O ônibus era o 79, em Natal-RN, estava impregnado com aquele mormaço típico de uma manhã de um fetiado, um ar pesado que mistura o salitre do mar com o cansaço da cidade. Foi ali, entre uma parada e outra, que o meu olhar encontrou o dela. Ela era uma força da natureza em repouso: a pele de um ébano profundo e luminoso, os traços fortes e uma dignidade que o cansaço do trajeto não conseguia abater. O assunto surgiu por acaso — um comentário sobre o calor, um desabafo sobre as dificuldades do mercado — e logo eu estava diante de uma mulher que buscava uma chance, segurando uma pasta com documentos amassados.
O convite para ir até a minha casa "organizar o currículo" foi aceito com uma mistura de hesitação e uma intuição que já dizia que o papel era apenas o cenário. No meu escritório, sob a luz focada da luminária, a farsa do profissionalismo durou pouco. Enquanto eu digitava as experiências dela, a proximidade revelava o cheiro da pele dela — uma mistura de suor doce e uma fragrância barata, mas inebriante.
A mudança de clima foi brusca. Eu parei de digitar, olhei para ela e vi que o currículo era a última coisa que importava. Afastei o teclado e puxei a cadeira dela para perto da minha. Não houve sutileza. Eu a queria com a fome de quem descobre um tesouro no meio do cotidiano. Comecei a despi-la ali mesmo, as mãos contrastando com a escuridão da pele dela, descobrindo um corpo de curvas generosas e uma firmeza que era um convite ao combate.
Eu a fudi com gosto, Cláudio, com aquela urgência de quem precisa marcar o território e a memória. Ela não era uma submissa passiva; ela recebia cada estocada com uma voracidade que respondia à altura. Eu a possuí sobre a mesa do escritório, entre os papéis que deveriam falar do seu passado, enquanto nós construíamos um presente puramente carnal. A força do impacto dos corpos ecoava na sala silenciosa, uma foda rítmica, pesada e molhada, onde o cheiro do sexo se sobrepôs ao cheiro do papel e da tinta.
— Esquece o emprego — eu sussurrei entre dentes, enquanto a penetrava com toda a profundidade que o corpo permitia. — Hoje você é minha.
Ela arqueava as costas, as mãos agarradas às bordas da mesa, os olhos revirados enquanto entregava-se àquela dominação rústica. Foi uma comunhão de peles e suor, um encontro onde a diferença de mundos desapareceu sob a autoridade do desejo. Quando o clímax veio, foi como uma descarga elétrica que nos deixou exaustos sobre os escombros do currículo que nunca foi terminado. Ela saiu dali com algo muito mais real do que uma carta de recomendação: a marca de uma tarde onde o acaso do ônibus nos levou a uma verdade que só a carne sabe escrever.
FIM