta merda, padrezinho! Não faço ideia do que aconteceu, mas estou feliz por estar me dizendo essas coisas. Sou tarado por você, por esse rosto lindo, por esse corpo sensual, por esse cuzinho apertado e quente. – afirmou, me envolvendo em seus braços. Deixei-me deslizar aos seus pés, puxei a calça dele para baixo e fiz o pauzão saltar para fora colocando-o na boca e começando a sugar a cabeçorra. Enquanto ele, desconcertado, ainda tentava entender o que estava acontecendo. Com a minha boca e lábios percorrendo toda extensão de sua verga e chupando seus colhões peludos, ele grunhia ao ejacular sua porra deliciosa na minha garganta. A partir dali, transei com ele assim que o tesão nos acometia, sem culpa, sem remorsos, sem pensamentos castradores. Cada coito era mais prazeroso que o anterior, cada gozo era mais pleno que o antecessor, cada beijo que trocávamos era o reflexo de uma paixão que já não podia mais ser negada ou escondida. O pai do Leuco chegou ao mosteiro no meio de uma manhã fria de novembro, acompanhado de um pequeno exército. A pompa do destacamento estava expressa nos estandartes coloridos que dois batedores traziam e nas armaduras brilhantes dos soldados. Eu nunca tinha visto nada parecido e tão intimidador. Os monges ocupados com suas tarefas devem ter sentido o mesmo, pois pararam de fazer o que estavam fazendo e se voltaram para a comitiva. Visitas tão ostensivas nunca aconteceram antes; ao menos desde que me reconheço por gente. O pai apeou do portentoso cavalo branco e o Leuco correu na direção dele. Abraçaram-se efusivamente, externando a alegria do reencontro. Havia vinte meses que não se viam e o entusiasmo de ambos refletia essa saudade. Fiquei uns passos atrás de Dom Berthus, que era o encarregado de receber os leigos que vinham ao mosteiro. Sua função eram despachar o quanto antes aqueles que chegavam sem um propósito definido, muitas vezes sem nem os deixar entrar, e receber aqueles cujo propósito tinha algo a ver com o mosteiro ou suas necessidades, conduzindo-os pelas alas cuja presença de leigos não profanasse a clausura sagrada. Ele recebeu o pai do Leuco com fria indiferença, embora o tenha reconhecido de quando havia deixado o filho aos cuidados da proteção sigilosa do padre abade. Foram todos para o gabinete do padre abade. Eu quis correr atrás deles para saber dos detalhes dessa visita e do que ela acarretaria, mas fui contido por Dom Aldán que, como sempre, vivia no meu pé procurando por qualquer ínfimo deslize de minha parte. - Onde pensa que vai, moleque? Bisbilhotice é pecado! Trate de ser discreto e vá cuidar das suas tarefas. Nada do que será discutido com o padre abade é do seu interesse! Vamos, desapareça das minhas vistas, antes que eu lhe dê uma penitência pelo restante do dia. - Que droga! Tudo é pecado! Dentro em breve até respirar será pecado, que saco! – retruquei desbocado, pois algo me dizia que aquela visita tinha mais interesse para mim do que ele afirmava. - Moleque desaforado, que linguajar é esse? Nunca usou esses termos! Aposto que são resultado da influência daquele leigo descomungado! Após o jantar, vá direto para a capela rezar cinquenta Ave-Marias, quarenta Pai Nossos e setenta Credos, é uma penitência branda por seu mau comportamento e por essas palavras vulgares. – ordenou, ao me castigar. Eu não tinha a menor intenção de cumprir aquela penitência, pois levaria horas para cumpri-la, avançando noite adentro e tirando meu descanso. Tinha cumprido muitas sem necessidade e, portanto, tinha crédito em aberto no céu. Fui ao gabinete do padre abade por corredores secundários, eu precisava saber o que estava acontecendo lá dentro e não ia sossegar enquanto não soubesse. - Eis a segunda parte do pagamento que lhe prometi! – começou a voz autoritária que imaginei ser do pai do Leuco. – Isso paga com folga a estadia e proteção do meu filho dentro das paredes desse mosteiro! – acrescentou. – É chegada a hora de ele partir e voltar comigo para junto da família, uma vez que os riscos de um ataque à nossa taifa praticamente não existem mais. – esclareceu. Estremeci ao ouvir que o Leuco ia partir e, por pouco, não invado o gabinete para suplicar que não me deixe, que não vá a lugar algum sem me levar consigo, pois o que sentia por ele ia me destroçar se o perdesse. Nem mais ouvi o que se falava lá dentro, de tão perturbado que fiquei, sentindo as lágrimas escorrendo pelo rosto. Me refugiei na minha cela e me pus a chorar sem freios. Como eu ia continuar vivendo ali dentro sem ele do meu lado? - Por que está em sua cela a essa hora? Não têm tarefas a cumprir? – perguntou-me Dom Evencio que estava me caçando pelo mosteiro. - Não estou me sentindo bem! Acho que estou morrendo! – respondi. - Ainda faltam muitos anos antes que venha a morrer! Não seja dramático! Vá imediatamente para o gabinete do padre abade, ele o aguarda. – devolveu. – Está morrendo, é só o que faltava! – murmurou, antes de sair. Antes de bater à porta fiquei uns minutos hesitando se o fazia ou se corria até a praia onde ninguém me encontraria antes do Leuco e o pai partirem. Eu não ia aguentar me despedir dele sem fazer uma cena, sem confessar diante de todos que o amava e que queria viver a seu lado, nem que fosse no inferno. Contudo, antes de eu me decidir, o padre abade abriu a porta abruptamente já se preparando para dar nova ordem para irem me caçar onde quer que fosse. - O que faz aí parado feito uma estátua, moleque? Não mandei que se apreçasse? Vamos entre, temos um assunto a tratar que não pode esperar. – afirmou. Ele estava de mau humor, e isso nunca era bom. - Esse é o Anxo, pai, o noviço que mencionei nas cartas. – disse ele, me apresentando aquele homem pomposo que exalava poder a cada expiração. - Olá, meu rapaz! É assim que se deve referir a um noviço, seja lá o que isso represente? – indagou, dando dois passos na minha direção e pegando minha mão antes que eu a estendesse. - Olá! Quer dizer ... isto é ... Sim, senhor ... Bom ... Bom dia, senhor! – a voz tremia tanto quanto meu corpo e a mão gelada que ele segurava entre a dele. - Você está gelado feito um defunto, rapaz! E tão pálido quanto! Por todos os santos que vocês reverenciam aqui, esse garoto não deve estar se alimentando direito há dias! – afirmou o homem, voltando-se ao padre abade. - Com certeza ele está bem alimentado! Ele sempre fica assim na presença de estranhos! Isso quando não é acometido por alguma vertigem e desaba no chão! Mas, não se deixe enganar por esse rostinho de anjo, por trás dele está um capetinha que precisa ser levado à rédea curta! – retrucou o padre abade. - Isso não é verdade, e o senhor sabe muito bem disso! O Anxo é a própria personificação de um anjo na terra! Tratam-no como se ele estivesse incorrendo em pecados que jamais cometeu, pois é incapaz de qualquer maldade, pensamento ruim ou atitude que não seja para fazer o bem. – afirmou o Leuco, pousando o braço pesado sobre meus ombros. - Não vou discutir o mérito das minhas afirmações com um leigo que desconhece a vida monástica! Pense como quiser! – devolveu o padre abade com aspereza na voz. - Agora consigo entender o que me dizia em suas cartas, que ele se parece com um passarinho assustado preso na gaiola! – disse o pai do Leuco. – Meu filho quer que venha conosco, que passe a fazer parte de nossa família! Portanto, eu pergunto, você quer abdicar da vida eclesiástica e se juntar a nós? O abade se eximiu da responsabilidade de continuar te abrigando no mosteiro caso venha a se arrepender da escolha que fizer. – afirmou. - Parte de sua família? – perguntei incrédulo. Será que eu ia mesmo ter uma família, uma de verdade, não aquela na qual vivi até então? O Leuco estava mais ansioso pela minha resposta do que eu por ver as portas da vida se abrindo à minha frente. – Sim, eu quero, se o Leuco fizer parte dela e me quiser como seu .... – não soube que termo usar para definir o que eu seria para aquele homem que estava há meses me enrabando como se eu fosse uma cadelinha no cio. - Meu parceiro, meu amante, meu tesudinho gostoso do caralho! – exclamou o Leuco em alto e bom som, fazendo o padre abade arregalar os olhos e proferir – Sacrilégio! Perdoe a quem não sabe o que diz e age como um pecaminhoso! – enquanto se benzia fazendo o sinal da cruz. - Bem! Estando clara e exposta a escolha do rapaz, não resta o que discutir! – disse o pai do Leuco, ansioso por sair dali o quanto antes. – Quer que eu lhe pague pelo rapaz, abade? Conheço a avareza dos monges e sei que nenhum trato com vocês sai de graça. Diga-me o preço dele, pagarei com prazer! – acrescentou, me fazendo sentir minha insignificância. - O senhor jamais conseguiria pagar o valor do Anxo pai! Vai perceber ao conviver com ele que não há ouro nesse mundo que valha o que ele é! – eu quase começo a chorar, quando senti ele me trazendo para junto do tronco e me apertando com força durante o beijo apaixonado que me deu. - É melhor saírem daqui o quanto antes! – exclamou irritado o padre abade. – Vão! Partam agora! Eu quis me despedir dos monges, afinal tinham, bem ou mal, cuidado de mim e me ajudado a crescer todos esses anos. Mas, o padre abade proibiu qualquer um deles de se despedir de mim. Fui à minha clausura pegar os poucos objetos que havia juntado a vida toda, alguns ramos de flores secas, algumas conchas, umas pedras que encontrei durante as caminhadas, uns poucos pergaminhos nos quais rabisquei os eventos que mais haviam me marcado junto com alguns desenhos, e uns textos sacros que Dom Julio, o monge mais velho do mosteiro e que faleceu quando eu ainda era criança, havia copiado e com os quais me presenteou em seu leito de morte. Fora ele que também me ensinou as primeiras letras e, com sua paciência me induzido a ler e aprender tudo que caía nas minhas mãos. O Leuco estava comigo quando cruzamos com Dom Bernal e Dom Evencio que não seguiram as ordens do padre abade e vieram se despedir. - Nunca deixe de tentar tirar o diabo do corpo de Dom Bernal, Dom Evencio! Os dois serão felizes enquanto o senhor se empenhar nessa tarefa! Eu descobri que não há pecado algum nisso! Descobri que sou uma pessoa muito mais feliz e realizada depois do Leuco fazer o mesmo comigo! Eu espero que ambos sejam muito felizes, que nunca deixem de praticar esse exorcismo prazeroso, pois certamente terão a benção divina! – desejei, sincero e certo de que ambos carregavam em seus corações a mesma paixão, um pelo outro, que eu e o Leuco carregávamos. - Você também, moleque, seja feliz! O brilho no olhar de vocês dois revela o quão puro e sublime é o que tem dentro do peito, e isso nunca é pecado! – retrucou Dom Evencio quando, quebrando todas as regras, veio nos abraçar. Estávamos há dias cavalgando por uma imensidão de mundo que jamais supus existir. O Leuco se voltava para mim com um sorriso largo de satisfação, sabendo exatamente o quanto eu estava abismado com tudo o que via. Eu não fazia ideia do quanto faltava para chegarmos ao nosso destino, nem o que me esperava por lá e na vida que teria doravante; somente carregava a certeza da paixão que aquele homem tinha por mim e, que o levava a meter o cacetão potente no meu cuzinho todas as noites, me pedindo para o deixar ser meu macho quando os jatos de esperma eram ejaculados no fundo das minhas entranhas.
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