Episódio 14 – O banho à beira do rio (contado por Anita)


A casa ficava no interior, no meio da mata, a poucos metros do rio. Não tinha vizinhos próximos. As paredes eram de madeira fina, o telhado de palha em alguns trechos, e o banheiro ficava fora, nos fundos, uma estrutura simples sem paredes completas, só um teto e uma cerca baixa de tábuas que mal cobria até a altura da cintura. De lá se via o rio e a mata. E quem vinha pelo rio, se prestasse atenção, também podia ver quem estava se banhando.
Naquela manhã Jairo tinha saído cedo com os meninos para a escola na comunidade mais próxima. Livranice e Seu Francisco tinham descido o rio de canoa para a roça, como faziam quase todos os dias. Eu fiquei sozinha. O calor já subia forte entre as árvores. O ar úmido grudava na pele.
Decidi tomar banho. Tirei a camisola e fiquei nua dentro da casa. Depois caminhei pelos fundos até o banheiro externo. A água do chuveiro era puxada direto do rio, morna pelo sol. Fechei os olhos e me ensaboei devagar, as mãos passando pelos seios, pela barriga, descendo até os pelos da buceta. A água escorria pelas coxas e caía no chão de madeira. Estava relaxada. Acreditava que ninguém voltaria antes do meio-dia.
Foi então que, de longe, ouvi o barulho leve da canoa cortando a água.
Seu Francisco vinha voltando pelo rio.
Da distância ele já podia ver o banheiro. Vi a silhueta dele na canoa, o chapéu, o movimento dos braços no remo. Ele me viu nua debaixo do chuveiro, o corpo inteiro à mostra entre as tábuas baixas. Mas só quando a canoa se aproximou da beira, a poucos metros da casa, foi que eu o enxerguei com clareza — e ele soube que eu também o tinha visto.
Ele atracou em silêncio. Subiu o barranco. Eu desliguei a água. Fiquei parada, nua, pingando, o coração acelerado. O constrangimento veio forte e rápido. Ele parou a uma certa distância, tirou o chapéu e falou baixo:
— Desculpa, Anita. Esqueci a ferramenta no rancho. Vim buscar. Não sabia que a senhora estava se banhando.
Eu não me cobri. A água ainda escorria pelos seios e pelos pelos molhados. Respirei fundo e respondi:
— Não tem problema, Seu Francisco. Eu achei que o senhor só voltava mais tarde.
Ele desviou o olhar por um segundo, depois voltou a olhar para mim, sem ousar descer o olhar de propósito.
— Eu vou pegar a ferramenta e já desço de novo.
Mas eu não deixei a conversa morrer ali. Peguei a toalha só para secar o excesso de água do cabelo e do corpo e depois a larguei de novo no banco de madeira. Fiquei nua de propósito.
— Pode subir. Vou fazer um café. Quer tomar um?
Ele hesitou, olhando para o chão de terra e depois para mim.
— Se a senhora não se importa…
— Não me importo.
Caminhei na frente dele, ainda nua, os pés molhados na terra batida, o corpo inteiro visível sob a luz que filtrava pelas árvores. Ele me seguiu até a cozinha aberta da casa. Liguei o fogão a lenha, coloquei a água para ferver, preparei o café. O cheiro se espalhou rápido. Sentei na cadeira de madeira, as pernas abertas sem pensar muito, e comecei a coçar os pelos da buceta com distração. Os dedos passavam devagar pelo matinho ainda úmido, abrindo um pouco os lábios sem querer.
Seu Francisco se sentou do outro lado da mesa pequena. Bebeu o café em silêncio por um tempo. Eu continuei coçando, agora mais consciente do gesto, bem na frente dele. O constrangimento inicial ainda queimava no peito, mas ia cedendo lugar a uma curiosidade quente.
Foi ele quem quebrou o silêncio de novo:
— A senhora não precisa se preocupar comigo. Lá na minha família a gente é descendente de índio. Caboclo da beira do rio. Para nós a nudez nunca foi problema. Minha avó andava sem roupa dentro de casa até ficar velha. Meu pai também. No rio a gente se banha junto desde pequeno. O corpo é corpo. É natural. Se a senhora e o Jairo quiserem ficar assim aqui em casa, podem ficar à vontade. Eu não estranho. Nem a Livranice estranha.
Eu parei os dedos sobre os pelos e o olhei.
— Sério? O senhor não se incomoda de me ver assim, nua, no meio da mata?
— Não. Já vi mulher nua a vida inteira. No rio, na roça, em casa. É diferente quando alguém força. Mas quando a pessoa escolhe… é só liberdade. Aqui no meio do mato, longe de tudo, ainda mais.
Ele bebeu mais um gole. Eu voltei a passar os dedos pelos pelos, agora de propósito, abrindo um pouco mais a fenda, deixando a pele rosada aparecer por baixo da água que ainda pingava. O silêncio que se instalou não era mais só constrangimento. Era denso, quente, cheio de algo que nenhum dos dois nomeava em voz alta.
Ficamos ali por um bom tempo. Eu nua, ele de roupa suada da roça, conversando sobre o rio, sobre a mata, sobre como a casa ficava quieta durante o dia. De vez em quando eu mudava de posição na cadeira, cruzava uma perna, abria de novo, coçava os pelos com mais calma. Ele não desviava mais o olhar com tanta força. Às vezes os olhos dele desciam e ficavam um segundo a mais do que o necessário, depois subiam de novo para o meu rosto.
Quando ele finalmente se levantou para ir buscar a ferramenta no rancho, parou na porta aberta da cozinha e falou, sem olhar diretamente para a minha buceta:
— Pode continuar assim se quiser. Eu volto mais tarde com a Livranice. Mas se estiver nua, não precisa se vestir por nossa causa. Aqui no meio do mato a gente entende.
Eu sorri, ainda sentada, as pernas abertas, os dedos descansando sobre os pelos úmidos.
— Obrigada, Seu Francisco.
Ele desceu o barranco, voltou para a canoa e sumiu rio abaixo. Eu fiquei na cozinha, nua, o café esfriando na xícara, o corpo inteiro formigando com a conversa e com o fato de ter sido vista daquela forma tão simples e, ao mesmo tempo, tão íntima, no meio da mata, à beira do rio.
O constrangimento tinha passado. No lugar dele tinha ficado uma liberdade nova — e a certeza de que, naquela casa isolada, a nudez tinha acabado de ganhar mais um olhar permitido.

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Ficha do conto

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Nome do conto:
Episódio 14 – O banho à beira do rio (contado por Anita)

Codigo do conto:
269571

Categoria:
Exibicionismo

Data da Publicação:
10/08/2026

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