Fui fazer caminhada com a buceta de fora.



A ideia começou aos poucos, não foi por impulso. Uma ideia que se recusava a calar enquanto eu me arrumava. Eu não queria apenas estar pelada; eu queria estar escandalosa, sentir a vertigem de saber que cada passo meu era um convite à indecência. Mas o local... ah, a escolha do lugar era a parte que mais me torturava.

Fiquei horas em conflito. Minha mente mapeava a cidade em busca do cenário perfeito para a minha depravação. Pensei em um shopping, onde o contraste entre o luxo e a minha nudez seria gritante. Pensei em uma praça movimentada, onde ser flagrada seria um gatilho imediato para o meu tesão. Mas então, o Parque Alfredo Volpi localizado no bairro do Morumbi, Zona Oeste da capital de São Paulo, surgiu como a opção ideal. Escolhi deliberadamente um dia de semana, sabendo que o parque estaria praticamente deserto, o que me permitiria explorar meus limites com mais liberdade. A escolha foi estratégica: eu queria me sentir absolutamente transgressora, quebrando todas as normas sociais de decência, mas em um ambiente onde eu não precisasse correr o risco iminente de ser agredida ou expulsa violentamente. Era o equilíbrio perfeito entre o perigo do exibicionismo e a segurança de um refúgio natural. O parque tinha tudo: a trilha serpenteando entre as árvores, os dois lagos refletindo minha pele exposta e aquela estaca com pilão movida pela água, um detalhe rústico que me dava a sensação de estar em um lugar ancestral, onde o instinto prevalece sobre as regras.

Diante do espelho, a decisão da roupa foi cirúrgica. Meias, tênis, óculos de grau e aquela camiseta. Era uma peça curta, excessivamente curta. Quando eu a usava com shorts, ela cobria a peça de baixo, criando aquela estética que vejo tantas mulheres usando por aí. Mas, enquanto me olhava, a semente da safadeza floresceu: "Daria até para eu estar sem shorts que ninguém iria notar a diferença". A camiseta terminava exatamente onde a curva inferior da minha bunda começava, deixando apenas aquela pequena e provocante dobra aparecendo. Decidi usá-la justamente por isso: para brincar com a percepção alheia. Eu estaria tecnicamente "vestida" na parte de cima, mas a verdade é que eu estaria entregando minha buceta e a base da minha bunda ao mundo, escondida apenas por alguns milímetros de tecido que não enganariam ninguém que olhasse com atenção.

Nada de calcinha. Nenhuma barreira. Quando deslizei a camiseta sobre o corpo, o tecido roçou nos meus bicos, que já estavam rígidos, gritando por atenção. Meu rosto travou num sorriso tenso, as bochechas repuxando. A razão me pedia prudência; a safada dentro de mim exigia a exposição total.

Dirigi até o estacionamento interno do parque. Ao desligar o motor, fiquei alguns segundos imóvel, com as mãos apoiadas no volante. A decisão que, durante o trajeto, parecera tão excitante, agora adquiria um peso diferente. Eu ainda estava vestida, protegida pela camiseta, com a chave na mão e a porta do carro aberta. Bastava colocar a chave de volta no contato, como qualquer pessoa sensata faria, e nada daquilo precisaria ir além de uma fantasia.

Olhei para a chave. Depois, para a saída do estacionamento.

A vergonha veio primeiro. O que eu estava fazendo? Não era apenas a ideia de ficar pelada no parque. Era a consciência de que eu estava preparando deliberadamente a situação, tomando decisões sucessivas para me colocar numa posição cada vez mais vulnerável. Até a escolha de abandonar a chave fazia parte disso. Eu não poderia fingir que havia acontecido por acaso.

Fechei os dedos em torno do metal.

Guarda essa porcaria. Você ainda pode ir embora.

A frase surgiu com uma clareza desconcertante. Por alguns segundos, quase obedeci. Imaginei-me fechando a porta do carro, colocando a chave no contato, e voltando para casa. A vergonha desapareceria aos poucos, substituída pelo alívio de ter recuperado o bom senso. Eu poderia até rir da minha própria imprudência.

Mas havia outra parte de mim que reagia justamente a essa possibilidade de recuo. A ideia de sentir vergonha de mim mesma por ter chegado tão longe e desistido no último instante provocava uma inquietação física que eu não conseguia ignorar. Meu rosto esquentou. Apertei os lábios e olhei novamente para a chave, agora imaginando o que significaria deixá-la ali, ao alcance de qualquer desconhecido.

Não era uma decisão racional. Eu sabia disso. Sabia também que, se alguém a levasse, poderia me causar um problema real. A possibilidade deixou de ser uma abstração excitante e adquiriu contornos concretos: eu poderia ficar sem acesso ao carro, sem uma maneira simples de encerrar aquela experiência e dependendo de circunstâncias que já não controlaria.

Minha mão começou a se mover na direção da porta do carro, como se eu fosse guardar a chave no compartimento interno.

Parei.

A vergonha me mandava guardar a chave. O tesão, alimentado pela própria vergonha, insistia que eu não transformasse aquele momento em mais uma oportunidade de fugir de mim mesma. Nenhuma das duas forças me dava trégua. Eu estava dividida entre a vontade de interromper tudo e a atração por atravessar justamente o limite que me fazia hesitar.

Respirei fundo. Voltei a estender o braço.

Ainda hesitei, com a chave suspensa entre os dedos, como se pudesse adiar indefinidamente a escolha. Então me aproximei de um dos pneus e soltei o metal sobre a borracha.

O ruído foi mínimo.

Fiquei olhando para a chave.

Pronto. Agora ela estava ali.

O alívio de não precisar mais decidir durou apenas um instante. Em seguida, veio a vergonha de ter efetivamente feito aquilo, de ter transformado uma ideia absurda numa ação concreta. Meu coração acelerou, e precisei desviar o olhar para não recolher a chave imediatamente.

O tesão venceu. Por muito pouco.

E o fato de ter vencido por tão pouco tornou impossível fingir que eu não havia compreendido a gravidade da minha própria escolha.

Cheguei ao banco de concreto no início da trilha. Parei diante dele e olhei ao redor. As árvores, a trilha quase vazia, os lagos ao longe. Não havia ninguém suficientemente perto para me obrigar a tomar uma decisão imediata.

Era justamente isso que tornava tudo mais difícil.

Levei as mãos à barra da camiseta, mas não a tirei. Segurei o tecido entre os dedos, puxando-o ligeiramente para baixo, como se aqueles poucos centímetros pudessem me devolver alguma segurança. Até ali, eu ainda podia me considerar vestida. Era uma justificativa frágil, quase ridícula, mas estava disponível. Bastava continuar usando a camiseta para conservar uma aparência de normalidade.

Olhei para a trilha.

Depois, para a camiseta.

Pensei comigo mesma: “— Você veio até aqui para quê?”

A pergunta não me ajudou. Pelo contrário. Fez com que eu percebesse com mais nitidez o que estava prestes a fazer e como seria difícil atribuir aquilo a um impulso momentâneo. Eu havia escolhido o lugar, a roupa, o dia e até a maneira de chegar ali. Agora, diante da possibilidade concreta de me despir, não podia mais me esconder atrás da ideia de que tudo simplesmente havia acontecido.

Soltei a barra.

Por alguns segundos, fiquei com os braços caídos ao lado do corpo, tentando me convencer de que já tinha ido longe o bastante. Poderia voltar ao carro e encerrar tudo. Ninguém precisaria saber. A chave continuava onde eu a havia deixado, e a camiseta ainda estava comigo. Eu podia recuperar as duas coisas e transformar aquela manhã numa história que jamais precisaria contar.

A ideia de desistir trouxe uma onda de alívio tão intensa que quase me fez sorrir.

Quase.

Porque, junto com o alívio, veio a frustração de imaginar que eu passaria o resto do dia lembrando daquele instante, consciente de que havia recuado precisamente quando a vergonha se tornara real. E essa consciência, por si só, despertou em mim a sensação que eu tentava conter. Quanto mais eu reconhecia a transgressão daquilo que pretendia fazer, mais difícil se tornava separar o medo da atração que sentia por ele.

Levei novamente as mãos à camiseta.

Dessa vez, comecei a puxá-la para cima, mas parei antes de tirá-la completamente. O tecido ficou preso entre meus dedos. Meu rosto estava quente, e eu sentia uma tensão incômoda no corpo. Olhei para os lados mais uma vez, não para procurar uma desculpa, mas porque uma parte de mim ainda esperava encontrar algum motivo definitivo para desistir.

Não encontrei.

Ainda assim, não consegui continuar imediatamente.

A vergonha dizia que eu estava prestes a fazer algo que não conseguiria explicar sem admitir que havia escolhido fazê-lo. O tesão respondia que era exatamente essa consciência que tornava a decisão tão carregada de significado. Eu queria recuar e, ao mesmo tempo, não queria permitir que o recuo apagasse a experiência que me levara até ali.

Por um instante, a vergonha pareceu vencer. Baixei os braços e alisei a camiseta sobre o tronco, como se a decisão estivesse tomada.

Então fiquei imóvel.

Não era convicção. Era medo disfarçado de decisão.

Fechei os olhos, respirei e tornei a segurar a barra. Minha hesitação já não parecia uma preparação para agir, mas uma tentativa desesperada de prolongar o último momento em que ainda poderia voltar atrás sem precisar enfrentar as consequências da escolha.

O impulso de me cobrir continuava ali, insistente. Não desapareceu quando comecei a tirar a camiseta, nem quando o tecido passou pela minha cabeça. A cada segundo, minha vontade de interromper o gesto parecia competir com a necessidade de levá-lo até o fim.

Quando finalmente retirei a peça, fiquei segurando-a por alguns instantes.

Ainda podia vesti-la novamente.

Olhei para o tecido nas minhas mãos. Depois, para o banco de concreto.

A decisão de deixá-la ali era diferente de simplesmente tirá-la. Significava abrir mão da possibilidade de recuperá-la com facilidade e, sobretudo, abandonar a última justificativa que me permitia imaginar que ainda estava apenas ensaiando uma transgressão.

Curvei-me para colocar a camiseta no banco. Endireitei-me. Voltei a pegá-la.

Soltei uma risada curta, nervosa, sem qualquer humor.

Eu estava tentando negociar comigo mesma, adiando por mais alguns segundos uma escolha que já havia feito mentalmente, mas que ainda não conseguia aceitar por inteiro.

A vontade de recolher a camiseta e acabar com aquilo quase venceu. Minha mão chegou a apertar o tecido, pronta para levá-lo de volta ao corpo.

Mas o tesão alimentado pela vergonha falou mais alto — por uma margem mínima.

Deixei a camiseta no banco. Não a dobrei nem procurei um lugar seguro para guardá-la. Apenas a larguei ali, amarrotada, e dei um passo para trás.

Fiquei olhando para ela.

A decisão estava tomada, mas a sensação de que eu ainda poderia desfazê-la persistia. Foi isso que tornou os segundos seguintes tão intensos: não a certeza de que eu queria continuar, e sim a consciência de que uma parte de mim ainda queria desistir, enquanto outra havia acabado de decidir não obedecer a esse impulso.

Virei-me para a trilha.

E comecei a caminhar.

1,6 km de exposição absoluta. Meias, tênis, óculos e a nudez mais visceral. A cada passo, sentia minhas tetas balançarem debochadamente, num ritmo que denunciava minha imoralidade. Caminhava segurando minhas próprias mãos atrás das costas, forçando o corpo ereto, empurrando a buceta para a frente, oferecendo-a ao vento.

No meio da primeira volta, o tesão tornou-se insuportável. Parei perto de uma curva da trilha, onde vozes distantes indicavam a presença de outros caminhantes. Levei a mão à buceta e senti a lubrificação natural inundar meus dedos. Comecei a bater siririca igual a uma louca, com os olhos vidrados na trilha, esperando que alguém aparecesse. O orgasmo veio como um choque elétrico, um espasmo violento que me deixou sem fôlego. O tempo que durou foram aqueles segundos eternos que parecem horas. Ri da minha própria indecência, com a face vermelha e a mandíbula travada.

Quando completei o percurso e voltei ao banco de concreto, meu mundo desabou. Minha camiseta não estava mais lá.

O choque foi imediato e físico. Senti um vácuo no estômago, como se o chão tivesse sumido sob meus pés. Meu coração disparou, batendo contra as costelas em um ritmo frenético de pânico e êxtase. Olhei para o lugar vazio onde o tecido deveria estar e a realidade me atingiu: eu estava completamente nua. Sem a camiseta, não havia mais a ilusão de "estou quase vestida". Eu era apenas uma mulher pelada com óculos e tênis no meio de um parque público.

A sensação foi avassaladora. Um calafrio violento percorreu cada centímetro da minha pele, fazendo meus bicos saltarem ainda mais. A vergonha me inundou como um ácido, queimando meu rosto, deixando-me tonta. Eu me senti pequena, exposta, degradada. Mas, no segundo seguinte, esse pânico se transmutou em um tesão animal. A percepção de que eu não tinha mais para onde voltar — que a "máscara" da camiseta havia sumido — transformou minha vulnerabilidade em um poder erótico absurdo. Eu estava agora entregue ao destino. Se alguém aparecesse, não haveria desculpa, não haveria "estava apenas trocando de roupa". Eu seria vista exatamente como sou: uma exibicionista imoral.

A volta não era suficiente. Eu não voltaria para o carro agora. Decidi dar a segunda volta. Se a primeira foi intensa, a segunda foi puramente enlouquecedora. Eu já não me importava mais com a discrição. Eu queria ser a mulher imoral da trilha.

No meio da segunda volta precisei parar em um ponto aberto. Comecei a me masturbar devagar, sentindo-me pelada em cada centímetro da minha pele. Imaginei que cada folha, cada árvore e cada orvalho estivessem me vendo. O orgasmo chegou duradouro, profundo, uma entrega total ao sentimento de culpa e prazer misturados.

Após gozar, a culpa e o arrependimento voltaram, mas logo se tornaram combustível. Parei perto de um grupo de pessoas que conversavam ao longe. O som das risadas deles era meu gatilho. Comecei a bater siririca com força, quase desesperada, sentindo a buceta latejar num ritmo frenético. O medo de ser descoberta, a vergonha de ser vista como uma louca pelada com óculos e tênis, me levou ao orgasmo mais intenso da minha vida. Gozei com a certeza de que estava cruzando uma linha sem volta.

Voltei ao estacionamento. Meus passos eram lentos, sentindo o vento beijar cada dobra do meu corpo. Quando cheguei ao carro, vi que a chave ainda estava lá, sobre o pneu. O alívio foi momentâneo, mas a sensação de ter flertado com a perda total do controle era viciante. Sentei-me no banco, a pele úmida e quente grudando no estofamento. Olhei no espelho retrovisor e vi meu rosto corado, os olhos brilhando por trás dos óculos, a expressão de quem tinha acabado de descobrir um novo vício. Enquanto dirigia para casa, percebi que o controle era irrelevante. Eu queria mais. Trilhas mais longas. Cidades mais movimentadas. Eu queria que a vergonha pública me consumisse inteira, até que não sobrasse nada além da consciência de estar pelada, rindo da minha própria indecência.

Na avenida Rebouças o trânsito estava intenso. Tudo parado, carros imóveis numa fila que parecia não ter fim. E eu lá, dirigindo pelada, só de meias brancas, tênis e óculos, com o banco de couro grudando nas coxas suadas. A pele ainda quente e úmida da tarde no parque. Cada vez que freava, sentia o atrito do assento contra a bunda, o vento que entrava pela janela aberta acariciando os bicos das tetas, que continuavam duros. A buceta latejava, ainda inchada de tanto gozar na trilha, e eu sentia o meu próprio cheiro no ar quente do carro.

Parei no semáforo, cruzamento com a avenida Brigadeiro Faria Lima. Vermelho. Olhei pela janela e vi o ônibus. Um 8012, lotado, gente em pé nos corredores, encostados nos vidros. O ônibus parou ao lado do meu carro. A distância entre a minha janela e a janela do coletivo não chegava a dois metros.

Foi aí que percebi o movimento. Um cara de camisa azul, sentado no banco da janela do ônibus, virou o rosto na minha direção. Os olhos dele desceram do meu rosto para o pescoço, para as tetas, para a barriga, e ficaram ali, bem na minha buceta. Ele arregalou os olhos. Cutucou o cara do lado. O segundo olhou. Depois um terceiro, uma mulher de óculos que se inclinou para ver melhor. Em segundos, três rostos estavam colados no vidro do ônibus, me encarando.

Meu coração disparou. Senti o sangue subindo pelo pescoço, queimando nas bochechas, nas orelhas. Minhas mãos agarraram o volante com força. A buceta pulsou, uma contração involuntária, e senti o líquido escorrendo pela minha buceta. O tesão subiu pela espinha como uma corrente elétrica.

Eles estavam me vendo. Estavam vendo as minhas tetas, a minha buceta, todo o meu corpo nu, e não havia nada que eu pudesse fazer. Não tinha roupa para puxar, não tinha cinto para apertar, não tinha nada. Eu estava ali, exposta, sendo olhada por desconhecidos num ônibus público, no meio do trânsito de São Paulo, numa terça-feira à tarde.

Mais rostos apareceram na janela do ônibus. Quatro, cinco, seis pessoas. Um cara jovem de boné abriu a boca, falando algo que eu não ouvi. A mulher de óculos cobriu a própria boca com a mão. Outro cara tirou o celular do bolso e ergueu na direção da janela.

O medo e o tesão se misturaram até virarem uma coisa só. Senti as pernas tremerem. A mão direita soltou o volante e desceu, sozinha, sem eu decidir, e os dedos encontraram a buceta molhada. Comecei a me tocar ali, na frente de todos. Não consegui evitar. O clitóris estava duro, sensível, e o primeiro toque me fez soltar um gemido que preencheu o carro.

Os olhos na janela do ônibus se arregalaram mais. O cara de boné sorriu, mostrando os dentes. A mulher de óculos baixou a mão da boca e ficou olhando, sem desviar. Outro passageiro, um senhor de cabelos grisalhos, se levantou do banco e se inclinou para ver. Eu via os movimentos deles, as expressões mudas atrás do vidro, e cada rosto novo que aparecia me deixava mais molhada.

Enfiava os dedos na buceta com força, curvando para atingir o ponto G, enquanto a outra mão apertava o volante. A palma da mão esquerda estava branca de tanto apertar. Os dedos da direita entravam e saíam, fazendo um barulho úmido que eu ouvia acima do som do motor. Meus quadris se moviam sozinhos, rebolando no banco, escorregando no meu próprio líquido.

O cara de camisa azul se levantou do banco do ônibus. Vi ele falando com o motorista, gesticulando na minha direção. O motorista olhou pelo retrovisor lateral e virou o rosto. Os olhos dele encontraram os meus por um segundo, e eu vi a expressão de choque. Mais passageiros se levantaram. O corredor do ônibus ficou agitado, gente se movendo, apontando.

O semáforo continuava vermelho. Não sei quanto tempo tinha passado. Trinta segundos? Um minuto? Cada segundo parecia uma hora.

A porta do ônibus se abriu. O cara de boné desceu primeiro. Depois o de camisa azul. Depois um terceiro, um quarto. Quatro homens descendo do ônibus na minha direção, andando rápido entre os carros parados. Vi os pés deles no asfalto, os rostos sorrindo, os olhos fixos na minha janela.

Meus dedos bombeavam mais rápido. A buceta estava encharcada, o líquido escorrendo pelo assento, pelas coxas, até as meias brancas. O orgasmo subiu como uma onda, começando nos pés, subindo pelas pernas, explodindo na virilha. Gozei ali, com a janela aberta, com quatro desconhecidos se aproximando, com dezenas de olhos me observando do ônibus.

O corpo inteiro estremeceu. Os músculos da perna se contraíram, os pés arquearam dentro dos tênis, as costas encostaram no banco com força. Sem desviar o olhar, minha boca abriu num gemido que não tentei segurar. Minha lubrificação escorria pelos dedos, pelo banco, pelo couro do assento. O orgasmo durou uns dez segundos. Dez segundos que pareceram uma eternidade, cada espasmo me atravessando como um raio, deixando o corpo inteiro tremendo, sem controle.

Os homens estavam a três carros de distância quando o semáforo abriu. Vi os olhos deles, a expressão de frustração quando a mão foi para a marcha. O pé pisou no acelerador. O carro se moveu. Os rostos ficaram para trás, cada vez menores no retrovisor.

Eu continuava tremendo. Os dedos ainda dentro da buceta, o corpo ainda espasmando, o coração batendo tão forte que eu sentia nas têmporas. O líquido escorria pelo banco, entre as coxas, quente e abundante. Puxei a mão devagar, olhei os dedos brilhantes, o cheiro forte de sexo preenchendo o carro.

No retrovisor, vi o ônibus ficando para trás. Os passageiros ainda olhavam pela janela, virando os rostos para me acompanhar até o último segundo. Levantei a mão direita, os dedos molhados, e acenei.

O trânsito na Rebouças estava engessado, carros imóveis numa fila que parecia não ter fim. Eu dirigia pela avenida, tentando me concentrar no caminho de volta para casa, mas minha cabeça estava longe de estar tranquila. Depois de tudo o que havia acontecido, comecei a perceber com uma intensidade quase sufocante a situação em que me encontrava.

Eu estava inconvenientemente pelada. Não era uma ideia abstrata, nem uma lembrança distante do que tinha acabado de acontecer. Era a realidade daquele momento, e eu não conseguia escapar da consciência dela. Quanto mais pensava no assunto, mais absurda me parecia a situação. Eu me sentia exposta, vulnerável e profundamente consciente de ter ultrapassado limites que, em circunstâncias normais, jamais teria imaginado ultrapassar daquela maneira.

A vergonha não vinha sozinha. Vinha acompanhada da lembrança de cada decisão que me conduzira até ali. Eu repassava mentalmente os acontecimentos, reconhecendo minha própria participação em tudo aquilo. Não podia atribuir o que havia acontecido ao acaso, nem fingir que não tinha compreendido as implicações das minhas escolhas. Essa consciência tornava o constrangimento ainda mais difícil de suportar.

Eu me sentia errada, indecente, como se tivesse violado todas as regras de comportamento que normalmente orientavam minha vida. E, quanto mais severamente me julgava, mais consciente ficava de mim mesma. Era como se minha mente não me permitisse esquecer nem por alguns instantes a distância entre a maneira como eu esperava me comportar e aquilo que efetivamente havia feito.

Mas havia um detalhe que tornava tudo muito mais angustiante: eu não tinha como simplesmente me vestir e voltar para casa.

Essa era a parte que mais pesava na minha consciência. Eu podia me arrepender, podia desejar desesperadamente que aquela tarde tivesse transcorrido de outra maneira, podia prometer a mim mesma que jamais repetiria aquilo. Nada disso, porém, mudava a circunstância imediata em que me encontrava. Não bastava decidir que a aventura havia terminado. Eu ainda precisava lidar com a realidade e com o caminho que faltava percorrer. Eu ainda estava pelada.

A impossibilidade de desfazer imediatamente a situação fazia com que cada lembrança adquirisse um peso diferente. Se eu pudesse simplesmente encerrar tudo e recuperar a normalidade, talvez conseguisse afastar aqueles pensamentos com mais facilidade. Mas não era assim. Minha vontade de deixar tudo para trás esbarrava na consciência de que eu ainda precisava atravessar o restante daquele percurso.

As sensações físicas também contribuíam para a intensidade daquele momento. Meu coração continuava acelerado, e minha respiração demorava a recuperar o ritmo habitual. Eu sentia o corpo ainda agitado depois do orgasmo, enquanto minha cabeça parecia ter entrado numa espécie de revisão interminável de tudo o que havia acontecido. A excitação anterior dera lugar a uma mistura desconcertante de cansaço, inquietação e autoconsciência.

O contraste era difícil de ignorar. Pouco antes, minha atenção estivera concentrada na experiência imediata; agora, eu pensava nas consequências, nas minhas escolhas e na maneira como julgava meu próprio comportamento. O que antes parecera uma decisão possível de sustentar, naquele momento era examinado sob uma luz muito mais severa.

O arrependimento se misturava à vergonha, e a vergonha alimentava ainda mais a consciência da situação. Eu tentava me acalmar, respirar normalmente e voltar minha atenção para o trânsito, mas meus pensamentos retornavam repetidamente ao mesmo ponto. Não conseguia tratar aquilo como um acontecimento banal, porque, para mim, estava longe de ser banal.

Eu queria chegar em casa. Queria recuperar a sensação de normalidade, interromper aquela sequência de pensamentos e deixar de me sentir tão absorvida pelo que havia feito. Repetia mentalmente que a melhor decisão seria terminar o percurso sem prolongar a aventura.

Só que, aos poucos, comecei a perceber uma mudança inesperada.

A intensidade emocional da experiência não desaparecia simplesmente porque eu havia gozado. Mesmo com o cansaço e o arrependimento, as lembranças continuavam despertando uma resposta emocional que eu não esperava sentir novamente tão cedo. A vergonha, a consciência das minhas escolhas e a percepção de que eu ainda não conseguia simplesmente encerrar aquela situação voltavam a ocupar meus pensamentos.

Meu tesão começou a reaparecer, e isso me deixou dividida. Uma parte de mim queria que aquela tarde terminasse de uma vez. Outra começava a se perguntar se eu realmente estava pronta para desistir de qualquer nova aventura. Era desconcertante perceber que o arrependimento não eliminava a curiosidade e que minha vontade de recuperar a tranquilidade coexistia com a possibilidade de voltar a ousar.

Olhei para a fila de carros à minha frente. Eu só precisava continuar dirigindo, seguir o caminho habitual e chegar em casa. Essa continuava sendo a decisão mais simples, e talvez fosse exatamente o que eu faria.

Mas a pergunta já havia surgido, e eu não conseguia fingir que não a tinha feito a mim mesma: será que eu realmente voltaria para casa ou ainda procuraria outra oportunidade de prolongar aquela tarde?

O trânsito começou a andar. Soltei o freio e avancei, tentando me concentrar na próxima esquina.

Eu ainda não tinha uma resposta.

E, enquanto a cidade seguia seu ritmo indiferente ao conflito que eu carregava, continuei dirigindo, sem saber se estava finalmente a caminho de encerrar aquela experiência ou se ainda acabaria tomando outra decisão inesperada.

Foto 1 do Conto erotico: Fui fazer caminhada com a buceta de fora.


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Ficha do conto

Foto Perfil saiopeladanarua
saiopeladanarua

Nome do conto:
Fui fazer caminhada com a buceta de fora.

Codigo do conto:
274979

Categoria:
Exibicionismo

Data da Publicação:
18/10/2026

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1

Quant.de Fotos:
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