Dentro do meu quarto, com a porta fechada, fui obrigada a fornecer a senha do meu celular. Não seria problema, pois eu e Roberto nos precavemos, não trocando mensagens ou ligações.
O segurança havia iniciado uma busca pelo quarto; apanhou a caixinha vazia do cartão em cima da cama da Giovana e indagou onde estava; menti ao dizer que estava no meu celular. Contudo, não tardariam a encontrar o cartão com as imagens proibidas no aparelho da caçula.
A mulher ordenou que eu me despisse para examinar minhas roupas e que permanecesse em pé e com os braços ao longo do corpo. Enquanto isso, eles continuavam revistando cada centímetro do aposento. O homem, depravado, voltado em minha direção, fazia caras e bocas, enquanto olhava descaradamente para as minhas partes íntimas. Desviei o olhar e me perdi em meus próprios pensamentos.
A conversa do papai com o tio Agenor não foi a razão dessa invasão, pois não havia tempo suficiente. O roubo foi descoberto muito cedo e, devido ao rastreador, foi possível identificar e capturar o Roberto. Não acredito que ele tenha morrido com o impacto contra uma mureta; esses monstros devem ter torturado meu parceiro para obter o que desejavam e, em seguida, eles o mataram. Pensei, aterrorizada e profundamente abalada pela perda do meu amigo.
Eu não tinha ideia do quanto sabiam do meu envolvimento. Para piorar, tampouco possuía um álibi que justificasse minha ausência no ônibus do instituto naquela manhã. Havia pensado sobre isso com antecedência, mas não quis envolver mais ninguém nessa história de horror, pois era extremamente perigosa. Eu estava cheia de razões. Agora, declararia que passei a noite com um namorado, recusando-me a informar quem ele era e onde estivemos.
— O que você está escondendo aí? — disse-me a mulher em tom ameaçador. O segurança tinha cochichado no ouvido dela um minuto atrás.
— Não escondi nada, senhora.
— Você acha que eu sou idiota, não é, menina? — Vira e se inclina sobre a penteadeira.
Ela me deixou ainda mais angustiada. Como poderia esconder algo estando nua? Qual é a finalidade desse espetáculo? Refleti.
Acatei e me debrucei sobre o móvel, ficando numa postura ridícula para uma situação tão séria. Já estava exausta de levar bola nas costas. Se tentassem me estuprar, eu faria o maior escândalo gritando por socorro.
— Abre as pernas, deixa eu ver o que você pôs aqui! — ordenou ao passar a mão em meu sexo.
— Não tem nada aí, senhora — falei, chorando.
Ela afastou minhas nádegas, abrindo meu rego. Pelo espelho, vi o reflexo do homem apreciando a cena.
Depois, enfiou a ponta do dedo na minha vagina e disse:
— É… Não tem nada aqui — disse ela, mas, ainda assim, foi mais fundo, mexendo seu dedo.
Por fim, concluiu:
— Pode se vestir.
Filhos da puta, pensei, deve ser um joguinho sexual desses dois nojentos.
Quando voltamos para a sala, a situação tinha piorado; todos os celulares e computadores da casa foram confiscados. Quando meu pai solicitou um mandado de busca e apreensão, os policiais ameaçaram sacar as armas, e o oficial falou sarcasticamente:
— Isso aqui é o nosso mandado.
— Vocês todos devem nos acompanhar, pois a direção pediu a presença da família. Serão colhidas informações para identificar eventuais conexões do invasor com algum membro do instituto — afirmou o advogado.
Papai tentou ganhar tempo, alegando o mal-estar da mamãe.
— Iremos daqui a uma hora — disse.
Ele parecia desconfiar que o negócio no instituto daria ruim. Eu tinha certeza disso.
— Ela pode ser atendida no ambulatório da instituição; estamos perdendo tempo — disse o advogado.
Não deu certo a jogada, ainda mais quando o oficial da polícia ordenou que entrássemos imediatamente no carro do papai ou nos fariam entrar.
Minutos depois, estávamos na estrada, indo de Mogi para Águas Turvas, acompanhando a viatura policial. O outro carro seguia atrás de nós.
Ao longo do percurso, no interior do carro com meu pai, minha mãe e Giovana comigo no banco de trás, entre várias outras coisas que disse, comentei:
— Para mim, será um alívio se a expulsão do instituto for a minha punição.
— Aposto que esse inferno tem a ver com o cartão imundo que a vadia tentou esconder — disse a minha irmã, apontando para mim. A discussão esquentou e todos começaram a falar ao mesmo tempo. A Giovana não esteve presente na minha conversa com meus pais; ela tinha apenas um conhecimento superficial e limitado da situação. Minha mãe tentava fazer a caçula compreender que eu não tinha culpa. Eu contava a ela que havia caído em um golpe da máfia.
— Golpe nada, você é a única culpada por ser tão vadia e puta de velho e cachorro.
Ela cuspiu seu veneno e eu soltei a mão com toda a minha força. Foi um tapa de deixar as marcas dos meus dedos na sua cara. Ela veio alucinada para cima de mim, e o tempo fechou.
Meus pais tentaram intervir na briga e conseguiram, em certa medida, pois os insultos ainda eram proferidos em altíssimos decibéis. Entretanto, o grito mais alto foi o da minha mãe; só tive tempo de notar um monstro vermelho se aproximando rapidamente diante do nosso para-brisa, grande e veloz como uma locomotiva desgovernada. A colisão ocorreu imediatamente, e perdi a consciência logo depois.
Continua.


