Almas Gêmeas - Parte 21

Uma Urna Para Dois << COMEÇANDO MAIS UMA SEMANA no ateliê, noite de segunda-feira, 8 de agosto. Fiquei ligada no mestre Vilânio, manuseando os equipamentos que ele usa diariamente no registro das imagens.
As peças mais importantes, como notebook, HD externo, filmadora e câmera fotográfica, são guardadas em um armário de aço trancado à chave. O homem cauteloso nunca descuida do chaveiro preso ao seu cinto.
Aguardaria uma oportunidade para conferir a marca, o modelo e o estado geral do HD externo e dos cartões de memória, tanto da câmera de vídeo quanto da câmera fotográfica, onde não só o trabalho, mas principalmente as putarias, das quais sou vítima no interior do ateliê, ficam armazenadas. Quem sabe consiga também as cenas dos abusos ocorridos fora do estabelecimento?

Minha ideia era trocar uma dessas mídias, pelo menos, por outra igual contendo um defeito que impossibilitasse o acesso aos dados e à possível descoberta de sua origem. O risco era absurdo, mas era minha única ideia viável para ter em mãos as provas dos crimes por eles praticados.

Nos últimos dias, eu assisti a tutoriais para aprender sobre os aparelhos, para ser rápida na verificação e anotações das características, porque o artista não costuma demorar mais de dois minutos em suas ausências para fazer xixi ou pegar uma xícara de chá.

A semana não progredia, dava a impressão de que as horas vagarosas tinham 120 minutos cada, principalmente as noturnas.

Terça-feira, a minha noite no ateliê começou às 19h, como habitualmente acontecia. Amir (o cão Rottweiler) não estava presente. A propósito, desde o dia em que o mestre deixou-me sozinha com o peludo naquela sala e rolou uma química maravilhosa entre nós, o homem aderiu à cultura do cancelamento, excluindo o animal da maioria dos trabalhos comigo. Nos poucos dias em que esteve presente, foi maltratado pelo coroa rancoroso. Indiretamente, o infeliz me punia.
A sessão de trabalho seguiu com minhas expressões faciais e corporais, nenhuma novidade; posei nua na ante-sala por cerca de duas horas. Geralmente, em dias normais, minha jornada terminava às 21h. O mestre Vilânio parecia dar a entender que havia acabado, mas…
— Pode ir fazer xixi, Gisele, caso necessite, mas não se vista, permaneça nua.
Ele não iria me dispensar, ficou evidente. Assim como ficou evidente que eu não iria gostar da etapa seguinte, principalmente quando me obrigou a engolir mais uma dose do chá escuro, nauseante e entorpecedor.
Cruzei meu olhar com o dele; com certeza leu em meu semblante as perguntas que eu gostaria de fazer. Todavia, devido à sua expressão autoritária e raivosa, nem foi preciso vomitar sua frase rotineira: “Não faça perguntas, não diga nada que não seja estritamente necessário e obedeça a todas as ordens”, em virtude de não ter aberto minha boca.

Momentos depois, mandou-me ir para a sala secreta e deitar-me no interior da urna funerária que permanecia sobre o palco.
Meu ódio pelo homem estava transbordando. “Que vontade de matar este filho da puta.” Pensei, indignada. Meus pesadelos e noites mal dormidas dos últimos dias tinham muito a ver com o caixão. Como se já não bastasse toda a atmosfera satânica e abusiva daquele inferno.

O ataúde fúnebre, de madeira avermelhada e envernizada, estava aberto no centro do palco do teatro de arena em miniatura. A tampa foi deixada ao lado e a iluminação central foi desligada. As únicas luzes acesas eram as da base circular em volta de todo o palco, focando toda a atenção para ele.
Quando subi os dois degraus, de uns trinta centímetros cada, ainda não conseguia ver todo o interior do caixão. Aliás, eu até evitava olhar para a coisa mórbida. Eu costumava chegar chegando, sem dar muita atenção, e já entrava no bagulho. Era minha maneira de amenizar o incômodo clima de suspense.
Mas, desta vez, quando me aproximei, fiquei completamente tomada pelo medo ao ver alguém lá dentro. Não segurei o grito e segurei apenas parcialmente o xixi, posto que um esguicho acabou escapulindo.
Só não saí correndo porque as pernas bambearam, também porque a voz da pessoa não me era estranha, apesar de abafada pela máscara.
— Calma, mocinha, eu ainda estou vivo.
Era o “vampiro” de semanas atrás, o qual eu suspeitei ser meu tio-avô Agenor. Com a mesma máscara horrenda e a capa preta com capuz. Menos mal, pois, por um instante, imaginei que seria forçada a entrar no caixão contendo um defunto.
O homem-morcego descobriu-se jogando parte de sua capa para o lado; ela pousou sobre uma borda lateral da urna. Como da outra vez, ele estava pelado por baixo do hábito. Mandou eu deitar de lado, de costas para ele, no espaço mínimo restante lá dentro. Fiquei espremida entre o corpo nu daquele senhor e a outra lateral do caixão. Envolvida em seus braços, meus seios ficaram amassados nas palmas de duas mãos, enquanto meu rosto, colado ao acolchoamento interno, causou-me repulsa e uma aflição claustrofóbica. Minha perna esquerda foi erguida e largada sobre a borda. O coroa encaixou em meu vão e esfregou o membro em fase de ereção na minha vagina.
Por vários minutos, inclusive após atingir a ereção plena, ele apenas roçou minha zona íntima enquanto esfregava seu corpo no meu como se praticasse um ritual. Foi o momento de maior tensão e medo do sobrenatural ao ouvir o homem murmurar algo em uma língua estranha; parecia mais com um gemido, como se estivesse possuído, em transe e delirando de prazer.
Imaginei que ele gozaria nas minhas coxas durante a cerimônia sinistra, mas logo largou um dos meus seios e direcionou seu pau na minha fenda para penetrar-me sem gentilezas.
Dessa vez, quem gemeu fui eu, alto e desmedidamente, devido ao desconforto. O homem se apoderou de vez do meu corpo, puxando-me parcialmente para cima dele ao iniciar sua série de golpes.

Durante um período prolongado e sem trégua, recebi estocadas cada vez mais vigorosas. O calor tornou-se sufocante no interior da urna fúnebre, com suor emanando em abundância de ambos. O homem estava perceptivelmente cansado, ofegante e arfando feito um cão em minha orelha. Contudo, em um momento de ímpeto redobrado, o coroa chegou ao gozo, expelindo prolongadamente o ar dos pulmões, como se entoasse um hino celebrando o instante de sua ejaculação. Sua atitude revelou a dimensão da sua satisfação, também o sentimento de orgulho do feito, imaginei eu.
Então, ele começou a reduzir vagarosamente os movimentos, até o ponto de parada, mas sem tirar de dentro. Nossos corpos encharcados de suor mantiveram-se fundidos pelos próximos minutos.

Durante o momento do abuso, mesmo estando completamente entorpecida, poderia afirmar, sem medo de errar, que o coroa copulando comigo era o meu tio-avô Agenor.
Não mentirei, sim, eu gozei, apesar da situação doentia e humilhante. Porém, foi um gozo sem graça; eu segui um roteiro para tentar agradar e acabar logo. Diferente da vez anterior, em que parecia estar hipnotizada por este mesmo “Conde Drácula”.

Passado um período demasiado longo, o homem continuava imóvel, ainda inserido em mim, mas o pênis completamente murcho.
Será que o tiozinho dormiu? Ou será que morreu? Pensei, preocupada. Forcei uma tosse e balancei meu corpo.
Ele retornou para este plano e falou autoritariamente:
— Está dispensada, menina, pode ir!
Dei graças a Deus! Levantei-me sem me preocupar com a vagina vazando meleca. Fui ao banheiro e fiz uma higienização. Vesti minhas roupas e vazei rapidinho do ateliê.
Não vi o mestre Vilânio em momento algum. Estaria ele atrás do vidro espelhado filmando tudo? É provável.

Ao acordar na manhã seguinte, em minha cama no alojamento do instituto, comecei a repassar em pensamento o ocorrido na noite anterior. Quem abusou de mim foi o tio Agenor, ou alguma entidade em seu corpo; minha certeza era de 99,99 por cento. Não foi nenhum espanto, porque não era a primeira e nem a segunda vez. A pergunta era: “Como o sujeito entrou na sala secreta?”.
Não acredito que ele estivesse ali desde antes das sete horas da noite. O homem ocupado e com poderes administrativos teria solicitado a minha presença no mesmo instante da minha chegada.
A única entrada daquele miniteatro é por meio da porta secreta da ante-sala, onde eu permaneci o tempo todo, devido a não ter ido ao banheiro quando foi dada a oportunidade.
Teria outra passagem secreta nos fundos do teatrinho? Ela seria útil em meu plano de conseguir provas contra eles.


***

Com muito custo, a sexta-feira e a semana de labuta chegaram ao fim e, mais uma vez, consegui sobreviver às aberrações habituais. A parte feliz foi o sucesso na obtenção das características das mídias de armazenamento. Entretanto, os cartões de memória da filmadora Blackmagic e da máquina fotográfica Nikon eram do tipo CFast e top de linha. Além de o preço ser inacessível para mim, precisaria importar e aguardar por semanas.
O HD externo era viável e de disponibilidade imediata.
Agora precisaria encontrar uma pessoa de confiança e com conhecimentos para comprar e causar um dano não perceptível a olho nu no HD substituto, evitando que seus dados fossem acessados até mesmo por especialistas, tirando deles a evidência da troca.
Quem sabe o Lucas? — questionei-me. O meu aprendiz de hacker parece ser capaz. Eu assumiria os custos.

Continua.

Foto 1 do Conto erotico: Almas Gêmeas - Parte 21

Foto 2 do Conto erotico: Almas Gêmeas - Parte 21


Faca o seu login para poder votar neste conto.


Faca o seu login para poder recomendar esse conto para seus amigos.


Faca o seu login para adicionar esse conto como seu favorito.


Twitter Facebook



Atenção! Faca o seu login para poder comentar este conto.


Ultimos 30 Contos enviados pelo mesmo autor


258286 - Almas Gêmeas - Parte 20 - Categoria: Heterosexual - Votos: 3
258235 - Almas Gêmeas - Parte 19 - Categoria: Zoofilia - Votos: 2
257955 - Almas Gêmeas - Parte 18 - Categoria: Coroas - Votos: 2
257895 - Almas Gêmeas - Parte 16 e 17 - Categoria: Heterosexual - Votos: 3
257825 - Almas Gêmeas - Parte 15 - Categoria: Grupal e Orgias - Votos: 2
257726 - Almas Gêmeas - Parte 14 - Categoria: Heterosexual - Votos: 2
257643 - Almas Gêmeas - Parte 13 - Categoria: Zoofilia - Votos: 2
257478 - Almas Gêmeas - Parte 12 - Categoria: Heterosexual - Votos: 1
257469 - Almas Gêmeas - Parte 11 - Categoria: Grupal e Orgias - Votos: 1
257385 - Almas Gêmeas - Parte 10 - Categoria: Incesto - Votos: 2
257380 - Almas Gêmeas - Parte 9 - Categoria: Coroas - Votos: 2
257329 - Almas Gêmeas - Parte 8 - Categoria: Zoofilia - Votos: 7
257296 - Almas Gêmeas - Parte 7 - Categoria: Incesto - Votos: 2
257212 - Almas Gêmeas - Parte 6 - Categoria: Heterosexual - Votos: 1
257205 - Almas Gêmeas - Parte 5 - Categoria: Incesto - Votos: 2
257113 - Almas Gêmeas - Parte 4 - Categoria: Heterosexual - Votos: 4
257110 - Almas Gêmeas - Parte 3 - Categoria: Heterosexual - Votos: 4
257009 - Almas Gêmeas - Parte 2 - Categoria: Incesto - Votos: 2
256987 - Almas Gêmeas - Parte 1 - Categoria: Incesto - Votos: 5
227600 - A Síndica - Parte 4 - Categoria: Heterosexual - Votos: 13
227507 - A Síndica - Parte 3 - Categoria: Zoofilia - Votos: 12
227380 - A Síndica - Parte 2 - Categoria: Traição/Corno - Votos: 13
227182 - A Síndica - Parte 1 - Categoria: Heterosexual - Votos: 15
226234 - Ao Corno, as Sobras do Ménage - Categoria: Traição/Corno - Votos: 14
226233 - Um Ménage na Noite de Natal - Categoria: Traição/Corno - Votos: 17
225985 - A Traição Fortalece o Casamento - Categoria: Traição/Corno - Votos: 14
225880 - Já que a Mamãe Não Quer o Papai… - Categoria: Incesto - Votos: 28
224460 - Corneando Dobrado - Categoria: Traição/Corno - Votos: 19
224262 - Shortinho “Gozado” - Categoria: Masturbação - Votos: 16
224018 - Onde Come 1, Come 2 e até 3 - Categoria: Traição/Corno - Votos: 24

Ficha do conto

Foto Perfil kmilinha
kmilinhaeseudiario

Nome do conto:
Almas Gêmeas - Parte 21

Codigo do conto:
258386

Categoria:
Coroas

Data da Publicação:
01/04/2026

Quant.de Votos:
1

Quant.de Fotos:
2