Martim, aos seus quarenta e dois anos, era um homem moldado pela familiaridade de uma cidade pequena, onde os segredos raramente permaneciam enterrados por muito tempo. Casado há duas décadas, pai de dois filhos, sua estatura de um metro e oitenta e cinco, cabelos grisalhos curtos e uma constituição sólida eram tão conhecidos quanto o sino da igreja. A infidelidade, para ele, era um jogo de sombras e silêncios, um pacto tácito onde a ignorância era a moeda corrente. Sua atração por mulheres mais jovens, sempre maiores de idade, era um desejo latente, uma faísca que se reacendia com o vislumbre de novidade.
Foi em uma tarde preguiçosa, enquanto conversava com um amigo na praça central, que seus olhos pousaram nela. Uma moça de talvez vinte anos, um rosto de beleza ímpar emoldurado por cabelos pretos, longos e lisos, e um corpo que se desdobrava em curvas sedutoras sob um shorts curto. As coxas grossas, a bunda empinada e redondinha, realçadas pela peça mínima, e a blusinha decotada que deixava à mostra seios pequenos e firmes, capturaram sua atenção de forma imediata. Ela era nova na cidade, um enigma envolto em frescor.
“Olha que linda aquela moça”, comentou Martim para o amigo, com um fio de admiração na voz. “Acho que é nova na cidade.”
O amigo soltou uma risada rouca, quebrando a ilusão com uma brutalidade inesperada. “Moça? Realmente é nova na cidade, Martim, mas é homem. É travesti, kkkkkk.”
A decepção inicial foi um baque, mas logo foi substituída por uma curiosidade ardente. Martim, que tivera uma experiência homossexual fugaz na adolescência, sentiu um novo tipo de desejo se acender. Procurou o perfil de Solange no Facebook, encontrou-a, e a mensagem no chat foi o primeiro passo em um caminho sinuoso.
As conversas evoluíram, migraram para o WhatsApp, e a amizade se aprofundou em confidências e elogios mútuos. Até que, em uma noite carregada de expectativa, Solange lançou a pergunta que Martim tanto esperava, e temia: “Você já teve alguma experiência homossexual?”
“Sim”, respondeu Martim, a voz um pouco embargada. “Eu sou ativo, mas comi um amigo meu quando era moleque.”
“E você gostou?”
“Apesar de ter sido algo bem bobinho, eu gostei sim.”
“Teria coragem de ter outra experiência assim?”
Martim hesitou, o coração batendo descompassado. “Teria sim, mas o que você está tentando me dizer?”
“Sente vontade de me comer?”
A pergunta o pegou de surpresa, mas a resposta foi imediata, um turbilhão de desejo contido. “Nossa, achei que você nunca fosse perguntar... claro que sinto, morro de vontade de foder você, minha linda... e você, tem vontade de dar pra mim? Eu não sou sarado, não sou novinho.”
“Você tem sido muito legal comigo, me respeita, me dá atenção... sim, eu quero você. Acho que não vai sair por aí contando depois, né?”
“Meu anjo, eu sou casado e esta cidade é pequena... preciso de muito sigilo.”
O acordo estava selado. No dia seguinte, um motel se tornou o palco de seus desejos clandestinos. Martim a buscou, ela deslumbrante em um vestidinho curto, exalando um perfume envolvente, os cabelos molhados um convite. Um selinho tímido ao entrar no carro, e rumaram para o santuário de seus encontros.
Assim que a porta do quarto se fechou, o abraço e o beijo foram o prelúdio de uma entrega mútua. Deitados na cama, o tempo se dissolveu em beijos longos e carícias que incendiavam a pele. “Que delícia de beijo”, pensou Martim, sentindo-se desejado e aquecido pela ternura de Solange. Ela, com uma audácia que o desarmava, tirou suas calças e cueca, e seus lábios encontraram seu membro, duro como pedra. “Que pau gostoso!”, ela sussurrou, a voz rouca de prazer, enquanto o fazia gozar em sua boca em um torrente quente e satisfatória.
O jogo se inverteu. Martim despia Solange, cada peça de roupa revelando um corpo que o extasiava. A pele lisa, o cheiro que o embriagava. Seus olhos pousaram no membro dela, maior que o seu, e uma vontade inesperada o dominou. A curiosidade o impeliu a beijar aquele corpo, a explorar a virilidade que o atraía tanto. Desajeitadamente, ele fez um boquete, e depois a estimulou com a mão até que ela gozasse.
Pelados, na cama, os beijos se tornaram mais intensos, os corpos se reencontrando em um desejo renovado. Quando os membros endureceram novamente, Martim a virou, beijou suas nádegas perfeitas e explorou seu ânus perfumado. “Me fode, meu amor!”, ela implorou, o corpo tremendo de luxúria.
Ele a colocou de quatro, a visão daquela bunda branca, empinada e redondinha o fez perder o juízo. Um beijo úmido em sua boca, e depois posicionou a cabeça do seu membro na entrada do ânus dela. Devagar, ele a penetrou, sentindo a resistência ceder à medida que ela se abria para ele, gemendo e pedindo mais.
O ritmo começou lento, mas o pedido dela por força e velocidade foi atendido. Martim a tomou com a ferocidade que o desejo exigia, segurando sua cintura com firmeza. Exploraram posições, corpos entrelaçados em uma dança de prazer, até que ambos atingiram o clímax em explosões de êxtase. Foderam a tarde toda, em um frenesi de paixão que parecia não ter fim.
O que começou como um encontro proibido floresceu em um amor intenso e secreto. Juraram amor eterno, viveram loucuras que só eles entendiam, mas a vida, com sua crueldade costumeira, os separou. Solange teve que partir, e agora vive longe, mas a conexão permanece, um fio tênue de esperança por um reencontro, um sussurro na memória da praça.




