O pneu traseiro direito estava murcho. Eu vi assim que saí de casa para comprar o pão. O Fiat Palio, vermelho, que meu marido me deu quando casamos, parecia mancando. Pisei no acelerador e senti o carro puxar para um lado. Respirei fundo. Outro problema para eu resolver sozinha.
Meu nome é Helena, tenho 22 anos, cabelos loiros que cuido como se fossem ouro, corpo malhado na academia da esquina três vezes por semana e um casamento que, sinceramente, parece mais uma conveniência do que uma parceria. Meu marido, Ricardo, tem 35 anos e é caminhoneiro. Passa mais tempo na estrada do que em casa, e quando está aqui, parece que a mente continua viajando.
Liguei para ele enquanto observava o pneu esvaziado.
— Alô, querida, tudo bem? — a voz de Ricardo veio abafada, como sempre, com barulho de motor ao fundo.
— Ricardo, o carro ficou com o pneu murcho.
— Murcho? E agora, como você vai fazer?
— Não sei, pensei em chamar um mecânico.
— Tenta achar uma borracharia perto de casa. Avisa o preço pra eu te passar o dinheiro depois. Tô com uma carga urgente pra entregar, amor, não consigo te ajudar agora.
— Tá bom.
Ele desligou sem mais delongas. Foi assim sempre. Desde que casamos, três anos atrás, eu me tornei a gerente da nossa casa. Enquanto ele pilotava seu caminhão pelas estradas do país, eu pilotava nossa vida. Pagava contas, negociava com encanadores, limpava entupimentos, trocava lâmpadas. E agora, mais uma tarefa: arrumar um pneu.
Vesti um shorts jeans curto e uma regata branca justa, como sempre gosto de me vestir. Não uso sutiã nem calcinha, sinto-me mais livre assim. Além disso, sei que chamo atenção. Meu corpo é meu cartão de visitas, minha pequena rebeldia contra a monotonia do meu casamento. Ricardo engordou muito depois que casamos, de 1,70 de altura e uns 90kg quando nos conhecemos, agora está com 140kg. A barriga enorme faz com que o pênis dele, apesar de ser grosso e com uma cabeça grande, pareça menor, quase escondido. Mas aprendi a gostar de gordinhos, ou pelo menos me acostumei. Hoje, o que me falta é atenção, carinho.
Dirigi devagar até a borracharia mais próxima, um lugar improvisado no fim da rua, com pneus velhos empilhados do lado de fora e uma placa de madeira gasta: "Borracharia do Zé".
Quando entrei, o cheiro de borracha queimada me atingiu. O lugar era sujo, escuro, cheio de ferramentas espalhadas. E em meio àquela bagunça, um homem.
Era o borracheiro. Alto, talvez uns 1,85, moreno, com os braços fortes marcados por músculos definidos e a pele bronzeada pelo sol. Ele usava apenas um macacão azul amarrado na cintura, deixando o torso nu. O cabelo era preto, curto e um pouco desgrenhado. O rosto, marcado por algumas rugas ao redor dos olhos, indicava que era mais velho que eu, talvez uns quarenta e poucos anos. Mas o corpo... o corpo era de um homem muito mais jovem.
Ele estava de costas quando entrei, mas se virou quando ouviu o ruído da porta. Os olhos dele, castanhos e intensos, me examinaram da cabeça aos pés. Havia algo naquele olhar que me fez prender a respiração. Não era apenas curiosidade, era... apreciação. Desejo.
— Bom dia, posso ajudar? — a voz dele era grave, calma.
— Bom dia, meu pneu está murcho, preciso arrumar.
— É só furou ou precisa trocar?
— Não sei, sou péssima com essas coisas.
Ele sorriu. Um sorriso lento, que transformou o rosto dele.
— Qual o carro?
— Um Fiat Palio vermelho, está aí fora.
Ele saiu da oficina e eu o segui. Enquanto ele examinava o pneu, eu o observava. As costas largas, os ombros fortes, a cintura fina. Seu corpo era escultural, muito diferente do meu marido, cuja barriga sobrepunha quase tudo.
— É um prego, — ele disse, endireitando-se. — Posso consertar aqui mesmo. Deixa o carro comigo, demora uns vinte minutos.
Fiquei observando ele trabalhar. A maneira como se movia, com uma destreza que vinha de anos de prática. Os músculos do braço e das costas se contraíam a cada esforço. Em um determinado momento, ele coçou a virilha (na verdade fez isso varias vezes), de forma casual, como se estivesse sozinho. Foi um gesto rápido, mas suficiente para minha imaginação voar. O que estaria sob aquele macacão?
Ele me pegou olhando. E em vez de se constranger, ele me encarou, com um meio sorriso nos lábios, e coçou de novo, mais devagar desta vez. Meu coração bateu mais forte. Senti um calor baixo na barriga, uma reação que não sentia há tempos.
— Seu marido não pode vir resolver isso? — ele perguntou, voltando a se concentrar no pneu.
— Ele é caminhoneiro, está viajando. — respondi, a voz um pouco trêmula.
— Ah, é? Então você fica sozinha muito tempo.
— Mais do que eu gostaria.
Ele parou o que estava fazendo e me olhou de novo. O olhar dele era intenso, perfurante. Senti como se ele estivesse lendo meus pensamentos, vendo minha solidão, minhas frustrações.
— É difícil, né? Ficar cuidando de tudo sozinha.
— Às vezes. Mas a gente se acostuma.
— Se acostumar não é a mesma coisa que gostar, — ele disse, a voz baixa e um pouco rouca.
— Não, não é.
Ficamos em silêncio por alguns instantes. O som da sua ferramenta contra a borracha do pneu era o único barulho. Mas o silêncio entre nós estava carregado de tensão, de palavras não ditas. Eu sabia que aquela conversa tinha passado do limite profissional. E ele também sabia. E, de alguma forma, nenhum de nós se importava.
Ele limpou o suor da testa com as costas da mão.
— Preciso ir ao banheiro um minuto, já volto. Disse, indicando uma pequena porta no fundo da oficina.
Ele foi na direção do banheiro e, para minha surpresa, não fechou a porta completamente. Deixou uma fresta. Uma curiosidade tomou conta de mim. Eu me aproximei, silenciosamente, e espiei. Dava para ver o seu vulto pelo espelho. Ele estava de costas, urinando. E então ele se virou. Eu vi. Ainda não estava ereto, mas era grande, bem maior que o do meu Ricardo. Meu Deus, eu pensei, o que eu estou fazendo aqui?
Ele olhou na direção da porta, com um sorriso maroto no rosto, como se soubesse que eu estava espiando. Corri para onde estava antes, com o coração na boca. Ele sabia. Com certeza ele sabia.
Quando ele voltou, o olhar dele era diferente. Mais ousado, mais seguro. Ele se aproximou de mim, muito perto. Senti o cheiro do corpo dele, uma mistura de suor, terra e algo masculino e primitivo que me deixou tonta.
— Gostou do que viu? — ele perguntou, a voz um sussurro perto da minha orelha.
Engoli em seco. Não sabia o que dizer. A verdade era que sim, eu gostei. Gostei muito.
— Eu... eu não sei do que você está falando.
Ele riu, um som baixo e grave que vibrou no meu peito.
— Não precisa se fingir de inocente. Eu vi você me espiando. E eu gostei.
Ele passou o polegar no meu lábio inferior. O toque foi elétrico. Fez meu corpo todo tremer.
— Você é uma mulher muito bonita, Helena. — ele disse, ele sabia o meu nome? Como? Talvez eu tenha dito e nem me lembrei. — Seu marido é um idiota por te deixar sozinha tanto tempo.
— Ele trabalha...
— Trabalhar não é desculpa para negligenciar uma mulher como você.
Ele estava tão perto que eu conseguia sentir o calor do corpo dele. Meus seios, duros e sensíveis sob a blusa fina, roçavam no peito dele. A umidade entre minhas pernas aumentava, uma resposta corporal que eu não conseguia controlar.
— Ele não te dá atenção, não é? — ele continuou, a mão descendo do meu rosto para o meu pescoço, para o meu colo. — Ele não te olha como eu estou olhando agora. Ele não te deseja como eu estou te desejando.
A mão dele desceu mais, para a minha coxa. Seus dedos fortes apertaram minha pele.
— Zé... — eu disse, a voz um fio.
— Chame-me de Zé.
A mão dele subiu pela minha coxa, sob o meu shorts. Eu deveria ter parado. Eu sabia que deveria. Mas eu não consegui. Eu queria aquilo. Eu precisava daquilo. Da atenção, do desejo, do calor de um homem. Do calor *dele*.
Ele me beijou. Não foi um beijo doce, nem romântico. Foi um beijo faminto, possuidor. Seus lábios esmagaram os meus, sua língua invadiu minha boca com uma força que me subjugou e me excitou ao mesmo tempo. Eu retribuí com a mesma fome, minhas mãos subindo para os ombros dele, sentindo a pele quente e o músculo duro sob meus dedos.
Ele me empurrou contra uma parede coberta de ferramentas. O metal frio bateu nas minhas costas. Ele deslizou a mão por baixo da minha regata, encontrando meu seio nu. Ele torceu o mamilo entre os dedos, uma mistura de dor e prazer que me fez gemer baixinho.
— Sem sutiã... — ele murmurou contra meus lábios. — Gostosa. Você veio aqui para isso, não foi?
Eu não respondi. Não precisei. A resposta estava na forma como meu corpo se contorcia contra o dele, nos gemidos que escapavam da minha garganta.
*(ele precisava fechar a borracharia, e eu fique ali sentada na bancada suja)*
Ele se afastou de mim de repente, deixando-me ofegante e confusa. Foi até a porta da frente e virou a chave na fechadura. Depois, puxou uma cortina de pano sujo sobre a placa de "ABERTO". A oficina mergulhou em uma penumbra quase completa, iluminada apenas por algumas lâmpadas fracas no teto.
— Agora ninguém nos incomoda, — ele disse, voltando para mim. Havia um brilho predatório nos olhos dele.
Ele me pegou pela cintura e me levantou como se eu não pesasse nada. Me sentou em uma velha bancada de madeira, coberta de graxa e ferramentas. A sujeira não me importava. Naquele momento, nada importava além do homem à minha frente.
Ele se ajoelhou entre minhas pernas. Abriu meu shorts e puxou-o para baixo, junto com a minha ausência de calcinha. Ele olhou para minha pelve lisa e molhada.
— Molhadinha pra mim, Helena? — ele disse, a voz cheia de orgulho.
Ele não esperou a resposta. Curvou a cabeça e sua boca encontrou meu sexo. A primeira passada da língua dele foi como um choque. Ele me comeu com uma voracidade que eu nunca tinha experimentado. Não era delicado, não era cuidadoso. Era selvagem, faminto. Ele lambera, sugar, mordeu. Seus dedos entraram em mim, curvados para cima, encontrando aquele ponto que me fazia ver estrelas. Minhas pernas tremeram, minhas mãos se agarraram no cabelo dele.
— Zé... — eu gemia, sem controle. — Por favor...
Ele riu contra minha carne, a vibração me levando mais perto do abismo. Ele rasgou minha regata. O pano fino se abriu com um barulho seco, expondo meus seios.
— Quero te ver toda, — ele rosnou.
Ele se levantou e finalmente abriu o macacão. Eu olhei, sem respirar. Era melhor do que eu tinha imaginado. Era longo, grosso, com uma cabeça larga e proeminente. Era consideravelmente maior que o de Ricardo, em comprimento e espessura. E estava ereto, apontando para mim, pulsando com a vida dele. A visão me fez estremecer de desejo.
— Gostou? — ele perguntou, se orgulhando.
— Sim... — eu murmurei. — É muito maior que o do meu marido.
Ele sorriu, um sorriso de satisfação total.
— Ele não sabe te tratar, né? Não sabe como uma mulher como você precisa ser tratada.
Ele se aproximou, o pênis dele esfregando na minha entrada molhada. A cabeça dele me tocou e eu gemi.
— Diga o que você quer, Helena. — ele exigiu, a voz baixa e autoritária.
— Eu... eu quero você.
— Quero o quê?
— Eu quero que você me foda, Zé. Por favor.
Ele não hesitou. Entrou em mim com um único movimento profundo e poderoso. Gritei. Foi uma mistura de dor e prazer intenso. Ele era muito grande, me preenchendo completamente, esticando-me até o limite. Ele me segurou firme, esperando eu me acostumar com ele.
Pronto, ele começou a se mover. Cada golpe era forte, profundo, batendo no fundo do meu útero. A bancada rangeu sob nós. As ferramentas caíram no chão. Era bruto, animal, e eu amava cada segundo. Eu estava sendo usada, mas de uma forma que me fazia sentir poderosa. Meu corpo respondia a cada movimento dele, minha excitação crescendo, subindo, subindo...
Ele me vira de bruços na bancada. A madeira suja roçou nos meus seios. Ele me pegou pelos quadris e entrou em mim novamente, por trás. Esta posição permitia que ele fosse ainda mais profundo. Ele me puxava para ele em cada golpe, suas mãos apertando minhas nádegas, deixando-as roxas.
— Sua sua gata safada, — ele ofegava. — Você adora isso, não adora? Adora ser fodida por um homem de verdade.
Eu só conseguia gemer em resposta. As palavras dele me excitavam ainda mais.
Ele me tirou da bancada e me fez ficar em pé. Depois, se sentou nela e me puxou para o colo. Eu o montei, sentindo-o deslizar para dentro de mim. Desta vez, eu estava no controle. Eu movi meus quadris, deslizando para cima e para baixo no pau dele, sentindo cada centímetro dele dentro de mim. Ele me abraçou, sugando meus seios, mordiscando meus mamilos. A nova posição me permitia controlar o ritmo, e eu usei isso. Eu o cavalguei devagar, sentindo a cabeça dele roçar no meu ponto mais sensível. Ele me olhava nos olhos, e eu via a excitação, o desejo, e algo mais, uma conexão bizarra e intensa.
— Você é minha agora, Helena. — ele disse. — Por hoje, você é minha mulher.
E naquele momento, naquela oficina suja e escura, eu acreditei. Eu era dele. Meu corpo, meu prazer, tudo pertencia a ele.
Ele me beijou de novo, um beijo que me tirou o fôlego.
A ideia me surgiu de um lugar profundo e escuro dentro de mim, um lugar que eu não sabia que existia. Eu parei de me mover, olhando para ele.
— Zé... — eu disse, a voz trêmula. — Você quer... meu cuzinho?
Ele parou, os olhos se arregalaram de surpresa e, depois, de um desejo puro e intenso.
— Você já deu? — ele perguntou, a voz grossa.
Eu balancei a cabeça.
— Nunca. Nem mesmo para o meu marido.
Ele me olhou, e eu vi o orgulho, a satisfação. Eu estava lhe dando algo que nunca tinha dado a ninguém.
— Tenho cuidado com ele, Helena. — ele disse, a voz um sussurro rouco. — Vou ser o primeiro.
Ele saiu e se deitou no chão de cimento, sobre um tapete de pneus velhos. A cena era surreal, pornográfica. Ele lá embaixo, nu, o corpo suado e musculoso, o pênis enorme ereto, apontando para o teto. Eu sobre ele, a regata rasgada, os shorts em algum lugar do chão, a vagina latejando e escorrendo de prazer e das secreções dele.
— Venha, — ele disse, estendendo a mão para mim. — Me dê seu cuzinho.
Eu peguei na mão dele e me posicionei sobre o corpo dele. Ele me lubrificou com a própria saliva, o dedo dele entrando em mim, preparando-me. Houve uma dor aguda, mas suportável. E então, ele me guiou.
Eu desci lentamente, sentindo a cabeça dele esticando meu outro buraco. Era uma sensação completamente nova, estranha, mas intensamente erótica. Eu estava completamente cheia dele, possuída de uma forma que eu nunca tinha imaginado. Quando ele estava totalmente dentro de mim, eu parei, me acostumando à sensação.
Ele não me forçou. Ele esperou. E então, eu comecei a me mover. Devagar no início, depois mais rápido. Ele me segurava pelos quadris, ajudando-me a encontrar um ritmo. O prazer era diferente, mais profundo, mais intenso. Eu me senti usada, suja, e totalmente, completamente viva.
Ele virou meu corpo para que eu estivesse de costas para ele. Ele entrou em mim novamente, por trás, suas mãos segurando meus seios, seus dedos torcendo meus mamilos. Ele me fodeu com força, os grunhidos dele ecoando na oficina escura. O cheiro de sexo, suor e borracha preenchia o ar.
— Helena... — ele gemeu. — Eu vou gozar.
— Vai, Zé. — eu gritei de volta. — Goza dentro de mim. Enche meu cuzinho com o seu leite.
Ele gemeu alto, um som animal, e senti o calor do leite dele explodindo dentro de mim. A sensação foi o que me levou para o meu próprio orgasmo. Meu corpo se arrepiou, meu cu se contraiu em espasmos, e um grito saiu da minha garganta. Eu gozei como nunca tinha ido antes, uma onda de prazer que me fez tremer e perder o controle.
Caí sobre ele, ofegante, suada e completamente satisfeita. Ele me abraçou, seus lábios roçando no meu pescoço.
— Minha mulher, — ele sussurrou. — Minha mulher safada.
Ficamos assim por algum tempo, nossos corpos entrelaçados no chão sujo da oficina. A realidade devia voltar, eu sabia. O pneu estava consertado, eu poderia ir embora. Mas eu não queria. Eu queria ficar ali, naquele mundo sujo e secreto que havíamos criado.
Finalmente, ele se mexeu.
*(eu queria limpar todo aquele pau antes de sair e o carro nem tava arrumado ainda)*
Ele se sentou, o corpo ainda trêmulo. Eu olhei para o pau dele, ainda grande, agora macio, coberto com uma mistura de nossos fluidos. Sem pensar, me ajoelhei entre as pernas dele.
— O que você está fazendo? — ele perguntou, a voz surpresa.
— Limpando você, — eu respondi, e antes que ele pudesse protestar, coloquei ele na minha boca.
Eu o lambi e suguei, limpando todo o leite dele, toda a minha sujeira. Era um ato de submissão, mas também de poder. Eu o estava marcando, colocando meu cheiro nele. Eu senti ele endurecer novamente na minha boca. Ele me pegou pelo cabelo e começou a me foder a boca, devagar no início, depois com mais força. Eu engolia até a garganta, sentindo-o pulsar contra a minha língua. Ele não gozou, mas eu o mantive na boca, sentindo o poder de tê-lo assim.
Quando soltei ele, ele estava duro novamente.
— Você é insaciável, — ele disse, a voz um pouco rouca.
— É culpa sua, — respondi, limpando a boca com as costas da mão.
Eu me levantei, olhando para o meu corpo nu, sujo de graxa e suor. E pela primeira vez, me lembrei do carro. Olhei para o Fiat Palio. O pneu estava murcho do mesmo jeito que quando cheguei.
— Você nem arrumou o pneu, — eu disse, um meio sorriso nos lábios.
Ele riu.
— Fiquei um pouco distraído. Mas arrumo agora. Enquanto eu arrumo, você pode tomar um banho se quiser. Lá no fundo tem um chuveirinho.
O banheiro era apertado e sujo, mas a água quente me acalmou. Lavei o corpo, o suor, a graxa, o cheiro dele. Enquanto me ensaboava, eu pensava. O que eu tinha acabado de fazer? Traí meu marido. Não foi um beijo roubado, um deslize. Foi um ato consciente, deliberado, cheio de prazer. E eu não me sentia culpada. Sentia-me viva.
Quando saí, ele já tinha terminado o pneu.
Ele estava parado ao lado do carro, o macacão novamente amarrado na cintura. A oficina parecia normal, como se nada tivesse acontecido. Mas tudo tinha acontecido.
Eu me aproximei dele. Eu não queria ir embora assim. Queria um último gostinho. Me ajoelhei no chão de cimento, na frente dele.
— Helena, o que você... — ele começou a dizer, mas eu já estava abrindo o macacão dele.
Ele estava duro novamente. Eu o coloquei na boca e o mamava com uma vontade que me surpreendeu. Eu não estava apenas o sugando, eu estava o devorando. Queria sentir ele, provar ele, ter ele dentro de mim mais uma vez. Ele me segurou pela cabeça, o ritmo dele aumentando, até que ele gemeu e encheu minha boca com seu leite quente. Eu engoli tudo, não deixando escapar uma gota.
Quando me levantei, ele me olhou com uma expressão de pura admiração.
— Você é... incrível, — ele disse.
Eu sorri, limpando um fio de leite do canto da boca.
— Eu sei.
Fui até o carro. Antes de entrar, me virei para ele.
— Quanto é?
— Para você, não cobra nada, — ele disse, o olhar fixo em mim.
— Você precisa cobrar, Zé.
— Acho que já me pagou. E muito bem.
Eu sorri. Havia uma verdade naquilo. Eu o havia pago com meu corpo, meu prazer, minha submissão.
— Pelo menos me deixe te dar algo, — eu disse, tirando uma nota de cinqüenta reais da minha bolsa. — Pelo trabalho.
Ele pegou a nota, seus dedos roçando nos meus.
— Obrigado.
Entre no carro e liguei o motor. O carro estava firme, o pneu novo. Me senti firme e nova também.
— Vou voltar em breve, Zé, — eu disse, a janela do carro aberta.
— Estou te esperando, Helena.
Vesti a regata rasgada, o pano fino mal cobrindo meus seios. Eu não me importei. Pelo contrário, me senti excitada. Era uma prova do que tínhamos feito. Uma cicatriz do nosso prazer.
Quando cheguei em casa, o carro de Ricardo estava estacionado na garagem. Meu coração parou. Ele não devia estar aqui. Ele tinha dito que só voltaria no fim de semana.
Ele estava na sala, sentado no sofá, vendo televisão. Ele se virou quando ouviu a porta se abrir.
— Querido! Você não me avisou que vinha hoje!
Ele se levantou e veio me abraçar. A barriga dele me pressionou, e eu me senti sufocada. Ele me beijou na boca, um beijo rápido, sem paixão, como um cumprimento.
— Eu não sabia, surpresa pra mim também, — eu disse, a voz um pouco forçada.
Ele me segurou a uma distância, olhando para mim.
A boca dele parou sobre a minha. Seus lábios se entreabriram, e ele a lambeu com a língua, um gesto lento, quase inconsciente. Eu congelei. Ele sentiu?
— Você tem um gosto... estranho, — ele disse, franzindo a testa. — Um gosto... salgado.
Meu sangue gelou nas veias. Ele sabia. Ele tinha que saber.
— Foi o sanduíche de presunto que comi no caminho, — menti, a voz trêmula. — Ficou com gosto de sal.
Ele pareceu aceitar a explicação, ou talvez não quisesse se aprofundar. Ele se afastou, e eu pude respirar de novo.
— Você parece... diferente, — ele disse, me olhando de cima a baixo.
— Diferente como?
— Mais... viva. Mais brilhante.
Eu sorri, um sorriso genuíno.
— É bom estar em casa.
Ele me abraçou de novo, e eu me forcei a relaxar em seus braços.
Ele afastou-se um pouco, os olhos fixos na minha regata branca. O rasgo era bem visível, expondo a lateral do meu seio esquerdo.
— O que aconteceu com sua camisa? — ele perguntou, a voz neutra.
Minha mente correu, procurando uma desculpa.
— Ah, isso... eu estava saindo da borracharia e a camisa pegou num prego exposto. Rasgou.
Ele olhou para mim, e pela primeira vez, eu vi um brilho de suspeita nos olhos dele.
— Borracharia? Você foi sozinha?
— Sim, o pneu murchou, e você estava viajando...
Ele assentiu, mas a expressão dele não mudou.
— E o borracheiro não te ajudou?
— Ele me ajudou, claro. Consertou o pneu.
Ele se aproximou de novo, e pela primeira vez, senti medo dele. Não que ele fosse violento, mas o medo de ser descoberta, de ter meu pequeno mundo secreto destruído.
Ele passou o dedo no rasgo da minha blusa, roçando na minha pele.
— Esta é uma boa vizinhança, Helena. As pessoas aqui... elas falam. Elas veem coisas.
Eu entendi a mensagem. Ele não estava me acusando diretamente, mas o aviso estava ali, no ar, entre nós.
— Eu sei, Ricardo.
Ele me beijou de novo, desta vez na testa.
— Vou tomar um banho, viajando a gente fica com um cheiro ruim.
Ele subiu as escadas, e eu fiquei sozinha na sala. Meu coração batia com força. Ele sabia. Eu tinha certeza. Mas ele não disse nada. E isso era pior do que uma acusação direta. Era uma ameaça silenciosa.
Meu telefone vibrou na bolsa. Era uma mensagem de um número desconhecido. Abri.
"Esperando por você. Z."
Eu olhei para a mensagem, e depois para as escadas, onde meu marido tinha desaparecido. Eu estava presa entre dois mundos. A segurança monótona do meu casamento e o perigo excitante da minha transgressão.
*(naquele mesmo dia a noite meu marido bebeu tanto que desmaiou de sono, ai foi a deixa para eu receber minha visita enquanto meu marido dormia no sofa de tao bebado)*
O jantar foi silencioso. Ricardo comeu com fome, falando pouco sobre a viagem, suas histórias sobre estradas e postos de gasolina pareciam ainda mais distantes e irrelevantes do que de costume. Depois, ele abriu uma cerveja, depois outra, e outra. Eu o observei enquanto ele bebia, a garrafa se tornando uma extensão da sua mão. Ele não estava feliz nem triste. Apenas ausente, anestesiado pelo álcool.
Quando ele terminou a sexta cerveja, seus olhos já estavam vidrados, a fala arrastada.
— Querida... hoje foi um dia caramba, — ele disse, tentando se levantar, mas cambaleando e caindo de volta no sofá. — Acho que... acho que vou dormir aqui.
E em minutos, ele estava roncando, o corpo pesado afundando no sofá, a boca aberta. Uma figura patética. Meu marido. O homem com quem eu havia prometido passar o resto da minha vida.
E o contraste com Zé era doloroso. A força, a vitalidade, a presença avassaladora dele. E a mensagem dele no meu celular. "Esperando por você."
Eu sabia que não deveria. Era um risco insano. Mas o desejo, a necessidade de sentir aquele fogo de novo, era mais forte.
Fui até o sofá e mexa em Ricardo.
— Querido? Vamos pra cama.
Ele não respondeu, apenas resmungou algo ininteligível. Estava completamente fora. Era minha chance. Minha deixa.
Meu coração batia com tanta força que eu sentia o som na minha cabeça. Mandei uma mensagem para Zé. "Pode vir. Portão aberto. Ele está dormindo."
A resposta veio imediatamente. "Já vou."
Esperei na escuridão da sala, apenas a luz da rua iluminando o rosto adormecido do meu marido. Cada minuto era uma eternidade. O que eu estava fazendo? Colocando tudo em risco por um... pelo quê? Por um desejo?
Mas eu não podia parar. A adrenalina, o perigo, a promessa de prazer, era uma droga mais poderosa que qualquer cerveja.
De repente, um clique suave. O portão. E depois, passos leves no quintal. A porta da cozinha se abriu lentamente. Era Zé.
Ele entrou na sala, uma sombra alta e poderosa. Seus olhos se ajustaram à escuridão, e ele me viu. Depois, ele viu Ricardo, caído no sofá, roncando como um animal.
Ele se aproximou de mim, e eu me agarrei a ele, como se ele fosse meu salva-vidas em um mar de incertezas.
— Ele está... — comecei a dizer.
— Eu sei, — ele interrompeu, a voz um sussurro rouco. — Eu vi.
Ele não pareceu nem um pouco preocupado. Pelo contrário, havia um brilho de excitação nos olhos dele, um ar de desafio.
— Isso é doente, Zé.
— Isso é vida, Helena.
Ele me beijou ali mesmo, a poucos metros do meu marido inconsciente. Era um beijo diferente dos outros. Mais lento, mais profundo, carregado de um significado perigoso. Não era só sexo agora. Era uma transgressão. Uma declaração de guerra contra a monotonia, contra a vida que eu havia escolhido.
Ele me guinou para o tapete felpudo na frente do sofá. O chão era duro, mas eu não me importei. Ele tirou a regata rasgada de mim, jogando-a de lado. Meus seios ficaram nus, os mamilos duros no ar frio da noite.
Ele me observou, um predador apreciando sua presa.
— A luz da rua... ela te deixa mais bonita ainda, — ele sussurrou.
Ele se ajoelhou e começou a me beijar, não a boca, mas meu pescoço, meus seios, minha barriga. Cada beijo era uma pequena chama. Eu olhei para o sofá, para a figura adormecida do meu marido. A cena era bizarra, surrealista, excitante. O marido ausente, o amante presente. O passado e o presente colidindo na minha própria sala de estar.
Ele abriu minhas pernas e começou a me lamber. Eu tive que morder o meu próprio lábio para não gritar. A língua dele era magic, me levando a lugares que eu nunca tinha visitado. Eu me contorcia no tapete, minhas mãos se agarrando aos cabelos dele, enquanto ele me devorava.
— Zé... por favor... — eu gemia, a voz abafada.
— O que você quer, minha mulher? — ele perguntou, a voz cheia de um poder que me subjugava.
— Você. Dentro de mim. Agora.
Ele riu, um som baixo e vitorioso. Ele se despiu, e seu corpo, iluminado pela luz fraca da rua, era uma estátua grega esculpida em sombras e luz. Ele se deitou sobre mim, e eu o guiei para dentro de mim.
Ele entrou lentamente, me deixando sentir cada centímetro dele. Eu estava molhada, pronta para ele. Ele me preencheu completamente, e eu gemi de prazer. Ele começou a se mover, um ritmo lento e profundo que me deixou louca.
— Olhe para ele, — ele sussurrou no meu ouvido, indicando o sofá. — Olhe para o seu marido enquanto eu te fodo.
Eu fiz.
O tempo, naqueles vinte minutos, tornou-se uma entidade elástica, distorcida pelo medo e pelo desejo. Cada segundo era uma eternidade, um risco. Cada movimento era uma aposta. O medo do Ricardo acordar era um frio na espinha que contrabalançava o fogo que Zé ateava em mim.
Mudamos de posição. Ele me virou, me colocando de quatro, minhas mãos e joelhos afundando no tapete felpudo. A visão agora era direta: o sofá, a forma imóvel do meu marido, a poucos metros de distância. Zé me pegou pelos quadris e entrou em mim de novo. Dessa vez, foi mais profundo. Cada golpe era um lembrete do meu corpo, do meu prazer, do meu risco.
— Olha pra ele, Helena, — Zé sussurrou, a voz rouca de esforço e excitação. — Veja o homem que te negligencia. E agora sinta o homem que te quer.
Eu olhei. Via o peito de Ricardo subindo e descendo em um ritmo monótono. E sentia o corpo de Zé atrás de mim, poderoso, vivo, me reivindicando. O contraste era eletrizante. A culpa que eu esperava sentir não veio. Em seu lugar, havia uma sensação de poder, de vitória. Eu estava enganando a mediocridade.
Ele me fodeu com força, a barriga dele batendo nas minhas nádegas, os testículos dele batendo no meu clitóris. Eu estava perto, muito perto. Meu corpo todo tremeu, e um grito abafado escapou da minha garganta quando o orgasmo me atingiu como uma onda. Zé continuou, me levando para cima e para baixo na onda do prazer, até que ele também anunciou que iria gozar e eu disse:
— Na minha boca, quero dividir com o corno depois. Ele riu, alto demais. Minha carne arrepiou.
Ele se afastou rapidamente, e eu me virei, me ajoelhando diante dele. Eu o suguei com uma fome que ele mesmo criou, sentindo o sabor do meu sexo no pau dele. Ele gemeu, segurando minha cabeça, e depois de alguns segundos, ele explodiu, enchendo minha boca com o leite dele. Eu nao engoli engoli , sentindo o poder de o ter assim, de o tomar dentro de mim.
Ele tirou o pau da minha boca e limpou os lábios com o polegar.
— Gostosa, — ele disse, a voz rouca. — Você é a mulher mais gostosa que já eu tive.
Eu sem poder falar com a boca cheia ele se escondeu e eu ali com o esperma dele na minha boca.
Fui para o sofá, Ricardo ainda estava profundamente adormecido, roncando suavemente. Eu me inclinei sobre ele, meu rosto a poucos centímetros do dele. Achei que ele ia acordar com a minha respiração ou com o cheiro do sexo que exalava de mim. dei um beijo para ele acordar.
Ele acordou com a minha língua na boca dele. Ele abriu os olhos, confuso, e eu passei tudo que estava na minha boca para a dele, ele começou a engolir tudo compartilhando comigo. ele não sabia o que estava acontecendo. Achei que ele ia gritar, me xingar. Mas ele apenas me olhou, os olhos meio vidrados, e engoliu de novo.
— Helena... — ele disse, a voz pastosa. — Você voltou?
E então eu soube. Ele não sabia. Para ele, eu era apenas parte de um sonho bêbado, um fragmento de fantasia. A realidade era o sofá, o sono, o álcool. O que aconteceu no tapete não existia para ele.
Meu corpo tremia. A adrenalina do risco passou, deixando para trás um vazio estranho. Zé se vestiu em silêncio, os movimentos fluidos e confiantes. Ele se inclinou e me deu um beijo na testa, um gesto surpreendentemente terno.
— Até logo, minha mulher, — ele sussurrou.
E ele se foi, tão silenciosamente quanto chegou, desaparecendo na escuridão da noite.
Eu fiquei parada no meio da sala, o corpo nu, o coração ainda acelerado. Ricardo resmungou algo e se virou no sofá, continuando a dormir.
Eu subi para o nosso quarto mas antes de subir esfreguei minha buceta na cara de meu marido. No quarto, a cama do casal parecia um lugar estranho, frio. Eu me deitei, o corpo ainda marcado pelo cheiro e pelo toque de Zé. Fechei os olhos e vi o corpo dele, a força dele, o desejo dele. E depois vi o rosto adormecido do meu marido.
Dormi. E sonhei. Sonhei com estradas de asfauto quente, com o barulho de um motor, com o cheiro de borracha queimada. E no meio da estrada, havia um homem. Ele estava de macacão, o torso nu, o corpo coberto de suor. Ele era o borracheiro. E ele estava me esperando.
No dia seguinte, acordei com o cheiro de café. Ricardo já estava na cozinha, de camisa e calça, parecendo um homem normal de novo. eu levantei nua como de costume. Ele não parecia se lembrar de nada da noite anterior.
— Bom dia, querida, — ele disse, me dando um beijo na bochecha. — Dormiu bem?
— Sim, — eu respondi, a voz um pouco rouca.
— Que bom. Hoje vou passar na oficina da transportadora, resolver umas coisas. Talvez eu não volte pra almoçar.
Ele disse isso de forma casual, como se fosse a coisa mais normal do mundo. E para ele, era. Mas para mim, era um presente. Mais um dia de liberdade.
Enquanto ele tomava o café, meu celular vibrou na mesa. Era uma mensagem de Zé.
"Bom dia, mulher. Sonhou comigo?"
Eu sorri, um calor se espalhando pelo meu corpo. Eu olhei para o meu marido, que estava distraído com o jornal. Um mundo de segredos se abria entre nós.
— Alguém te mandou mensagem? — ele perguntou, sem me olhar.
— Sim, só uma amiga, — respondi, guardando o celular no bolso.
Ele se levantou e lavou a xícara.
— Bom, vou indo. A gente se fala.
Ele saiu, e a casa ficou em silêncio. Eu tomei meu café sozinha, pensando no que havia acontecido, no que poderia acontecer.
Eu era uma mulher diferente agora. Não era mais a esposa esquecida do caminhoneiro. Eu era a mulher do borracheiro.