Eles ficaram parados na calçada por um tempo que pareceu longo demais. Ela não conseguia olhar direto pra você. Os olhos iam da ponta dos próprios sapatos para a rua vazia, depois voltavam rapidinho e se desviavam de novo. A saia folgada ainda tremia um pouco com o vento, e cada movimento leve do tecido lembrava o que tinha acabado de acontecer por baixo dela. A calcinha minúscula continuava úmida, colada, e o cuzinho formigava como se os seus dedos ainda estivessem ali, só que agora a sensação vinha da memória — e a memória era pior. Você não tocava nela. Só ficava perto o suficiente para ela sentir a presença. Isso era pior do que se você tivesse colocado a mão de novo. — Eu não sou esse tipo de menina — ela disse de repente, a voz baixa e tensa. A frase saiu como se precisasse ser dita em voz alta para continuar existindo. — Eu nunca… no ônibus. Com um desconhecido. Deixando… aquilo. Você não respondeu na hora. Deixou o silêncio trabalhar. Ela engoliu em seco, as mãos apertando a alça da bolsa com força demais. Os nós dos dedos estavam brancos. — Mas você deixou — você falou por fim, calmo. — Não só deixou. Empurrou. Abriu as pernas um pouco mais quando eu passei o dedo. Segurou a barra com mais força quando eu comecei a alisar o cuzinho. Seu corpo já tinha decidido antes da sua cabeça. Ela fechou os olhos por um segundo. Um rubor subiu do pescoço até as orelhas. A vergonha era física, quase dolorosa. Ao mesmo tempo, a buceta latejou de novo, traidora, como se a conversa estivesse tocando nela do mesmo jeito que a sua mão tinha tocado minutos antes. — E agora você está aqui — continuou você, a voz ainda baixa, quase íntima. — Desceu no mesmo ponto. Não saiu correndo. Não me xingou. Está ouvindo eu falar sobre o que ainda vai acontecer… e a calcinha continua molhada, não está? Ela abriu a boca para negar, mas nenhum som saiu. A mentira não veio. Em vez disso, um silêncio pesado, carregado de admissão. Os ombros dela desceram um pouco, como se uma parte dela tivesse acabado de desistir de fingir. Você deu um passo quase imperceptível para mais perto. Ainda sem tocar. — A tensão que você está sentindo agora não é só tesão. É o medo de gostar. O medo de querer mais. O medo de descobrir que, quando ninguém está olhando, você gosta de ser usada assim… quietinha, com a saia erguida, deixando um homem decidir o ritmo. Ela respirou fundo, o peito subindo e descendo rápido demais. Os olhos finalmente encontraram os seus por um segundo — e havia luta ali. Vergonha, excitação, curiosidade e um medo quase adolescente de cruzar uma linha que não dava para voltar. — Se eu for com você agora… — a voz dela saiu rouca, quase quebrada — …o que exatamente você vai fazer? A pergunta em si já era uma rendição parcial. E ambos sabiam. Você sorriu de canto, sem pressa. — Eu ainda não decidi. E essa é a parte que mais te deixa molhada, não é? Não saber. Ter que esperar. Ter que andar ao meu lado sentindo a calcinha úmida e o cuzinho formigando, sem saber se eu vou te levar para um beco, para um carro ou para um quarto… e o que eu vou exigir quando a gente chegar. Ela desviou o olhar de novo, mas não se afastou. As pernas se mexeram de leve, como se o corpo quisesse aliviar a pressão entre elas e, ao mesmo tempo, não quisesse. A tensão psicológica estava ali, densa, quase palpável: a luta entre a menina que ainda tentava se convencer de que “não era desse tipo” e a mulher de 18 anos que já tinha deixado um desconhecido brincar com a buceta e o cuzinho no meio de um ônibus lotado — e agora estava prestes a seguir esse mesmo homem para o que viesse a seguir. E você não tinha nenhuma intenção de aliviar essa tensão. Ainda.
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