O Feitiço - 8

O Feitiço - 8

No salão de Lulu, o ar cheirava a shampoo de coco, o secador zumbindo baixinho. Júlia estava sentada no sofá de espera ao lado de Juca de frente para o espelho, os ombros caídos, as mãos apertando o tecido da saia como se precisasse se segurar em alguma coisa. A voz dela saiu baixa, quase um fio:
— Tô chateada com o André… ele anda tão irritado, tão grosso comigo…
Lulu parou de mexer no cabelo da cliente ao lado e se virou, a sobrancelha arqueada. Juca, ao lado, sentiu o peito apertar. Continuou fingindo que arrumava os frascos de produtos em uma caixa, mas os dedos tremeram.
— Dá exemplo, amor.
Pediu Lulu, com a voz mansa de quem já ouvira muita história.
Júlia hesitou. Os olhos se encheram rápido demais. Ela passou a mão pelo pescoço, como se a garganta doesse, e a voz saiu trêmula:
— Ele… ele fica irritado com a minha voz. Manda eu escovar os dentes o tempo todo. Diz que eu tô fedendo e me manda tomar banho… ou se afastar. Às vezes nem olha pra mim.
Julia escondeu o rosto nas mãos e os ombros tremeram. A cliente ao lado estendeu a mão e apertou o braço de Júlia com carinho. Lulu soltou um “ai, meu Deus” baixo e se aproximou, acariciando os cabelos da amiga.
As lágrimas desceram pesadas, silenciosas no começo. Depois vieram os soluços. Júlia escondeu o rosto nas mãos e o corpo inteiro tremeu. A cliente ao lado se inclinou e passou a mão nas costas dela com carinho. Lulu ajoelhou ao lado da cadeira, a expressão completamente séria.
— Ai, meu Deus, Júlia…
— Eu não sei mais o que fazer.
Soluçou Júlia.
— Parece que tudo em mim incomoda ele. A voz, o cheiro, até a forma como eu respiro perto dele…
— Que absurdo, menina… ninguém merece isso.
Todos no salão murmuravam palavras de apoio, de revolta, de “você merece coisa melhor”. Juca sentiu uma ponta de esperança quente e culpada crescer no peito. Abaixou a cabeça, fingindo concentrar-se nos frascos, mas o coração batia forte demais.
Quando a cliente e Júlia finalmente saíram, o salão ficou silencioso. Juca já ia pegar a mochila quando ouviu o clique seco da porta de vidro sendo trancada. Lulu se virou, o dedo indicador apontado direto para o peito dele, os olhos estreitos.
— O que o senhor aprontou?
A voz saiu baixa, cortante. Juca engoliu em seco.
— Eu? Eu não… não sei do que você tá falando.
Tentou passar por Lulu, mas o cabeleireiro o empurrou de volta para o sofá com a palma da mão no peito. O corpo de Juca bateu no estofado e ele ficou ali, encurralado.
— Não se faça de sonsa. Você sabe muito bem de quem eu tô falando.
Lulu se inclinou, o rosto perto demais.
— O velho Salomão é tipo um bicho-papão dessa cidade… só que ele existe de verdade. Quando o Emílio falou dele aquele dia e você recusou, eu não me preocupei. Mas pelo visto vocês dois andaram de conversinha pelas minhas costas, né?
Juca sentiu o suor escorrer pela nuca. A tensão no ar era densa, quase física. Lulu não piscava.
— A… quer saber de uma coisa?
A voz de Juca saiu mais alta do que pretendia.
— Eu tô precisando de um namorado e pedi um. Eu sou o único nessa cidade que não namora, poxa! Tem gente com mais de um, tem a própria Júlia que só esse ano já trocou de namorado mais de três vezes e ainda estamos no meio do ano, tem gente formando trisal… e eu, Lulu? E eu?
Lulu deu uma risada seca, sem humor.
— E você coloca o seu pra jogo como todo mundo. Vai pro pagode, vai pra um barzinho, uma festa, sei lá. Você vai de casa pro trabalho. O único lugar diferente que você frequenta é aqui… um salão de beleza cheio de raxa. Aí você quer o quê também?
— Esqueceu que eu trabalho 6x1 e ganho um salário mínimo com desconto?
— Rebateu Juca, a mandíbula travada.
Lulu deu um passo atrás, mas o olhar continuava afiado.
— Há… faz o que você quiser. Mas depois não adianta vir atrás de mim com quiumba nas costas, que eu não mexo com isso.
— Relaxa que tá tudo sob controle.
Murmurou Juca, levantando-se. Saiu sem olhar para trás. Em casa, trancou a porta do quarto com força. O corpo ainda vibrava de nervosismo e de uma raiva quente. Deitou-se na cama, abriu o short com mãos trêmulas e envolveu o pau já duro. A punheta foi furiosa, quase agressiva.
Fechou os olhos e se imaginou de quatro, as mãos grandes de André apertando seus quadris com força, o pau comprido abrindo caminho dentro dele, a voz de André gemendo em seu ouvido. Gozou com um gemido abafado no travesseiro, o corpo inteiro tremendo, o gozo escorrendo quente pelos dedos.
Apesar da esperança que o desabafo de Júlia tinha plantado, os dias seguintes só trouxeram decepção. André estava nervoso, inquieto, distante. Quando Juca esbarrou nele sem querer no passeio, André o empurrou com força demais. Juca perdeu o equilíbrio e quase caiu de joelhos sobre o cimento fresco que Marcelo estava alisando depois de remendar um cano. As mãos firmes do faz-tudo o seguraram pela cintura, puxando-o para cima.
— Cuidado, Juca… assim você se machuca.
A voz de Marcelo era baixa, quente. As mãos grandes ainda estavam na cintura dele, os polegares pressionando de leve a pele por cima da camiseta. Juca sentiu o calor subir pelo pescoço e o pau soluçar dentro da calça o que o deixou ainda mais sem jeito.
— Obrigado, seu Marcelo…
Marcelo soltou uma risadinha, os olhos escuros fixos nos de Juca.
— Seu Marcelo? Me senti um velho agora. Eu só tenho trinta e cinco anos.
Juca ficou vermelho até as orelhas. O cheiro de suor e cimento misturado ao perfume leve de Marcelo invadiu o nariz dele.
— Desculpa, Marcelo… não foi minha intenção.
— Tudo bem. Eu entendo que pra você eu seja mais velho. Afinal, você tem o quê? Uns dezenove?
— Fiz vinte.
Marcelo sorriu de lado, ainda sem soltar completamente a cintura dele. Os polegares fizeram um movimento quase imperceptível, acariciando a pele por cima do tecido.
— É… um pouquinho mais e eu até poderia ser teu pai de verdade… Ainda bem que não sou kkk
Juca sorriu, constrangido, o coração batendo rápido demais.
— Você tá diferente hoje… de bom humor.
Marcelo se inclinou um pouco mais e disse com a voz mais baixa:
— Na verdade sou sempre assim. Você que não percebeu.
Os olhos de Marcelo desceram devagar até a boca de Juca e voltaram. O silêncio entre os dois ficou denso, carregado. Juca sentiu o pau mexer dentro da calça e se afastou depressa, quase tropeçando.

— Eu… eu preciso ir. Obrigado de novo.

Correu para casa vermelho, a respiração irregular, a imagem das mãos grandes de Marcelo ainda queimando na pele, o corpo inteiro reativo.
Os dias passaram. Juca já dava como perdido o dinheiro e o “namorado” que não veio. O coração doía de um jeito surdo. Precisava pensar numa forma de conseguir o dinheiro do empréstimo.
Naquela noite, a lua cheia era enorme, prateada, quase ofuscante. Juca já estava na cama há um tempo, o corpo pesado de cansaço, quando o primeiro barulho o fez abrir os olhos de sobressalto.
“Tic.”
Algo bateu na janela. Juca ficou imóvel, o coração acelerando. O quarto estava escuro, só a luz da lua entrava pelas frestas da cortina. Outro barulho. Mais forte.
“Tic. Tic.”
Juca sentou-se na cama, a respiração presa. Não sabia o que era. Uma árvore? Um gato? Alguém tentando entrar?
Então ouviu o próprio nome, abafado, vindo de fora:
— Jucaaaa… Juca…
A voz era familiar, mas distorcida pelo sono e pelo medo. Ele se levantou devagar, as pernas moles, e se aproximou da janela. Abriu a cortina com cuidado.
Uma pedra voou em direção ao vidro. Ele se afastou no último segundo, o coração disparado.
— Ei! O que você tá fazendo?!
Gritou, a voz falhando.
Lá embaixo, na calçada iluminada pela lua, André levantou o rosto. O cabelo bagunçado, a camisa aberta, os olhos brilhando de um jeito que Juca nunca tinha visto.
— Me desculpa… mas preciso falar com você.
Juca sentiu um calafrio percorrer a espinha. As palavras de Mestre Salomão ecoaram na memória como um sussurro antigo: “Na lua cheia ele será seu.”
Gritos de vizinhos ecoaram pela rua “Cala a boca, porra!”, “É meia-noite!”. Juca desceu as escadas quase tropeçando, abriu o portão e ficou cara a cara com André. O peito dele subia e descia rápido.
— O que é tão urgente que você precisa falar comigo e não podia esperar até amanhã?
André deu um passo à frente. As mãos dele subiram devagar e encaixaram o rosto de Juca, os polegares acariciando as maçãs do rosto.
— Eu… eu tava tentando dormir… mas meu pensamento só chamava por um nome. Juca… Juca… E na minha mente só uma imagem. Seu cabelo de fogo. Esse seu sorriso…
Juca não conseguiu se conter. Sorriu, encabulado, o rosto queimando entre as mãos quentes de André. O cheiro dele de suor leve, misturado ao perfume amadeirado invadiu tudo.
— Assim eu fico até sem jeito…
— Desculpa, Juca. Eu também não sei explicar. Aquele dia você trombou comigo e eu fui um bruto ignorante te empurrei, me perdoe!
_ Tudo bem, já passou, não aconteceu nada.
_ Minha cabeça tava explodindo… mas foi só olhar pra você que tudo se aquietou. Você me trouxe uma paz que faz tempo eu não sentia. Aqui… sente meu coração.
André pegou a mão de Juca e a guiou por dentro da camisa aberta, colocando a palma diretamente sobre o peito nu. A pele era quente, o coração batia forte e irregular sob os dedos de Juca. O toque era íntimo. Juca sentiu o próprio corpo reagir, o pau começando a endurecer dentro do short.
— Sente… tá sentindo como ele tá batendo?
— Sim… tá rápido. Você tá bem?
André sorriu, os olhos semicerrados, a voz calma quase sussurrando:
— Mais que bem. Tô nas nuvens.
O polegar de André acariciou o peito de Juca por cima da camiseta, um gesto quase inconsciente, carregado de uma tensão sexual densa. Juca engoliu em seco, a respiração falhando.
— Que bom… mas eu preciso trabalhar amanhã, então… se era só isso, boa noite.
André se inclinou um pouco mais, o rosto perto quase beijou Juca. A voz saiu doce, quase um sussurro:
— Tudo bem… então boa noite, Juca.
O jeito como ele disse o nome, lento, carinhoso, quase uma carícia, fez o peito de Juca apertar de um jeito bom e perigoso. Ele voltou para dentro praticamente flutuando, o corpo inteiro quente, a mão ainda sentindo o batimento do coração de André.
Trancou a porta do quarto, deitou-se na cama e, sem nem conseguir esperar, abaixou o short. A punheta foi lenta dessa vez, quase reverente. Imaginou as mãos de André no seu rosto, a boca quente no pescoço, o peso do corpo dele por cima. Gozou com o nome de André preso na garganta, o corpo estremecendo por longos segundos, o gozo escorrendo quente pela barriga.
E pela primeira vez em muito tempo, dormiu com um sorriso no rosto.

Ps. Você acredita no sobrenatural? Acredita que estes feitiços de atração, amarração podem funcionar?

Autor: Mrpr2


Foto 1 do Conto erotico: O Feitiço - 8


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Ficha do conto

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Nome do conto:
O Feitiço - 8

Codigo do conto:
276326

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
03/11/2026

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