O jardim do Convento das Clarissas era o único lugar onde a ordem divina parecia aceitar a desordem da vida. Irmã Beatriz, aos vinte e três anos, observava da janela da clausura o movimento de Iago, o jardineiro. Ele era um homem de poucas palavras e muita musculatura, cujas mãos estavam sempre sujas de terra e cujos ombros brilhavam sob o sol de Natal, cobertos por uma fina camada de suor e poeira.
Para Beatriz, o hábito de lã pesada era uma mortalha que escondia um corpo em constante ebulição. O cheiro da terra revirada por Iago subia até ela como um incenso profano, despertando uma fome que nenhuma hóstia era capaz de saciar.
O encontro aconteceu no galpão de ferramentas, nos fundos do pomar, onde o cheiro de adubo e sementes era quase inebriante. Beatriz entrou em silêncio, o som do seu terço batendo contra a perna sendo a única denúncia da sua presença. Iago estava de costas, limpando uma enxada. Ele não se virou, mas parou o movimento. Ele sabia que a "santinha" finalmente descera do altar.
— A terra está seca, Irmã — Iago disse, a voz grossa e ranhurada como o tronco de uma mangueira. — Ela precisa de água. E a senhora... precisa de quê?
Beatriz não respondeu com palavras. Ela caminhou até ele e, com as mãos trêmulas, levantou o hábito negro, revelando a pele alva das coxas e a ausência total de roupas por baixo. Iago virou-se devagar. Seus olhos percorreram a nudez dela com uma crueza que a fez estremecer. Ele abriu a calça de brim surrada e liberou o que Beatriz vinha imaginando em suas orações: uma pica bruta, de veias saltadas e pele escura, que parecia uma raiz arrancada com violência do solo.
Iago a agarrou pela nuca, forçando-a a ajoelhar-se sobre o chão de terra batida do galpão. O contraste era absoluto: o negro do hábito, a alvura da pele de Beatriz e o marrom da terra. Ele enfiou a pica na boca dela com uma força que a fez engasgar, o gosto de suor e masculinidade preenchendo cada espaço da sua boca. Ela o servia com uma devoção desesperada, as mãos agarradas às coxas grossas de Iago, enquanto ele a usava como um receptáculo para a sua urgência.
Ele a levantou e a jogou sobre uma saca de sementes. Abriu as pernas dela, expondo a fenda rosada que já transbordava uma umidade clara e quente. Sem qualquer delicadeza, Iago mergulhou os dedos sujos de terra dentro dela, massageando as paredes internas com a crueza de quem prepara o solo para o plantio. Beatriz arqueava as costas, os gritos sendo abafados pelo barulho das ferramentas que caíam no chão.
— Você quer ser semeada, não quer, santinha? — ele rosnou, posicionando a cabeça da pica na entrada do cu dela.
A penetração foi um choque de realidade. Iago a invadiu por trás, o couro da pica dilatando o anel de Beatriz com uma pressão implacável. Ela sentiu a terra sob as suas unhas enquanto ele a fodia com uma cadência animal, cada estocada ecoando nas paredes de madeira do galpão. O prazer de Beatriz era uma mistura de dor e êxtase, uma descarga elétrica que a fazia ver estrelas sob as pálpebras fechadas.
O clímax veio como uma inundação. Iago descarregou dentro dela com um rugido, o sêmen quente misturando-se à umidade dela e à poeira do chão. Beatriz desabou sobre as sacas, o hábito manchado de terra e vida, finalmente entendendo que a sua verdadeira vocação não estava no céu, mas nas raízes.
Iago afastou-se, limpando-se com um trapo velho, o olhar já voltado para o jardim que o esperava. Beatriz ajeitou o hábito, beijou a mão suja de terra do seu senhor e voltou para o convento, carregando dentro de si o segredo de uma liturgia que nenhum padre jamais ousaria celebrar.
FIM