João completara quarenta e seis anos carregando uma reputação que o acompanhava como uma sombra perfumada. No subúrbio carioca, entre botecos, quadras de samba e noites quentes de verão, ele era conhecido como o homem que havia provado de tudo, um malandro pegador de primeira categoria. Morenas de pele dourada pelo sol, loiras de olhos claros e riso fácil, mulatas de quadris generosos que rebolavam com maestria, jovens tímidas que se entregavam pela primeira vez e viúvas experientes que ensinavam truques que ele jamais esquecia. As estrangeiras também caíam na lábia do conquistador. Algumas duraram meses, com jantares, viagens curtas e promessas sussurradas ao amanhecer. Outras foram apenas uma noite ardente, corpos suados se encontrando e se separando antes que o sol nascesse. Ele as amava, de certa forma. Amava o cheiro delas, a maciez da pele, o jeito como gemiam e se contorciam sob seu toque. Mas, no fundo, após o prazer passageiro, restava sempre um vazio. Uma inquietação que ele afogava em mais cerveja, mais risadas e mais corpos novos. Nada preenchia completamente. Aquela noite de ensaio na quadra da escola de samba mudou tudo. O calor úmido de fevereiro fazia o ar parecer espesso. Os tamborins ecoavam, os surdos pulsavam no peito de todos. João, como compositor e veterano, observava o novo passista se mover no meio da roda. Rafael era diferente. Cabelos cacheados curtos, pele negra reluzente de suor, corpo esguio porém musculoso, marcado por anos de dança e capoeira. Seus movimentos eram precisos, fluidos, cheios de uma energia masculina crua que hipnotizava. Seus olhares se cruzaram pela primeira vez durante uma volta mais lenta. Rafael sorriu — um sorriso largo, confiante, levemente safado, com dentes brancos contrastando na pele escura. João sentiu um calor estranho subir pela nuca, diferente do desejo habitual. Era mais intenso, mais proibido. Ele desviou o olhar, mas o corpo traía: o coração acelerado, as mãos suadas. Após o ensaio, a roda de cerveja se formou no canto da quadra. Os sambistas riam alto, contavam histórias antigas. Rafael sentou ao lado de João. A conversa fluiu fácil. Rafael falava de viagens pelo Nordeste, de corpos que conhecera em praias e festas, de desejos sem pudor. Sua voz era grave, rouca do esforço do dia. A perna dele encostava casualmente na de João, um toque quente através do tecido fino das calças. — Você parece um homem que já viveu muito — disse Rafael, os olhos fixos nos dele. — Mas ainda tem fome, né? João riu, desconversou, mas o toque permaneceu. Quando o grupo começou a dispersar, Rafael convidou: — Minha casa fica aqui perto. Uma cerveja gelada de verdade, sem barulho. Só pra conversar. João hesitou. Sabia que não seria só conversa. Mas algo dentro dele — aquela inquietação antiga — o empurrou para frente. Aceitou. O apartamento de Rafael era simples: um quarto pequeno, ventilador no teto girando preguiçosamente, lençóis limpos sobre a cama de casal. Mal fecharam a porta e o ar mudou. Rafael se aproximou devagar, a mão grande tocando o peito de João por cima da camisa úmida. O primeiro beijo foi hesitante da parte de João, mas Rafael tomou a iniciativa. Seus lábios eram firmes, a barba por fazer arranhando levemente o queixo dele. As línguas se encontraram, explorando, e João gemeu baixo, surpreso com a própria urgência. As roupas caíram no chão em desordem. João sentiu o corpo de Rafael contra o seu — duro, quente, diferente de tudo que já tocara. Peito largo, abdômen marcado, coxas fortes. E o pau dele, grosso, pesado, já completamente ereto, roçando contra sua barriga. João estendeu a mão, inseguro, mas curioso. Envolveu o membro alheio, sentindo o calor pulsante, as veias salientes, a cabeça macia e úmida de baba. Rafael suspirou de prazer, incentivando-o com a mão sobre a dele. — Assim... devagar primeiro — murmurou Rafael, guiando o ritmo. Eles caíram na cama. Rafael beijou cada centímetro do corpo de João: pescoço, mamilos, abdômen, descendo devagar até o pau latejante. Ajoelhou-se entre as pernas dele e o tomou na boca sem pressa. A sensação foi avassaladora. A boca quente, molhada, a língua girando habilmente na glande, sugando com pressão perfeita enquanto uma mão massageava as bolas pesadas. João agarrou os cabelos cacheados, os quadris se movendo involuntariamente, fodendo aquela boca com gemidos roucos que ele mal reconhecia como seus. — Caralho, Rafael... nunca... assim... Rafael sorriu ao redor do pau, os olhos brilhando de desejo. Levantou-se, posicionando-se sobre João. Seus paus se roçaram, e ele os masturbou juntos com a mão grande, o pré-gozo misturando-se. Beijos molhados, mordidas no ombro, línguas lambendo suor. João, tomado por uma ousadia nova, virou Rafael de costas e explorou com a boca o corpo dele — as costas largas, a curva da bunda firme. Hesitou, mas Rafael o encorajou com um gemido baixo. — Pode ir... eu gosto. João lambeu, explorou com a língua o cu do outro, sentindo Rafael tremer de prazer. Era cru, íntimo, excitante de um jeito que nenhuma mulher jamais proporcionara. Rafael assumiu o controle novamente. Deitou João de bruços, abrindo suas pernas. Cuspiu na mão, lubrificando os dedos com cuidado. Um dedo entrou devagar, depois dois, abrindo-o com paciência enquanto beijava suas costas e masturbava seu pau. João gemia no travesseiro, o prazer misturado à dor inicial, o corpo se rendendo. — Você quer isso, né? — perguntou Rafael, a voz rouca de desejo. — Quero... me fode. Quando o pau grosso de Rafael pressionou e entrou, centímetro por centímetro, João sentiu o mundo girar. Dor aguda no começo, depois um prazer profundo, lancinante, que se espalhava por todo o corpo. Rafael metia devagar no início, deixando-o se acostumar, depois aumentou o ritmo. Estocadas firmes, profundas, o som de pele contra pele ecoando no quarto pequeno. Uma mão forte segurava o quadril de João, a outra o masturbava no mesmo compasso. Cada investida acertava um ponto interno que o fazia ver estrelas. João nunca sentira nada igual. As mulheres lhe davam prazer, sim, mas isso era visceral, dominante, completo. Ele empurrava a bunda para trás, pedindo mais. — Mais forte... não para... Rafael obedeceu, fodendo com força, o saco batendo contra a bunda dele, o pau inchando ainda mais dentro. O quarto cheirava a suor, sexo e desejo reprimido. João gozou primeiro, com um grito abafado, jatos grossos molhando o lençol e a mão de Rafael. O aperto ao redor do pau dele fez Rafael gozar logo em seguida, enchendo João com porra, bem no fundo de seu rabo, enquanto gemia seu nome. Ficaram deitados, suados e entrelaçados, respirando pesado. Rafael traçava círculos preguiçosos nas costas de João, beijando sua nuca. — Fica mais um pouco — murmurou. João não respondeu com palavras. Apenas virou o rosto e o beijou novamente, longo e lento. Pela primeira vez na vida, o vazio havia desaparecido. Não era mais uma busca infinita por corpos diferentes. Era isso: pele contra pele, desejo sem nome, uma conexão que ia além do que ele imaginara possível. Naquela noite, e nas muitas que se seguiram, João descobriu que o prazer mais profundo às vezes vem de onde menos se espera. E ele, sem pudor nenhum, se entregou completamente, sem olhar para trás.
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