Depois que a água da piscina esfriou e o silêncio pesou, eu me levantei, peguei duas toalhas grandes e cobri o corpo de Antônio e o meu. Anita e Jairo se vestiram em silêncio. Eu os acompanhei até o portão, beijei a irmã no rosto e falei baixo:
— A gente se fala. Vai com cuidado.
Eles saíram. Fechei o portão e voltei para dentro. Antônio ainda estava com a toalha na cintura. Eu também. As duas filhas — Maria, de dezoito, e Cláudia, de dezenove — estavam na sala, paradas, olhando para nós sem saber o que dizer.
Sentei no sofá, chamei as duas para perto e falei com a voz calma, sem tentar suavizar demais:
— Vocês viram o que viram. Foi sexo entre adultos, com consentimento. Ninguém foi forçado. Erramos em não ter trancado o portão, mas não vamos fingir que aquilo foi um crime ou uma vergonha eterna. Sexo, quando existe confiança e respeito, não é sujeira. É só desejo. Vocês entenderam?
Maria baixou a cabeça e assentiu. Cláudia olhou nos meus olhos e respondeu apenas:
— Entendemos, mãe.
Nos dias seguintes a casa voltou a uma rotina estranha. Antônio e eu andávamos vestidos, como se quiséssemos dar espaço. As meninas também. Até que, no meio da semana, Maria começou a mudar. Primeiro tirou a blusa e ficou só de sutiã e short. Depois apareceu só de calcinha na cozinha, o corpo jovem e firme à mostra, os seios livres, a bunda marcada pelo tecido fino. Ela não dizia nada. Só circulava assim, como se testasse até onde podia ir. Eu a via pela porta da sala, o coração apertado e, ao mesmo tempo, quente. Antônio reparou também. Ficamos os dois em silêncio, observando a filha mais nova andar pela casa quase nua enquanto nós ainda estávamos de roupa.
Na sexta-feira à noite chamei todo mundo para a sala: Antônio, Maria, Cláudia e Ronaldo, que tinha chegado mais cedo. Falei sem rodeios:
— Maria está se sentindo à vontade de andar com pouca roupa. A gente viu. E eu e seu pai conversamos. Se a casa for ser um lugar de liberdade de verdade, então vamos ser honestos. Propomos nudismo em família. Ninguém é obrigado. Quem quiser fica vestido. Quem quiser tira a roupa. Mas a partir de agora a porta está aberta para isso.
Maria corou até o pescoço, mas não desviou o olhar. Cláudia mordeu o lábio e sorriu de canto. Ronaldo ficou sério, mas não contestou. Antônio apenas assentiu, a mão na minha coxa por cima da calça.
Naquela mesma noite, depois que a conversa terminou, Maria foi até o quarto, tirou a calcinha e voltou para a sala completamente nua. Ficou parada no meio do cômodo, os braços ao lado do corpo, esperando. Eu respirei fundo, levantei, tirei a blusa, a calça e a calcinha. Antônio fez o mesmo. Em poucos minutos estávamos os três nus na sala. Cláudia demorou mais um pouco, mas logo se juntou. Ronaldo ainda ficou de bermuda naquela noite, observando.
O ar da casa mudou. O que tinha começado com um flagra constrangedor na piscina estava se transformando em outra coisa: uma decisão coletiva, devagar, corpo por corpo, olhar por olhar.
E eu, pela primeira vez em muito tempo, me senti exatamente onde queria estar.