. 16.3 DANTE ASSUMI GABRIELA (3485.21)

Já era algo mais ou menos conhecido que o pastor mantinha um envolvimento com um homem casado. Não demorou para que isso chegasse aos ouvidos de Gabriela. O que poucos perceberam é que nada ali aconteceu por acaso. Tudo foi cuidadosamente tramado por ela — não por impulso, mas pela forma mais antiga e silenciosa de reação: a vingança.
Fui surpreendido quando, usando o telefone que deixei com ela, Gabriela me ligou pedindo que eu fosse até sua casa. O tom era contido, quase neutro, mas havia urgência implícita.
Ao chegar, notei imediatamente sua atenção fixa em mim, um olhar que denunciava tensão acumulada. Havia nela um estado de abstinência emocional e física que não precisava ser nomeado para ser percebido.
Aproximei-me e a envolvi num abraço simples, tentando medir o terreno.
— Algum problema, Gabriela? — perguntei.
Ela respondeu de forma inesperada, com um meio sorriso desconfortável, como quem testa a própria coragem:
— Pela sua expressão… acho que sim. Só não sei se tenho coragem de dizer.
Houve um silêncio breve. Ela desviou o olhar, recompôs-se.
— Desculpe — acrescentei —, mas foi você quem me ligou e pediu para vir. Se essa não era sua intenção, não quero lhe causar incômodo.
Gabriela respirou fundo. O convite não fora feito por desejo imediato, mas por algo mais complexo: a necessidade de retomar controle, de se sentir vista e reafirmada depois de uma traição que a expusera ao ridículo público.
Naquele momento, ficou claro que o encontro não era sobre o corpo.
Era sobre reposicionamento.
E Gabriela, como em outras ocasiões, não buscava consolo —
buscava equilíbrio.
Ela sorriu de forma irônica, quase amarga.
— Pastor? — disse. — Já sei que aquele desgraçado anda envolvido com outras fiéis. Fiz tudo isso para te trazer aqui mesmo. Estou insatisfeita, traída, humilhada… e queria dar o troco. Sabia que você seria o único que eu conseguiria chamar.
Respirei fundo antes de responder.
— Desde que isso não traga problemas para nenhum de nós dois, estou aqui.
O rosto de Gabriela mudou. A revolta tomou o lugar da ironia.
— Ele não me procura, não me deseja… e se entrega a outras. Hoje eu quero mais do que vingança. Quero sentir que ainda existo. Quero experimentar aquilo que sempre me disseram que era errado.
Aproximei-me. O clima deixou de ser confronto e tornou-se algo mais cru: necessidade.
Gabriela foi tomada por uma intensidade que não escondia mais. O toque inicial foi suficiente para quebrar anos de repressão. Seu corpo reagia como se estivesse descobrindo algo novo — não apenas prazer, mas liberdade.
Ela se deixou conduzir, ainda confusa, ainda dividida entre o que aprendera a ser e o que finalmente permitia sentir. Os gemidos que escapavam não eram apenas físicos; eram o som de alguém abandonando uma moral imposta.
Depois, sentada, respirando com dificuldade, ela falou em voz baixa:
— Nunca me permiti isso. Sempre disseram que era pecado… ele dizia que era errado. E agora descubro que me neguei a vida inteira algo que me fazia tão bem.
Ouvi sem interromper.
— Eu não queria só vingança — continuou. — Queria que alguém soubesse por quê.
Assenti.
— Só assim posso entender quem você é agora.
Gabriela então me olhou com firmeza renovada.
— Hoje eu quero ir além do que sempre fui. Quero provar que posso atravessar limites sem deixar de ser quem sou.
Aquele desabafo não era provocação. Era libertação.
Conduzi-a com firmeza, mas sem brutalidade, deixando claro que tudo ali acontecia porque ela escolhia. Cada gesto seguinte aprofundava essa entrega consciente — não mais de uma mulher ferida, mas de alguém que decidira, finalmente, tomar posse do próprio desejo.
Naquela noite, Gabriela não buscava apenas prazer.
Buscava reparar-se.
E isso, mais do que qualquer ato, era o que tornava tudo irreversível.
O clima entre nós dois tornara-se denso, carregado de uma energia difícil de conter. Havia desejo, mas havia algo além: uma urgência de atravessar limites que haviam sido impostos por tempo demais.
Gabriela se entregava com uma avidez que não escondia surpresa. Era como se estivesse descobrindo, pela primeira vez, partes de si mesma que sempre lhe disseram para negar. Seus gemidos não eram apenas resposta ao toque, mas reação à quebra de uma moral que a aprisionara por anos.
Quando tudo se intensificou, ela ficou suspensa entre repulsa e excitação, sem saber exatamente como reagir ao excesso de sensações. Por alguns segundos, pareceu hesitar — e então decidiu. Sustentou meu olhar com firmeza, como quem escolhe conscientemente atravessar o desconforto para não voltar atrás.
— Era isso que você queria? — disse, provocadora, com um brilho novo nos olhos. — Eu atravessei.
Não havia mais vergonha ali. Apenas desafio e afirmação.
O desejo não se dissipou; ao contrário, se reorganizou. Gabriela queria mais. Queria ser tomada sem reservas, não como esposa, não como figura respeitável — mas como alguém que escolhia, naquele instante, ser apenas corpo e vontade.
Conduzi-a até o sofá. Ela abriu espaço sem hesitação, como se dissesse ao próprio passado que não tinha mais autoridade sobre ela. Cada movimento era intenso, quase agressivo, não por violência, mas por necessidade de romper.
— Não quero ser tratada como antes — disse, ofegante. — Quero sentir tudo o que me foi negado.
A entrega ganhou um ritmo bruto, visceral. Gabriela gemia alto, sem censura, como se cada som expulsasse anos de repressão. Quanto mais intensa a experiência, mais ela parecia se desprender do papel que sempre representara.
Em determinado momento, ao sentir algo inesperado, ela se assustou.
— Com calma… — murmurou. — Nunca fui além disso.
Parei. Esperei.
Ela respirou fundo, os olhos fechados, e então completou:
— Mas hoje eu decido.
Foi ali que compreendi: não se tratava mais de vingança contra o marido, nem de raiva acumulada. Tratava-se de autorização interna. Gabriela não estava sendo levada — estava indo.
Quando o ápice chegou, veio como descarga total. Um esgotamento que misturava prazer, alívio e algo próximo de triunfo. Ela permaneceu imóvel por alguns instantes, tentando recuperar o fôlego, como quem acaba de atravessar uma fronteira sem retorno.
Naquela noite, Gabriela não foi reduzida a nada.
Ela se permitiu.
E isso — mais do que qualquer excesso —
foi o que realmente a transformou.
O cansaço que a atravessou não foi imediato. Houve ainda um excesso de energia, uma vontade de prolongar aquele estado recém-descoberto. Eu a chamei para ir até o quarto — não por pressa, mas porque queria tempo, queria atravessar aquele momento com mais profundidade.
Deitei-me e pedi que se posicionasse de forma diferente. Não buscava apenas contato, mas a visão clara da entrega. Gabriela obedeceu, sem hesitação, expondo-se com uma confiança que não existia antes naquela noite. Havia orgulho em seu gesto, não submissão cega.
As palavras que trocamos eram duras, provocativas, quase rituais. Para ela, ouvi-las não era humilhação, mas autorização para ocupar um lugar que sempre lhe fora negado. Cada movimento seu revelava descoberta, não medo. Ela se movia com intensidade, testando limites, experimentando o próprio corpo sem culpa.
Quando tentei avançar além do que ela conhecia, Gabriela reagiu com surpresa e desconforto. Pedi calma. Esperei. Não forcei. O momento exigia escuta tanto quanto firmeza.
Ela respirou fundo, ainda insegura.
— Até aqui eu consigo — disse. — Mais do que isso… ainda não.
Respeitei o limite. Ajustei o ritmo, procurei outras formas de mantê-la presente e segura. Aos poucos, o corpo dela foi relaxando, aceitando novas sensações, não por imposição, mas porque decidiu permitir.
O que se seguiu não foi violência, mas negociação silenciosa entre desejo e confiança. Gabriela começou a se mover novamente, agora com menos tensão, mais entrega. Os gemidos voltaram, diferentes — não de susto, mas de aceitação.
Quando a intensidade aumentou, ela não recuou. Ao contrário, buscou mais, como se quisesse provar a si mesma que podia atravessar aquela experiência inteira sem se perder.
O momento final veio carregado de exaustão e alívio. Gabriela caiu sobre a cama, ofegante, os olhos fechados, como alguém que atravessara um território desconhecido e retornara transformada.
Ali, ficou claro:
ela não estava mais reagindo a uma traição,
nem tentando provar algo a alguém.
Estava, pela primeira vez, decidindo por si.
E essa decisão — mais do que qualquer excesso —
era o que tornava aquela noite impossível de apagar.
Gabriela já não escondia nada. Estava completamente desinibida, entregue à intensidade do momento, pedindo mais sem constrangimento. As palavras que trocávamos eram cruas, diretas, e para ela isso já não soava como ofensa, mas como estímulo. Cada som, cada movimento, parecia confirmar que não havia mais retorno ao estado anterior.
Ela se movia com urgência, o corpo respondendo de forma quase automática. Os gemidos ecoavam pelo ambiente, misturados ao som dos corpos em contato, ao calor, ao suor. Tudo estava saturado daquela energia densa, quase sufocante, que antecede o limite.
Em determinado momento, a intensidade foi demais para ser contida. Houve um breve pedido, um instante de hesitação — tarde demais. Os dois foram tomados pelo mesmo impulso, quase simultâneo. O clímax veio forte, inesperado, atravessando-a de surpresa.
Gabriela reagiu com uma mistura de choque e riso nervoso, xingando sem raiva, mais espantada consigo mesma do que com o que havia acontecido.
— Eu… não esperava isso — murmurou, ainda tentando recuperar o fôlego.
Não havia arrependimento imediato. Havia confusão, calor residual e uma estranha sensação de vitória misturada a cansaço.
Depois, tomamos um banho. A água serviu como intervalo, não como ruptura. Quando voltamos a conversar, Gabriela quis falar — precisava entender.
Perguntou se era normal o que sentira, se era comum perder o controle daquela forma, se o corpo podia responder assim depois de tantos anos de repressão. Confessou, com certo espanto, que nunca havia experimentado algo semelhante antes — nem em intensidade, nem em repetição.
Perguntou, quase com cuidado, se aquilo poderia acontecer de novo.
Não como proposta imediata, mas como pergunta existencial.
Ali ficou claro que aquela noite não fora apenas excesso ou vingança.
Tinha sido um despertar tardio.
E Gabriela, agora, precisava lidar não com o que aconteceu,
mas com o que havia descoberto sobre si mesma.
Lhe disse:
Como me pertencia, era obvio que lhe alimentaria sexualmente...
***
CONTINUA....

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Nome do conto:
. 16.3 DANTE ASSUMI GABRIELA (3485.21)

Codigo do conto:
251735

Categoria:
Heterosexual

Data da Publicação:
11/01/2026

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