Eu tinha as informações. O foco permanecia intacto. Sandra havia tomado conta de tudo.
Passava o dia inteiro dentro da vida dela. Mensagens, e-mails, horários, encontros secretos com o Pastor Mike. Sabia quando ela saía, quando voltava, o que pedia, o que escondia. Sabia que era uma mulher difícil de satisfazer.
Nós dois tínhamos o mesmo problema: vício sexual.
A obsessão já não cabia mais dentro de mim. Eu precisava de Sandra. Mas como atrair a atenção de uma mulher daquela sem parecer um idiota desesperado? Se eu tivesse uma aparência minimamente atraente… não tinha. Entrei na academia. Sabia que o corpo só mudaria com tempo e disciplina.
Nunca tive talento para nada. Era só mais um funcionário no meio de centenas.
Ainda assim, sempre que pensava em desistir, voltava para as fotos dela. Me masturbava com elas. Queria que ela soubesse. Ficava imaginando a reação dela se descobrisse que o nerd da informática gozava olhando sua bunda aberta.
Semanas se passaram. Nos corredores da empresa eu a via. Passava por ela.
E não trocávamos nem um olhar.
Naquela manhã fui chamado para uma reunião de emergência.
A sala grande já estava ocupada por seis funcionários de setores diferentes. Eu entrei por último e sentei no canto, tentando continuar invisível.
Sandra chegou depois de todos.
Vestia preto. A saia social abraçava o rabão gordo e largo, marcando o volume a cada passo. As pernas grossas apareciam até acima do joelho. Nos pés, um salto vermelho que deixava os dedos à mostra. O barulho dos saltos ecoou pela sala como um aviso.
Ela se sentou na cabeceira.
Puxou a cadeira, ajeitou o corpo e cruzou as pernas. A saia subiu. A carne da coxa se comprimiu. Quando ela se acomodou de verdade, a bunda se espalhou sobre o assento de um jeito obsceno. Eu não conseguia olhar para outro lugar.
A reunião foi tensa desde o primeiro minuto.
Sandra foi direta e cruel. Cortava a fala de quem tentava se justificar. Batia a caneta na mesa quando alguém enrolava. Olhava nos olhos de cada um como se estivesse calculando o valor da pessoa. A voz saía baixa, controlada e afiada.
Eu observava tudo de um jeito doentio.
A forma como ela girava a caneta entre os dedos. O jeito que inclinava o corpo para frente, fazendo os seios pesados se apoiarem na mesa. O movimento quase invisível que a bunda fazia toda vez que ela mudava de posição. Até o momento em que passava a língua nos lábios antes de destruir alguém parecia calculado.
Os outros estavam tensos. Eu estava duro.
Enquanto ela humilhava o responsável do financeiro, eu imaginava aquela mesma boca ocupada de outra forma. Enquanto apontava a caneta para o gerente de vendas, só conseguia pensar em como aqueles dedos apertavam o pau do Pastor Mike.
Sandra dominava a sala por completo.
E eu, no canto, fingindo anotar alguma coisa, só pensava em estar debaixo daquela mesa, entre as pernas grossas dela, chupando-a em silêncio enquanto ela continuava dando bronca em todo mundo.
A reunião terminou.
Os funcionários saíram um por um. Eu já me levantava quando a voz dela me atravessou:
— Cláudio. Fica um minuto.
O estômago gelou.
Fiquei parado. O coração bateu tão forte que por um segundo achei que ela ia escutar. A sala vazia parecia menor. O ar mais denso. Forcei o corpo a se virar na direção dela, mantendo o rosto neutro.
Na minha cabeça o pior cenário se desenrolava em alta velocidade.
Ela descobriu. Achou o software. Viu os arquivos. Sabia de tudo. Minha inteligência tinha falhado. O único talento que eu achava ter — passar despercebido — tinha se quebrado. O ego doeu. Doeu de verdade. Eu, que me considerava cuidadoso, invisível, esperto… agora estava exposto, esperando o golpe.
Sentei de novo. Devagar.
Sandra permaneceu sentada, os braços apoiados na mesa, o salto vermelho balançando levemente. Ficou me olhando em silêncio por alguns segundos. Eu segurei o olhar. Foi a coisa mais difícil daquele dia.
— Eu te vi na igreja — ela disse.
A frase me pegou de surpresa.
Não era sobre o software.
Alívio e nervosismo se misturaram de um jeito estranho.
— Foi você, não foi? — continuou, a voz calma. — Aquele dia. Você levantou a mão quando o pastor perguntou quem era novo.
Engoli seco.
— Sim. Fui eu.
Sandra inclinou a cabeça, estudando meu rosto. Depois, sem pressa, estendeu a mão e tocou a minha. Foi leve, rápido, quase casual. Os dedos dela passaram pelos meus por menos de dois segundos.
Para mim não foi casual.
Qualquer gesto dela carregava intenção. Qualquer contato era combustível. O sangue desceu rápido demais. Meu pau latejou dentro da calça. Precisei apertar as pernas sob a mesa.
— Achei estranho — ela disse, retirando a mão. — Nunca te vi por lá antes.
Respondi alguma coisa. A voz saiu firme o suficiente. Eu estava atuando. E, para alguém que nunca teve talento para nada, me saí bem.
Sandra sorriu de lado, quase imperceptível, e fez um gesto indicando que eu podia ir.
Saí da sala com as pernas moles.
Só no corredor, longe dela, percebi.
A frente da cueca estava melada.
Cheguei em casa ainda quente.
A conversa tinha me deixado em um estado estranho: medo e excitação misturados. Mas por cima de tudo havia uma certeza nova. Eu ainda estava no controle.
Sentei na frente do computador.
Criei um perfil falso em minutos. Nome genérico. Foto sem rosto. Nada que pudesse me apontar. O ódio e o desejo trabalhavam juntos. Eu queria ver o Pastor Mike se contorcer. Queria ver a máscara rachar.
Adicionei ele.
Esperei.
Ele aceitou.
Então mandei a mensagem.
Foi direta. Fria. Sem rodeios. Mencionei detalhes que só quem tinha visto as fotos saberia. O escritório da igreja. O pé na cabeça dela. As bolas sendo chupadas. A expressão de Sandra quando engolia o pau até o fundo.
No final, a ameaça ficou clara:
“Eu sei de tudo. E posso destruir sua vida com um único envio.”
Fechei a conversa e abri o software.
Menos de dez minutos depois, a notificação apareceu.
Pastor Mike tinha mandado mensagem para Sandra.
Abri a conversa em tempo real.
Ele estava nervoso. As mensagens saíam rápidas, desorganizadas. Perguntava se ela tinha falado alguma coisa. Se alguém do trabalho podia saber. Se as fotos estavam seguras.
Sandra respondia com calma. Quase irritada. Dizia para ele parar de pirar. Que ninguém sabia de nada.
Eu lia tudo com um sorriso no rosto.
E com o pau duro.
Havia um prazer diferente naquilo. Não era só tesão. Era poder. Era a sensação de puxar os fios enquanto os dois se mexiam sem saber que eu estava assistindo.
Aquele era outro lado meu.
O lado cruel.
O lado maldoso.
Tudo causado por ela.
Pelo desejo que só crescia a cada espionagem, a cada foto, a cada segredo que eu arrancava da vida de Sandra.
Me masturbei olhando a conversa dos dois.
Gozei imaginando o desespero do pastor e a indiferença dela.
Quando terminei, limpei a tela e me recostei na cadeira.
O jogo estava só começando.
E, pela primeira vez, eu não me sentia mais o invisível.
Eu me sentia perigoso.