?O problema de tentar passar despercebido em uma firma de logística era a existência de homens como Carlos.
?Carlão não cabia na dinâmica de escritório. Ocupava o cargo de supervisão de campo, o que significava que passava metade da semana nas garagens e nos pátios de carga, enfiado em botas pesadas e camisas de sarja com as mangas dobradas até os cotovelos. Tinha o tórax largo de quem não precisava de academia para carregar peso, a barba densa bem alinhada no maxilar e um cheiro constante de tabaco leve, sabão neutro e suor limpo. Quando pisava no carpete do administrativo, a conversa ao redor parecia perder a frequência.
?E, por razões que Gerson não conseguia decifrar, Carlão parecia sempre notar sua presença antes de qualquer outro.
?Naquela tarde de sexta-feira, o silêncio da sala de arquivos mortos foi interrompido pelo ruído abafado da porta de madeira pesada se fechando. Gerson estava curvado sobre a última gaveta de um arquivo de aço, a pasta de auditoria aberta nas mãos.
?O clique do trinco ecoou curto. Gerson se virou de golpe.
?Carlão estava parado contra a porta, as mãos enfiadas nos bolsos da calça jeans surrada. A luz amarelada dos tubos fluorescentes refletia nos ombros largos, projetando uma sombra comprida sobre o corredor estreito entre as prateleiras de metal.
?— Você passa o dia inteiro fugindo das pessoas, garoto? — a voz de Carlão veio baixa, um tom grave e seco que ressoou no espaço fechado.
?— Carlão… — Gerson pigarreou, tentando recompor a postura e fechar a pasta com firmeza. — Eu só vim buscar o histórico de fretes do trimestre. Já estava subindo.
?Carlão não se mexeu para abrir espaço. Em vez disso, deu dois passos lentos à frente. O espaço entre eles encolheu rápido demais. O calor que emanava do corpo dele era perceptível mesmo a um passo de distância.
?— Sei. O histórico. — Carlão parou a poucos centímetros. Ele era substancialmente mais alto; para olhar nos olhos dele, Gerson precisava inclinar a cabeça. — Engraçado que toda vez que eu entro na sala de reunião, você abaixa os olhos. Mas quando eu dou as costas, sinto a sua vista presa no meu pescoço.
?— Eu não… não estou olhando nada — Gerson gaguejou, o sangue subindo quente pelas bochechas até as orelhas. Tentou dar um passo para o lado, mas o braço esquerdo de Carlão se ergueu, a mão enorme apoiando-se no metal do arquivo com um baque surdo, bloqueando a saída.
?— Mentira — Carlão disse, num tom sereno, quase instrutivo. Ele não tinha pressa. Aproximou o rosto do lado direito da cabeça de Gerson, a barba roçando a pele sensível logo abaixo da orelha. O hálito quente veio direto contra o pescoço do mais novo. — Você fica aí, todo engomado, com essa camisa passada a ferro, morrendo de medo de alguém perceber o quanto fica perturbado quando eu chego perto.
?Gerson travou. As pernas perderam a firmeza por um segundo. Ele sentiu o tecido da própria calça parecer subitamente apertado demais, o corpo reagindo de forma involuntária e violenta ao domínio absoluto daquela presença.
?— Carlão, por favor, alguém pode entrar… — a voz de Gerson saiu fraca, um sussurro sem autoridade.
?— A porta tá trancada por dentro — Carlão murmurou no ouvido dele, a voz rouca, sem qualquer pressa. — E você não vai a lugar nenhum.
?Com movimentos calmos, quase burocráticos na sua precisão, Carlão segurou a cintura de Gerson e o girou de costas. Empurrou-o suavemente até que o peito de Gerson se colasse contra a superfície fria do arquivo de aço. A diferença de temperatura fez o jovem soltar um arfar preso.
?Carlão se colou atrás dele. A firmeza do peito largo de Carlão pressionou as costas de Gerson; a rigidez do quadril do homem mais velho era inegável, pesada contra a sua bunda.
?— Apoia as mãos na prateleira — Carlão ordenou, baixo e firme, perto da sua orelha. — Isso. Segura firme.
?Gerson obedeceu sem processar, os dedos crispando no bordo de metal. Ele sentiu a mão pesada de Carlão ir direto ao seu cinto, desfazendo a fivela com a facilidade de quem domina o que faz. O barulho do zíper descendo soou alto no silêncio da sala.
?As mãos de Carlão puxaram o tecido da calça e da cueca de Gerson para baixo, o suficiente para expor as coxas e o quadril ao ar frio do arquivo. Sem rodeios, uma das mãos grandes subiu para firmar a nuca do garoto contra a prateleira, enquanto a outra preparava a entrada com brevidade e eficiência prática, mantendo-o imobilizado pela cintura.
?Gerson soltou um gemido abafado contra o próprio braço ao sentir a pressão inicial, os olhos se fechando com força atrás das lentes dos óculos.
?Em seguida, Carlão se alinhou e entrou de uma vez.
?O impacto fez a estrutura de metal do arquivo ranger. Gerson soltou um grito contido, a cabeça projetando-se para trás até encontrar o ombro rijo de Carlão. A sensação de preenchimento era brutal, vasta, um peso absoluto que parecia ocupar cada espaço do seu ser.
?— Porra… — Carlão rosnou baixo, a voz perdendo a calma habitual enquanto seus dedos se cravavam no quadril de Gerson, ajustando o encaixe. — Apertado pra caralho.
?Carlão começou o movimento. Lento no início, uma pressão contínua e profunda que puxava e preenchia, fazendo os joelhos de Gerson tremerem. A cada investida, o corpo pesado do lenhador chocava-se contra o seu, o som de pele contra pele ritmado, seco, preenchendo a sala isolada.
?Carlão ditava o ritmo sem margem para negociação. As duas mãos fortes seguravam o quadril de Gerson como se fosse feito de plástico, guiando os golpes com uma força crua e firme.
?— Olha pra frente. Segura essa prateleira — Carlão ordenou entre dentes, aumentando a frequência das estocadas. A barba roçava as costas do pescoço de Gerson, o hálito quente e pesado pontuando cada investida. — Sente o meu pau fundo em você. É isso que você fica imaginando na sua mesa?
?Gerson não conseguia formular frases. Sua mente se esvaziara de qualquer pensamento lógico, reduzida à sensação avassaladora do corpo de Carlão o tomando por trás. A fricção interna e o peso de Carlão eram tão intensos que o prazer se acumulava no seu baixo-ventre como uma carga elétrica sem vazão.
?— Responde, porra — Carlão exigiu, dando uma estocada mais funda que fez o arquivo chacoalhar.
?— É… é sim, Carlão… mais… — Gerson implorou, o rosto suado, completamente entregue.
?O ritmo acelerou. Carlão manteve os quadris numa sequência bruta e constante, o som do atrito e da respiração pesada dominando o espaço. Gerson sentiu uma onda arrebatadora subir pela espinha. Apenas com a intensidade daquela invasão e a força contínua dos golpes contra o seu corpo, o limite se rompeu.
?Gerson ergueu a cabeça, os lábios entreabertos num gemido mudo, e gozou unicamente pelo atrito interno, sujando a calça arriada e o metal do arquivo à sua frente. As pernas bambearam completamente, o corpo fraquejando nas mãos de Carlão.
?Carlão continuou sem pausa, firme no seu próprio ritmo por mais alguns segundos intensos, até soltar um rosnado fundo contra a nuca de Gerson e se derramar fundo dentro dele, mantendo o quadril colado com força até o último espasmo.
?O silêncio voltou gradativamente à sala de arquivos, quebrado apenas pelo arfar pesado dos dois.
?Carlão retirou-se devagar, fazendo Gerson soltar um suspiro trêmulo. Em vez de afastar as roupas, Carlão deu meio passo para trás, apoiou o quadril na borda de uma mesa de metal e segurou firme no ombro de Gerson, puxando-o para baixo.
?— De joelhos — a ordem veio baixa, sem alterar o tom.
?Gerson nem pensou em hesitar. Dobrou as pernas, o joelho tocando o piso frio de linóleo. Ficou ali, de cabeça baixa, o peito ainda subindo e descendo com força, ajustando os óculos com a mão trêmula.
?— Olha pra mim — Carlão disse, a mão pesada entremeando-se nos cabelos dele para guiar sua cabeça. — Deixa a gente quite. Termina o serviço.
?Gerson ergueu os olhos, encarando o pau de Carlão ainda duro e melado à sua frente. Sem emitir uma palavra, inclinou-se para a frente e abriu a boca, abocanhando a cabeça e descendo até a base. Usou a língua com vontade, chupando o excesso da porra e do gozo de Carlão, engolindo tudo enquanto o homem soltava um suspiro profundo do alto, a respiração voltando a pesar enquanto apreciava os lábios de Gerson trabalhando no seu membro.
?Quando chupou até a última gota e deixou tudo impecável, Carlão deu um puxão leve nos fios para afastar o garoto, recolheu o pau para dentro da cueca e fechou o jeans com um gesto seco.
?— Pronto — Carlão deu um tapinha leve na bochecha de Gerson, ainda ajoelhado. — Agora arruma essa calça e volta pra sua mesa.