Episódio 19 – A visita do pai (em Coari) (contado por Anita)
Jairo tinha voltado dos quinze dias de trabalho no interior havia só três dias. A casa alugada em Coari ainda cheirava a sexo e liberdade. Nós dois estávamos de novo no ritmo de andar nus o tempo todo — de manhã, de tarde, de noite. As janelas abertas, o corpo à vontade, o calor da cidade entrando sem nenhuma roupa no caminho. Foi então que meu pai avisou que viria nos visitar e passar alguns dias. Jairo e eu nos entreolhamos na cozinha, os dois ainda pelados. Sabíamos que o velho era de outro tempo. Criado com vergonha de corpo, acostumado a ver mulher sempre vestida. Nosso jeito novo de viver não ia ser fácil de engolir de uma vez só. Decidimos ir acostumando ele aos poucos. Quando ele chegou, no meio da manhã, eu estava de vestido leve, sem nada por baixo. O tecido fino marcava os bicos dos seios e, quando eu andava, colava entre as pernas, mostrando o volume dos pelos que Jairo tanto gostava. Jairo usava só uma bermuda. Abrimos a porta, meu pai me abraçou forte, cumprimentou o genro e entrou com a mala pequena. O primeiro dia foi de conversa, café e notícias. Eu sentia o vestido grudando no corpo suado e a vontade constante de tirar tudo, mas me contive. À noite, quando o calor apertou dentro da casa, tirei o vestido na frente dele e fiquei só de calcinha. Meu pai ergueu uma sobrancelha, mas não comentou. Jairo tirou a camiseta. Continuamos a conversa como se nada tivesse mudado. No segundo dia fui além. Acordei nua e não me vesti. Quando meu pai saiu do quarto, me encontrou na cozinha completamente pelada, preparando o café da manhã. Ele parou na porta. Os olhos desceram pelos seios, pela barriga, pelos pelos escuros da buceta, e depois subiram de novo para o meu rosto. Ficou vermelho até a orelha. — Anita… — Pai, a gente vive assim agora. Em casa a gente anda nu. É o nosso jeito desde que o Jairo voltou do interior. Se o senhor quiser que eu vista alguma coisa enquanto estiver aqui, eu visto. Mas a gente prefere ficar assim. Ele ficou em silêncio por um longo tempo. Depois só balançou a cabeça, se sentou na cadeira e aceitou a xícara que eu ofereci. Não pediu para eu me cobrir. Passou o resto da manhã tentando não olhar diretamente, mas os olhos escapavam. Quando Jairo apareceu também nu, o velho já não conseguia esconder a surpresa. No terceiro dia eu abri todas as janelas e fiquei nua o tempo todo. Meu pai estava sentado na sala quando eu passei por ele várias vezes — para a cozinha, para o banheiro, para o quarto. Cada vez que eu passava, o olhar dele descia e subia. À tarde me sentei no sofá de frente para ele, as pernas abertas, e continuei a conversa normalmente. A buceta peluda ficava à mostra. Ele desviava o olhar, mas sempre voltava. À noite, os três na sala, eu e Jairo completamente nus, meu pai ainda de camisa e calça, ele finalmente falou, a voz baixa: — Vocês estão vivendo de um jeito… diferente. No meu tempo ninguém fazia isso. Jairo respondeu com calma: — Aqui a gente escolheu assim, sogro. Nudez não é pecado. É só pele. E a gente se sente bem. Meu pai não concordou em voz alta. Mas também não se levantou para ir embora. Ficou sentado, vestido, no meio dos dois genros nus, bebendo café e olhando a televisão sem enxergar direito. Eu percebi que ele olhava mais do que admitia. Especialmente para mim. E, aos poucos, o constrangimento dele ia mudando de cara. Ainda não tinha tirado a camisa. Ainda não tinha dito que aceitava de verdade. Mas também não tinha pedido para a gente se vestir. Estávamos acostumando o velho. Devagar. E a casa em Coari seguia nua, como se a visita do meu pai fosse só mais um teste que a liberdade tinha decidido aplicar.
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