Amanda se levanta, Dante já havia saído de casa, Amanda desce e vai a copa lançar. Izabel (a governanta) estava arrumando o cômodo e Amanda lhe chama pedindo que se sentasse ao seu lado e a ajudasse. Diz que ama o Dante mais do que outro homem que pode conhecer, que nunca havia pensado que tivesse a capacidade de ter tamanha sentimento, porém não sabia como entender seu comportamento em relação as mulheres. - Pelo que vejo, você vê tudo isso um pouco diferente de como deve. - Como preciso vê-lo? - Não com os olhos... - Seja mais clara, por favor. - Tentarei lhe explicar... está usando uma aliança, como se vê? - Casada. - Agora olhe para o espelho, como se vê? - Ué, casada. - Claro que não, no espelho você esta noiva. Assim para entender o Dante precisa fechar os olhos e o sentir. Dante é um homem que em relação as mulheres, as ajuda, as satisfaz, as domina e as possui. Como consegue fazer tudo isso? As trata como nenhum outro homem as tratam, as ajuda como ninguém poderia ajudar, as satisfaz como nunca foram satisfeitas, isso faz com que o aceitam e o sintam como dono. Você o conheceu desta forma, então está entendendo perfeitamente o que digo. Porém o que a fez diferente de todas as inúmeras outras mulheres? - Por me amar! - Não é só isso. - Como assim? - Você reagiu a ele como nenhuma outra mulher reagiu, o fez sentir humano da forma com que as outras não fizeram, o ajudou a amar o que as outras foram incapazes de fazer, o satisfaz como é impossível as outras fazerem, isso a fez ser aceita por ele de uma forma bem diferente de como ele aceita as outras, com tudo isso, como ele a vê Amanda? - Como sua.... - Sua o que? - Sua Dona...??? Amanda permanece em silêncio por alguns segundos depois da última frase de Izabel. Não há choque, nem negação — apenas um entendimento que chega devagar, como algo que sempre esteve ali e agora ganha nome. — Então… — Amanda diz, com a voz baixa — eu não o tirei do mundo dele. Izabel sorri de leve, com uma serenidade quase maternal. — Não. Você foi o primeiro mundo onde ele pôde pousar sem precisar dominar. As outras mulheres entram na vida de Dante para serem conduzidas. Você entrou… e ele ficou. Amanda apoia as mãos sobre a mesa, pensativa. — Às vezes sinto que ele ainda está aprendendo a estar comigo. Como se tivesse medo de errar. — Porque com você ele pode errar — responde Izabel. — E isso é novo. Antes, errar significava perder controle. Com você, errar significa apenas ser humano. Amanda respira fundo. Algo dentro dela se aquieta. — E esse papel que você disse… — ela hesita — “dona” … Izabel inclina levemente a cabeça. — Não no sentido de posse vulgar. Dona no sentido antigo: aquela que governa sem precisar mandar, que é respeitada sem impor, que é referência. Você não pertence a ele. Ele é que passa a pertencer ao espaço que você cria. Amanda sorri, com os olhos marejados. — Nunca quis ser maior do que ele. — E justamente por isso é — responde Izabel. — Porque poder reconhecer poder. E amor reconhece abrigo. Izabel se levanta, voltando às suas tarefas, como quem encerra uma conversa importante sem precisar prolongá-la. Amanda fica sozinha na copa, tocando distraidamente a aliança no dedo. Pela primeira vez, entende que não está competindo com o passado de Dante — está inaugurando algo que não existia antes. E, em silêncio, sente algo raro e profundo: não a segurança de quem controla, mas a tranquilidade de quem é escolhida todos os dias, mesmo quando o outro ainda está aprendendo como amar. Izabel retorna a copa. - Agora você está começando a entender o nosso Dante Alighieri. E o mais difícil disso, é que talvez nem ele saiba disso. - E como eu posso ver e lidar com isso? - Como assim? - Eu casada com um homem que possui inúmeras mulheres, as comendo beijando e sustentando. - Da seguinte maneira (uma sugestão), apesar de ele possuir o mundo, é a você que ele se entrega plenamente. Veja como um dos maiores elogios que uma mulher poderia possuir. - Você é muito, muito inteligente Izabel, como conheceu o Dante, ou lhe pertenceu também? - Não, quando tinha 16 anos, entrou para Universidade e foi morar sozinho, sua mãe me enviou como doméstica para cuidar da comida e da casa. E estou até hoje. - Você deve ter conhecido muitas mulheres nesta casa, não é Izabel. Amanda nesta casa ele só trouce voce. Acho que no fundo sentia que voce permaneceria aqui. Nunca nenhuma mulher entrou em seu quarto. Amanda leva a mão ao peito, surpresa. O que Izabel acaba de dizer desmonta silenciosamente tudo o que ela imaginava. — Só eu? — pergunta, quase num sussurro. Izabel confirma com a cabeça, sem solenidade, como quem afirma algo simples e verdadeiro. — Nesta casa, sim. Muitas mulheres passaram pela vida do senhor Dante… mas esta casa sempre esteve fechada para elas. Ele jamais as trouxe para cá. Nem ao quarto. Nunca. Amanda sente os olhos marejarem. Não é vaidade o que sente, é pertencimento legítimo. — Então… — ela hesita — no fundo, ele já sabia? Izabel sorri com doçura. — Homens como Dante não sabem com a cabeça. Sabem com os gestos. Ele protegeu este lugar antes mesmo de saber por quê. Porque aqui não cabia jogo, nem poder, nem domínio. Só permanência. Amanda abaixa o olhar, emocionada. — Eu sempre senti que este lugar era… diferente. — Porque foi preparado para você — diz Izabel. — Talvez nem conscientemente. Mas o coração dele reconheceu antes da razão. Izabel se levanta e, antes de sair, completa: — Algumas mulheres passam pela vida de um homem. Outras entram. Mas há aquelas raras… — ela faz uma breve pausa — que ficam antes mesmo de chegar. Amanda fica sozinha na copa. O silêncio agora é leve. Ela compreende, enfim, que não ocupa um espaço disputado — ocupa um espaço guardado. E, naquele instante, não há dúvida alguma: ela não é apenas amada. Ela é a casa. - Pensarei em tudo o que conversamos, porém algumas regras precisam ser definidas. - Boa sorte Amanda, só tome cuidado para não se arrepender do que fizer. - Obrigado Izabel. *** CONTINUA...
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