Descansei e dormi muito, e a semana passou voando; já era tarde de sexta-feira. Decidi curtir um pouco o restante das férias. Falei para os meus pais que iria a uma festa do pijama na casa de uma amiga. Era mentira, mas já havia combinado com minha cúmplice, caso alguém ligasse para ela.
Passava um pouco das 19h00 quando encontrei-me com o professor Rodrigo no shopping. Mais uma vez eu abusaria da sorte, mas a oportunidade de passarmos uma noite gostosa em sua cama valia o risco.
Pouco depois de chegarmos em seu endereço, rolava uma festa, não em sua residência (o puxadinho nos fundos), mas no sobrado da frente, moradia da sua irmã Neide. A aniversariante completou 38 anos. Com ela moravam o marido e o filho do casal.
Lucas, O Sobrinho
O Rodrigo havia comentado sobre o seu sobrinho Lucas (18 anos): “No momento, meu sobrinho nem estuda e nem tem um emprego formal. Completou o ensino médio ao final do último ano e agora dedica todo o seu tempo a tentar emplacar como divulgador de conteúdo nas redes sociais, dando dicas sobre tecnologia. O moleque também sonha em ser um hacker de prestígio, é esperto e tem talento.”
— Então vai se dar bem, né? — falei.
— Ou acabar na cadeia — disse e gargalhou.
Havíamos combinado de não demonstrarmos intimidades diante do pessoal. O homem tem quase o dobro da minha idade, mas, para nós, não é este o problema, e sim que o nosso envolvimento chegue ao conhecimento do pessoal do instituto.
“Somos apenas amigos”, seria nossa resposta aos curiosos. Não ia colar, mas talvez não gerasse um clima constrangedor na festinha da irmã.
— Mais tarde, em sua cama, voltaremos a ser amantes. — Combinado, professor?
— Combinadíssimo, meu amor.
Não fui favorecida pela ideia, pois, devido ao meu “status de solteira”, fiquei exposta a diversas cantadas dos homens e rapazes presentes: algumas discretas e outras nem tanto. Ainda assim, foi divertido e administrei na boa.
Houve um imprevisto durante a festinha: a obturação de um molar do Rodrigo soltou ao morder um caroço de ameixa indevidamente presente no recheio do bolo.
Ele deu sorte ao conseguir marcar uma consulta para a manhã seguinte, pois sentia dor e incômodo.
O homem saiu às oito da manhã daquele sábado; eu continuei em sua cama, aguardando o seu retorno, pretendia voltar para casa no meio da tarde.
Havia adormecido novamente e acordei ao ouvir um barulho vindo da escada caracol. Não tinha ideia das horas, mas só poderia ser o Rodrigo retornando. Fiquei propositalmente descoberta, nua, bumbum virado para a porta e fingindo dormir.
Eita! A voz apavorada enchendo o quarto não era a do professor.
— Tio! Seu carro não está lá na rua.
Era a voz do Lucas, o sobrinho.
Puxei o edredom para cima de mim e me virei. Minha cara era de pateta, claro. O garoto parou a menos de dois metros, talvez na expectativa de ver alguma parte nua.
— Desculpe, Gisele, não sabia que tinha dormido aqui.
— Tranquilo, o vacilo foi meu. — O seu tio foi ao dentista.
— Ah! Beleza… E aí, vocês estão namorando?
O rapaz me cortejou durante a festa, dei evasivas adiando uma resposta, ou seja, o deixei em banho-maria.
— Não sei ainda, acho que não, só estamos curtindo a vida. É meio complicado.
— Não entendi.
— É complicado por causa da nossa diferença de idade. Meus pais iriam pirar grandão se soubessem dessa parada.
— Acho que ia ficar embaçado mesmo.
— Então, Lucas, achei bem legal o seu canal no YouTube. Vou compartilhar com o pessoal.
— Valeu! Tô precisando, ainda não tenho interação suficiente para conseguir a monetização.
— Você manja bem de computação?
— Um pouco, ainda estou aprendendo. Meu tio me dá uma força.
— Mas, tipo assim… Você já é um hacker? Quero dizer… Consegue acessar um notebook mesmo sem ter a senha?
— Depende do tipo. Alguns, sim. Por quê?
— Eu preciso descobrir os podres de uma pessoa. Não é o seu tio, viu? É coisa minha. Mas deixa quieto por enquanto; quando precisar da sua ajuda, daí me diz se pode ajudar — falei e sentei na cama, segurando o edredom um pouquinho acima dos seios.
— Beleza, se eu puder, eu ajudo.
— Tô com fome. — Já tomou café?
— Ainda não. Estava indo comprar pão de queijo quando dei falta do carro. Vim correndo avisar o tio.
— Eu me contentaria com as sobras dos salgadinhos e um pedaço do bolo de ontem. Sem caroço, claro!
Nós rimos e ele demonstrou sua simpatia:
— Sobrou um bocado, vou lá pegar pra você.
— Que amor! Vou fazer um café fresquinho pra nós. — Joga essa camisa aí da cadeira aqui pra mim, por favor?
O carinha pegou a camisa social do Rodrigo e entregou-a em minhas mãos. Seu olhar foi uma flechada de desejos. Naquele instante, desejei ter o poder de ler mentes e ver as sacanagens rolando naquela cabecinha enquanto o bonito permanecia estático à minha frente. Considerei os prós: estávamos sozinhos, a cama à disposição, eu já estava nua e o boy transbordando de desejos. O contra era não saber quando o professor voltaria. Então, achei melhor adiar um pouquinho mais esse desfecho.
— Minha barriga está roncando, Lucas… Você não estava indo buscar a parada? — falei friamente.
Ele retornou de sua “viagem”.
— Estou indo. Volto logo com os salgados e um pedaço de bolo pra você.
— Ah! Traz pra você também e toma café comigo, vai! — falei, fazendo charminho, pois senti remorso por ter sido dura demais instantes atrás.
— Tá legal! — disse ele, animado novamente, e saiu caminhando rumo à escada caracol.
Eu deixei o edredom de lado, vesti a camisa e levantei. Ao começar a abotoar, levantei os olhos, mirando o espelho do guarda-roupas. Vi o reflexo do garoto no patamar da escada.
— Perdão, linda, mas não resisti — disse, demonstrando estar envergonhado.
— Seu safado! Só te perdoo quando voltar com aquelas delícias — falei, zoando.
— Estou indo e volto em dois palitos.
Algum tempo depois, o professor chegou enquanto eu e seu sobrinho ainda estávamos à mesa, de barrigas cheias, animados e jogando conversa fora. Eu trajando a camisa do homem e com as coxas de fora. Pelo menos estava de calcinha… Poderia não estar.
O Rodrigo havia feito compras: um pão de torresmo super elogiado; alguns pães franceses; frios e frutas.
Fiquei com um tremendo sentimento de culpa ao deduzir que a sua intenção foi agradar-me preparando um lauto desjejum a dois.
No entanto, sua decepção poderia ter sido pior, posto que minha libido chegou a níveis elevados, e o sobrinho parecia ser muito delicinha. Se o homem tivesse demorado mais meia horinha, teria me encontrado sem calcinha, deitada de costas no sofá, de pernas abertas e gemendo como uma cadelinha enquanto saboreava o vai e vem e o peso do boy sobre mim.
A garota generosa e de boas relações com todos estava se tornando egoísta, infiel e sem reconhecimento de culpa. Os poucos meses vividos no inferno chamado ateliê corromperam a pouca inocência ainda restante em mim.
Horas mais tarde, naquela noite, a minha irmã Giovana choramingava porque não foi para lugar nenhum nas férias de meio de ano.
Eu havia desistido de ir a um passeio, mas acabara de mudar de ideia e convidei a garota para passar o dia numa cachoeira da região. O Lucas havia me convidado para o passeio; ele e sua turminha passariam lá o dia de domingo. Havia lhe falado sobre o seu tio ficar chateado comigo caso soubesse que eu também fui.
— Ele não precisa ficar sabendo, Gisele, nem eu nem ninguém vai falar nada.
— Tá legal! Talvez leve a minha irmã.
— Vamos nos reunir às oito da manhã, lá na praça, e vamos todos juntos.
— Maravilha! Se der certo, estarei lá. Se não der, eu mando mensagem.
A Giovana ficou animada e conseguiu, junto comigo, convencer meus pais. Mamãe ainda nos levaria até a praça.
A manhã do domingo anunciava um dia quente e de muito sol. Estávamos todos reunidos na praça, quatro garotas e cinco rapazes. Partimos em dois carros rumo à cachoeira.
Foram precisos poucos minutos no lugar paradisíaco para eu ter uma surpresa da porra ao prestar atenção numa garota, passageira do outro carro. A garota era séria e silenciosa; só ouvi sua voz quando ela tirou a camiseta e pediu para a sua colega passar o protetor solar em suas costas. Senti um choque e voltei toda a minha atenção à novinha: “Eu conheço essa voz.” Pensei.
Quando ela tirou o shorts… Bingo! A marca de nascença em seu bumbum, similar a um pássaro voando, eliminou meu restinho de dúvida.
“Caralho, mano!” É a garota da mansão. Pensei, super chocada. Contudo, mesmo se não tivesse avistado o seu “pássaro”, a teria reconhecido pela voz, assim como ela provavelmente reconheceu a minha. Digo isso porque fiquei intrigada com seus olhares enigmáticos nos momentos em que eu falava.
No instante em que ficamos muito próximas uma da outra, ambas com medo no olhar, foi emocionante demais. Queria abraçá-la a fim de tentar atenuar a dor em nossos corações. Porém, estávamos cientes das regras de mantermos a discrição e de evitarmos a interação.
Rapidamente disfarçamos os sentimentos que representavam perigo para nós. Ninguém poderia saber sobre nosso vínculo e que ele provinha daquele universo diabólico e mafioso.
Felizmente, Lucas se juntou a mim e minha mana, e o acompanhamos para um banho sob a cachoeira.
— Aquelas meninas são namoradas? — perguntei-lhe.
— Não, são primas. A Cíntia (a garota da mansão) não é de sair com a turma; a mãe dela é uma bruxa, parece que tem parte com o diabo, é muito estranha. A mulher a proíbe de sair; nem sei como o Roberto e a Nanda conseguiram trazer a Cíntia hoje.
O Roberto é irmão da Nanda e motorista do outro carro.
Naquele instante, eu parei com as perguntas e só tentei relaxar para curtir o dia com a turminha animada. Processaria tudo isso em outra oportunidade.
***
Parte 17
<< SEGUNDA-FEIRA, dia seguinte ao passeio na cachoeira. Era véspera de feriado na cidade; o expediente foi normal na loja dos meus pais, situada no centro de Mogi.
Lá em casa, a Giovana grudou em mim enquanto eu me arrumava para sair; a caçula ainda estava de férias e queria sair comigo. Dispensei a garota, que ficou emburrada, e saí sem dizer aonde ia.
Peguei um ônibus e fui para a casa do Lucas; ele estava sozinho. Eu sabia que o professor tinha um compromisso no instituto naquela manhã.
Precisava que o Lucas me ajudasse em um plano para eu poder pegar as imagens do notebook do mestre Vilânio. Mas para o garoto eu diria que era o notebook do meu pai. Em minha inocência, eu pensava que ele poderia me dar um pen drive que eu ligasse no aparelho do homem e tivesse acesso aos arquivos para poder copiar, assim como acontece nos filmes.
Esse bate-papo precisava ser olho no olho; não arriscaria deixar rastros digitais em conversas online.
Brincando de esconde-esconde.
Mais tarde, a reunião no quarto do Lucas não foi produtiva. Depois de tudo que ouvi, percebi que a parada seria bem mais complexa do que imaginei, também muito mais perigosa.
Não poderia infiltrar o hacker no ateliê e não poderia trazer o HD externo onde o mestre armazena os vídeos… Ou poderia?
Pensaria em um plano B muito louco quando chegasse em casa, pois meu interesse momentâneo passou a ser outro lance; o boy estava me olhando daquela maneira que transbordava desejos.
— Por que me olha assim? — O que está rolando nessa cabecinha?
— Eu estou muito a fim de você, Gisele, queria te beijar.
— Assim, de repente? Eu sou a namorada do seu tio, esqueceu?
— Você disse que era complicado e não sabia se estavam namorando.
— Tá bom! Um a zero para os meninos.
— Isso é um jogo? Me ensina a jogar!
— Faz do seu jeito e vamos aprender juntos.
Ele envolveu minha cabeça com suas mãos, os dedos carinhosos introduzidos em meus cabelos. Abri ligeiramente meus lábios para receber sua boca na minha.
O beijo despertou um desejo de ir muito além. A química entre nós parecia que daria uma liga perfeita.
Nossas roupas foram jogadas em todas as direções durante a troca de beijos e amassos. Os corpos nus dividiam o pequeno espaço da cama de solteiro. As preliminares orais multiplicaram o desejo da consumação. Minha vagina ensopadinha recebeu o membro lubrificado de saliva… Ahh! O prendi numa chave de pernas quando chegou ao fundo. Aquele corpo cheiroso e morno em contato com o meu desligou todos os canais de notícias ruins. O filme de amor começou com nossos corpos mexendo bem devagar, sua respiração suave sincronizada com a minha.
Começamos a ficar ofegantes conforme o ritmo aumentava. No momento em que suas estocadas ganharam vigor, meus gemidos de prazer ficaram incontidos.
O percurso rumo ao clímax foi ligeiramente interrompido por um detalhe: ele estava sem camisinha e senti que fazia o impossível para segurar a ejaculação.
— Não quer gozar, amor?
— Dentro?
— Sim.
— Posso, mesmo?
— Deve! — disse e colei meus lábios nos dele.
Ahh! Ao primeiro espasmo do seu membro e à leveza do seu corpo aliviado da preocupação de uma gravidez indesejada, fez meu gozo chegar como uma onda de prazer e tirar meu fôlego naquele momento do clímax. O gozo a dois superou as minhas melhores expectativas; que foda gostosa.
Instantes depois, enquanto esperava o boy respirar um pouquinho, ria comigo mesma, pensando como foi mágico e delicioso gozarmos juntos. Acabei exagerando no elogio e na promessa impossível de cumprir.
— Meu Deus! Como você é gostoso. Faz tudo isso de novo comigo, que serei sua para sempre.
Ele sorriu e me deu um beijo.
Pensando bem, o elogio não foi exagerado; o bonito é muito delicinha.
Fiquei alisando seu pau molhadinho com o sêmen e o meu líquido. Troquei a mão pela boca para acelerar a ereção. Mas, de repente, a voz do professor Rodrigo ecoou lá embaixo.
— Lucas? Está aí em cima?
— Caralho! Meu tio.
— Puta que pariu! Ele não pode me ver aqui — sussurrei, desesperada.
Ele vestiu sua bermuda sem a cueca e abriu a porta do armário.
— Entra aqui, rápido!
Tive o bom senso de juntar rapidão e no desespero a minha roupa espalhada pelo chão e jogar sobre o lençol bagunçado que exibia as marcas úmidas da nossa transa. Fiz uma trouxa e corri com ela para cima do balcão, sobre as gavetas. Fiquei em meio às camisas e cabides. Lucas fechou a porta e gritou:
— Já estou indo, tio.
— Estou subindo aí — foi o grito do Rodrigo, se aproximando do quarto.
Fiquei suando frio ao imaginar a vergonha e o constrangimento que poderia passar, caso fosse flagrada ali, feita uma fugitiva. O professor falaria um monte, colocando-me abaixo do chão, isso no mínimo.
O homem chegou no quarto em dois palitos; deve ter corrido escada acima.
— Deixa eu dar uma olhada naquela apostila que te emprestei; preciso copiar umas páginas.
— E este bonezinho rosa, cabe nesse cabeção? — No meu não cabe — disse Rodrigo.
— É de alguma menina do passeio de ontem. Veio no meio das minhas coisas.
Caralho! Esqueci o boné na mesa do computador, pensei, aflita.
— Será que os óculos são da mesma menina esquecida? — Vê se não tem alguma calcinha perdida aí também, hahaha!
Que porra! Meus óculos de sol também ficaram na mesa. Tentei lembrar se peguei mesmo a calcinha, pois usei a danada no meu primeiro encontro com o professor; ele reconheceria, eu acho. Ainda bem que ele ainda não me viu com os óculos e o boné; terei que dar um perdido neles, se sair daqui com vida, claro.
— Achei a apostila. Pode levar, tio, não estou usando agora.
— Beleza, eu devolvo logo. E vê se arruma esse quarto; tá uma bagunça e com cheiro esquisito. Não sabe que sua mãe é enjoada?
— É verdade. Eu já ia dar uma geral.
Felizmente, o homem foi para a casa dele, nos fundos, pois eu estava começando a ficar com cãibras. Recompondo minha roupa, saí rapidinho da residência, antes que chegasse mais alguém.
Continua.

