Ela ainda estava de babydoll quando a campainha tocou. O tecido era fino, curto, quase transparente contra a luz da manhã. Terminava alto nas coxas. Por baixo, só o fio-dental. O marido estava na porta, pasta na mão, prestes a sair. Quando abriu, o pedreiro e o ajudante já estavam no corredor com as ferramentas. Os dois olharam para ela na mesma hora. O babydoll subia um pouco com o movimento dela ao se aproximar. — Bom dia — disse o marido, a voz calma. — Podem começar. Eu estou de saída. Ele se virou para ela, beijou-lhe a boca e falou baixo, só para ela ouvir: — Deixa a camisola do jeito que está. Não ajeita. Depois saiu. O portão se fechou. Os dois homens entraram. Ela os acompanhou até a área de serviço, andando na frente. O babydoll balançava a cada passo. Quando se curvou para mostrar onde a parede tinha sido marcada no dia anterior, o tecido subiu e revelou a curva das nádegas e o fio fino da calcinha. Ficou naquela posição alguns segundos, apontando o risco no reboco. O silêncio atrás dela foi denso. Só o barulho distante de um carro na rua. Ela se endireitou e foi até a cozinha. Ao se esticar para pegar as xícaras no armário alto, o babydoll se ergueu de novo, mostrando a parte de baixo das nádegas e a lateral do fio. Voltou com café para os dois e se sentou na mesma cadeira baixa do dia anterior, de frente para o trabalho deles. O tecido subiu até a metade da coxa quando ela se acomodou. Não puxou para baixo. Cruzou uma perna sobre a outra e depois descruzou, devagar, deixando a parte interna da coxa à mostra. O pedreiro media a parede. De vez em quando o olhar descia e demorava. O ajudante, ajoelhado no chão preparando a massa, erguia o rosto com frequência, como se precisasse “conferir” alguma coisa na direção dela. Mais tarde, quando precisou mostrar o ponto de energia no corredor, ela passou na frente dos dois. O babydoll, contra a luz que vinha da janela, deixava entrever o contorno do corpo. Ao se curvar para abrir a caixa de luz baixa, o tecido subiu mais uma vez. O fio da calcinha e o desenho das nádegas ficaram claros por longos segundos. Ela girou o disjuntor com lentidão, sem se apressar em se endireitar. O trabalho continuou o resto da manhã com um silêncio diferente. As ferramentas faziam barulho, mas as conversas entre os dois eram raras e baixas. Sempre que ela passava — para pegar água, para verificar o progresso, para se sentar de novo na cadeira — o babydoll se movia e revelava. E nenhuma das vezes ela o ajeitava. Por volta do meio-dia, o pedreiro parou na porta da cozinha. Estava suado, a camisa grudada no peito. Os olhos desceram rapidamente até as coxas dela e voltaram ao rosto. — Vamos parar para almoçar. Voltamos daqui a pouco. Ela apenas assentiu, ainda sentada, o babydoll alto nas coxas, as pernas descruzadas. Os dois saíram. O portão se fechou de novo. Ela ficou ali, a respiração um pouco mais funda, sabendo que eles voltariam, e que o tecido fino continuaria subindo a cada movimento.
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