Cinema noir :o detetive


A chuva caía como se a cidade quisesse lavar os pecados da noite, mas só conseguia transformar as ruas em espelhos negros e brilhantes. Meu nome é Jack Vale. Detetive particular. Escritório no terceiro andar de um prédio decadente no centro, onde o elevador gemia mais que as almas perdidas que passavam por ali. A lâmpada da mesa piscava, e o cinzeiro transbordava de guimbas. Eu estava no meio de um uísque barato quando a porta se abriu.
Eduardo Salles entrou, chapéu pingando, terno cinza impecável contrastando com os olhos vermelhos de quem não dormia. Quarenta e poucos anos, executivo de alguma empresa que ainda fingia ter moral.
— Jack Vale? — perguntou, voz rouca. — Preciso dos seus serviços. Minha esposa, Laura. Acho que está me traindo. Quero nomes, horários, lugares. Tudo.
Coloquei os pés sobre a mesa e acendi outro cigarro.
— A verdade costuma custar mais caro que a mentira, Sr. Salles. Tem certeza que quer pagar o preço?
Ele jogou um envelope grosso na mesa. Notas novas. Aceitei.
Primeira pista: o Balcão Torto, um bar de quinta categoria que Laura frequentava nas noites de quinta. Entrei sacudindo a água do sobretudo. O lugar cheirava a cerveja derramada, fumaça e desespero. Sentei no balcão.
O bartender era um sujeito chamado Rico. Ombros largos, braços tatuados que desapareciam sob as mangas da camisa preta justa, barba de três dias e um olhar que parecia avaliar cada cliente como possível encrenca ou diversão. Serviu meu uísque duplo sem eu pedir.
— Noite ruim? — perguntou, apoiando os cotovelos no balcão. Nossos olhos se encontraram. Demorou um segundo a mais que o normal.
— Depende do que vier depois — respondi, sustentando o olhar.
Ele sorriu de canto, um sorriso lento e perigoso. Conversamos sobre besteiras: o tempo, o trânsito, a merda que era a cidade. A cada dose, ele se inclinava mais perto. Quando o bar esvaziou um pouco, ele limpou as mãos no pano e inclinou a cabeça para o lado.
— Meu turno termina em vinte minutos. Tem um beco nos fundos que a chuva não alcança direito. Se quiser continuar a conversa em particular...
Não precisei responder. Apenas assenti.
Vinte minutos depois, estávamos no beco estreito, a chuva caindo fina do lado de fora da cobertura improvisada. Rico não perdeu tempo com delicadezas. Prensou-me contra a parede de tijolos úmidos, uma mão grande segurando minha nuca, a outra já descendo pelo meu peito.
— Eu vi como você olhava — murmurou rouco, mordendo o lóbulo da minha orelha. — Detetive metido a durão, mas com cara de quem gosta de levar. Acertei?
Não neguei. Ele abriu meu sobretudo, puxou minha calça para baixo com um movimento brusco. Cuspiu na palma da mão duas vezes e passou rápido no pau dele. Senti a cabeça grossa pressionando, quente e insistente.
— Vai doer, viadinho — avisou, antes de empurrar.
Doeu. Uma ardência profunda quando ele me abriu sem piedade, metendo centímetro por centímetro até as bolas. Eu agarrei os tijolos, gemendo baixo. Rico começou a foder com força, estocadas brutas que faziam meu corpo bater contra a parede.
— Isso... aperta esse cu gostoso. Porra, você é apertado pra caralho — rosnava no meu ouvido, uma mão no meu pau batendo no ritmo das investidas. A chuva caía ao nosso redor, abafando os sons molhados de pele contra pele.
Ele me fodeu como se estivesse descontando algo na vida. Quando gozou, segurou meus quadris com força e jorrou fundo, quente. Ficou lá dentro alguns segundos, respirando pesado, antes de puxar.
— Volta pro bar se quiser outra dose — disse, fechando a calça com um sorriso satisfeito.
Voltei. Ele serviu outra bebida como se nada tivesse acontecido.
— Laura Salles? Sim, ela vem. Mas não com homem. Sempre com uma mulher de cabelo curto. Parecem íntimas. Talvez mais que amigas.
Segunda pista: o prédio onde a “amiga” morava. O porteiro noturno era Marcos. Alto, corpo definido por baixo do uniforme, sorriso fácil e olhos curiosos. Perguntei sobre Laura. Ele me convidou para sentar na salinha dos funcionários, “pra conversar mais tranquilo”.
— O marido dela é ciumento pra porra — comentou, servindo um café ruim. — Ela só precisa de espaço. A tal amiga é terapeuta, na real.
A conversa fluía. Ele elogiou meu sobretudo, perguntou se eu malhava, comentou que eu tinha “cara de quem aguenta pressão”. Quando o silêncio caiu, ele se levantou, fechou a porta da salinha e veio até mim.
— Olha... não costumo fazer isso no serviço — disse, voz baixa —, mas você tá me deixando com o pau duro desde que entrou. Quer resolver isso rapidinho?
Assenti. Marcos foi direto, mas não bruto. Beijou meu pescoço enquanto abria minha calça, depois me virou contra a mesa. Cuspiu, lubrificou o suficiente e entrou devagar, gemendo no meu ouvido.
— Caralho, que cu quente... — sussurrou, metendo num ritmo constante, profundo, eficiente. Uma mão no meu pau, masturbando no mesmo compasso. Foi rápido, intenso, quase dançado. Ele gozou com um suspiro longo, enchendo-me enquanto eu gozava na mão dele.
— Volta quando quiser — disse, ajustando o uniforme.
Terceira pista: Victor, o suposto amante. Professor de literatura, apartamento com janelas grandes de frente para o rio. Negou tudo no começo, mas me convidou para entrar “pra conversar melhor”. Serviu dois copos de vinho tinto.
Sentamos no sofá. A conversa derivou para desejos, solidão, a hipocrisia da cidade. Ele era elegante, voz macia, mas o olhar queimava. Depois de meia taça, colocou a mão na minha coxa.
— Sabe, Jack... você não parece o tipo que só faz perguntas. Parece o tipo que gosta de respostas físicas.
Inclinou-se e me beijou. Beijo lento, profundo, exploratório. Tiramos a roupa sem pressa. Ele me levou até a janela, a cidade acesa lá embaixo como testemunha muda. Virou-me de costas, beijou minha nuca e entrou devagar, segurando meus pulsos nas costas.
— Você é lindo pra caralho — murmurou enquanto metia, ritmo crescente, cada estocada mais funda. Gozou gemendo meu nome como se fosse versos.
Voltei ao escritório às quatro da manhã, cheirando a sexo, cigarro e chuva. Salles estava lá, esperando na minha cadeira.
— E então? — perguntou, ansioso.
Sentei na beira da mesa, acendi um cigarro.
— Sua esposa não está traindo você, Salles. Ela faz terapia de casal com a tal amiga. O porteiro e o professor eram só contatos pra confirmar horários e álibis.
Ele respirou aliviado. Depois me olhou de cima a baixo, notando os sinais: cabelo bagunçado, lábios inchados, o jeito como eu me sentava com cuidado.
— E você... cobrou de todos eles, né?
Sorri cansado.
— Parte do serviço.
Salles se levantou. Tirou o casaco devagar. Veio até mim, olhos escuros de desejo e raiva acumulada.
— Então me cobra também. Agora.
Ele me curvou sobre a mesa. Não foi gentil. Metendo com força, possessivo, xingando baixo enquanto me fodia:
— Sua puta... levando rola de todo mundo pra resolver meu caso...
A chuva continuava lá fora quando ele gozou, marcando território.
No fim, todo mundo trai alguém nessa cidade. Até o detetive.

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Ficha do conto

Foto Perfil Conto Erotico thiagop

Nome do conto:
Cinema noir :o detetive

Codigo do conto:
263379

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
31/05/2026

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