Episódio 16 – Os peladões da mata (contado por Anita)


A partir daquele dia eu não me vesti mais.
Nem dentro de casa, nem fora. Acordava nua, fazia café nua, caminhava pelo quintal nua, descia o barranco até o rio nua. O sol da manhã queimava os ombros, o vento da mata passava entre as pernas, a água fria do rio envolvia o corpo inteiro sem nenhum tecido no caminho. Os pelos da buceta já estavam mais densos, molhados toda vez que eu saía da água. Jairo a princípio ainda usava bermuda em alguns momentos, mas logo começou a tirar a roupa também quando estávamos só os dois. Seu Francisco e Livranice já não estranhavam. Os meninos, depois do primeiro susto, passaram a tratar minha nudez como parte da paisagem.
Perto da casa de Seu Francisco existia um caminho de terra batida que cortava a mata e levava até a comunidade. Lá ficava a escola onde Jairo dava aula e o campinho de futebol, um retângulo de grama irregular cercado por bananeiras e açaizeiros. Um dia, no final da tarde, alguns homens da comunidade convidaram Jairo para jogar. Ele aceitou, vestiu uma bermuda velha e uma camiseta, e foi pelo caminho. Eu fiquei.
Quando o sol já estava baixo, desci até o rio como de costume. Entrei nua na água rasa perto da beira, depois nadei um pouco até o meio, onde a correnteza era mais forte. A água escura cobria os seios, a barriga, a buceta. Fiquei flutuando de costas, olhando as árvores, quando ouvi vozes se aproximando pelo caminho.
Jairo voltava. E não vinha sozinho.
Eram quatro ou cinco homens do time, todos suados, rindo, falando alto sobre o jogo. Eles desceram o barranco atrás do meu marido. Eu estava no meio do rio, nua, a água na altura da cintura quando me levantei. O corpo inteiro apareceu: seios molhados, barriga, os pelos escuros da buceta colados à pele, as coxas brilhando. Os homens pararam. Um deles soltou um “porra…” baixo. Outro desviou o olhar rápido. O silêncio caiu de repente no meio das conversas.
Jairo não hesitou. Tirou a camiseta suada, depois a bermuda, depois a cueca. Ficou completamente nu na beira do rio, o pau balançando, ainda marcado pelo suor do jogo. Olhou para os amigos e falou com naturalidade:
— Pode ficar à vontade. A gente é nudista. Aqui em casa e no rio a gente anda assim. Não precisa se preocupar.
Os homens ficaram parados mais alguns segundos. Um deles riu nervoso. Outro coçou a nuca. Um terceiro, mais jovem, não conseguia descolar os olhos do meu corpo. Jairo entrou na água e veio até mim. Me beijou na boca, a mão na minha bunda molhada, e se virou de novo para eles:
— Pode entrar se quiser. Ou só fica aí. Tanto faz.
Dois dos homens acabaram tirando a camisa. Um só tirou a bermuda e ficou de cueca. Outro permaneceu completamente vestido, mas não foi embora. Ficaram na beira, conversando baixo, olhando de relance enquanto eu e Jairo nadávamos. A água batia nos nossos corpos nus. De vez em quando eu saía até a cintura, ou me virava de costas, ou me sentava numa pedra rasa com as pernas abertas, o pelo da buceta à mostra. Ninguém comentou em voz alta. Mas os olhares falavam.
Quando finalmente saímos do rio, eu não me sequei com toalha. Fiquei pingando, nua, e subi o barranco na frente de todos. Jairo veio atrás, também nu. Os homens nos seguiram até a casa, ainda meio constrangidos, meio curiosos. Seu Francisco estava no quintal e só acenou, como se nada de mais estivesse acontecendo. Livranice apareceu na porta, olhou a cena e deu de ombros.
Os amigos de Jairo não ficaram muito tempo. Beberam um pouco de água, falaram sobre o jogo, e foram embora pelo caminho da comunidade antes que anoitecesse. Mas a história já tinha começado a caminhar junto com eles.
No dia seguinte, na escola, alguém perguntou para Jairo se era verdade que a mulher dele andava pelada no rio. No outro dia, duas mulheres da comunidade comentaram baixo quando me viram de longe, nua, lavando roupa no tanque externo. Em menos de uma semana a fama tinha corrido a comunidade inteira.
Éramos “os peladões da mata”.
Eu e Jairo. A mulher que nadava nua e o professor que tirava a roupa junto com ela na frente dos outros. Algumas pessoas riam. Outras faziam cara de escândalo. Algumas só ficavam curiosas. Mas ninguém veio nos enfrentar. Seu Francisco e Livranice confirmavam para quem perguntava: “Lá na beira do rio a nudez é normal. Eles escolheram viver assim.”
Eu continuei nua. Em casa, no quintal, no rio, às vezes até no caminho até a curva da mata. Jairo, aos poucos, também passou a ficar nu com mais frequência quando estávamos só entre os nossos. O corpo dele ao sol, o pau à mostra, a pele queimando igual à minha.
A mata tinha ganhado dois peladões. E a comunidade inteira agora sabia.

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Ficha do conto

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Nome do conto:
Episódio 16 – Os peladões da mata (contado por Anita)

Codigo do conto:
269579

Categoria:
Exibicionismo

Data da Publicação:
10/08/2026

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