A comunidade tinha só sete famílias no total. Pequena, espalhada em casas simples de madeira e palha. Meus pais moravam de um lado. A nossa casa ficava do outro, já fora, no caminho que levava para o rio. Para ir de uma ponta à outra a gente tinha que atravessar o miolo inteiro da comunidade: passar na frente das casas, da pequena taberna, do campinho de terra onde os meninos jogavam bola. No começo eu ainda me vestia para cruzar aquele caminho. Depois parei. Minhas amigas começaram a me visitar. Primeiro uma, depois duas, depois o grupinho inteiro. Chegavam e me encontravam nua, o Jair também nu, o pau grande balançando enquanto ele preparava o peixe ou consertava alguma coisa. No começo elas riam nervosas, desviavam o olhar, ficavam vermelhas. Depois foram se acostumando. A gente conversava sobre isso. Eu contava como tinha aprendido a gostar, como era libertador, como o corpo ficava leve. Elas perguntavam detalhes. Olhavam demais para o pau do professor quando ele passava. Algumas confessavam que tinham ficado molhadas só de ver. A notícia se espalhou rápido. O trisal de pelados. A Duda que agora vivia nua. O professor que andava com o pau de fora. No começo teve murmúrio. Depois foi ficando normal. Como eu gostava de ser vista, fui ousando mais. Comecei a atravessar a comunidade inteira nua para visitar meus pais. Passava na frente das casas, os seios pequenos ao sol, a buceta de pelinhos à mostra. Entrava na taberna nua para comprar farinha. Ia nas festinhas de sábado nua. Até no campinho de futebol eu aparecia, sentava na grama, as pernas abertas, assistindo o jogo enquanto os meninos tentavam não olhar demais (e falhavam). O Jair foi se mostrando cada vez mais também. No começo só perto de casa. Depois já atravessava o caminho nu, o pau balançando pesado a cada passo. Logo todo mundo já tinha visto. Algumas mulheres mais velhas balançavam a cabeça, mas sorriam. Alguns homens mais jovens começaram a tirar a camisa e depois o short quando estavam só entre eles. Uma ou outra mulher apareceu de peito de fora lavando roupa no rio. Foi se espalhando devagar, como fogo em palha seca. Até que um dia o Jair reuniu todo mundo na área aberta perto da taberna. Eu ao lado dele, nua. Ele também. Falou alto, a voz firme de professor: — Nossa comunidade pode virar um ponto turístico naturista. Gente da cidade pagaria para passar uns dias aqui, vivendo sem roupa, no meio da natureza, do rio, da mata. A gente ganharia dinheiro, melhoraria as casas, teria mais movimento. Mas para começar… precisamos treinar entre nós. Viver assim de verdade. Sem vergonha. Sem esconder. O silêncio durou uns segundos. Depois uma risada. Depois outra. Alguém gritou que topava. Outra pessoa tirou a camisa ali mesmo. Foi como se uma trava tivesse quebrado. Naquele mesmo dia já tinha gente andando nua entre as casas. Crianças rindo. Adultos se olhando diferente. O ar ficou mais leve. Mais quente. Mais excitante. Eu sentia o corpo inteiro vibrar. Cada passo nua pela comunidade agora era um desafio e um prazer. Olhares me seguiam. Alguns discretos, outros abertos. Eu gostava. A buceta latejava só de atravessar o caminho e sentir os olhos em mim. Quando a Ana veio passar uns dias, encontrou tudo assim. Desceu do barco e parou. Olhou ao redor: mulheres nuas lavando roupa, homens com o pau balançando enquanto carregavam lenha, crianças correndo peladas, eu vindo em direção a ela completamente nua, o sorriso largo no rosto. Os olhos da Ana brilharam. Ela tirou a própria roupa ali mesmo na beira do rio, os seios médios livres, a buceta peluda ao vento, e falou baixo, quase para si mesma: — Parece a ilha… a aldeia… Depois me olhou e sorriu aquele sorriso dela, o mesmo de quando me ensinou a chupar pela primeira vez. — Vocês conseguiram, Duda. Eu só balancei a cabeça, o coração acelerado, o corpo inteiro exposto sob o sol da comunidade que agora era nossa. E pela primeira vez senti que o mundo que a gente tinha construído em silêncio finalmente estava ao ar livre.
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