Eu Espionei Minha Chefe 4 - O Homem no Espelho




Eu estava correndo perigo.
Tinha colocado o emprego em risco. Colocado o futuro em risco. Podia ser preso. Corria o risco de passar a maior vergonha da minha vida.
Mas eu já não me importava mais.
Continuava espionando Sandra sem nenhum pudor.
As mensagens entre ela e o Pastor Mike tinham diminuído. Os dois estavam mais cuidadosos, mais contidos. Ainda assim, eu sabia que o romance sujo deles não ia acabar daquela forma. E observava de perto.
Minha presença na igreja se tornou constante.
Todo domingo eu estava lá, sempre sentado sozinho, quase invisível. Aprendia as músicas, prestava atenção na dinâmica do culto, no jeito que as pessoas se cumprimentavam, em quem falava com quem. Usava meu foco e minha memória para guardar tudo o que pudesse ser útil.
A cada domingo eu aprendia mais.
E a cada domingo eu me aprofundava um pouco mais naquele jogo perigoso.
No final do culto, a esposa do Pastor Mike começou a circular pela igreja distribuindo panfletos.
Alice.
Vestia um vestido azul-claro, simples, que caía mole no corpo. Nos pés, sandálias discretas. O cabelo preto estava solto e o rosto carregava aquela expressão serena, quase infantil. Tímida. Do tipo que fala baixo e evita contato visual por tempo demais.
Quando chegou na minha fileira, parou na minha frente por alguns segundos a mais do que o necessário. Estendeu o panfleto com as duas mãos. Eu peguei. Nossos dedos quase se tocaram.
— Vai ser uma confraternização… — murmurou, a voz baixa. — Seria bom se você viesse.
Balancei a cabeça e agradeci.
Enquanto ela seguia para a próxima pessoa, fiquei olhando suas costas.
Mulheres tímidas são as piores.
Sempre foram.
Porque por trás daquele jeito quieto, daquele sorriso contido, daquela postura de menina boa, quase sempre existe um lado que ninguém imagina. E eu já tinha visto o marido dela em ação. Já tinha visto do que aquele pastor canalha era capaz.
Na mesma hora minha mente traiu.
Imaginei Alice ajoelhada no mesmo carpete do escritório da igreja onde Sandra chupava o pau dele. Imaginei o Pastor Mike segurando o cabelo preto dela com força, enfiando a rola grossa naquela boca tímida até ela tossir. Imaginei a expressão de surpresa e entrega no rosto inocente dela enquanto ele a usava sem dó. A mesma expressão de quem nunca imaginou que um dia estaria naquela posição.
Alice, a esposinha recatada.
Alice, a mulher do panfleto e do vestido azul-claro.
Sendo comida pelo mesmo homem que pregava pureza no púlpito.
O pensamento me deixou enjoado e excitado ao mesmo tempo.
Apertei o panfleto na mão.
Com o passar das semanas, algo dentro de mim estava mudando.
Eu me sentia mais inteligente. Mais afiado. Cada informação que eu arrancava da vida de Sandra me dava a sensação de estar um passo à frente de todo mundo. Eu enxergava o que os outros não viam. Sabia de coisas que ninguém imaginava. E isso me deixava poderoso. Pela primeira vez na vida, eu sentia que estava no controle.
Na saída da igreja, enquanto as pessoas se dispersavam, Sandra se aproximou.
Estava com o vestido justo de sempre, o corpo marcado, a bunda pesada balançando a cada passo. Parou bem na minha frente e sorriu de leve.
— Vejo que sua presença na igreja está constante — disse. — Fico feliz.
Eu estava confiante demais.
Por isso respondi sem pensar direito:
— Gosto de te ver sempre que possível.
A frase saiu mais direta do que eu pretendia. Deixei a intenção meio exposta. Por um segundo me dei conta de que estava me descuidando. Mas já era tarde.
Sandra sorriu.
Não foi um sorriso educado. Foi um sorriso lento, quase lisonjeado. E enquanto ela sorria, eu deixei o olhar descer. Olhei o colo aberto, o volume dos seios apertados no tecido, a cintura, a curva pesada do quadril e a forma como a saia abraçava as coxas. Olhei com cara de quem estava imaginando ela de quatro. Sujo. Sem disfarce.
Ela notou.
O sorriso não sumiu. Só ficou um pouco mais consciente.
Antes que qualquer coisa fosse dita, o marido dela se aproximou.
Sandra imediatamente fez a apresentação:
— Amor, esse é o Cláudio. Trabalha comigo na empresa. É o responsável pela informática.
Estendi a mão na hora, firme, sorriso educado e aberto.
— Prazer. Cláudio.
Apertei a mão dele com a medida certa de força. Falei com educação, perguntei sobre o culto, comentei alguma coisa leve sobre a igreja. Fui cordial, gentil, do tipo de homem que qualquer marido gosta de conhecer. Em poucos minutos ele já estava rindo de alguma coisa que eu falei e batendo no meu ombro de forma amigável.
Eu atuava bem.
Por fora, era só mais um funcionário simpático.
Por dentro, ainda estava com o gosto da frase que tinha dito para a mulher dele na boca.
E com a certeza de que, se continuasse daquele jeito, um dia ia acabar sendo descoberto.
No dia da confraternização eu me arrumei como nunca tinha me arrumado antes.
Raspei a cabeça rente. Vesti um terno preto bem cortado, camisa social branca e sapato engraxado. Fiquei na frente do espelho do banheiro por um longo tempo, apenas olhando.
O homem que me encarava de volta não era o mesmo de meses atrás.
Eu tinha crescido sozinho. Longe de igreja, longe de família grande, longe de qualquer rede de proteção. Sempre resolvi meus problemas do meu jeito: sozinho e, quando necessário, com violência. Nunca precisei de ninguém. Nunca pedi ajuda. Nunca me preocupei em parecer apresentável.
Agora eu estava diferente.
O olhar no espelho era frio. Calculista. O tipo de olhar de quem sabe exatamente o que quer e está disposto a fazer o que for preciso para conseguir. Eu estava me transformando em algo mais perigoso. E, pela primeira vez, isso não me assustava.
Eu estava feliz.
E estava sombrio.
Cheguei no salão ainda cedo.
A primeira pessoa que vi na entrada foi o marido de Sandra. Ele me reconheceu na hora, sorriu largo e veio na minha direção.
— Cláudio! Que bom que veio, irmão.
Apertou minha mão e me puxou para dentro.
— Vem, deixa eu te apresentar melhor o pessoal.
Enquanto caminhávamos pelo salão, meus olhos já vasculhavam o ambiente. E então eu os vi.
Na mesma mesa.
Pastor Mike.
Sandra.
Alice.
Os três sentados juntos, conversando, rindo, como se nada de errado existisse no mundo. Mike com a mão próxima demais da de Sandra por baixo da mesa. Alice ao lado, sorrindo aquele sorriso tímido e alheio. Sandra de vermelho, o corpo marcado, o peito quase estourando no vestido.
Automaticamente minha mente foi para o lugar sujo.
Pensei nas fotos. No pau do pastor enfiado na garganta da minha chefe. No pé pressionando a cabeça dela contra o colchão. Nas mensagens trocadas no escritório da igreja. Em tudo aquilo acontecendo enquanto a esposa dele estava em casa, talvez orando, talvez cuidando dos filhos.
A sujeira daquele romance tórrido e proibido estava sentada bem ali, na mesma mesa, fingindo pureza.
E eu era o único naquele salão que sabia.
Sorri de leve.
O marido de Sandra continuava falando ao meu lado, me apresentando para outras pessoas, completamente alheio.
Eu apenas acompanhava, educado, simpático.
Mas por dentro, o homem frio e calculista que eu tinha visto no espelho já estava trabalhando.


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Ficha do conto

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Nome do conto:
Eu Espionei Minha Chefe 4 - O Homem no Espelho

Codigo do conto:
276719

Categoria:
Coroas

Data da Publicação:
08/11/2026

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