Tudo começou porque eu estava colhendo framboesas.
Moro perto de uma cidade universitária que tem uma linda reserva natural nos arredores. Naquele Domingo de Julho, eu (sou uma senhora de 65 anos, casada há 33) sabia de um canto remoto cheio de framboesas silvestres (em Julho, e amoras em Agosto).
Fiz o que velhas fazem. Peguei um pote de plástico grande, fui de carro até meu lugar secreto. Lá além dos estacionamentos mais distantes do campus, só tem estradas de terra. Enchi o pote em quinze minutos e voltei para o carro.
E descobri que, burramente, tinha trancado a chave com controle remoto e o celular dentro do meu Honda. Não sei como, devo ter apertado os cadeados, largado a chave no banco e batido a porta (Um dia você vai ter 65 também, acredite).
Agora eu estava ali, com meio litro de framboesas, olhando para o norte, onde um pequeno campus da universidade ficava a uns 800 metros e provavelmente fechado e vazio num Domingo preguiçoso de verão. Precisava achar um telefone. Enfiei o pote embaixo do carro, longe do sol, e fui atrás de algum casal simpático de bicicleta ou uma estudante correndo, para pedir ajuda.
Atravessei um campo cheio de mato, outra estrada de terra, depois um segundo campo até chegar a uma estrada asfaltada tão isolada que tinha uma plaquinha escrito "Estrada 3". Nem nome de verdade tinha. Alguns metros adiante, um estacionamento completamente vazio.
Foi quando o vi.
Não era um moleque da faculdade (dava para notar de longe). Uns trinta e poucos anos, embora hoje em dia a gente nunca saiba a idade dos alunos. Estava sentado em cima de uma mesa de piquenique, debaixo de uma árvore (Muitas lembranças sujas, safadas, depravadas, me vieram a cabeça).
Esse homem estava lendo um livro. Um livro de papel mesmo. Não sou do tipo de velha que se aproxima de um homem sozinho no meio do nada, mas aquilo me paralisou. Um homem adulto lendo um livro.
Fiquei observando ele por um tempo, no calor abafado e no zunido dos insetos de Julho, enquanto ele virava as páginas.
Então pensei:
“Foda-se. Ele deve ter celular”
Ele ergueu a cabeça do livro quando eu vinha arrancando os últimos dez metros de mato alto.
- “Olá, olá” - chamei com minha voz fina e rouca de velha.
Com certeza parecia uma louca, pisando firme no capim. Ele, por outro lado, tinha uma calma elegante. Só um homem e seu livro, sendo freneticamente abordado por um espantalho.
- “Tranquei a chave no carro. Não sei o que fazer” - falei.
A área em volta dele estava recém-cortada. Aproximei-me como uma sobrevivente de naufrágio.
- “Já ligou para alguém?” - ele disse.
E ali mesmo comecei a agir não estranha, mas descompensada, acho. Porque ele era bonito. Olhos cinzentos, não penetrantes, mas observadores. Bíceps redondos apertando as mangas curtas de uma camiseta, e panturrilhas definidas, de corredor (e ele era corredor, descobri depois). Cabelo curto, não muito conservador, e uma covinha ridiculamente charmosa na sobrancelha.
Olha, com 65 anos você não encontra homens bonitos, ainda mais bonitos prestando atenção em você. Você está colhendo framboesas sozinha. Ele me desestabilizou na hora.
Então eu me fiz de sonsa. Sim, sonsa. Como uma solteirona de novela das seis.
- “Também tranquei o celular no carro” - falei com uma vozinha infantil que eu nem sabia que tinha.
- “Ah” - ele fez.
- “Então acho...” - e percebi que aquela voz de Betty Boop ia continuar - “... gostaria de usar seu telefone”
- “Claro” - disse ele.
Olhou em volta, largou o livro e encontrou o celular. Pegou e estendeu para mim.
- “Muito obrigada”
Peguei o telefone e sentei ao lado dele em cima da mesa de piquenique, absurdamente consciente das unhas bem cuidadas. Olhei para o celular como um gambá que acabasse de ganhar uma chave inglesa.
- “Precisa de ajuda?” - ele perguntou.
- “Sim!” - respondi - “Eu... preciso ligar para a seguradora”
- “Eles têm um aplicativo” - ele gentilmente pegou o telefone de volta - “Qual é?”
- “Qual é o quê?”
- “O nome da seguradora”
Contei o nome e ele começou a digitar. E, Deus me perdoe, eu já estava molhada como uma garota de vinte. Fechei os olhos com força e apertei as coxas. Mexi uma perna, depois a outra, sentindo aquele velho e familiar escorregadio.
- “A senhora está bem?” - ele me olhou, preocupado.
- “O quê?” - abri os olhos, assustada - “Ah! É só o calor. Tão quente e úmido. E abafado” - sorri sem graça.
- “É um dia quente. Hoje a corrida foi pesada”
- “Ah” - conectando um pensamento ao outro, como peças de Lego - “Você correu hoje?”
- “Oito quilômetros” - ele ainda digitava - “Pronto, marquei sua localização e a seguradora vai ligar aqui”
- “Nossa, obrigada. Você é um anjo” - anjo não é uma palavra que eu uso normalmente, e certamente não com a minha nova voz de desenho animado.
- “Parece que está com calor. Está desidratada? Espera” - tinha uma sacola de pano no chão, de onde tirou uma garrafa d’água e me entregou.
Arranquei a garrafa da mão dele, tirei a tampa e comecei a beber com avidez. Devia parecer uma bruxa de conto de fadas, bebendo uma poção. Ainda apertava as coxas, cada vez mais ciente de que algo embaraçoso acontecia lá embaixo. Não me lembrava da última vez que tinha me masturbado.
Aí o telefone tocou. Meu anjo atendeu e me passou. A seguradora foi tão eficiente que só precisaram do meu número de documento e nome para verificar a conta e despachar um guincho para a localização marcada. Em quinze minutos, mais ou menos, disseram, o guincho confirmaria por esse número.
“Preciso parar de agir como uma imbecil” - pensei, mesmo balançando a bunda devagar nas ripas da mesa.
O calor era imenso, tanto do sol quanto de entre minhas pernas. Não tinha para onde ir. Precisava ficar perto do celular dele pelo menos até o guincho confirmar.
E aí esse moço, esse homem lindo, esse oásis no deserto da minha seca sexual eterna que eu nem sabia que sofria, fez algo que me jogou de vez no precipício da degeneração e da baixaria.
- “A senhora tem um inseto na roupa” - ele disse.
- “Um o quê?” - acho que eu tentava me inclinar para frente e esfregar mais a vagina na madeira da mesa. Só um pequeno orgasmo.
- “Um inseto”
- “Ah!” - comecei a me bater inutilmente por todo lado, feito a velha que sou (talvez pudesse dar uns tapas na vagina de mentira. Não precisava de muito para gozar) - “Onde?”
- “Pare, pare” - ele disse - “A senhora vai fazer ele entrar na roupa”
Parei e olhei para ele, hipnotizada.
- “Está bem”
Ele estendeu as mãos, palmas para cima.
- “Não quero ser inconveniente, vou só tirar esse inseto”
- “Por favor” - falei (ou provavelmente sussurrei).
Claro que eu tinha um inseto em mim. Tinha acabado de atravessar duzentos metros de mato alto. Aproximei-me mais e, deliberadamente, encostei a coxa na dele. De leve primeiro, depois mais firme. Minha vagina tilintou como um sino. Ele estendeu a mão e delicadamente arrancou algo da gola da minha camisa polo. Mostrou na palma da mão. Era um inseto, como ele dissera. Jogou fora.
Não havia mais volta (Mulheres, vocês sabem do que estou falando). Ou eu ia me esfregar na frente desse homem ou ia dar um jeito de ele enfiar o pênis em qualquer buraco que aceitasse.
Já mencionei que tenho marido? Só então percebi que nem tinha pensado em ligar para ele trazer a chave reserva do Honda. Ele não estava tão longe. De alguma forma, devia estar buscando exatamente isso, no subconsciente. E eu ia conseguir, de um jeito ou de outro. Que esse rapaz me rejeitasse, pensei. Eu trepo na mesa de piquenique.
- “Minha nossa!” - falei com a nova voz de bebê - “Tá um calor do caralho!” - ênfase no palavrão - “Eu só... nossa” - levantei e desabotoei o botão da cintura da minha calça jeans velha de colher framboesa.
Respirei fundo. Depois abaixei o zíper um pouco.
- “Desculpa” - disse - “só preciso de um ar. Tá tão... porra, ta quente”
Eu não sou mais uma gostosona de vinte e cinco. Mas sou magra, minha bunda ainda é durinha e empinada, meus peitos minúsculos nunca tiveram chance de cair. Mas meu cabelo é um ninho grisalho, pescoço e braços enrugados, e quem sabia como minha vagina estava agora. Parei de me olhar no espelho por volta da época em que parei de transar. Uns dez anos atrás (Com meu marido? Uns quinze).
Mas um dia eu fui uma gostosona. Um dia, há muito tempo. Sabia todos os truques do ofício e usei todos para conseguir o que queria, com peitos, bunda e buracos apertados.
Mais uma vez, roguei. Uma última foda de velha tarada.
- “Você nunca sente que o tempo, sei lá, deixa a gente louca?” - perguntei, com a voz que agora reconhecia como a de minha versão de vinte e cinco anos - “Tipo, você só quer...” - deliberadamente, enfiei uma mão lá dentro da calça.
Esfreguei uns círculos sobre a vagina, mas tive que parar. Senão caía de joelhos, gozando em vinte segundos.
- “Está quente” - disse ele, o novo objeto dos meus desejos.
Percebi que tinha a atenção dele. Não havia ninguém num raio de um quilômetro dali. E eu não me importaria se houvesse. Treparia com esse rapaz no Jornal Nacional.
- “Posso te perguntar uma coisa pessoal?” - falei.
Ele me avaliou.
- “Pode”
- “Tenho uma ideiazinha aqui e ajudaria...” - eu me esfregava de novo, círculos pequenos - “se eu pudesse ver seu pau”
Ele riu, e naquele exato momento o celular apitou, e eu sabia, sem olhar, que o guincho estava a caminho. Esse rapaz podia me dispensar agora se quisesse. A boa ação dele tinha acabado.
Ele olhou o telefone, depois para mim. Parecia considerar. Riu de novo.
- “A senhora quer ver meu pau?”
- “Acredite, significaria muito para mim” - lambi os lábios e tentei esfregar mais devagar.
Eu estava ofegante.
- “Tudo bem” - disse ele - “Só peça por favor”
- “Vai me fazer implorar?” - esperei que sim.
- “Sim”
Abaixei a calça até os joelhos, tirei um tênis e libertei uma perna da calça. Abri as pernas para que ele visse minha vagina com seu pequeno tufo de pêlos grisalhos.
- “Por favor, por favor” - falei com minha voz afetada - “deixa essa velha safada ver seu pau gostoso e grosso”
- “Isso ta bom o bastante” - ele se levantou, baixou o próprio short de corrida e expôs o pau.
Não estava duro, só meia-bomba, mas tinha tanto potencial. Ele aparava os pêlos lá embaixo, como os caras fazem hoje, e pendia um pouco para a esquerda. E crescendo, as belas veias roxas latejando, mandando o sangue que fazia o pênis começar a subir pela coxa.
Eu estava indefesa. Já me masturbava furiosamente, gozando como uma cadela no cio. Caí de joelhos, ofegante e tremendo. Minha vagina fazendo sons molhados e vergonhosos. Com certeza era um espetáculo.
- “Bravo” - ele disse.
- “Obrigada” - falei (Não queria que ele fosse embora) - “Você tem um pau lindo”
E tinha. Já estava pela metade ereto, livre da coxa, uns dezoito centímetros, grosso e pálido sob o sol do meio-dia, balançando ocioso na frente dele.
- “E a senhora tem uma vagina faminta” - ele disse.
- “Tenho” - concordei, embora não tivesse nada remotamente parecido com uma vagina faminta até uns dez minutos atrás - “Posso pedir mais um favor pessoal?”
Ele riu outra vez.
- “Claro”
- “Enfia o pênis na minha cara” - falei - “Me xinga enquanto faz isso. Me trata como uma puta”
Já estava de joelhos. Ele se aproximou, e o pênis balançou a poucos centímetros do meu rosto.
- “Vocês, velhas, gostam mesmo do pesado” - disse ele.
- “Somos desesperadas por pau” - concordei.
- “Então chupa”
Encaixei o pênis dele na boca, ainda endurecendo, e engoli até o fundo, nariz encostado na barriga lisinha, a cabeça do pênis borrachuda no fundo da garganta. Minhas velhas habilidades não me abandonaram. Deslizei ele para dentro e para fora da minha cara, o pênis crescendo rapidamente daquele jeito gratificante que eu lembrava das minhas aventuras com caras mais jovens há tantos anos.
Já me masturbava de novo com uma mão. Círculos apertados. Deixei o pênis escorrer da minha boca e esfreguei seu comprimento gorduroso e escorregadio por todo o meu rosto. Esfreguei nos olhos, nariz, testa. Bati de leve na minha cara com ele.
- “Me xinga” - repeti - “nomes sujos e degradantes”
O celular dele apitou de novo. O guincho estava chegando. O tempo acabava.
- “Vadia...” - disse ele - “Puta...”
Eu trabalhava no pênis dele como uma máquina de chupar, mas sabia que ele precisava de mais. Deixei o pênis escorregar obscenamente da minha boca.
- “Pior” - falei - “fala coisa pior. Você sabe. Sujeira. Me faz assumir” - engoli o pênis de novo, sugando com vontade.
- “Piranha de mijo” - disse ele - “cadela de três buracos. Vaca fodida”
“Ah, sim, esses meninos. Todos veem pornô no celular agora. Sabem a gíria” – pensei, soltando o pênis de novo:
- “Me manda gozar” - pedi - “me faz esfregar pra você”
O que, é claro, eu já estava quase lá.
- “Faz isso” - ordenou ele - “goza feito uma vaca idiota”
Enfiei o pênis de volta na cara e olhei para cima, babando. Tentei parecer o mais idiota e puta possível, boca esticada ridiculamente em volta da grossura dele. Enquanto isso, me masturbava com as duas mãos. O som molhado e escorregadio da minha vagina devia ser ouvido a trinta metros.
Não demorou nada. Em trinta segundos, eu gozava de novo, grunhindo e me arrastando como uma porca no pênis intumescido dele. Muco escorria do meu nariz. Eu estava um caco.
Mas ainda precisava da porra dele.
- “Obrigada por me deixar gozar” - falei.
Levantei e me debrucei sobre a mesa de piquenique, pés no chão, rosto para baixo, bunda erguida, mão já brincando com a vagina de novo.
- “Cospe no meu cu” - disse.
- “Como é?”
- “Você ouviu. Cospe no meu cu”
O celular apitou outra vez. Era enlouquecedor. O guincho devia estar a duas quadras. Senti um filete fino de cuspe perto do meu buraco.
- “É o bastante?”
- “Molha seu pênis na minha buceta!” - exclamei - “E enfia ele no meu cu!”
Sabia que ia doer um pouco, e estava certa. Apertou, e mais tarde saiu um pouco de bosta do meu cu escancarado, mas eu deixaria aquele homem enfiar um poste de luz no meu rabo. Num mundo melhor, ele poderia ter usado mais da lubrificação que eu esguichava por todo lado enquanto me esfregava freneticamente rumo ao terceiro orgasmo.
Olhando pelo campo, vi o guincho virando na pista que levava às estradas de terra onde meu Honda estava. Era agora ou nunca.
- “Sou sua puta de cu!” - gritei - “sou um buraco pra sua porra!”
Ele acelerou. O guincho parou.
- “Me faz aguentar” - falei, mais baixo - “quando terminar de despejar sua carga em mim, me faz limpar minha bosta do seu pau” - e aí gozei de novo, gritando como um animal.
Meu cu devia estar segurando o pênis grosso dele como um torno. Senti o pênis dele pulsando dentro das minhas entranhas, cada veia esticada, a masculinidade dele despejando jato após jato de porra lá no fundo do meu intestino. Deixei ele descansar um pouco, bem fundo no meu intestino agora escorregadio.
Depois senti ele estourar para fora, virei e caí de joelhos. O motorista do guincho tinha saído do caminhão e vinha atravessando o campo em nossa direção. Olhei para os olhos cinzentos e firmes daquele que provavelmente seria meu último amante.
- “Você tem namorada?” - perguntei.
- “Tenho” - disse ele.
- “Bem, não podemos mandar você para casa com a minha merda no seu pau, podemos?”
Enfiei ele na minha boca. O motorista estava a uns três metros, braços cruzados, paciente. Chupei com cuidado e carinho o pênis do meu último amante até ficar limpo. Depois o soltei. Ele subiu o short de corrida, pegou o livro e a sacola, e começou a andar.
- “É aquele Honda branco?” - disse o motorista.
- “Sim, é” - falei.
Era um garoto, talvez vinte e um anos. Não tinha o menor interesse em ganhar um cu de velha para ele, embora eu tivesse oferecido. Já voltava para o caminhão buscar a ferramenta para abrir carro trancado. Com certeza já tinha visto muita safadeza na estrada na vida dele.
Eu já olhava para o outro lado, vendo um cara que nunca mais veria, um cara cujo nome nunca soube, enquanto ele se afastava, sentindo a porra escorrendo do meu cu, e o gosto da minha própria merda na boca.
FIM.


