Juca abriu os olhos com um sorriso nos lábios. A luz dos primeiros raios de sol da manhã entrava pelas frestas da cortina, desenhando linhas sobre o lençol que cobria seu corpo. Juca se espreguiçou, sentindo o tecido macio escorregar pela pele clara, e por um instante ficou ali, imóvel, saboreando a sensação gostosa de ter dormido bem. O peito subia e descia em ritmo calmo; o cabelo ruivo bagunçado caía sobre a testa. Havia algo leve no ar, uma expectativa de que o dia seria especial.
Levantou-se devagar. No banheiro, abriu o chuveiro e deixou a água morna escorrer pelos ombros, pelo peito, pela curva da cintura. Passou as mãos pelo próprio corpo com uma lentidão quase distraída, sentindo a pele aquecer, os mamilos endurecerem pelo toque. Ensaboou o cabelo, massageou o couro cabeludo e ficou ali alguns segundos, olhos fechados, respirando o vapor. Quando saiu, enrolou a toalha na cintura e olhou-se no espelho: o rosto ainda rosado do banho, os lábios levemente entreabertos, o peito branco contrastando com os fios úmidos.
No café da manhã, o clima continuava suave. Preparou um pão na chapa, o cheiro quente se espalhando pela cozinha pequena. Tomou o café preto em pequenos goles, sentindo o sabor agradável na língua. Cada movimento era lento, quase cerimonial, o modo como os dedos seguravam a xícara, o jeito que a língua passava pelos lábios para limpar uma gota, o peso leve da toalha ainda na cintura. Havia uma excitação baixa e constante correndo por debaixo da pele.
Vestiu-se. Camisa clara, calça jeans. Quando abriu a porta e saiu, o ar da rua pareceu diferente.
O portão estava ali, comum, familiar… até que uma silhueta se moveu. Juca parou no meio do caminho, o coração disparando de repente. Por um segundo o mundo ficou em silêncio, a rua vazia, a luz da manhã cortada por uma sombra que não deveria estar ali tão cedo. O estômago se contraiu. Os pelos da nuca se eriçaram. Alguém estava parado bem na frente do portão, imóvel, olhando na direção da casa.
Juca recuou um passo instintivo, a mão buscando a maçaneta atrás de si.
Então a figura se moveu, e a voz baixa e familiar o alcançou.
— Bom dia.
Era André. O alívio veio misturado a uma estranheza aguda. Juca soltou o ar que não sabia que estava prendendo e caminhou até o portão, ainda com o peito apertado.
— André? O que você está fazendo aqui tão cedo? Você não foi pra casa?
André deu de ombros, o cabelo ainda um pouco bagunçado, a camisa aberta nos primeiros botões. Os olhos escuros estavam fixos em Juca com uma intensidade que fazia o ruivo sentir frio na nuca.
— Fui. Mas não consegui dormir. Fiquei pensando em você a noite inteira.
O tom mudou. A tensão fria do susto se dissolveu e deu lugar a algo mais quente. André deu um passo mais perto, o olhar percorrendo o rosto de Juca com uma lentidão deliberada.
— Esse sorriso… — murmurou, quase para si mesmo. — E esse jeito tímido. Sempre que você fica assim, eu me sinto… bem. Diferente. Como se nada mais importasse enquanto eu estou perto de você.
Juca sentiu o rosto esquentar. Baixou os olhos por um segundo, os dedos brincando com a alça da mochila.
— Obrigado… — a voz saiu mais baixa do que ele queria. — Mas eu preciso ir trabalhar.
— Sem problema. — André sorriu de lado, aquele sorriso safado e confiante. — Vou te acompanhar.
No ônibus, o espaço entre os dois era mínimo. Juca tentava prestar atenção na conversa, André perguntava sobre o trabalho, sobre o que ele gostava de fazer nos fins de semana, se ele preferia manhã ou noite, mas os olhos do ruivo o traíam. Observava o peito de André aparecer a cada movimento, a pele clara entre os botões abertos da camisa. Quando o pintor levantou o braço para se segurar na barra do ônibus, a camisa subiu o suficiente para revelar o caminho estreito de pelos escuros que descia pela barriga, desaparecendo na cintura da calça. Juca engoliu em seco. O jeito como André passava a mão pelo cabelo, jogando os fios para trás com os dedos longos, era quase obsceno de tão natural. Cada detalhe parecia feito para ser notado.
Quando chegaram na entrada do prédio do call center, André se aproximou. O rosto dele ficou a poucos centímetros do de Juca. O ruivo sentiu o hálito quente, o cheiro da pele, suor e perfume de André. Por um segundo achou que seria beijado. Os lábios se entreabriram sozinhos.
Mas André apenas estendeu a mão e retirou, com delicadeza quase absurda, uma pequena folha seca que tinha se prendido nos fios ruivos do cabelo de Juca.
— Pronto!
Sussurrou, André.
Juca ficou vermelho até as orelhas. Agradeceu baixinho e se virou para entrar. Foi quando viu o colega que sempre entrava no mesmo horário. Cumprimentou-o com um aceno rápido. Não notou a mudança imediata no rosto de André: a mandíbula que se tensionou, os olhos que se estreitaram por um instante, a expressão que passou de suave para algo mais tenso, quase possessivo.
Durante o expediente, Juca trabalhou distraído. As chamadas entravam e saíam, mas a mente ficava presa no peito à mostra, no caminho da felicidade, no quase-beijo, na voz baixa dizendo que não conseguia dormir pensando nele. O corpo respondia em silêncio, uma tensão baixa na virilha, a pele sensível demais sob a camisa.
Ao sair, André o surpreendeu de novo, agora o esperava no ponto de ônibus, como se fosse a coisa mais natural do mundo. No trajeto de volta, as mãos dos dois se encontraram no ferro de apoio do ônibus. Os dedos se roçaram. Depois André colocou a mão na cintura de Juca, firme, quente, o polegar desenhando círculos lentos sobre a camisa. Juca sentiu o joelho fraquejar. Nem parecia real, era como um sonho se tornando realidade.
De longe, Marcelo os viu. Parou no meio da calçada. A expressão passou de confusão para algo mais duro, uma reprovação silenciosa que apertou a boca e franziu a testa. Não disse nada. Apenas observou os dois sairem juntos no ônibus e desaparecerem na esquina.
Na casa de André, o ar cheirava a tinta e madeira. Juca se aproximou das telas com curiosidade genuína. Dessa vez podia contemplar com mais calma as telas. Havia mulheres nuas ou semi-nuas em poses de deusas gregas, a pele pintada com uma luminosidade quase tátil. Havia também paisagens, flores abertas, animais em movimento. André guiava as explicações com orgulho contido, mas desviou o corpo de forma quase imperceptível empurrando com o corpo escondendo atrás de um móvel um quadro coberto por um pano.
— Estava indo bem — disse André, a voz mais baixa. — Vendas, promessas de exposição… Depois, uns três anos atrás, tudo começou a desmoronar. Contratos cancelados. Demissões sucessivas de empregos. Quadros que não vendiam mais.
Juca colocou a mão nas costas dele, acariciando devagar, sentindo a tensão dos músculos sob a camisa.
— Vai melhorar. Você é um artista de verdade. Eu tenho certeza. E eu… eu quero ajudar.
André virou o rosto. Os olhos estavam marejados. Por um segundo apenas olhou para Juca como se estivesse vendo algo impossível. Depois se inclinou e o beijou.
O beijo foi firme, quente, um pouco desesperado. Juca se sobressaltou, o corpo inteiro rígido por um instante… e então se entregou. Os lábios se abriram, a língua de André encontrou a dele, o gosto se misturou. O beijo se aprofundou, as mãos de André subiram para o rosto do ruivo, segurando-o como se tivesse medo de que ele desaparecesse.
Quando se afastou, a respiração estava irregular.
— Desculpa. Isso… nunca aconteceu comigo. Foi meu primeiro beijo em outro homem.
Juca ainda sentia o formigamento nos lábios.
— Você não gostou?
André soltou uma risada baixa, quase sem voz.
— Pelo contrário. Gostei pra caralho. E é isso que está me deixando louco. Nunca passou pela minha cabeça gostar de rapazes. Mas com você… é diferente. Parece que eu sou puxado. Seu cheiro… — ele se aproximou de novo, o nariz quase roçando a pele do pescoço de Juca — é gostoso demais. O jeito que você se mexe. Eu não consigo parar de olhar pra sua boca.
Os dedos dele tocaram os lábios de Juca com uma delicadeza quase reverente. Juca fechou os olhos. André beijou-o de novo, mais devagar desta vez, e começou a conduzi-lo pelo corredor, passo a passo, até o quarto. Quando chegaram na beira da cama, André empurrou o peito de Juca com firmeza. O ruivo caiu sentado no colchão.
Por um segundo o mundo piscou.
Juca viu, como um flash rápido e nítido, o corpo de Júlia sendo empurrado da mesma forma, a mesma expressão de surpresa, a mesma queda controlada. O estômago se contraiu. Depois a imagem sumiu, e só restou André diante dele.
O pintor começou a se despir com uma lentidão deliberada, quase cerimonial. Tirou a camisa botão por botão, revelando o peito claro, os mamilos escuros, a barriga com o caminho da felicidade. Desabotoou a calça, deslizou-a pelas coxas, ficou só de cueca por um momento antes de tirar também aquela. Nu, o corpo dele era lindo, sem barriga, cintura estreita, o pau já semi-erecto pesando entre as pernas. Subiu na cama de quatro, rastejando até ficar com o rosto logo acima do de Juca.
O ruivo engoliu em seco, o coração batendo na garganta.
— Tem certeza que é isso mesmo que você quer?
Perguntou Juca.
André seguiu o olhar dele, a voz rouca:
— Não consigo pensar em outra coisa.
Beijou o pescoço de Juca, a língua quente deslizando pela pele sensível. Tirou a camisa do ruivo com movimentos firmes, quase impacientes, e jogou-a para o lado. O peito branco de Juca ficou exposto, os mamilos rosados já duros. André desceu a boca até eles, chupou um, depois o outro, a língua girando devagar enquanto uma mão descia pela barriga lisa até a cintura da calça.
Juca arquejou, os dedos se fechando nos lençóis. O corpo reagia sozinho, o quadril se elevava um pouco, a respiração ficava curta. André abriu o botão e o zíper, puxou a calça e a cueca juntas, deixando o ruivo completamente nu. O pau de Juca estava duro, a cabeça já brilhando de pré-gozo. André envolveu-o com a mão, apertando com firmeza, e desceu a boca sem aviso.
Chupou devagar no começo, sentindo o gosto salgado, a língua pressionando a veia de baixo enquanto a cabeça subia e descia. Juca soltou um gemido rouco, a mão voando para o cabelo de André, não para forçar, apenas para se segurar. O pintor engoliu mais fundo, a garganta se abrindo, os olhos fechados em concentração. Cada movimento era pensado para dar prazer, a pressão da língua, o vácuo da boca, os dedos massageando as bolas com cuidado.
Quando Juca já estava tremendo, André se afastou, saliva brilhando nos lábios. Ajoelhou-se entre as pernas abertas do ruivo, pegou o tubo de lubrificante na gaveta e esquentou o líquido entre os dedos. Um dedo circundou a entrada apertada, massageando, pressionando sem entrar ainda. Juca prendeu a respiração. André olhou para ele, pedindo permissão silenciosa com os olhos. Quando Juca acenou com a cabeça, o dedo deslizou para dentro, devagar, até a base.
O ruivo soltou o ar em um gemido baixo. André moveu o dedo em círculos, procurando, até encontrar o ponto que fez Juca arquear as costas e soltar um som quase quebrado. Acrescentou um segundo dedo, abrindo-o com paciência, tesão e cuidado misturados. Só quando Juca já estava se mexendo contra a mão dele, pedindo mais com o corpo, André retirou os dedos, alinhou o pau engrossado na entrada e começou a empurrar.
A cabeça entrou primeiro. Juca engasgou com o ar, os olhos se fechando com força. André parou, esperando, uma mão acariciando a coxa do ruivo, a outra segurando o próprio corpo para não avançar rápido demais. Quando a respiração de Juca se estabilizou um pouco, ele entrou mais fundo, centímetro por centímetro, até estar completamente enterrado. O calor apertado ao redor do pau fez André soltar um gemido gutural.
Começou a se mover devagar. Estocadas longas e profundas, o quadril rolando em círculos para acertar o ângulo certo. Cada vez que a cabeça do pau pressionava a próstata de Juca, o ruivo soltava um gemido mais alto, as unhas se cravando nos ombros de André. O pintor beijava a boca dele entre uma estocada e outra, engolia os sons, sussurrava contra os lábios:
— Isso… assim. Deixa eu te sentir.
Aumentou o ritmo gradualmente. O som da pele batendo na pele encheu o quarto. O suor brilhava no peito de André, escorria pela curva das costas. Juca estava perdido, a boca entreaberta, os olhos vidrados, o corpo inteiro se entregando a cada embalo. André envolveu o pau do ruivo com a mão e masturbou no mesmo ritmo das estocadas, o polegar passando pela fenda úmida.
O orgasmo de Juca veio primeiro, violento e silencioso no início, depois um gemido longo e quebrado enquanto gozava entre os corpos dos dois, o esperma quente sujando a barriga e a mão de André. O aperto rítmico ao redor do pau do pintor o empurrou para a beira. André enterrou-se até o fundo, o corpo inteiro tenso, e gozou com um gemido rouco contra o pescoço de Juca, o calor se espalhando lá dentro enquanto o quadril ainda dava pequenos empurrões involuntários.
Ficaram assim por um tempo, ofegantes, colados. André não saiu imediatamente. Beijou a têmpora suada do ruivo, a mandíbula, a boca inchada. Os dedos acariciavam o cabelo ruivo com uma ternura quase contraditória à força com que tinha acabado de fodê-lo.
Juca ainda tremia de leve, o corpo mole, a mente nublada de prazer. André se apoiou nos cotovelos para não esmagá-lo e olhou para baixo, os olhos escuros ainda escuros de desejo, mas agora misturados com algo mais suave, quase assustado com a intensidade do que tinha acabado de acontecer.
O quarto cheirava a sexo e tinta. Lá fora, a tarde continuava, indiferente.
Autor: Mrpr2
