Tudo mudou quando comecei a falar besteira. Não era grosseria, era provocação. Eu dizia coisas do tipo: "Marta, com essa cintura, devia ter trabalhado em modelagem, não aqui empilhando caixas". Ou: "Se você ficar perto de mim por mais tempo, eu esqueço que você é casada". Ela ria, um riso curto, nervoso, e virava o rosto. Mas eu via. Eu via a respiração dela mudar. Eu via o leve tremor nas mãos dela quando pegava a caneta de coleta. Ela estava faminta. Faminta por algo que o marido, aquele homem doce e previsível, nunca mais conseguia dar. Ela não sabia o que era isso porque foi casada muito nova. O primeiro homem é sempre uma âncora, não um vela.
Então, eu peguei o número dela. Não foi difícil, a chefe do RH não se importa que eu mande um "Oi" no WhatsApp. Mandei: "Boa tarde, Marta. Vi que você saiu cedo. Tudo bem?". Ela não bloqueou. Respondeu: "Tudo sim, obrigada.". Simples. Seco. Eu mandei outra: "Você tem um sorriso que acalma o depósito. Era pena ver tão escondido.". Ela não respondeu. Mas não bloqueou.
Foi um processo lento. Eu não me joguei. Eu construí. Perguntei sobre os filhos, sobre o dia a dia, e sempre, sempre, eu trazia o foco de volta para ela. Para a beleza que ela dizia ser invisível. Eu fazia ela se sentir vista. De verdade. E vi o tesão surgir. Não era o tesão barulhento de uma garota de vinte anos. Era um tesão profundo, latejante, como uma bomba-relógio. Ela me contava coisas pequenas. "Meu marido está viajando.", "Estou cansada.", "Ninguém nunca me olha assim.".
O dia da oferta foi terça-feira. Estava chovendo. O fim de expediente chegou e todos foram embora, mas eu esperei. Ela saiu, ajeitando a bolsa, o olhar perdido. Eu parei o carro, um carro velho mas limpo, e abri a porta do passageiro.
"Posso te deixar no ponto? Está chovendo."
Ela hesitou. O olhar dela varreu o interior do carro, viu que não havia cheiro de outras mulheres, que havia apenas o cheiro forte de mim e de um perfume suave. Ela entrou.
O carro estava quentinho. O som da chuva abafava o mundo lá fora. Eu comecei a falar, mas não sobre trabalho. Falei sobre ela. Disse que a pele dela parecia macia, que eu imaginava que tivesse um cheiro de baunilha ou de algo doce. Ela sorriu, nervosa. Eu continuei, mais direto. "Marta, você anda curvada. Sinto falta de quem te endireita. Sinto falta de quem te faz esquecer que é mãe, é esposa, é funcinária."
Ela olhou para mim, os olhos dilatados. "Geovane, você sabe que eu sou casada."
"E eu sei que você está viva. O casamento é o dia a dia. Eu sou o suspiro."
Chegamos perto da casa dela, mas eu não girei a chave no ponto. Continuei dirigindo por mais duas ruas, até um beco tranquilo, iluminado apenas por uma lâmpada amarela que falhava. Parei o carro.
"Podemos sair aqui?", perguntei.
Ela assentiu, incapaz de dizer não. Saímos. Eu me virei para ela. O espaço no banco era pequeno, mas eu não me importava. Coloquei a mão no rosto dela, o polegar traçando o contorno do lábio inferior. Ela fechou os olhos, um gemido baixo escapando da garganta. Foi o estopim.
Eu a beijei. Não foi um beijo de filme. Foi urgente. Profundo. Eu tinha a língua dela na minha boca antes que ela pudesse protestar. O sabor dela era doce, salgado, diferente. Eu senti o corpo dela tremer, não de medo, mas de reconhecimento. Ela se derreteu contra o volante, as mãos agarrando minha camisa, puxando-me para mais perto. Eu a empurrei levemente contra o vidro, sentindo o calor do corpo dela através do tecido fino da blusa.
"Deus...", sussurrou ela.
"Shh", eu disse, mordiscando o lóbulo da orelha dela, sentindo a pele quente e macia. "Aqui estamos só nós. O mundo não existe."
Eu desci a mão pela lateral do corpo dela, sentindo os curvas que ela escondia há anos. Ela não me empurrou. Pelo contrário, ela arqueou as costas, oferecendo-se. Foi ali, naquele beco úmido, que a mulher exemplar de Marta morreu e nasceu outra.
Depois disso, o jogo mudou. Eu não precisei mais tanto. Ela começava a provocar. Mandava fotos de pés, de pescoço, com legendas ambiguas. "Que dia longo." "Estou com frio."
Mas o grande momento, o clímax dessa transformação, veio quando eu convidei ela para minha casa. Disse que precisava de ajuda com uma conta, uma desculpa banal. Ela veio. A casa era simples, mas organizada. Seu irmão, Téo, estava lá. Téo era a sombra de Geovane: alto, musculoso, com aquele olhar de predador tranquilo. Eles eram um time. Ninguém sabia ao certo, mas no subconsciente dela, havia algo de tribal. De poder.
Téo estava na cama, nu. Ela viu, congelou.
"Relaxa, Marta", Téo disse, a voz grave, calma. "Você veio para viver a maior diferença da sua vida."
Ela olhou para mim, buscando uma âncora. Eu apenas sorri, com um canto de boca. "Eu te disse que era diferente."
Ela hesitou. O medo e o desejo travando uma luta. Foi então que Téo levantou, não com agressão, mas com autoridade. Ele se aproximou. "Se você for embora, vai voltar para o mesmo marido, os mesmos filhos, a mesma rotina. Aqui, você é a rainha. Aqui, você é desejada."
Ele não ameaçou verbalmente com palavras duras, mas a ameaça estava no ar, na certeza dele. Ele apontou para o canto do teto, onde uma pequena câmera de segurança piscava com um luzinha vermelha. "Tudo fica gravado. Mas não é para espionar. É para lembrar. Se você sair agora, ninguém vai saber. Mas se ficar... bem, você vai lembrar disso por anos."
Marta olhou para a câmera, depois para nós dois. O medo deu lugar a uma tristeza doce, a resignação de quem finalmente aceita que a porta se abriu. Ela tirou a bolsa do ombro. "Eu não quero voltar", ela disse, a voz falhando.
Fomos para o quarto. A luz estava baixa. Téo se aproximou primeiro. Ele não foi bruto. Foi minucioso. Ele a beijou como se ela fosse feito de cristal e ele tivesse medo de quebrar, mas com uma possessividade absoluta. Marta não era mais a mulher quieta. Ela era fogo.
Eu a peguei por trás. Ela estava de joelhos na cama, as mãos agarrando os lençóis. Eu a segurei pela cintura, sentindo a firmeza dos músculos dela, a pele quente e oleosa de suor. Ela gemeu alto, um som que veio do fundo da alma, algo que ela provavelmente nunca havia emitido na vida inteira. Eu a penetrando devagar, sentindo cada contração dela, cada arrepio. Ela estava apertada, apertada demais, como se fosse feita para mim.
Téo estava ao lado. Ele usava a boca. Ele a bebia, chupava, lambeu com uma lentidão agonizante que a fazia tremer convulsivamente. Marta gritava nosso nome, não distinguindo quem era quem. Era o prazer. Puro, cru, avassalador.
Eu acelerava o ritmo, batendo forte, profundo, sentindo o útero dela sacudindo com cada impacto. Ela estava encharcada, escorregadia, perfeita. Téo sorbia seu clitóris, girando a língua, e Marta arrevessava, as costas curvadas, o cabelo espalhado pelo travesseiro.
"Fode ela", Téo disse, sem parar. "Me dá ela toda."
Eu a peguei pela nuca, puxando a cabeça dela para trás, expondo o pescoço. Eu mordisquei a pele ali, sentindo o gosto de sal e pele dela. Ela estava completamente perdida, a mente em branco, só existindo o prazer. Ela gozou de forma violenta, as pernas tremendo, o corpo contraindo em ondas espasmódicas que duraram minutos. Eu gozei dentro dela, sentindo o calor da ejaculação, a sensação de marcação, de posse.
Depois, foi a vez de Téo. Ele a colocou de quatro, expondo-a completamente. Ela estava vulnerável, aberta. Ele a penetrando de frente, enquanto eu voltava a pegar o controle da boca dela, sugando seus lábios, silenciando os gemidos dela com os meus beijos. Era um trio silencioso e intenso, uma dança primitiva onde ela era o centro, o altar, o objeto de desejo absoluto.
Ela gozou de novo, depois de novo, e de novo. Perdeu a noção do tempo. Perdeu a noção de quem era. Era apenas uma mulher, sendo usada, sendo amada, sendo vivida.
Quando acabou, estávamos todos três suados, entrelaçados, respirando pesado. Marta estava exausta, os olhos fechados, uma expressão de paz absoluta no rosto. Pela primeira vez em vinte anos, ela não parecia carregar o mundo.
A manhã seguinte foi estranha. Ela vestiu a roupa dela, ajeitou o cabelo, passou maquiagem. Parecia a mesma mulher do depósito. Mas havia algo diferente. O olhar dela era mais duro. Mais vivo.
Quando ela chegou ao trabalho, eu estava na área de expedição. Ela passou por mim, parou por um segundo, ajustou a bolsa. Eu me aproximei, baixo, apenas para ela ouvir.
"Olha, finge que nada aconteceu, tá bom?", disse eu, a voz tranquila. "Eu jamais ia estragar sua vida."
Ela olhou para mim, os olhos piscando. "E por quê?"
Eu sorri, aquele sorriso de quem sabe um segredo. "Porque eu nunca comi putinha assim, igual eu comi você."
Ela corou. Um rubor subindo pelo pescoço. Ela mordeu o lábio.
"E não é isso", corrigi, me inclinando mais perto do ouvido dela. "Putinha, não putona. Você é puta, Marta. E eu gosto disso."
Ela não disse nada. Apenas assentiu, virou-se e voltou para o trabalho. Mas eu vi. Eu vi o modo como ela caminhava agora. O quadril balançando mais, a cabeça erguida. Ela não era mais a mulher quieta. Ela era a dona do seu próprio tesão. E eu sabia que, no fundo, ela nunca mais conseguiria viver só com o marido. Ela tinha provado o sabor da diferença. E a diferença tinha um gosto de negro, de suor e de liberdade.
