A sorte estava apenas começando. Ao chegar ao outro lado, encontrei um quartinho encostado na parede, um cômodo com laje, construído com os mesmos tijolos vermelhos e blocos vazados em vez de janela.
Ao observar a porta de madeira avermelhada, robusta, com fechadura Tetra, minha expectativa diminuiu. Uma placa na entrada dizia: Depósito de Ferramentas. Considerei um exagero de segurança na guarda de enxadas e tesouras de podar plantas; eu iria examinar o interior.
Devido aos meus 1,63 m de altura, precisei ficar nas pontas dos pés para espiar pelos buracos dos blocos vazados. Consegui visualizar outra porta na parede dos fundos, embutida na mesma parede lateral da sala secreta do ateliê. O diminuto espaço interior não continha mais nada. Fiquei feliz por descobrir que a passagem não era secreta quando vista pelo lado de fora. Mas como eu abriria duas fechaduras Tetra sem as chaves? Faria essa pergunta no YouTube, mais tarde. Deve ter algum curso intensivo com formação em arrombador de portas, né? Hahaha! Pensei e ri comigo mesma.
***
Passaram-se três dias; era 12 de agosto, véspera do Dia dos Pais. O sábado estava frio quando tomei o ônibus do instituto em Águas Turvas às sete da manhã. Quarenta minutos depois, desembarquei em Mogi das Cruzes. Havia programado pegar um coletivo para casa e retornar mais tarde com a Giovana para fazermos compras. Na lista, constava uma camisa polo para presentearmos o papai.
Enquanto me dirigia ao ponto, alguém me chamou pelo nome. Olhei e identifiquei o Roberto dentro do carro dele. O rapaz é primo da Cíntia; ele fez parte da turminha no passeio à cachoeira.
Falou que estava voltando de São José dos Campos, onde passa a semana trabalhando e cursando o último ano da faculdade de Jornalismo.
— Nossa! Último ano, já? — Achei que você tivesse a idade do Lucas.
— Farei 22 em outubro.
Ganhei uma carona, pois ele disse que passaria pelo meu bairro. Adorei as coincidências do encontro.
Nossa conversa começou trivial, mas logo ficou escorregadia quando ele falou a respeito da Cíntia. Roberto estava revoltado, desconfiava que sua tia forçava a filha a participar de rituais satânicos em uma seita ligada ao instituto.
Vixe Maria! O que este cara sabe? Por que está me contando isso? Indaguei-me, preocupada.
Ele comentou que, imediatamente após sua tia obrigar a filha a estudar no instituto, sua prima começou a apresentar um comportamento estranho.
— Caraca! Ela estuda no instituto? — indaguei, surpresa, pois nunca a vi por lá.
— É uma das ramificações que começaram a operar em Mogi e em outros municípios neste ano — explicou ele.
— Eita! Eu não sabia disso.
Posteriormente, ele mencionou sua conversa mais recente com Cíntia durante o horário de visitas no hospital.
— Ela tentou me dizer algo, mas mal balbuciava as palavras, como se estivesse drogada. Imediatamente, a minha tia aproximou-se com cara de reprovação e intimidou a garota. A enfermeira comunicou o fim da visita e fui praticamente expulso do quarto. Tudo isso rolou em poucos segundos e foi muito estranho.
Naquele ponto do bate-papo, fiquei sabendo que nosso encontro não foi coincidência; o Lucas havia revelado que eu estudava no instituto em Águas Turvas e costumava voltar para casa somente no sábado de manhã.
O motivo que o levou a procurar-me — segundo ele — foi devido às palavras balbuciadas pela Cíntia. Roberto disse ter interpretado como um pedido de socorro da prima e acreditou que eu teria respostas às suas perguntas.
Puta que pariu! O que aquela louca falou para ele? Pensei, apavorada.
— O que ela disse, exatamente?
— “Procura a amiga do Lucas”, disse ela com muita dificuldade. Minha esperança, Gisele, era que você pudesse me ajudar a desvendar esse mistério que envolve a minha prima.
— Eu não sei como, Roberto.
Aquela sonsa bem que poderia ter sofrido de boca fechada. Pensei com raiva.
Ele revelou que estava investigando por conta própria se sua tia e pessoas ligadas ao instituto pertenciam a uma seita de atividades ilegais.
Esse cara sabe mais do que tenta aparentar, e muito mais do que seria prudente saber, pensei, sentindo-me extremamente desconfortável. Contudo, ele me inspirava confiança e até parecia ser um cara legal. Acreditei que seu interesse em desvendar esse mistério era realmente para proteger sua prima. Senti-me na obrigação de alertá-lo sobre quão perigoso era envolver-se nesse assunto.
Com a tentativa de ganhar tempo para pensar, falei que nossa conversa seria longa e teria que acontecer em outro dia.
— Mas com uma condição: você não pode comentar com ninguém sobre este encontro, tampouco sobre o próximo — falei super séria.
Fui sincera ao revelar que sentia pavor da direção do complexo estudantil.
— Eles são controladores, muito rígidos, e nos obrigam a seguir inúmeras regras e manter segredo sobre tudo o que acontece no interior do instituto.
Prossegui emitindo um alerta:
— Não é prudente ficar investigando essa rede perigosíssima. Acredite em mim, Roberto, tenha muito cuidado e desconfie até da polícia.
É evidente que despertei ainda mais sua curiosidade jornalística, mas não revelei mais nada.
Apesar da sua impaciência na obtenção de mais detalhes, fui categórica, pedindo que aguardasse até o próximo encontro. Ele acabou aceitando e prometeu prudência.
— Aguardarei ansioso nosso próximo encontro.
— Beleza, Roberto! A gente se fala no sábado que vem, lá no Parque Centenário. Tchau!
Desci do carro com a cabeça a milhão, achando que havia falado demais.
***
A nova semana foi arrastada e lenta como a anterior, mas pelo menos levaram o caixão embora e não surgiram visitas ou novidades desagradáveis. Os desconfortos foram os rotineiros e ficaram a cargo do mestre Vilânio. Foi suportável dentro do possível e, no íntimo, fiquei agradecida porque não houve trabalhos externos.
Sextou e minhas obrigações terminaram em torno das 21:15. Como sempre, fui para o alojamento ainda sob os efeitos colaterais do “chá do capeta”.
Eram precisamente 22h quando saí de fininho, fugindo da instituição de ensino para encontrar-me com o professor Rodrigo numa rua paralela.
Fomos para sua casa praticarmos os saborosos atos libidinosos, pois ninguém é de ferro, né? Felizmente, ainda existia um mundo fora das grades do instituto.
Este outro mundo é quase perfeito quando o professor não faz perguntas sobre o ateliê ou sobre meu estado letárgico. Nessas horas, brota em mim somente o desejo de curtir suas carícias, esquecendo momentaneamente a minha situação de escravizada. Porém, quando ele pega no meu pé com sua seriedade de adulto e querendo saber mais do que seria seguro para ambos, eu sinto vontade de deixá-lo falando sozinho e ir transar com seu sobrinho Lucas.
Mas aquela foi uma noite de momentos felizes e de pura diversão sobre a cama, não somente sobre o leito conjugal, já que me pegou de frente em uma cadeira, beijando a minha boca enquanto mexia gostoso. Ou permitindo-me cavalgar livremente sobre o seu pau, assistindo aos meus peitos balançando, enquanto desafiavam sua boca a abocanhá-los.
Pouco depois, ele incluiu a escrivaninha na diversão. O homem, após curvar-me sobre ela, arrancou-me gemidos que saíam um tom acima do normal ao pegar-me por trás, desferindo seus golpes em meu ânus.
A longa série de idas e vindas em minhas entranhas, somada à quantidade de tapas “carinhosos” desferidos em minha bunda, culminou com uma deliciosa sensação ao atingir o ápice do prazer, chegando à perfeição durante o gozo do meu parceiro. Ahh! É preciso tão pouco para sermos felizes.
O banho a dois foi tão maravilhoso quanto: saí do banheiro carregada em seus braços e dormimos de conchinha até o amanhecer.
Deixei o professor dormindo e fui ao Parque Centenário enfrentar a reunião complicada e perigosa com o Roberto.
Continua.




