Ela não precisou de muito tempo. Depois daquela primeira semana no cabaré, algo dentro dela se quebrou de vez. A timidez ainda aparecia no jeito de baixar os olhos ou de corar quando alguém a olhava demais na rua… mas na hora de abrir as pernas, a vergonha tinha morrido. Agora ela pedia. Certa manhã, ainda deitada na cama com o corpo marcado de arranhões e chupões, ela virou pro Roberto e falou sem rodeios: — Hoje eu quero sair sozinha. Quero me oferecer. Em qualquer lugar. Pra quantos quiserem. Ele só sorriu, já duro só de ouvir. Ela saiu de shortinho curto que quase não cobria a tatuagem da bunda, top apertado e sem sutiã. Foi pro ponto de ônibus lotado no horário de pico. Ficou de pé, pernas abertas o suficiente pra mostrar que não usava calcinha. Um homem de terno, uns trinta e cinco anos, olhou. Ela o encarou, passou a língua nos lábios e murmurou baixo: — Quer me foder agora? Pode ser no banheiro do shopping ali na frente. Ou no carro. Eu engulo tudo. Dez minutos depois ela estava ajoelhada no banco de trás do carro dele, engolindo o pau grosso enquanto outro cara — amigo do primeiro, que tinha sido chamado — metia nela por trás. A bunda tatuada batendo contra a barriga do segundo homem. Ela gemia alto, sem se importar se alguém passasse e visse o vidro embaciado. — Isso… usa a puta… goza dentro — pedia, a voz rouca. No mesmo dia, à tarde, ela entrou numa oficina mecânica suja. Os três funcionários pararam de trabalhar quando ela se apoiou no capô de um carro e puxou o shortinho pro lado. — Quem quiser pode. Todos. Só não me façam esperar. Eles não fizeram. Um após o outro a foderam ali mesmo, em cima do capô engordurado. Ela gozou no segundo, gozou de novo no terceiro, e ainda engoliu a porra do primeiro que tinha gozado na boca dela. Saiu mancando, o shortinho molhado, a tatuagem suja de óleo e esperma. À noite foi pior — ou melhor. Roberto a levou pra um bar de beira de estrada. Ela subiu na mesa, tirou a roupa na frente de todo mundo e gritou: — Quem quiser me foder, forma fila. Eu aguento quantos vierem. Foram sete. Sete homens diferentes. Na mesa, no banheiro, no beco atrás do bar. Alguns a foderam sozinhos, outros em dupla. Um a chupou enquanto outro metia na boca. Outro a fodeu no cu pela primeira vez, sem lubrificante, só com a porra que já escorria dela. Ela gritou, chorou de prazer, pediu mais. Quando o último gozou nas costas dela, ela se virou pro marido — que tinha filmado tudo no celular — e falou, ofegante, o rosto sujo de porra: — Me leva pra casa ainda assim. Quero que você me foda por último. Quero sentir seu pau depois de todos esses. Roberto a jogou no banco de trás do carro e a comeu ali mesmo, no estacionamento. Ela gozou mais uma vez, as unhas cravadas nas costas dele, repetindo sem parar: — Eu sou puta… sua puta… puta de qualquer um… No dia seguinte ela já estava de novo na rua. Agora sem limites. Motel barato, praça pública de madrugada, banheiro de shopping, até o elevador do próprio prédio. Qualquer macho que olhasse com fome recebia o convite direto: — Quer me usar? Pode. Agora. E ela amava. Amava a sensação de estar sempre aberta, sempre molhada, sempre pronta. A timidez tinha virado só um resquício no jeito de sorrir de canto quando engolia mais uma carga. Por dentro, ela era só fome. Roberto assistia, filmava, às vezes participava, às vezes só esperava ela voltar cheia de porra alheia pra limpar com a língua. E ela sempre voltava pedindo a mesma coisa: — Me vende de novo amanhã. Ou me larga na rua. Eu aguento quantos forem.
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