Almas Gêmeas - Parte 3

>> NO DIA SEGUINTE, ao meu quase atropelamento pelo doutor Enrique, ainda sentia um incômodo no tornozelo.
Após tomar seu café, minha tia Neide saiu da cozinha. Fiquei apenas dois minutos a sós com meu tio Armando, mas o tarado não perdeu a oportunidade de me encoxar enquanto eu estava na pia.
— Para com isso, tio, eu agora estou namorando sério.
— O que é isso, Gisele? Você é muito nova para arrumar compromisso. Quem é o folgado do moleque?
— Não é moleque, é um rapaz responsável e trabalhador.
— Não, senhora, não vou deixar nenhum marmanjo se aproveitar de você. Me diz quem é, quero falar com ele.
— Não digo, pois na certa você faria ele terminar comigo.

“Até parece que este cínico está preocupado com o bem-estar da sobrinha.”
“É evidente que a intenção do depravado é ter esse corpo novinho só para ele.”

Aproveitei quando meu primo Vitor — é o mais velho — entrou na cozinha, fui para o meu quarto me arrumar para sair.
Inventei essa história do namorado só para judiar desse meu tio pervertido.


Relâmpago Providencial

No início da tarde, liguei para o doutor e combinamos que eu estaria no seu consultório logo após o término das aulas. Ele disse que a bike já estaria à disposição.

No comecinho da noite, durante o trajeto até o médico, senti um odor peculiar de chuva ao ser surpreendida por uma mudança repentina do tempo; escureceu em segundos e desabou um aguaceiro. Não encontrei uma marquise para me abrigar naquela rua onde predominam os casarões.

“Fala sério, por que não anda com a sombrinha na mochila?”
“Porque faz peso. Que raiva, como é irritante.”

Cheguei à residência; era uma casa de gente bacana, muro e portão altos, sem nenhuma identificação de consultório ou similares.
— Entre! — respondeu-me o doutor pelo interfone, simultaneamente ao som magnético da trava do portão.
Estava ensopada ao adentrar a varanda e, além do tornozelo, agora também sentia pontadas agudas na panturrilha. Fui acolhida pelo homem de aparência atlética, olhos escuros, muito vivos, pardo e cerca de 1,80 m de altura. Sua preocupação inicial foi “ordenar” que eu tirasse a roupa molhada antes que ficasse resfriada.

“Que apressadinho, né? — Será que hoje termina o celibatário?” — falei em pensamento e ri por dentro.
“Você não me banque a vadia!”

Ele me emprestou uma toalha, um jaleco e indicou-me o banheiro. Aquele consultório era uma extensão da casa em que morava.


Ouvi sua conversa ao telefone quando eu retornava à sala de consulta trajando apenas o jaleco. Soube que estávamos sozinhos, em razão de ele ter encerrado o trabalho mais cedo e sua mãe havia saído, segundo disse ele.
— A Alice saiu com meu carro hoje; o dela está no rodízio — falou para seu interlocutor e desligou após as despedidas.
Aproximei-me dele, morrendo de curiosidade em saber quem era a tal de Alice, mas, no instante seguinte, eu gelei de tão apavorada, ouvindo o sibilar "ardido" de um raio poderoso que rasgou o céu. Abracei e grudei no bonitão com meus olhos fechados, esperando o estrondo inevitável que veio imediato, estremecendo tudo.
— Desculpa, mas eu tenho pavor de raio e trovão — falei com sinceridade após o estrondo.
Nós nos encaramos, ainda abraçados, ouvindo a chuva que virou temporal. O clima daquele fim de tarde havia mudado radicalmente; o pé d'água caía sem dó. Eu já estava molhadinha, não mais pela chuva, mas pelo calor daquele corpo másculo colado ao meu, e seu olhar sedutor e cheio de desejos me convidando a fazer amor. Não ouvia mais a voz interior condenando a minha entrega fácil; afinal, o doutor é fofo demais.
O primeiro beijo aconteceu com minha total conivência; meus desejos estavam fluindo a milhão.
Após novo raio violento que caiu muito perto, acabou a energia simultaneamente ao rugir do trovão. A luz de emergência da sala deixou o ambiente à meia-luz; foi como um convite para carícias mais apimentadas. Com gestos carinhosos, ele me acomodou deitada sobre a mesa e recebi o calor de mãos e boca em meus seios após os botões serem abertos. A minha nudez era revelada enquanto a boca morna e ativa percorria o caminho do meu ventre para parar em meu sexo. Culminou num oral de me fazer gemer sem pudor. Gozei feliz da vida, contorcendo o corpo como um réptil.
Retribuí o oral, deitando-me de bruços e engolindo seu membro conforme a pressão de sua mão exigia. Ela estava agarrada aos meus cabelos, enquanto a outra mão praticava safadezas em minha bunda e vagina.
Ele não chegou ao gozo, guardou suas energias. Fui posicionada de pés no chão e curvada de bruços na mesa; a expectativa da penetração foi dobrada, até minha voz interior calou-se. Foi incrível ao receber o homem por trás, receber suas carícias, ouvi-lo sussurrando elogios e penetrando suavemente. Ahh! A primeira enterrada é sempre a mais gostosa; o sentimento de êxtase a cada espacinho da boceta sendo preenchido por sua vara foi divino. Seu corpo fundiu-se ao meu por inteiro e, durante minutos, levei uma saraivada de estocadas em meu sexo apertadinho que arrancaram meus gritinhos e gemidos mais profundos.
Cheguei ao meu segundo momento de clímax; isso foi imediatamente após seu gozo. A sensação de prazer sem fim perdurou durante todo o tempo em que ele continuou mexendo dentro de mim, mesmo com a camisinha cheia… Até que ele gozou novamente, me deixando molinha, feliz e saciada.
Senti seu pênis à meia-carga quando ele tirou. No entanto, o preservativo ficou dentro do meu sexo novinho. Procurei o preservativo lá dentro com a ponta dos dedos, puxei e entreguei para ele, que estava com uma carinha de preocupado e encabulado. Seu sorriso pareceu-me de alívio ao ver a borrachinha ainda cheia de porra.
— Foi demais, você quase parou meu coração! — falei e nos beijamos como se nos agradecêssemos mutuamente pelos momentos divinos.
Só então ele me perguntou:
— Desculpe, linda, mas quantos anos você tem?
— Quantos você acha que eu tenho?
— Não brinca, garota, isso é sério.
— Fica tranquilo, fiz 18 no último dia 5. Também já era emancipada a mais de um ano.
— Você aparenta ser tão novinha.
— Você é especialista em pegar novinhas? — falei, zoando.
— Claro que não, sou médico, esqueceu? — disse ele, parecendo ofendido.
— Desculpa, vai, só estava brincando.
— Não tem de quê, meu anjo, não há como ficar zangado com a gatinha mais linda e carinhosa do mundo.
Amei ser elogiada pelo bonitão; se ele continuasse naquele ritmo, eu não iria largar do seu pé. Torcia para que voltasse a rolar alguma diversão entre nós futuramente. Agradeci, deixando transbordar toda a minha malícia:
— Você é muito fofo; se acabar sempre assim, eu deixo você me atropelar todos os dias, se quiser — disse e rimos juntos.
Seu telefone tocou. Ele atendeu e chamou a pessoa de amor. Era alguém com o carro em uma rua alagada.
Após se informar sobre o local, encerrou a ligação. Comunicou-me que precisava socorrer sua noiva presa na enchente. A palavra "noiva" abalou um pouco a minha expectativa.

“Cachorro! Sabia que era uma roubada.”
“Fica fria, ainda viro esse jogo, me aguarde.”

Ele mostrou a mão direita, talvez por perceber minha dúvida:
— Eu não uso aliança por causa desses assaltos recentes — disse, justificando.
Eu apenas concordei com o olhar e um leve gesto de cabeça. Estava envergonhada por pensar que ele tentou ocultar seu compromisso.

Eu não quis levar a bike na chuva; meu plano era gerar um motivo para um novo encontro.
— Eu pegarei na segunda, de noitinha, se não for problema.
— Assim está ótimo, ficarei te esperando — disse ele com animação e acariciando meu rosto. Beijei sua mão e ganhei outro beijo. Isso renovou minha esperança de conquista.

Fui com ele na garupa da moto até a casa dos meus tios. Tirei rapidinho o capacete e o macacão de chuva; ele enfiou tudo no bagageiro da moto e seguiu viagem.
— Foi gostoso demais, fala a verdade — falei alto, sem perceber, por conta do meu entusiasmo. No segundo seguinte, a inconveniente da minha tia Neide abriu a porta quando eu já tocava na maçaneta.
— Falando sozinha de novo? — disse ela com sarcasmo.
Não respondi; ela não conseguiria estragar minha noite.
— Que roupa é essa? Virou enfermeira?
Simplifiquei a história da perna dolorida que me levou a uma consulta médica. Finalizei dizendo que fiquei encharcada com a chuva e, gentilmente, a recepcionista do consultório me emprestou um jaleco.
Se ela acreditou ou não, pouco me importou.

Continua.


Foto 1 do Conto erotico: Almas Gêmeas - Parte 3

Foto 2 do Conto erotico: Almas Gêmeas - Parte 3


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Ficha do conto

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Nome do conto:
Almas Gêmeas - Parte 3

Codigo do conto:
257110

Categoria:
Heterosexual

Data da Publicação:
17/03/2026

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