O mar sempre fora um mistério distante para Clara. Ela o observava da varanda de madeira de sua casa em Salvador, cotovelos apoiados no parapeito, sentindo o ar quente e úmido da noite de dezembro colar na pele. O vento trazia o cheiro forte de sal e iodo, as ondas quebrando lá embaixo num ritmo constante. Sabia pouco além disso. “Eu que não conheço nem céu, nem mar”, murmurou para si mesma, acendendo um cigarro e deixando a brisa bagunçar seus cabelos curtos. A fumaça subia devagar quando viu a silhueta na praia. Lia caminhava pela areia úmida, pés descalços, o vestido leve balançando com o vento. Parou na beira da água, deixou que as ondas molhassem seus tornozelos e olhou para cima. Seus olhares se encontraram. Em vez de desviar, ela sorriu — um sorriso lento, curioso. Clara sentiu um calor subir pelo peito. Lia subiu os degraus rangentes da varanda sem pressa. Parou a uma distância respeitosa, mas próxima o suficiente para que Clara sentisse seu cheiro: mar, coco e algo quente, vivo. — Boa noite — disse Lia, voz baixa e suave. — Não esperava encontrar alguém acordada a essa hora. Clara soltou a fumaça devagar, observando o rosto dela iluminado pelo luar. — Nem eu esperava ver alguém caminhando tão perto do mar. Não tem medo das ondas? Lia inclinou a cabeça, o sorriso se ampliando um pouco. — Medo? Não. Gosto de sentir a água subindo pelas pernas… devagar. Às vezes entro um pouco mais. Você nunca desce? — Quase nunca. Eu fico aqui em cima, olhando. Observando. — Clara deu uma tragada curta. — Você parece conhecer bem o mar. — Conheço o suficiente pra saber que ele guarda segredos bons. — Lia se aproximou um passo, os olhos percorrendo o rosto de Clara com calma. — E você? O que guarda aí dentro? O ar entre elas ficou mais denso. Clara apagou o cigarro, sentindo o olhar dela como um toque. — Segredos que nem eu mesma conheço direito. Talvez precise de alguém que entenda de correntes… de coisas que puxam a gente sem aviso. Lia riu baixinho, um som quente que fez Clara apertar os dedos no parapeito. — Posso te mostrar um pouco, se quiser. Sem pressa. Só… sentir o movimento. Elas conversaram por um longo tempo. Lia falava de noites em que entrava na água até a cintura, deixando as ondas abraçarem o corpo, do prazer simples de se deixar levar. Clara ouvia, as coxas pressionadas uma contra a outra, imaginando. De vez em quando Lia tocava de leve seu braço ao gesticular, ou se inclinava um pouco mais perto quando ria. Cada roçar era casual, mas intencional. O olhar demorava. O silêncio entre as frases carregava promessas. Quando o céu começou a clarear levemente no horizonte, Lia estendeu a mão. — Vem. Só até a beira. Prometo não te puxar pra dentro se você não quiser. Clara hesitou um segundo, depois segurou a mão dela. Desceram juntas. A areia fria contrastava com o ar quente. Na beira, Lia soltou a mão e entrou até os joelhos, o vestido molhando na barra. Virou-se para Clara, a água brilhando em sua pele. — Viu? Não morde. Só acaricia. Clara entrou também, molhando os pés. Ficaram frente a frente, a água lambendo suas pernas. Lia ergueu a mão e afastou uma mecha do cabelo de Clara, os dedos demorando um instante a mais na nuca. O toque enviou um arrepio por todo o corpo dela. — Você é perigosa — murmurou Clara. — Eu? Sou só o mar. Você que está se aproximando. O primeiro beijo foi quase uma respiração compartilhada. Lábios se roçando de leve, testando. Depois mais fundo, línguas se encontrando devagar, as mãos de Lia descendo pelas costas de Clara com uma lentidão que queimava. Clara segurou a cintura dela, sentindo o tecido úmido do vestido colar no corpo quente. ?Subiram de volta para a casa sem dizer muito, o silêncio carregado pelo peso do que sabiam que viria. A porta mal fechou e o beijo finalmente explodiu. Não era mais um teste; era fome. Um impacto de bocas molhadas, línguas que se enroscavam com pressa e dentes que se esbarravam no calor do momento. Clara empurrou Lia contra a parede de madeira, sentindo a textura áspera nas costas dela, enquanto as mãos de Lia subiam desesperadas por dentro de sua blusa, a pele quente queimando contra a pele fria da brisa da praia. ?Lia apertou os seios de Clara com força, moldando a carne macia na palma das mãos, os polegares descobrindo os mamilos e beliscando-os com uma crueza que arrancou um gemido rouco da garganta de Clara. Em resposta, Clara desceu as mãos até a bunda redonda e firme de Lia, cravando os dedos ali, puxando o quadril dela para frente com violência. O tecido úmido do vestido não conseguia esconder o calor absurdo que emanava da boceta de Lia; ao menor toque, Clara sentiu a umidade transbordar, colando os panos. ?O caminho até a cama foi um tropeço de roupas arrancadas. Lia despiu o vestido num único movimento fluido, revelando o corpo nu sob a penumbra do quarto. Clara estancou por um segundo, hipnotizada pela visão: os seios pesados com as aréolas escuras e intumescidas, a curva macia do ventre que subia e descia com a respiração acelerada, e o tufo de pelos escuros entre as coxas, já brilhando, encharcado de excitação. ?— Não olha assim... vem — sussurrou Lia, a voz mais grave, densa. ?Lia a empurrou na cama e subiu por cima num bote certeiro, montando na cintura de Clara. O peso do corpo dela era perfeito. Lia abaixou-se, atacando o pescoço de Clara com mordidas curtas e sucções que deixariam marcas, descendo em seguida para os seios. Ela abocanhou o mamilo direito de Clara por inteiro, chupando-o com força, usando a língua para flagelar a ponta endurecida enquanto a outra mão apertava o seio esquerdo com brutalidade gostosa. Clara arqueava o corpo inteiro, os dedos cravados nos lençóis, perdida no contraste da boca quente de Lia e do ar da noite. ?Sem dar trégua, a boca de Lia desceu pelo abdômen de Clara, deixando um rastro de saliva brilhante até abrir suas pernas com as duas mãos, forçando as coxas dela bem escancaradas. A visão era obscena: os grandes lábios de Clara estavam inchados, a carne rosada exposta e vertendo um suco transparente e espesso. Lia não hesitou. Enterrou o rosto ali, lambendo de baixo para cima, recolhendo toda a umidade com passagens longas e firmes da língua, saboreando o gosto doce e salgado que a embriagava. ?O som do quarto foi tomado pelo barulho molhado da sucção. Lia sugou o clitóris de Clara para dentro da boca, mordiscando de leve com os lábios enquanto enfiava a língua profundamente no canal, fodendo-a com movimentos rítmicos. O polegar de Lia pressionava a base do clitóris, girando com força, esmagando a carninha hipersensível. Clara perdeu o nexo. Ela agarrou os cabelos de Lia, os dedos enroscados nos fios, empurrando o próprio quadril contra o rosto dela, oferecendo-se mais, molhando o queixo e as bochechas de Lia com seu próprio mel. ?— Mais… por favor, enfia os dedos… quebra o ritmo — implorou Clara, a voz sumindo num fio de falta de ar. ?Lia obedeceu. Juntou dois dedos grossos, já lubrificados pelo fluido de ambas, e os empurrou de uma vez para dentro do canal apertado de Clara. Ela curvou os dedos para cima, atingindo em cheio a parede rugosa do ponto G. O impacto fez Clara dar um grito agudo. Lia começou a foder aquela intimidade com rapidez, os dedos entrando e saindo até o nó dos dedos, criando um eco estalado e obsceno a cada estocada, enquanto sua boca continuava a sugar o clitóris com fome implacável. O corpo de Clara tensionou ao limite; as coxas prenderam a cabeça de Lia num espasmo violento quando ela gozou, o canal espremendo os dedos de Lia em ondas convulsivas enquanto o líquido jorrava. ?Antes que Clara pudesse se recuperar, Lia a virou de bruços com firmeza. Segurou-a pelos quadris, obrigando-a a empinar a bunda para o alto. O contraste da pele clara sob a luz do luar destacava a fenda íntima. Lia inclinou-se e mergulhou a língua pontuda diretamente entre as nádegas de Clara, lambendo o cuzinho enrugado e sensível com passagens lentas e circulares, ao mesmo tempo em que reintroduzia os dedos na boceta encharcada por trás. A dupla penetração — a língua molhando o bônus de trás e os dedos estraçalhando a frente — fez Clara choramingar de prazer, rebolando o traseiro contra o rosto de Lia, totalmente entregue àquela humilhação deliciosa. ?Girando o corpo de Clara novamente, Lia deitou-se de lado e a puxou para a posição de tesoura, prendendo as pernas uma na outra. Suas bocetas se chocaram diretamente: os dois clitóris inchados colaram-se, lubrificados pelo excesso de suco que escorria. Elas começaram a se esfregar num vaivém ondulante, carne contra carne. O som era puramente lúbrico — um estalo molhado contínuo enchendo o ambiente. Lia mantinha o controle, uma das mãos apertando o mamilo de Clara até quase doer, a outra cravada na cintura dela, acelerando o atrito. A fricção direta das duas intimidades gerava um calor que parecia queimar os lençóis. ?— Goza de novo para mim, Clara... deita o peso todo — sussurrou Lia no ouvido dela, a respiração quente e curta. ?O atrito ficou frenético. Elas gozaram quase em uníssono, um espasmo longo que fez as duas bocetas pulsarem coladas, os fluidos se misturando e escorrendo pelas coxas em fios quentes. ?Ainda ofegante, com o peito subindo e descendo, Lia deitou-se totalmente de costas na cama e, com um puxão firme no quadril de Clara, comandou: ?— Senta na minha boca. Agora. ?Clara obedeceu, os joelhos trêmulos abrindo-se de cada lado da cabeça de Lia. Ela abaixou o quadril, sentando com todo o seu peso sobre o rosto dela. Clara começou a cavalgar a face de Lia, rebolando em círculos. A língua de Lia ergueu-se rígida, penetrando fundo no canal toda vez que Clara descia, enquanto Lia usava as duas mãos para abrir as nádegas de Clara e enfiar o polegar e o indicador profundamente no cuzinho dela. A sensação de ter a língua de Lia limpando sua boceta e os dedos esticando e fodendo seu anel traseiro ao mesmo tempo levou Clara a um estado de puro delírio. Ela segurou os seios fartos de Lia lá embaixo, usando-os como apoio enquanto acelerava o ritmo desesperado, subindo e descendo com força na língua dela. O ápice veio como uma onda gigante: Clara travou no ar, gritando alto enquanto jorrava direto na boca de Lia, seu corpo inteiro tremendo antes de desabar exausta sobre o peito da outra. ?Só então o ritmo frenético cedeu ao vaivém calmo. Ficaram deitadas de lado, as pernas ainda firmemente entrelaçadas, os pelos pubianos colados pela mistura de suor e gozo. Os dedos de Lia ainda faziam carinhos lentos, quase preguiçosos, na entrada da boceta hipersensível de Clara, colhendo o resto da umidade. Lia aproximou o rosto e beijou a boca de Clara, um beijo demorado, compartilhando o gosto íntimo e profundo das duas. ?— Agora você conhece o mar... por dentro — murmurou Lia, os olhos brilhando na semiescuridão. ?Clara sorriu, exausta e completa, sentindo que nunca mais conseguiria olhar para a varanda da mesma forma.
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