ENCOXANDO NO ELEVADOR




O edifício comercial em Natal exalava um luxo estéril: mármore polido, ar-condicionado no limite e o cheiro metálico de aço escovado. Quando as portas do elevador se fecharam no 12º andar, o mundo lá fora deixou de existir. Restaram apenas ele e ela.

Ela estava de costas para ele, usando uma saia lápis de linho cinza que desenhava com precisão a curva dos seus quadris. Ele a observava pelo reflexo da porta espelhada: um homem de ombros largos, cujo terno parecia pequeno demais para a energia que ele emanava. O elevador começou sua descida silenciosa, mas a tensão ali dentro era um ruído ensurdecedor.

Sem uma palavra, ele deu um passo à frente. O espaço entre os corpos foi anulado. Ela sentiu o calor dele antes mesmo do contato. Ele se posicionou exatamente atrás dela, colando o peito nas suas escápulas e as coxas na retaguarda dela. A "encoxada" foi um choque de realidade térmica. Ele não pediu licença; apenas se impôs, sentindo a resistência do tecido da saia contra o volume rígido que já pressionava a base da sua espinha.

Ele segurou a cintura dela com as duas mãos, os dedos cravando-se no linho, e a puxou com força contra si. O elevador vibrou levemente entre os andares, e ele acompanhou o movimento, esfregando-se com uma cadência lenta e bruta. Ela inclinou a cabeça para trás, encontrando o ombro dele, os olhos fechados enquanto sentia a pica dele — uma presença sólida e latejante — buscar o encaixe perfeito entre as suas nádegas.

— Não se mova — ele sussurrou no pé do seu ouvido, a voz ranhurada pela urgência.

Ele começou uma fricção cega e poderosa. O atrito dos tecidos criava um som rústico, um chiado de desejo que preenchia o cubículo de metal. Ele a prensava contra o painel de botões, e a pressão era tamanha que ela sentia cada detalhe da anatomia dele através das camadas de roupa. Não havia sutileza, apenas a vontade de esmagar aquela distância. A mão dele desceu, puxando a barra da saia dela apenas o suficiente para que a palma da mão encontrasse a pele nua da coxa, enquanto ele continuava a fodi-la por cima da roupa, um ataque rítmico que a fazia perder o equilíbrio.

O visor digital marcava o 4º andar. A descida era curta demais para a eternidade que eles estavam criando. Ele aumentou a velocidade, a respiração pesada soprando no pescoço dela, enquanto o volume entre as pernas dele parecia querer rasgar o tecido. Era uma promiscuidade de segundos, um sexo vestal e público que ninguém veria, mas que deixaria marcas invisíveis no aço.

Quando o sinal sonoro anunciou o térreo, ele se afastou com a mesma precisão com que avançara. Recompôs o terno, ajustou a gravata e esperou que as portas se abrissem. Ela permaneceu um segundo a mais, as pernas trêmulas, o cheiro dele ainda impregnado na sua pele.

Eles saíram em direções opostas pelo saguão, dois estranhos que haviam compartilhado uma liturgia de metal e carne, sabendo que, a partir daquele dia, nenhum elevador seria apenas um meio de transporte, mas um santuário de esperas e fricções.

FIM


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Ficha do conto

Foto Perfil mestrern
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Nome do conto:
ENCOXANDO NO ELEVADOR

Codigo do conto:
263607

Categoria:
Fantasias

Data da Publicação:
03/06/2026

Quant.de Votos:
2

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