. 4.13 - O DONO


Dante leva Amanda
a clínica, e lá é realizado a fertilização, em 27 dias foi confirmada a gravidez.
O processo foi conduzido com a mesma discrição que marcava tudo na vida de Dante. A clínica era moderna, silenciosa, quase impessoal — e, ainda assim, Amanda sentiu que aquele lugar guardava algo profundamente íntimo.
No dia do procedimento, Dante permaneceu ao lado dela o tempo inteiro. Não como o homem que decide ou controla, mas como quem sustenta. Segurava sua mão com firmeza serena, como se dissesse sem palavras: estou aqui, aconteça o que acontecer.
Amanda, deitada, sentia medo e esperança misturados. Não era apenas o desejo de ser mãe — era o desejo de construir algo que não estivesse baseado em posse, dívida ou salvação, mas em escolha. Pela primeira vez, algo em sua vida não vinha para preencher um vazio, e sim para transbordar.
Os dias seguintes foram longos. Dante tentava manter a rotina, mas estava diferente: mais atento, mais presente, menos ausente de si mesmo. Amanda percebia. Às vezes o pegava olhando para ela em silêncio, como se estivesse aprendendo a amar de novo, agora sem dominação, sem contratos invisíveis.
Os 27 dias pareceram meses.
Quando voltaram à clínica para o resultado, Amanda já sabia antes mesmo de ouvir. Seu corpo falava baixo, mas falava claro. Ainda assim, quando a médica sorriu e confirmou a gravidez, ela não conseguiu conter o choro. Não era apenas alegria — era alívio, era reparação, era futuro.
Dante permaneceu imóvel por alguns segundos. Não por frieza, mas por impacto. Pela primeira vez, algo escapava completamente ao seu controle — e, paradoxalmente, isso o fazia se sentir inteiro.
Ele se aproximou, envolveu Amanda com os braços e encostou a testa na dela.
— Obrigado… — disse em voz baixa, quase um sussurro.
Amanda entendeu: não era apenas pela gravidez.
Era por ela.
Era por tê-lo ensinado a permanecer.
O exame de controle foi feito numa manhã clara, dessas que parecem anunciar algo antes mesmo de ser dito. Amanda estava tranquila, quase serena demais, como se já tivesse aprendido a confiar no próprio corpo. Dante, ao contrário, caminhava de um lado a outro da sala, tentando disfarçar uma ansiedade que não combinava com o homem que sempre fora.
Quando a médica franziu levemente a testa e voltou o olhar para a tela, o silêncio se adensou.
— Temos aqui dois sacos gestacionais — disse, com naturalidade profissional — não são univitelinos.
Amanda levou a mão à boca num gesto instintivo. Dante parou.
— Gêmeos? — ela perguntou, a voz falhando entre riso e choro.
— Sim. Um casal.
Por um instante, Amanda não conseguiu reagir. Era grande demais. Não era apenas a confirmação da maternidade, mas a sensação de plenitude absoluta. Dois corações, dois ritmos, duas vidas crescendo dentro dela — fruto de uma escolha consciente, madura, profundamente amorosa.
Dante se aproximou devagar, como se temesse quebrar aquele momento. Ajoelhou-se à frente dela e pousou a mão com cuidado sobre seu ventre, ainda sem forma visível, mas já carregado de significado.
Ele não sorriu de imediato. Seus olhos marejaram antes.
— Um menino e uma menina… — murmurou — Eu passei a vida inteira acreditando que precisava dominar o mundo. E agora… o mundo inteiro cabe aqui.
Amanda chorou. Não de medo, não de dúvida — mas de reconhecimento. Pela primeira vez, Dante falava de futuro sem estratégia, sem controle, sem fuga.
Ela segurou o rosto dele entre as mãos.
— Eles vão te conhecer como você é — disse — não como o homem que possui, mas como o homem que fica.
Dante fechou os olhos por um instante. Ali, naquele consultório silencioso, ele entendeu algo que nunca havia permitido a si mesmo: não era mais dono de nada. Era responsável. E, pela primeira vez, isso não o assustava.
Amanda saiu da clínica sentindo-se maior do que nunca — não apenas por carregar um casal dentro de si, mas por saber que, junto com eles, nascia também uma nova versão de Dante.
A gravidez não transformou apenas os corpos, transformou o ritmo da casa — e, sobretudo, o sentido da vida de ambos.
Amanda foi orientada a permanecer em repouso quase absoluto. Aceitou sem resistência, com a serenidade de quem compreendia que aquele recolhimento não era uma limitação, mas um gesto de proteção. Passou a trabalhar por videoconferência, sempre acompanhada pela COE, que assumiu boa parte das decisões operacionais. Ainda assim, Amanda não se ausentou: estava presente, lúcida, firme, agora de um lugar mais silencioso e estratégico.
Dante, por sua vez, viveu algo que jamais experimentara.
Nunca havia permanecido tanto tempo em casa.
Os dias deixaram de ser marcados por deslocamentos, reuniões intermináveis e decisões urgentes. Passaram a ser medidos pelo horário dos exames, pelas refeições cuidadosas, pelos momentos em que Amanda dormia e ele ficava ao seu lado, em silêncio, apenas observando a respiração dela — como se aquilo fosse, por si só, uma forma de oração.
Izabel assumiu, por conta própria, todos os cuidados da futura mãe da casa. Não por obrigação, mas por escolha. Tornou-se presença constante, discreta e firme. Organizava os horários, cuidava da alimentação, zelava pelo descanso, e, quando necessário, impunha limites com uma autoridade doce, quase maternal.
— Agora, a prioridade é ela — dizia, sem elevar a voz.
E Dante aceitava.
Era ali, na rotina simples, que ele estava sendo lapidado. Aprendeu a esperar. A ceder. A pedir opinião. A ouvir o silêncio. O homem que sempre controlara tudo começou a compreender que proteger não era possuir, mas sustentar.
À noite, quando a casa se aquietava, Dante sentava-se ao lado da cama e colocava a mão sobre o ventre de Amanda. Falava baixo, quase em segredo, como se os filhos já pudessem compreender.
Amanda, mesmo em repouso, sentia-se inteira. Nunca havia sido tão cuidada sem se sentir diminuída, tão amada sem cobrança, tão respeitada em sua fragilidade. Ela não era apenas a mãe dos filhos de Dante — era o centro em torno do qual tudo agora orbitava.
Aquela casa, antes símbolo de poder e isolamento, tornara-se um lugar de espera, de construção e de promessa.
E, sem que nenhum dos dois precisasse dizer em voz alta, ambos sabiam: a vida que estavam vivendo agora era mais exigente do que qualquer outra que já tivessem enfrentado — e, justamente por isso, infinitamente mais verdadeira.
*
Amanda viveu a gravidez como quem atravessa um território sagrado — com delicadeza, atenção e uma intensidade silenciosa.
Desde o início, havia nela uma mudança que não era apenas física. Tornou-se mais calma, mais profunda. Falava menos, mas quando falava, suas palavras vinham carregadas de sentido. O repouso imposto não a fragilizou; ao contrário, refinou sua presença. Amanda passou a observar mais, a sentir o tempo de outra forma, como se cada dia tivesse peso e valor próprios.
O corpo respondeu com suavidade. Havia o cansaço natural, os enjoos discretos no começo, depois o ventre crescendo de forma harmoniosa, quase solene. Ela tocava a barriga com frequência, não por ansiedade, mas por reconhecimento — como se confirmasse, várias vezes ao dia, que aquela vida era real e que estava sob sua guarda.
Emocionalmente, Amanda oscilava, mas nunca se perdia. Chorava com facilidade, sim, porém não eram lágrimas de medo: eram de excesso. Excesso de amor, de responsabilidade, de consciência de que nada mais seria pequeno dali em diante. Às vezes chorava sem explicar, e Dante já sabia: não precisava perguntar, bastava estar.
Ela se tornou mais sensível ao ambiente, às pessoas, às palavras. Pequenos gestos a emocionavam profundamente. Um café preparado com cuidado, Dante ajeitando um travesseiro, Izabel entrando em silêncio para não acordá-la — tudo isso a tocava de um modo quase físico.
Ao mesmo tempo, Amanda permaneceu forte. Não se anulou, não se vitimizou. Trabalhava quando podia, opinava, decidia. A gravidez não a transformou em alguém passiva, mas em alguém ainda mais consciente de seu valor. Agora, ela não sustentava apenas a si mesma — sustentava um futuro.
Com Dante, tornou-se mais íntima de um jeito novo. Menos desejo explícito, mais vínculo. Havia troca de olhares longos, mãos dadas demoradas, conversas baixas antes de dormir. Amanda não precisava mais provar nada: ela simplesmente era.
E talvez isso tenha sido o mais marcante de sua gravidez — Amanda nunca esteve tão feminina, tão firme e tão inteira. Não porque carregava dois filhos, mas porque, pela primeira vez, carregava a si mesma sem medo, sem defesas, sem dúvida de que estava exatamente onde deveria estar.
Dante se sentia atravessado por algo que jamais havia experimentado com tamanha intensidade: pertencimento sem posse.
Havia nele uma mudança silenciosa, quase imperceptível para quem não o conhecesse profundamente. O homem que sempre controlou cenários, pessoas e destinos agora se via atento a detalhes mínimos — o ritmo da respiração de Amanda, o modo como ela dormia, o tempo exato de seus silêncios. Pela primeira vez, seu poder não estava em conduzir, mas em proteger.
Sentia medo, embora raramente o admitisse. Não o medo vulgar da perda material, mas um temor novo, quase sagrado: o de falhar como homem diante daquilo que realmente importava. A gravidez o deslocou do lugar de estrategista para o de guardião. Ele não queria apenas garantir segurança; queria estar presente, inteiro, consciente.
Dante passou a desacelerar. Algo impensável antes. Permanecer em casa deixou de ser uma concessão e tornou-se necessidade. Observava Amanda como quem observa um milagre cotidiano — não com idolatria, mas com respeito profundo. Ela já não era apenas a mulher que o havia transformado; era o centro silencioso de tudo.
Havia também orgulho. Um orgulho contido, íntimo, quase secreto. Saber que dentro dela havia duas vidas, um casal, fruto de uma decisão consciente, o colocava diante de si mesmo de forma definitiva. Não havia mais múltiplos caminhos possíveis: havia um só, e ele o havia escolhido.
Em muitos momentos, Dante se sentia desarmado. E isso, para alguém como ele, era revolucionário. Já não precisava dominar para existir. Bastava estar. Bastava amar. Bastava cuidar.
Se antes seu prazer era majoritariamente psíquico, agora seu sentido era existencial. Dante não se via menor por ter renunciado a tantas outras possibilidades; via-se maior por ter sustentado uma única escolha.
E talvez essa tenha sido a maior transformação: pela primeira vez, Dante não era o homem que todos orbitavam. Era o homem que permanecia.
A gravidez de Amanda foi vivida como um tempo suspenso, quase sagrado, em que a vida desacelerou para ambos — ainda que o mundo ao redor continuasse girando.
Nos primeiros meses, tudo foi cuidado e vigilância. O repouso imposto pelos médicos não foi sentido por Amanda como prisão, mas como recolhimento. Havia nela uma serenidade nova, embora atravessada por medos silenciosos: o receio de não ser suficiente, de não proteger, de não conseguir sustentar dentro de si duas vidas tão distintas desde o início. Dante percebia esses medos sem que ela precisasse nomeá-los. E, sempre que podia, os dissolvia com presença, não com promessas.
Ela trabalhou à distância, cercada de telas, relatórios e decisões, mas já não se reconhecia apenas nesse lugar. O corpo falava mais alto. Cada movimento era consciente, cada gesto carregava cuidado. Amanda se tornou mais introspectiva, mais observadora. Havia dias de cansaço profundo, outros de uma alegria quase inexplicável, como se os filhos se anunciassem em pequenos sinais internos, imperceptíveis a qualquer outro.
Dante, por sua vez, reorganizou a própria existência em torno dela. Cancelou viagens, delegou decisões que antes jamais soltaria. Passou a viver os dias pelo ritmo da casa: o horário das refeições, das consultas, dos exames, dos descansos. Acompanhava tudo com atenção quase obsessiva, mas sem sufocar. Era um cuidado silencioso, firme, constante.
Izabel tornou-se o eixo invisível da casa. Com naturalidade, assumiu os cuidados práticos e emocionais, protegendo Amanda até dela mesma quando insistia em fazer mais do que devia. A casa ganhou outro som: menos passos apressados, mais silêncio, mais espera.
Com o avançar da gestação, os corpos começaram a se impor. Amanda sentiu o peso, o inchaço, as noites mal dormidas. Sentiu também a estranha felicidade de se perceber habitada. Quando souberam definitivamente que eram um menino e uma menina, algo se reorganizou dentro deles. Não era apenas a ideia de filhos, mas a noção de continuidade, de permanência.
Dante tocava a barriga com respeito quase cerimonial. Não falava muito, mas permanecia longos minutos ali, como se estivesse aprendendo uma nova linguagem. Em alguns dias, sentia medo — não da paternidade em si, mas da dimensão do amor que estava por vir. Um amor que ele não controlaria, não negociaria, não dominaria.
Os últimos meses foram de espera atenta. O tempo parecia ao mesmo tempo lento e rápido demais. Amanda tornou-se mais sensível, mais emotiva, chorava com facilidade, ria com a mesma intensidade. Dante aprendeu a acolher esses extremos sem tentar corrigi-los.
O nascimento não foi dramático no sentido clássico. Foi intenso, concentrado, profundamente humano. Houve tensão, silêncio, mãos dadas, respirações contidas. Dante esteve ali o tempo todo, sem desviar o olhar, sem fugir da fragilidade do momento. Quando ouviu os primeiros choros — dois sons diferentes, duas presenças distintas — compreendeu, sem precisar de palavras, que nada mais seria como antes.
Amanda, exausta e plena, os recebeu como quem completa um ciclo. Não havia idealização, apenas realidade: dor, alívio, amor imediato e um cansaço profundo que não anulava a felicidade.
Ali, naquele instante, não nasceu apenas um casal de gêmeos. Nasceu uma família que não se sustentava em poder, posse ou exceção — mas em escolha, permanência e transformação.
As crianças nasceram bem, fortes dentro da delicadeza própria de quem chega ao mundo em conjunto, mas já deixando claro que eram distintas.
O menino veio primeiro, inquieto, com um choro firme e decidido, como se anunciasse presença antes mesmo de abrir totalmente os olhos. Tinha as mãos sempre cerradas, o corpo atento, reagia a vozes e toques com rapidez. Parecia carregar uma energia que não pedia licença, apenas existia.
A menina nasceu logo depois, mais silenciosa no início, observadora. Seu choro foi suave, quase contido, como se estivesse mais ocupada em sentir do que em reclamar. Tinha movimentos mais lentos, olhos que demoravam um pouco mais a se abrir, mas quando o faziam, pareciam atentos a tudo ao redor.
Ambos eram saudáveis, respiravam bem, a pele rosada, os batimentos fortes. O contato com Amanda foi imediato, e ali se acalmaram de maneira quase instintiva, como se reconhecessem o lugar de onde vieram. O quarto se encheu de um silêncio respeitoso após os primeiros choros — não de vazio, mas de presença.
Dante os observava com uma mistura de espanto e reverência. Não os tocou de imediato. Primeiro os viu, como quem tenta compreender algo maior do que si. Quando finalmente segurou cada um, separadamente, percebeu que já os amava de formas diferentes, sem saber explicar como.
E assim estavam as crianças: pequenas, inteiras, distintas, vivas — carregando em si não apenas o início da própria história, mas a transformação definitiva de tudo ao redor.
*
CONTINUA.....

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Ficha do conto

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Nome do conto:
. 4.13 - O DONO

Codigo do conto:
252255

Categoria:
Heterosexual

Data da Publicação:
15/01/2026

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