O amigo do meu pai, só uma brincadeira entre homens de verdade - Parte 1

O nome dele é Ricardo. Trinta e oito anos, casado, dois filhos pequenos, engenheiro civil, voz grossa, presença que ocupa o ambiente inteiro. Meu pai chama ele de Rick desde a faculdade. Eu cresci vendo aquele homem entrar e sair de casa: camisa social arremangada, relógio pesado no pulso, cheiro de perfume amadeirado misturado com suor de obra quando vinha direto do canteiro. Sempre me cumprimentava com um aperto de mão firme demais pra um moleque, um sorriso de canto e um “e aí, campeão?”. Nunca passava disso. Eu era o filho do Júlio. Ponto.
Aos vinte e três eu já não era mais o moleque. Academia cinco vezes por semana, ombros largos, peito marcado sob a camiseta básica, barba feita todo dia, corte social, jeito de quem só olha pra mulher. Bissexual, confiante, sem drama. Ninguém suspeitava. Nem meu pai. Nem o Rick.
Tudo começou numa terça de manhã. Eu estava no escritório da empresa júnior da faculdade quando o celular vibrou.
Papai:
Passa teu Whats pro Rick. Ele precisa de um orçamento de render 3D pra um cliente. Tu faz isso bem pra caralho, né?
Eu respondi que sim. Cinco minutos depois o número desconhecido apareceu.
Rick:
E aí, Lucas. Tudo bem?
Sou o Ricardo, amigo do teu pai. Ele me passou teu número. Preciso de uns renders de uma casa de praia. Tu topa?
Eu:
Fala, Ricardo. Tudo certo. Manda as plantas e o briefing que eu vejo.
Ele mandou um PDF, um áudio explicando o projeto e um “valeu, campeão”. A voz no áudio era a mesma de sempre: grave, pausada, segura. Eu ouvi duas vezes.
Três dias depois entreguei os primeiros renders. Ele respondeu com um “caralho, ficou foda” e um áudio mais longo, elogiando o ângulo da piscina, a luz, o detalhe da madeira. No final do áudio riu baixo e falou:
“Tu tá diferente, hein? Parece que engrossou. Academia tá rendendo.”
Eu sorri sozinho na frente do computador.
Eu:
Haha, obrigado. Tô tentando manter o shape.
Rick:
Tá conseguindo. Ficou homem.
A frase ficou ali, simples, sem emoji. Eu respondi um “valeu” e mudei de assunto. Ele não insistiu.
Na semana seguinte ele pediu ajustes. Os áudios ficaram mais longos. Falava do trabalho, reclamava do trânsito, perguntava se eu já tinha almoçado. Numa sexta à noite, quase onze horas, mandou:
Rick:
Tô no escritório ainda. Cliente atrasou o pagamento.
Tu ainda tá acordado?
Eu:
Tô. Acabei de sair da academia.
Rick:
Manda foto do shape então. Quero ver se o peito cresceu mesmo.
Eu ri. Tirei a camiseta no espelho do banheiro, tirei uma foto de frente, outra de lado, sem forçar demais. Mandei.
Ele demorou dois minutos.
Rick:
Porra.
Ficou pesado mesmo.
Braço tá grosso.
Eu:
Tô dedicando. Valeu.
Rick:
Tu treina perna também?
Eu:
Claro. Hoje foi perna e ombro.
Rick:
Manda a de perna então.
Eu mandei. Short preto, coxas marcadas, canela definida. Nada explícito.
Ele respondeu só com um “caralho” e depois:
Rick:
Desculpa a curiosidade. É que eu treino também, mas nunca consegui perna assim.
Eu:
Tranquilo. Qualquer coisa é só pedir.
Ele não pediu mais nada naquela noite.
No sábado seguinte meu pai me ligou:
“Rick vai passar aqui em casa buscar umas ferramentas. Tu tá? Faz companhia pra ele que eu tô no trânsito.”
Eu estava. Abri a porta. Rick entrou com a mesma presença de sempre: jeans escuro, camisa polo cinza, barba bem feita, olhar direto. Apertou minha mão com força, me puxou pra um abraço rápido de lado, cheiro de perfume e sabonete barato.
“E aí, campeão. Tá crescendo pra caralho.”
Ficamos na sala. Ele bebeu água, falou do projeto, perguntou da faculdade. Em nenhum momento foi direto. Só olhava um segundo a mais quando eu falava, ria um pouco mais baixo, deixava a mão no meu ombro um instante a mais quando se levantava.
Na hora de ir embora parou na porta.
“Qualquer coisa no Whats, manda. Não precisa ser só trabalho.”
Eu acenei. Fechei a porta. O coração batia um pouco mais rápido, mas o rosto continuava neutro.
As mensagens mudaram de tom aos poucos. Ele começou a mandar foto da academia dele: peito suado sob a regata, braço inchado depois do treino. Eu respondia com as minhas. Nunca sem camisa demais. Nunca sem short. Sempre no limite do “amigo que treina junto”.
Uma noite ele mandou:
Rick:
Tô sozinho em casa. Mulher levou os meninos pra casa da avó.
Tô bebendo uma cerveja e lembrando daquela foto tua de perna.
Tu tem uma definição absurda.
Eu:
Haha, obrigado. Tô flattered.
Rick:
Flattered? Tu fala inglês agora?
Eu:
Às vezes.
Rick:
Fala português então. Diz se tu gostou quando eu falei que o peito cresceu.
Eu demorei dez segundos.
Eu:
Gostei.
Rick:
Bom.
E parou.
Eu sabia o jogo. Ele testava. Eu fingia não entender. Deixava a porta entreaberta sem nunca empurrar.
Duas semanas depois ele pediu pra eu ir no escritório dele levar os arquivos finais em pendrive. “É mais seguro”, disse. Cheguei às sete da noite. O prédio estava quase vazio. Ele abriu a porta da sala, camisa social aberta no colarinho, mangas dobradas, cheiro de café e suor contido.
“Entra. Fecha a porta.”
Sentei na cadeira em frente à mesa. Ele ficou de pé, andando de um lado pro outro enquanto falava do projeto. De vez em quando parava atrás de mim, apontava algo na tela do computador, a mão encostava no meu ombro. Ficava.
“Tu tá tenso”, falou baixo.
“Não. Só cansado da academia.”
“Deita um pouco no sofá então. Eu termino aqui.”
O sofá era de couro preto, largo. Eu deitei de lado, celular na mão. Ele continuou digitando. Cinco minutos depois se levantou, veio até mim, sentou na beirada do sofá.
“Posso?”
Eu não respondi. Ele colocou a mão no meu ombro, apertou, desceu até o bíceps, mediu com os dedos.
“Ficou pesado mesmo. Porra.”
A mão ficou. Eu respirei fundo, ainda deitado, olhos no celular como se não estivesse prestando atenção.
Ele tirou a mão, se levantou, foi até a geladeira de canto e voltou com duas cervejas.
“Bebe.”
Bebemos em silêncio. O ar ficou mais denso. Quando terminei a lata ele estava olhando pra mim de novo.
“Tu nunca treinou comigo”, falou.
“Não.”
“Vamos um dia. Eu te ensino uns exercícios de peito que eu faço.”
“Pode ser.”
Ele sorriu de canto, aquele sorriso de quem sabe que está no limite e gosta.
Na semana seguinte ele me chamou pra treinar. Academia de bairro, quase vazia às dez da noite. Treinamos peito e tríceps. Ele me corrigia a postura, as mãos grandes guiando meus cotovelos, o peito colado nas minhas costas quando me ensinava o crucifixo no cabo. O suor dele escorria no meu ombro. O cheiro era forte, masculino, sem perfume.
No final do treino ele me olhou no espelho.
“Tu aguenta carga pesada.”
“Aguento.”
“Bom saber.”
No vestiário ele tirou a regata na minha frente, se secou sem pressa. O peito peludo, o abdômen ainda marcado apesar dos trinta e oito, a linha de cabelo descendo até a cueca. Eu me troquei de costas, mas senti o olhar.
No estacionamento ele parou ao lado do carro.
“Quer ir tomar uma cerveja? Tem um bar perto.”
Fomos. Conversamos de tudo menos do que estava acontecendo. Ele falou da esposa, dos filhos, do trabalho. Eu falei da faculdade, da academia, de mulheres que eu saía. Mentira pela metade. Ele riu, bateu no meu joelho por baixo da mesa e deixou a mão lá dois segundos a mais do que o necessário.
Quando fomos embora ele me deixou em casa. Antes de eu descer do carro, falou:
“Tu é gente fina, Lucas. Diferente dos outros moleques.”
“Valeu, Rick.”
“Qualquer coisa… me chama.”
Eu entrei em casa com o sangue quente e o rosto calmo.
As mensagens ficaram mais frequentes. Ele mandava áudio de madrugada, voz rouca de sono:
“Tô deitado pensando naquele treino. Tu suou pra caralho. Cheiro de homem de verdade.”
Eu respondia:
“Haha, foi pesado mesmo.”
Ele:
“Gostei. Gosto de homem que treina sério.”
Eu:
“Eu também.”
Ele não perguntava o que eu queria dizer com aquilo. Eu não explicava.
Uma noite ele mandou foto do espelho do banheiro: só a toalha na cintura, peito molhado, gotas escorrendo. Legenda:
“Acabei de sair do banho. Tô pensando se te chamo pra treinar amanhã de novo.”
Eu olhei a foto por um tempo. Respondi:
“Chama. Eu topo.”
No dia seguinte treinamos de novo. No final ele me propôs ir na casa dele. “A mulher tá viajando com os meninos. A gente toma uma cerveja e vê o jogo.”
Aceitei.
A casa era grande, limpa, cheiro de amaciante e madeira. Ele abriu duas cervejas, ligou a TV no volume baixo. Sentamos no sofá. O jogo rolava, mas nenhum dos dois prestava atenção de verdade.
Ele falou primeiro, voz baixa:
“Tu sabe que eu nunca fiz isso, né?”
Eu olhei pra ele. Continuei com cara de quem não entendeu.
“Fez o quê?”
Ele riu sem graça, passou a mão na barba.
“Isso… de ficar olhando pra outro homem desse jeito. De querer…”
Não completou. Eu esperei.
“Mas não é gay”, continuou. “É só… dois homens. Masculinidade. Tu entende?”
Eu balancei a cabeça devagar, ainda fingindo inocência.
“Acho que entendo.”
Ele se aproximou mais no sofá. A perna dele encostou na minha. O calor passou pela calça.
“Tu é confiante pra caralho”, falou. “Nunca vi moleque tão seguro do próprio corpo. Isso me deixa… inquieto.”
Eu sorri de canto, o mesmo sorriso que eu usava com as meninas.
“Inquieto como?”
Ele não respondeu com palavras. Colocou a mão na minha coxa, apertou, subiu até perto da virilha e parou. O polegar fez um círculo lento.

Continua…


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Ficha do conto

Foto Perfil Conto Erotico daniel8

Nome do conto:
O amigo do meu pai, só uma brincadeira entre homens de verdade - Parte 1

Codigo do conto:
272339

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
15/09/2026

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