A briga ainda ecoava na mente de Carina, um zumbido agudo que não queria calar. Fernando e ela haviam estourado de vez, as vozes subindo, os dedos apontando, as velhas mágoas das famílias trazidas à tona como facas sujas. Ela tinha saído disparada, sem pensar, só com a raiva queimando o peito. Era sexta-feira, o ar estava quente, abafado, daquele jeito que convida ao pecado.
Fernando foi dormir na casa da mãe. Carina ficou sozinha no silêncio da casa vazia. Olhou-se no espelho do corredor. O vestido largo não dizia nada. Não era isso que ela queria. Ela queria ser vista. Queria ser devorada. Foi até o guarda-roupa e tirou aquele conjunto preto: um shortinho minúsculo, quase uma calcinha alongada, e um top justo que apertava o seio, deixando a barriga para fora. Colocou a bolsinha pequena, trançou o cabelo solto e saiu.
O pagode no 7 de Abril já estava fervendo. A música batia forte no peito, grave, constante, hipnótico. O cheiro de cerveja, suor e perfume barato enchia o ar. Carina entrou e sentiu os olhos nela antes mesmo de ouvir a voz. Três caras. Jovens, mas não meninos. Olhar predador, sorriso fácil. Um deles, moreno, cabelo cacheado, chegou primeiro.
— Solitária? — perguntou, oferecendo um cigarro.
— Só esperando alguém interessante aparecer — respondeu ela, jogando o cabelo para trás.
O gelo quebrou rápido. O segundo, loiro, desengonçado, trouxe a primeira rodada. Gin. Carina nunca tinha bebido gin. O sabor era forte, amargo, estranho. Mas a bebida escorregava fácil, quente na garganta, e logo as pernas começaram a ficar leves. O terceiro, alto, pele morena clara, sorriu e estendeu a mão.
— Bora dançar.
Ela aceitou. As mãos dele eram grandes, quentes. Quando ele puxou o corpo dela para perto, o toque foi elétrico. O som do pagode envolvia tudo. Eles revezavam. Um dia ela estava girando com o moreno, sentindo as nádegas dele pressionadas contra as suas; minutos depois, o loiro tinha as mãos na cintura dela, puxando-a para baixo, subindo devagar pelos quadris, tocando a coxa exposta pelo shortinho curto. Carina não sabia mais onde começava ela e terminava a música. O gin fazia o mundo girar suave, macio.
As mãos passavam por todos os lugares disfarçados pela multidão. Um dedo subindo pela espinha. A palma da mão abrindo sobre o seio, apertando levemente através do tecido fino. O roçar dos lábios no pescoço quando eles inclinavam a cabeça para sussurrar algo obsceno no ouvido dela. Carina gemia baixo, sem perceber. O corpo dela respondia sozinho. A respiração ficava curta. A boca seca. Ela estava louquinha, não sabia mais o que estava fazendo, só sabia que queria mais.
O tempo passou sem sentido. Eram quatro da manhã quando o moreno se aproximou novamente, o hálito quente no rosto dela.
— Tá cansada? Vamos te levar.
Carina nem olhou direito. Aceitou com um aceno de cabeça, a voz saindo rouca, distante.
O carro era escuro, interno úmido, cheiro de couro novo misturado com perfume masculino. Eles pararam em uma rua deserta, longe da iluminação pública. Sombras longas, silêncio pesado. Assim que a porta se abriu, eles não esperaram. O moreno a empurrou suavemente contra o capô frio do carro. O loiro já estava tirando a calça, o terceiro arrancando o shortinho dela num puxão rápido.
Ela não resistiu. Ou melhor, não quis.
Começaram a devorar. Uns nos outros, revezando, trocando posições sem pressa, saboreando cada curva, cada gemido. Ela foi posta de joelhos na grama úmida, a cabeça voltada para trás, os cabelos colados na testa suada. O primeiro a entrar foi o do meio, grande, grosso, entrando de uma vez só, fundo, fundo demais. Carina gritou, um gago abafado, o corpo tremendo. Eles riram baixo, gostosos, satisfeitos com a reação dela.
Depois veio o outro, por trás, as mãos segurando os quadris dela forte, marcando pele. Ela sentia os dois ao mesmo tempo, um dentro, outro pressionando por fora, a dor virando prazer, o prazer virando loucura. Eles a fodiam sem piedade, brutais, exigentes. Cada movimento era calculado para extrair o máximo dela.
O celular dela tocou.
O som estridente cortou a noite. Fernando.
Eles não pararam. O moreno continuava batendo nela forte, o loiro mordeu seu ombro, marcado dente. Carina olhou para o chão, vendo o celular vibrando no asfalto, a tela iluminada mostrando "Marido". Ela não conseguiu nem se abaixar para atender. Continuou gemendo, alto, desesperado, enquanto o terceiro entrava agora pela frente, substituindo o primeiro, enchendo-a até o fim.
Eles a usaram como queriam. Mordidas, beliscões, mãos sujas descendo pelas pernas, puxando a bucha dela para cima, expondo tudo. Ela estava toda marcada, vermelha, viva. Gostaram tanto que acabaram dentro dela, gozando quente, jorrando em jatos fortes que inundavam a buceta dela, escorrendo pelas coxas, molhando o shortinho que ainda pendia de um lado. Gozaram em tudo quanto é parte do corpo dela: nas costas, no colo, no rosto. Ela estava coberta de sêmen, ofegante, exausta, os olhos revirados, a boca aberta em um suspiro eterno.
Quando finalmente a deixaram livre, ela mal conseguia ficar de pé. O moreno ajeitou o top dela, o loiro limpou o rosto dela com o próprio lenço. Foram embora sem dizer adeus, deixando-a ali, nua metade, brilhando sob a luz fraca da rua.
Carina ficou parada alguns segundos, ouvindo o coração bater no peito. Então, com dificuldade, vestiu o resto, pegou a bolsinha e começou a andar. Passou em frente à sua casa. Parou na porta. Tremeu. Sabia que ia ter que enfrentar tudo amanhã. Mas por enquanto... por enquanto, ela ainda sentia o calor deles dentro dela.
