. 4. Paciente Rute – Posse número: 9563

Data e local de nascimento: 09/11/1997 - Manaus
Altura: 1.59
Quadril: 90
Cintura: 64
Busto: 82
Pés: 34
***
Gabriela tomava seu banho matinal quando ouviu a porta do banheiro se abrir com força. O vapor ainda preenchia o ambiente quando o marido entrou, o rosto contraído por uma irritação súbita.
Sem dizer nada, ele a segurou pelo braço e a virou bruscamente de lado.
— Fez outra tatuagem? — gritou. — E ainda por cima uma tatuagem de puta!
Gabriela sentiu o coração disparar.
— Eu não fiz tatuagem alguma — respondeu, a voz embargada mais pelo susto do que pela acusação.
— Então o que é isso? — insistiu ele, apontando com o dedo.
Ela se virou com dificuldade, o corpo ainda molhado, e conseguiu ver no espelho uma imagem marcada na virilha direita. Pareciam duas letras sobrepostas. Um símbolo. Algo que não reconhecia. Não era nítido o suficiente para ser compreendido, mas estava ali — visível demais para ser ignorado.
— Eu… eu não sei como isso veio parar aqui — disse, quase num sussurro.
O marido aproximou-se mais, inclinando-se para observar melhor.
— Parece pintado — murmurou, menos agressivo agora. — Não parece tatuagem.
Endireitou-se e soltou um suspiro curto, impaciente.
— Já te falei pra não comprar essas calcinhas pela internet. Ouvi um amigo dizer que a mulher dele apareceu com uma mancha estranha embaixo da calcinha. Parecia tatuagem também.
Ele balançou a cabeça, como quem encerra o assunto.
— Dá um jeito de tirar isso.
Virou-se e saiu do banheiro, deixando a porta aberta.
Gabriela permaneceu imóvel por alguns segundos. A água continuava caindo sobre seus ombros, mas ela já não sentia o calor. Levou a mão até a marca, esfregou com força. Nada mudou.
Foi então que o peso do ocorrido da noite anterior voltou com clareza cruel.
Não era tinta.
Não era acaso.
E, pela primeira vez, ela percebeu que aquilo não ficara apenas na memória.
“Parece coisa de puta.”
A frase ecoou na mente de Gabriela muito depois de o marido ter saído do banheiro. Foi ali, sob o jato de água já fria, que o pensamento surgiu com clareza perturbadora:
Só pode ter sido Dante.
Não havia outra explicação possível. A marca surgira depois. Apenas depois.
Ainda trêmula, envolveu-se na toalha e, sem pensar demais, ligou para uma amiga antiga. Ouviu em silêncio enquanto ela indicava uma tatuadora conhecida por apagar ou refazer marcas antigas — alguém discreta, acostumada a não fazer perguntas.
Marcado o horário, saiu de casa com uma urgência que beirava o pânico.
O estúdio era limpo, silencioso, quase acolhedor demais. Foi ali que Gabriela conheceu Rute.
Rute era uma mulher linda, de presença firme. Tinha tatuagens por todo o corpo — algumas delicadas, outras agressivas — como se a própria pele fosse um mapa de decisões irreversíveis.
Gabriela explicou o problema com frases curtas, evitando detalhes, omitindo origens. Disse apenas que precisava “apagar algo que apareceu”.
Rute assentiu, profissional.
— Pode deitar — disse.
Gabriela obedeceu. Quando abaixou a calça, Rute prendeu a respiração num suspiro curto, involuntário.
— O que houve? — perguntou Gabriela, o medo agora explícito. — Tem algum problema?
Rute demorou um instante antes de responder.
— Não é um problema… — disse, com cuidado. — É o que isso significa.
— Seja clara — insistiu Gabriela. — Você está me assustando.
Rute respirou fundo.
— Isso não é apenas uma tatuagem. É um símbolo de posse.
Fez uma pausa breve.
— Assim como fazendeiros marcam o gado, ele marca o que considera dele.
O estômago de Gabriela revirou.
— Ele… quem?
Rute ergueu o olhar lentamente.
— Dante Eteyner.
O silêncio que se seguiu foi absoluto.
— Você o conhece? — perguntou Gabriela, quase sem voz.
— Muito bem.
— Ele só me fez um empréstimo…
Rute balançou a cabeça, negando.
— Não, Gabriela. Ele não lhe fez um empréstimo. Ele a comprou.
A voz era firme, sem crueldade, como quem explica algo inevitável.
— Desde o dia em que ele “ajudou” você, você pertence a ele.
Gabriela sentiu as mãos suarem.
— Então… é só tirar — insistiu, desesperada. — Ou cobrir.
Rute aproximou-se um pouco mais.
— Não adianta. Se você apagar, ele colocará de novo.
Abaixou o tom.
— E em lugares mais visíveis. Para que fique claro, para todos, quem é o dono.
— Nunca mexa nisso — completou.
— Como você sabe tudo isso? — perguntou Gabriela, já chorando. — Como pode ter tanta certeza?
Rute afastou um pouco a blusa e mostrou um ponto do próprio corpo — discreto, mas inconfundível para quem agora sabia o que procurar.
— Porque, assim como você… — disse — eu também pertenço a ele.
Baixou a blusa com cuidado.
— Eu tentei encobrir o sinal. Paguei um preço muito alto por isso.
Fez uma pausa.
— Hoje, meu sinal está aqui. Onde ele quis.
Rute endireitou-se e concluiu, com uma calma assustadora:
— Algumas marcas não servem para serem vistas.
Servem para serem obedecidas.
Gabriela fechou os olhos.
E, naquele instante, compreendeu que o problema nunca fora a dívida.
A dívida havia sido apenas a porta.
Rute afastou cuidadosamente o tecido da blusa e indicou, no meio da tatuagem que cobria o peito, acima da mama direita, o mesmo sinal. Não estava exposto de forma óbvia — era absorvido pelo desenho maior, quase camuflado.
— Não encobri mais — disse, com voz serena. — Mas, para tentar disfarçar um pouco, fiz tatuagens diferentes em quase todo o corpo.
Passou a mão sobre a própria pele, como quem percorre um mapa antigo.
— Só quem conhece esse sinal sabe o que ele significa.
Gabriela sentiu o chão faltar por um instante. O coração batia rápido demais, as mãos tremiam sem controle. Aquilo já não era medo comum — era pânico.
— Me fala mais… — pediu, a voz falhando. — Por favor. Eu só o conheci uma vez. Uma única vez.
Engoliu em seco.
— E estou apavorada com isso.
Rute a observou por alguns segundos, avaliando não apenas o que Gabriela dizia, mas o que não conseguia dizer. Então assentiu lentamente.
— Levante-se — disse com firmeza tranquila. — E sente-se ali.
Apontou para uma cadeira próxima, afastada da maca. Gabriela obedeceu quase mecanicamente, envolvendo o próprio corpo com os braços, como se precisasse se conter inteira.
Rute sentou-se à frente dela, apoiando os antebraços nas coxas. O tom que adotou não era dramático, tampouco consolador. Era honesto.
— Eu também achei que o tinha conhecido só uma vez — começou. — Achei que tinha sido um acordo simples, isolado. Um favor que eu pagaria e seguiria minha vida.
Fez uma pausa curta.
— Mas Dante não trabalha com eventos. Ele trabalha com consequências.
Gabriela fechou os olhos por um segundo.
— O sinal — continuou Rute — não é punição. É lembrete. Ele não aparece para marcar o momento… aparece para marcar o futuro.
Inclinou-se um pouco mais à frente.
— Você acha que ele resolveu seu problema.
Negou com a cabeça.
— Ele resolveu o problema dele.
Gabriela sentiu as lágrimas descerem sem perceber.
— Então… não tem como sair disso? — perguntou, quase inaudível.
Rute sustentou o olhar dela.
— Tem — respondeu. — Mas não é como você imagina.
Respirou fundo antes de concluir:
— E não começa tentando apagar o sinal.
O silêncio que se seguiu era pesado, definitivo. Gabriela compreendeu que aquela conversa não era um alívio.
Era uma iniciação.
E que, a partir dali, nada do que soubesse poderia ser desaprendido.
*
— O que vou lhe relatar aconteceu comigo há quatro anos… — começou Rute, após um breve silêncio.
Apoiou as costas na cadeira e manteve o olhar fixo em algum ponto além de Gabriela, como quem revisita um lugar do qual nunca saiu completamente.
— Eu trabalhava em um centro de tatuagem. No início, fazia apenas reparos: retocava traços mal feitos, cobria nomes, ajustava imagens. Nada além disso.
Fez um gesto leve com a mão.
— Mas tudo cresceu rápido demais.
Sua agenda se encheu num ritmo que ela não conseguia mais controlar. Não havia horário para sair, nem dias vazios. Pelo cuidado que tinha com o trabalho — e pela discrição — muitas mulheres passaram a me procurar. Algumas queriam cobrir histórias, outras reescrevê-las. Muitas, tatuagens novas. Especialmente em áreas mais íntimas.
Rute respirou fundo.
— Sem perceber, comecei a incomodar os outros tatuadores. Não por intenção, mas por consequência.
Fez uma pausa curta.
— Os dois donos resolveram me dispensar.
Não foi uma conversa. Foi um afastamento. Tentaram assumir minha clientela, especialmente os trabalhos de reparo. Não funcionou. As clientes continuavam me ligando, insistindo, sugerindo que eu montasse algo só meu.
Rute sorriu de lado, sem humor.
— Gostei da ideia. Fui empurrada por muitos. Acreditei que, alugando uma sala no mesmo shopping e comprando o material, conseguiria cobrir os custos.
Baixou o olhar.
— Foi um grande engano.
Em três meses, devia mais do que podia pagar. O movimento era maior do que antes, mas as contas cresciam mais rápido: aluguel, condomínio, equipamentos. Tudo ao mesmo tempo.
— Foi quando pensei em empréstimo. — disse. — Bancos recusaram. Todos. Pensei em agiotas… mas tinha medo demais.
Então um conhecido comentou sobre uma empresa que emprestava dinheiro “sem agiotagem”. Falou em facilidade, em soluções rápidas.
— Foi assim que cheguei ao Dante.
Rute levantou o olhar e, pela primeira vez, encarou Gabriela diretamente.
— Depois da entrevista, fui até a sala dele.
Fez uma pausa maior.
— Ele me olhou de um jeito… direto demais. Calmo demais. Como se já soubesse tudo.
Rute respirou fundo, sem se envergonhar do que vinha a seguir.
— Eu estava sem dinheiro. Exausta. E fazia muito tempo que não tinha ninguém. Gosto de sexo, Gabriela. Mas, com tudo o que estava vivendo, não pensava em relacionamento.
Engoliu em seco.
— Mesmo assim, aquele olhar me desarmou.
Ela sorriu, constrangida, lembrando-se de si mesma.
— Olhei pra ele, meio sem graça, e perguntei:
“— O senhor me emprestará quanto?”
Rute fechou os olhos por um instante.
— Ele nem pensou. Apenas respondeu:
“— Eu não vou lhe emprestar dinheiro. Vou resolver o seu problema.”
Abriu os olhos novamente.
— Ele sabia tudo. Meus conflitos com os antigos patrões. As dívidas do aluguel. Do condomínio. Dos equipamentos. Tudo.
Fez um gesto lento com a mão.
— Antes que eu dissesse qualquer coisa, ele já tinha entendido tudo.
Rute inclinou-se um pouco para frente e concluiu, em tom baixo:
— Foi aí que eu deveria ter ido embora.
— E foi exatamente aí que eu fiquei.
- O que eu preciso fazer?
- Nada, apenas se entregue sexualmente a mim agora, até eu me cansar, que tal?
- Para onde iremos?
Ele se aproximou e me colocando deitada em um dos sofás de sua sala, começou a me lamber e a beijar todo o meu corpo.
Mesmo sabendo que era uma loucura o que estava fazendo estava adorando aquilo. Nem pensei, que alguém poderia entrar naquela sala.
Vi que as coisas estavam crescendo muito, tentei dizer que não, mas não adiantou, ele foi logo puxando minha saia, e arrancando minha calcinha. Meteu a língua dentro da minha buceta e enfiava os dedos sem dó, era um dois, três, parecia que não via uma buceta a muito tempo, até que enfiou quatro dedos nela, eu me contorcia de tesão e medo. Ficamos nessa por muito tempo, até que já enfiava o dedo até no meu cuzinho. Parou, se levantou e ligou para algum lugar dizendo para fazer o pagamento. Sem dar qualquer explicação volta até mim e tirou então o pau para fora e encostou na entrada da minha buceta, e enfiou com tudo, pude sentir como era grande e grosso, e como estava duro. Ele meteu por bastante tempo me dando vários orgasmos, não parecia nada cansado, mandou eu ficar de 4 no chão, eu mesmo morrendo de medo estava adorando tudo aquilo obedeci. Ele veio por traz de mim e enfiou o pau na minha buceta de novo, e socava com muita força. Eu já havia gozado várias vezes. Estava tudo tão delicioso que eu já não pensava em mais nada, só gozava cada vez que ele bombava aquele pau enorme.
Então sentindo que ia gozar ele tirou o pau, me pois de joelhos e gozou na minha cara, dizendo:
- Seu problema já está resolvido.
Se vestiu e saiu da sala entrando no banheiro.
Eu fiquei ali sentada tentando me recompor e procurando minhas roupas. Quando ia começar a vestir minha calcinha ouvi sua voz.
- Suas dívidas estão todas pagas, e pode comprar o equipamento que precisar para seu trabalho.
Realmente tudo foi pago. Consegui abrir e manter meu centro de tatuagens e até contratar uma assistente.
- E como foi com a tatuagem?
- Ah, no final de semana estava na praia e me disseram da tatuagem. Mandei fazer uma tatuagem sobre a que estava lá. Foi coberta. Achei que estava bem, até que outros problemas começaram, tentei novo contato e percebi que lhe pertencia.
- Me diga o que houve...
- Outra hora, já não tenho mais clima para continuar a falar. Você o colocou em sua vida, agora ele só sairá se quiser sair. Nunca o subestime.
***
CONTINUA...

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Nome do conto:
. 4. Paciente Rute – Posse número: 9563

Codigo do conto:
251300

Categoria:
Heterosexual

Data da Publicação:
07/01/2026

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