Marcelo observava a esposa. Elena, com seu vestido de linho claro e chapéu de aba larga, parecia uma miragem de ordem no caos de poeira e suor. No entanto, seus olhos não estavam nas paisagens. Eles estavam fixos nos guerreiros da tribo, homens esculpidos em ébano e gordura animal, cujas peles brilhavam com uma mistura de ocre e manteiga.
O que mais os perturbava — e fascinava — era a ausência de pudor. Sob os panos de couro rústico, a anatomia daqueles homens era um desafio à lógica europeia. Quando se moviam, o peso do que carregavam entre as pernas era evidente; massas escuras, descomunais, que pareciam possuir uma vida própria, uma promessa de uma fúria biológica que Marcelo jamais poderia emular.
O encontro aconteceu no crepúsculo, dentro de uma das cabanas de barro e esterco, onde o ar era denso e o cheiro de fumaça e pele era quase embriagante. Marcelo estava sentado nas sombras, um observador devoto, enquanto Elena era convidada pelo líder dos guerreiros, um homem chamado Kaelo, cuja estatura parecia ocupar todo o espaço da cabana.
Kaelo não falava a língua deles, mas sua mão, grande e áspera, comunicou tudo ao envolver a nuca de Elena. Ele a forçou a ajoelhar-se na terra batida. Com um movimento lento, ele desfez o couro que o cobria. Marcelo sentiu o ar faltar nos pulmões: o que emergiu dali era uma peça de anatomia impossível. O cacete de Kaelo era uma coluna de ébano pulsante, de uma espessura que desafiava a elasticidade da carne humana, a cabeça alargada e escura como uma fruta madura e proibida.
Elena soltou um suspiro que era metade terror, metade adoração. Kaelo não pediu permissão. Ele segurou o rosto dela e forçou a entrada. A boca de Elena foi preenchida por inteiro, as bochechas esticadas ao limite enquanto ela tentava acomodar apenas a ponta daquela enormidade. Marcelo assistia, paralisado, vendo a esposa — a mulher erudita, a tradutora de clássicos — reduzida a um receptáculo para aquela força telúrica.
Ele a virou de costas, levantando o linho do vestido e expondo as nádegas de Elena à luz bruxuleante da fogueira externa. Kaelo abriu as pernas dela com a facilidade de quem abre um livro e posicionou-se. A entrada foi um exercício de violência consentida. Quando ele a penetrou, Marcelo viu a pele de Elena esticar-se, o cu e a fenda rosada sendo escancarados por aquela massa descomunal que parecia não ter fim.
O som da transa era tribal: o baque seco da pele de Kaelo contra a de Elena, os gritos agudos dela que eram abafados pela mão dele, e o ritmo implacável que não conhecia a delicadeza dos quartos de hotel. Kaelo a fodia com a autoridade de quem domina a terra, cada estocada levando Elena ao limite do desmaio, a pica escura desaparecendo quase inteira dentro dela, estufando o ventre de Elena a cada movimento.
Marcelo sentia o próprio desejo arder em uma mistura de humilhação e triunfo. Ele via a esposa ser possuída por algo que transcendia o sexo; era uma invasão geográfica, um retorno às origens da espécie.
O clímax foi um colapso de matéria. Kaelo rugiu como um animal ferido, derramando dentro de Elena um volume de sêmen que parecia acompanhar a sua estatura. Elena desabou sobre a terra vermelha, o corpo trêmulo, o ventre ainda pulsando com a memória daquela ocupação.
Marcelo aproximou-se da esposa, ajudando-a a se levantar enquanto Kaelo se retirava para o silêncio da noite, sem uma palavra. O linho do vestido de Elena estava manchado de ocre e vida. Eles se olharam, e no silêncio daquela cabana, ambos sabiam que a viagem de volta para casa seria longa demais, pois uma parte de Elena — a parte que conhecera a imensidão daquela carne — jamais deixaria a savana.
FIM