Dante volta ao Brasil ainda pela manhã. O trajeto até sua casa acontece em silêncio, quase automático, como se o corpo soubesse o caminho enquanto a mente permanecia em outro lugar. Ao chegar, deixa os sapatos de lado, troca a roupa sem pressa e se permite um descanso que não é exatamente sono, mas uma pausa. Deita-se por algumas horas, os olhos fechados, revendo fragmentos dispersos — não rostos, nem cenas, mas sensações: reações contidas, olhares desviados, o efeito de sua ausência mais do que de sua presença. O descanso serve menos para o corpo e mais para reorganizar o pensamento. Ao acordar, sente-se centrado novamente, como quem retorna ao próprio eixo, pronto para retomar o papel que escolheu ocupar: o de quem observa, intervém e segue adiante sem se perder completamente no que provoca. Dante subitamente se levantou. O gesto não foi impulsivo, mas definitivo. Terminou de se arrumar com a precisão de quem não está se preparando para um encontro, e sim para um posicionamento. Não revisou mensagens, não ponderou alternativas. Apenas saiu. Foi ao shopping. Caminhou pelos corredores sem desvio, como se o trajeto já estivesse traçado havia muito tempo. Ao entrar na loja de Amanda, o ambiente lhe pareceu estranhamente adequado: luz medida, objetos organizados, valor exposto sem ostentação. Tudo ali falava de escolha, não de excesso. Amanda o viu antes que ele dissesse qualquer coisa. Não sorriu de imediato. Não perguntou o motivo da visita. Apenas sustentou o olhar, como quem reconhece a gravidade de um instante antes de nomeá-lo. Dante aproximou-se do balcão. Não tocou em nada. — Eu voltei — disse. A frase não pedia acolhimento, nem explicação. Era uma afirmação de presença. O que vinha depois não precisava ser apressado. Amanda assentiu, lentamente. — Eu percebi — respondeu. Não houve abraço. Não houve promessa. Apenas o silêncio denso de quem entende que algumas decisões não se celebram — se assumem. Dante sabia: entrar naquela loja não era um gesto romântico. Era um corte. Ao atravessar aquela porta, ele deixara para trás o sistema inteiro. O que restava agora exigia algo que nunca fora seu território preferido: continuidade sem álibi. Amanda, por sua vez, não ofereceu facilidades. Não pediu garantias. Não se adiantou. Ficou ali, presente, como sempre fora. E foi isso que selou tudo. Porque, naquele instante, Dante não escolheu ser desejado. Escolheu ficar. E essa, para ele, era a decisão mais radical de todas. — Ficarei lhe esperando — disse Dante, indicando discretamente uma das poltronas próximas à vitrine. Amanda inclinou levemente a cabeça. — Posso demorar… — Não me importo. A resposta veio simples, sem ênfase. Não havia concessão ali, apenas disponibilidade — algo raro nele. Amanda considerou a frase por um instante e então sorriu, um sorriso breve, quase escondido, mais percebido do que exibido. Não era triunfo. Era reconhecimento. Enquanto ela retomava o atendimento, Dante sentou-se. Não pegou o telefone, não observou o movimento do shopping. Permaneceu ali, imóvel, como se o tempo tivesse sido reorganizado ao redor daquela espera. As funcionárias notaram. Uma trocou olhares com a outra. Houve sorrisos discretos, cúmplices, não de curiosidade, mas de compreensão silenciosa. Não era comum vê-lo ali daquele jeito — não como cliente apressado, nem como presença passageira, mas como alguém que espera sem exigir. Amanda sentia os olhares, mas não se alterou. Continuou trabalhando com a mesma precisão de sempre, apenas com um leve brilho a mais no olhar quando, vez ou outra, cruzava o dele. A espera não era constrangimento. Era declaração. E, pela primeira vez, Dante não precisava dizer mais nada para ser entendido. Às vinte horas em ponto, Amanda surgiu pronta para sair. O movimento da loja cessava aos poucos, as luzes se ajustavam para o fechamento. Ela caminhou até Dante com naturalidade, como se aquele gesto já tivesse sido ensaiado em silêncio. Ele se levantou e lhe estendeu o braço. Amanda aceitou. Saíram lado a lado, falando pouco. Não havia necessidade de preencher o espaço entre eles. O silêncio era confortável, quase cúmplice. Entraram no elevador. As portas se fecharam com um som seco. O breve trajeto pareceu suspender o tempo. Nenhum dos dois desviou o olhar. Já no carro, Amanda quebrou o silêncio: — Para onde você vai me levar? Dante respondeu sem hesitar: — Para minha casa. Ela virou o rosto lentamente, avaliando a frase com cuidado. — Não — disse, com firmeza tranquila. — Você some por um mês e acha que pode simplesmente me levar assim para a sua casa? Ele não reagiu defensivamente. Apenas perguntou: — Para onde posso levá-la, então? Amanda sustentou o olhar por um instante antes de responder: — Para a minha casa. A resposta não era recusa. Era condição. Dante assentiu. Ligou o carro e ajustou o percurso sem discutir. Não havia frustração em seu gesto — havia compreensão. Pela primeira vez, ele não conduzia o caminho. Aceitava-o. Amanda recostou-se no banco, respirando fundo. Não sorria, mas havia algo de resolvido em sua postura. O carro seguiu em silêncio. E, naquele trajeto breve, ambos sabiam: não era sobre destino, mas sobre quem escolhe o primeiro passo. E, dessa vez, Dante soube acompanhar. Ao chegarem, Amanda permaneceu alguns segundos sentada no carro antes de desligar o cinto. Olhou para Dante com atenção renovada, como quem observa alguém pela primeira vez depois de muito tempo. — Você está estranho — disse, sem acusação. — Diferente. Tem alguma coisa para me dizer? Dante respirou fundo. Não respondeu de imediato. — Tenho. Ela aguardou um instante. — Então por que não diz? Ele desviou o olhar por um breve segundo, algo raro. — É difícil… Amanda não se aproximou, não tocou nele. Apenas falou, com calma: — Então não diga. O silêncio que se seguiu não foi vazio. Foi denso. Dante sentiu ali a possibilidade real de recuar — e, pela primeira vez, percebeu que não queria fazê-lo. — Mas eu preciso dizer — afirmou, enfim. Amanda assentiu lentamente. Seu tom foi firme, mas sem pressão: — Então diga. Estou pronta para ouvir. Dante voltou a encará-la. Não havia mais como organizar aquilo como discurso ensaiado, nem como posição estratégica. O que viesse teria de ser simples — e verdadeiro. Naquele instante, ele compreendeu: não se tratava de convencer Amanda, mas de se apresentar sem função. E isso, mais do que qualquer decisão anterior, era o passo que ele vinha adiando há anos. O que ele diria em seguida não mudaria apenas a relação. Mudaria quem ele passaria a ser dali em diante. — Vamos subir — disse Dante, com voz baixa. — Com calma, eu te explico tudo. Amanda abriu a porta do carro sem responder. Saiu devagar, fechando-a com cuidado excessivo, como quem precisa de um gesto mínimo para ganhar tempo. Quando se virou, o olhar que lançou a ele não era de surpresa, nem de expectativa. Era triste — a tristeza de quem já compreende antes de ouvir. Ela sabia. Não os detalhes, não a forma, mas o peso. Sabia que o que viria não seria simples, nem confortável. Sabia que explicações difíceis raramente servem para aliviar — servem para definir. Caminharam até a entrada do prédio em silêncio. O elevador demorou alguns segundos a chegar. Amanda manteve os braços junto ao corpo, o olhar fixo no painel, como se já estivesse organizando dentro de si o que precisaria suportar. Dante percebeu. Pela primeira vez, não tentou antecipar, nem suavizar, nem controlar o impacto. Apenas permaneceu ao lado. Quando as portas se fecharam, o espaço pareceu menor. Nenhum dos dois falou. Amanda respirou fundo, lentamente, como quem se prepara não para ouvir uma verdade nova, mas para confirmar uma que já vinha sendo pressentida. Ela não temia o que Dante diria. Temia o que isso exigiria dela depois. E Dante, ao vê-la assim, compreendeu algo decisivo: não bastaria explicar. Seria preciso assumir as consequências do que dissesse. O elevador subiu. E, com ele, a última chance de transformar palavras em fuga. Ao chegarem ao apartamento, Dante não disse nada de imediato. Indicou o sofá com um gesto calmo. — Deite-se um pouco — pediu. Amanda obedeceu sem resistência, mais curiosa do que apreensiva. Havia nela uma tristeza quieta, mas também uma estranha sensação de encerramento. Dante aproximou-se com cuidado, levantou discretamente a barra da saia apenas o suficiente para alcançar a virilha e retirou do bolso um pequeno frasco e um pedaço de algodão. — O que é isso? — ela perguntou, sem alarme. — Algo que deveria ter sido feito antes — respondeu. Molhou o algodão no líquido e, com movimentos lentos e precisos, começou a passá-lo sobre a marca quase imperceptível na pele de Amanda. Não havia pressa, nem solenidade excessiva. O gesto era técnico, mas carregado de significado. Aos poucos, a tatuagem foi cedendo, dissolvendo-se como se nunca tivesse pertencido àquele corpo. Amanda observava em silêncio, sentindo mais alívio do que surpresa. Não doía. Não ardia. Apenas desaparecia. Quando terminou, Dante afastou o algodão e recuou um passo. — Pronto — disse. — Não havia razão para isso permanecer. Amanda ajustou a saia e sentou-se devagar. Passou a mão no local, confirmando a ausência da marca. Respirou fundo. Ali não havia espetáculo, nem pedido de perdão. Havia um ato claro: retirar o que não deveria ter sido imposto, devolver o que fora tomado sem negociação explícita. — Isso é o que você precisava me dizer? — ela perguntou, com a voz baixa. Dante sustentou o olhar. — É parte do que eu precisava fazer. Amanda assentiu lentamente. Pela primeira vez desde que ele retornara, o peso em seus ombros pareceu diminuir. Não era reconciliação, nem promessa. Era limite restabelecido. E, naquele silêncio, ambos entenderam: algumas verdades não se explicam. Se corrigem. O que viesse depois ainda estava em aberto. Mas algo essencial, ali, havia sido encerrado. — Não sou mais sua? — perguntou Amanda, ainda sentindo a ausência da marca como quem confirma uma mudança real. Dante respondeu sem hesitar: — Posse, não. Ela respirou fundo, sustentando o olhar. — Então o que sou sua? Houve um silêncio breve. Não calculado — verdadeiro. — Minha vida. Amanda estremeceu. As pupilas se dilataram, como se a frase tivesse atravessado defesas antigas. Levantou-se devagar, aproximou-se um passo. — Você está me pedindo em casamento? Dante inclinou levemente a cabeça, quase sorrindo. — Preciso me ajoelhar? A resposta desarmou qualquer contenção que restava. Amanda começou a chorar, não de surpresa, mas de reconhecimento. Avançou e o abraçou com força, como quem finalmente encontra chão depois de muito tempo em suspensão. Ele a envolveu sem pressa. Ali não havia rito ensaiado, nem promessa inflada. Havia escolha assumida. E, pela primeira vez, Dante não organizava um vínculo. Ele habitava um. O abraço durou mais do que palavras poderiam sustentar. E isso bastou. Quando Amanda finalmente se acalmou, ainda com os olhos marejados, Dante levou a mão ao bolso do paletó. O gesto não foi teatral — foi preciso. — Ajoelhar… — disse ele, em voz baixa — talvez não seja mais necessário. Mas oficializar isso… isso eu faço questão. Retirou uma pequena caixa de joias e a abriu com cuidado, como se o tempo precisasse desacelerar para aquele instante existir plenamente. Amanda olhou. E ficou em silêncio. Não foi o brilho que a desarmou, mas o sentido. Aquela não era uma peça escolhida para impressionar. Era uma escolha feita para permanecer. Algo pensado, definitivo, sem excessos — exatamente como ele aprendera a ser. Ela levou a mão à boca, respirou fundo, tentando conter a emoção que voltava com força renovada. — Dante… — começou, mas não conseguiu terminar. Ele não disse nada. Apenas sustentou o olhar, oferecendo não uma promessa futura, mas uma presença já assumida. Amanda fechou a caixa com cuidado e a apertou contra o peito por um instante, como quem protege algo que já reconhece como parte da própria história. — Sim — disse, enfim. — Sim. Não houve aplausos, nem urgência. Apenas o peso exato de uma decisão compartilhada. Ali, o gesto não selava apenas um compromisso entre dois. Selava o fim de um sistema inteiro e o início de uma vida que não precisava mais ser organizada — apenas vivida. Quando ambos já estavam mais calmos, Amanda respirou fundo antes de falar. A emoção cedia espaço à lucidez — e ela precisava dela inteira. — Há uma coisa que eu preciso saber claramente de você — disse, sem dureza. — Para mim, é indispensável a sua postura. E as suas outras posses? Dante não se apressou. A resposta não pedia efeito; pedia posição. — Não existem mais — disse, por fim. — O sistema acabou. Amanda manteve o olhar fixo, esperando o complemento. — As outras foram encerradas — continuou ele. — Sem ambiguidades, sem portas entreabertas. Não por desprezo, mas por coerência. Manter qualquer resíduo seria manter o que eu decidi deixar para trás. Ela assentiu lentamente. — E a Izi? Dante sustentou o silêncio por um instante maior. A diferença importava. — Com a Izi, haverá cuidado — respondeu. — Verdade, limite e tempo. Não retomada. Não promessa. Encerramento responsável. O que houve ali não se apaga com corte brusco, mas não se perpetua com presença falsa. Amanda ouviu sem interromper. — Eu não quero uma vida construída sobre sombras — disse ela. — Nem eu — respondeu Dante. — Escolher você exige que o resto não exista mais. E eu escolhi. Houve um silêncio firme entre os dois. Não tenso — confirmatório. Amanda aproximou-se e tocou-lhe o rosto com delicadeza. — Era isso que eu precisava ouvir. Dante compreendeu, então, que aquela pergunta não era sobre o passado. Era sobre o futuro que começava ali. E, pela primeira vez, ele não respondeu para organizar o vínculo. Respondeu para honrá-lo. Dante respirou fundo, como quem retorna ao corpo depois de uma decisão grande demais para caber em palavras. — Posso lhe fazer um pedido? — perguntou. Amanda sorriu, relaxada. — Claro. — Faça um sanduíche para mim — disse ele, quase tímido. — Estou esfomeado. Amanda riu baixo, aquele riso que não zomba, acolhe. Levantou-se e foi em direção à cozinha sem responder, como se o gesto dissesse tudo. Enquanto separava os ingredientes, Dante ficou ali, observando. Não havia hierarquia, nem comando, nem rito. Havia vida em andamento. Fome comum. Pedido simples. Resposta espontânea. O cheiro do pão aquecendo preencheu o apartamento. E, naquele instante banal e perfeito, Dante entendeu: o que começava ali não precisava ser intenso o tempo todo. Precisava ser habitável. Amanda voltou com o sanduíche nas mãos e o colocou diante dele. — Come — disse. Ele sorriu. E comeu, como quem finalmente chegara em casa. Foram tomar banho em silêncio, como quem preserva algo delicado. Não havia urgência, nem expectativa a cumprir. Apenas o cuidado mútuo de quem já atravessara o essencial. Depois, seguiram direto para a cama. Dante deitou-se primeiro. Amanda acomodou-se ao seu lado. Ele levou a mão ao rosto dela, acariciando-lhe a pele com uma lentidão quase reverente, como se cada gesto precisasse confirmar o que havia sido escolhido. — Deite no meu ombro — disse, em voz baixa. — Hoje, eu só quero sentir a sua presença. Para este momento, só isso me basta. Amanda obedeceu sem dizer nada. Ajustou-se ali, encaixando-se com naturalidade, como se aquele lugar sempre tivesse existido. A respiração dos dois encontrou um ritmo comum. Não havia promessa a repetir. Não havia passado a revisar. Havia apenas estar. E, naquela quietude rara, Dante compreendeu que a verdadeira intimidade não exige prova alguma — apenas permanência sem pedido. Eles adormeceram assim, inteiros, sem necessidade de mais nada. * Dante adormeceu com a tranquilidade de quem sabe exatamente o lugar que ocupa no mundo. Amanda, ao contrário, permaneceu desperta, olhando o teto, atravessada por pensamentos que não a deixavam descansar. Perguntava-se se estava vivendo um sonho cuidadosamente construído, quase um conto moderno de princesa — não pela promessa de luxo, mas pela sensação inédita de ser escolhida com intenção. Pensava naquele homem que reunia tudo o que sempre lhe disseram ser desejável: presença segura, sucesso, inteligência, cuidado nos gestos, atenção nos detalhes. Mas o que mais a inquietava não era isso. O que a mantinha acordada era a dúvida silenciosa: aquele pedido implícito de futuro era real ou apenas mais uma forma elegante de encantamento? Seria amor ou uma narrativa perfeita demais para não esconder riscos? Entre o conforto do abraço adormecido ao seu lado e o peso das próprias ambições, Amanda percebeu que não era mais a mulher que esperava ser conduzida. Pela primeira vez, questionava não se era suficiente para alguém — mas se aquele alguém caberia, de fato, na vida que desejava construir. E esse pensamento, ao mesmo tempo doce e assustador, a acompanhou até o amanhecer. Dante acorda e, por um instante, estranha o vazio ao seu lado. Senta-se na cama, ainda envolto naquele torpor leve do despertar, quando a vê saindo do banheiro. Amanda caminha com naturalidade, o cabelo ainda úmido, o rosto limpo, sereno. Ao perceber que ele está acordado, aproxima-se sem hesitação, inclinando-se levemente para falar, como se aquele gesto já fosse parte de uma rotina silenciosamente construída. — Já tomei meu banho. Nosso café está pronto. Não havia ansiedade na voz dela, nem expectativa exagerada. Apenas presença. Dante a observa por alguns segundos a mais do que o necessário, percebendo algo que não estava ali antes: não era submissão, nem encantamento cego. Era conforto. Um tipo raro de intimidade onde ninguém precisava provar nada. Ao se levantar, Dante compreende que aquele simples convite — café pronto, manhã organizada, gesto tranquilo — dizia mais do que qualquer promessa feita na noite anterior. Era ali, nesses detalhes cotidianos, que algo novo começava a se desenhar. Sentados à mesa, o café ainda soltando vapor, Amanda quebra o silêncio com uma calma que escondia curiosidade e algo mais profundo. — Como você vai desligar suas posses? — pergunta. — Vai fazer como fez comigo, retirando a tatuagem? Dante ergue os olhos devagar, sem pressa, como quem escolhe as palavras não pelo efeito, mas pelo peso que carregam. — Não. — responde. — Enviei apenas um aviso. Disse que estavam livres de mim. Com total liberdade. Amanda o observa atentamente. — E a ajuda? — Permanecerá por seis meses. Apenas isso. Tempo suficiente para que se reorganizem sem depender de mim. Ela fica em silêncio por alguns instantes, assimilando. Não havia arrogância na resposta dele, tampouco desapego frio. Havia limite. E isso, para Amanda, foi revelador. Naquele momento, entendeu que o verdadeiro controle de Dante nunca esteve na posse, mas na capacidade de sair sem destruir, de sustentar a ausência com a mesma firmeza com que sustentava a presença. Amanda mexe lentamente na xícara antes de falar, como se organizasse o pensamento junto com o gesto. — Quanto a mim… — diz, em tom firme — tenho algumas amigas que nada sabem de nós. E há algum tempo existe um rapaz que se aproximava com pretensões. Nunca houve nada, mas por ele ser irmão de uma das minhas amigas, sempre tive cautela. Ela ergue os olhos para Dante, sem buscar aprovação, apenas deixando claro o que decidiu. — Vou resolver isso definitivamente. Não havia insegurança na fala, tampouco necessidade de explicação excessiva. Era uma escolha madura, consciente. Dante percebe ali algo que raramente encontrava: uma mulher que não reagia ao que sentia, mas decidia a partir do que compreendia. O silêncio que se seguiu não foi desconfortável. Foi um acordo tácito. Amanda não estava se afastando nem se prendendo — estava organizando sua própria vida para que qualquer passo adiante fosse dado sem ruídos, sem pendências, sem fantasmas. E isso, mais do que qualquer declaração, mostrou a Dante que ela já não era apenas alguém que ele havia encontrado pelo caminho, mas alguém que caminhava ao lado. Ficaram em silêncio por alguns segundos. Dante a observou de um jeito diferente — não havia domínio, nem cálculo, apenas uma atenção inteira, rara. Levantou-se, contornou a mesa e, sem dizer palavra, tomou Amanda nos braços. O gesto foi firme, mas cuidadoso, como se já conhecesse o peso exato do que carregava. Levou-a de volta ao quarto, deitou-a na cama com delicadeza. Amanda tentou dizer algo, talvez uma pergunta, talvez uma confirmação. Ele apenas pousou o dedo indicador em seus lábios, pedindo silêncio — não como ordem, mas como convite. Naquele instante, o mundo pareceu reduzir-se ao essencial. Não havia promessas nem urgência. Só a certeza tranquila de que algumas coisas não precisam ser ditas para serem compreendidas. Mesmo sendo dia, o quarto permanecia escurecido. As cortinas filtravam a luz, deixando apenas um brilho difuso que tornava tudo mais lento, quase suspenso no tempo. O silêncio ali dentro tinha peso, mas não incomodava — envolvia. Amanda sentiu o contraste entre a claridade do mundo lá fora e aquela penumbra escolhida. Era como se Dante tivesse criado um espaço onde o tempo não pressionava, onde nada precisava ser decidido naquele instante. A escuridão não escondia; acolhia. Deitada, ela percebeu que não estava sendo conduzida por impulso algum, mas por uma intimidade construída em gestos mínimos. Naquele quarto escuro, em plena manhã, entendeu que havia encontros que não pertenciam ao dia nem à noite — pertenciam apenas ao momento em que duas consciências se reconheciam sem palavras. Dante a acariciava de um modo que Amanda jamais havia experimentado — não pela intensidade, mas pela atenção. Cada gesto parecia pensado para que ela se percebesse, para que sentisse o próprio corpo sem pressa, sem expectativa de chegar a algum lugar. Não havia urgência nem tomada; havia permanência. Ela percebeu que não era tocada como quem deseja possuir, mas como quem deseja compreender. As mãos dele não buscavam resposta imediata, apenas acompanhavam suas reações, respeitando seus silêncios e suas entregas. Aquilo a desarmou por completo. Amanda fechou os olhos não para se afastar, mas para sentir melhor. Pela primeira vez, entendeu que ser acariciada podia ser também uma forma de escuta — profunda, cuidadosa, transformadora. Dante retirou suavemente cada peça de sua roupa, sem pressa, como se aquele gesto fosse parte de um cuidado maior. Suas mãos percorriam o corpo de Amanda com leveza e intenção, despertando sensações que não vinham apenas do toque, mas do modo como ela se sentia percebida. Amanda fechou os olhos. O tempo pareceu se diluir. Não havia pensamento, apenas a consciência intensa de si mesma, do próprio corpo respondendo, da confiança absoluta naquele instante. Não era arrebatamento bruto, era um êxtase silencioso, profundo, quase contemplativo — como se, pela primeira vez, estivesse completamente presente em si. O toque de Dante percorreu Amanda com uma atenção que a fez perder a noção do próprio corpo como algo separado da mente. Cada contato parecia despertar regiões adormecidas não apenas na pele, mas na consciência. Ela reagia sem perceber, deixando escapar sons baixos, palavras sem forma, como se a linguagem já não fosse suficiente para traduzir o que sentia. Era um misto de entrega e surpresa — não pelo gesto em si, mas pela intensidade silenciosa com que era conduzida. Amanda sentia-se tomada por uma onda contínua de sensações, sem começo nem fim definidos, um estado em que o pensamento se dissolvia e só restava a percepção plena de estar ali, viva, vulnerável e segura ao mesmo tempo. Naquele instante, ela não buscava compreender. Apenas sentia. Dante apalpava e acariciava seus pés, tocava em suas panturrilhas, palpava e comprimia suas cochas, chegando a virilha, Amanda gemia e sussurrava palavras incompreensíveis. Subitamente entrou numa contração intensa explodindo numa crise orgástica que jamais havia sentido. Ao relaçar um pouco, mantando seus espasmos aleatoriamente, Dante afasta suas pernas e olha para sua vulva inundada de secreções cristalinas. Dante sobe por seu corpo quase que imóvel, e lhe beija os lábios a penetrando simultaneamente. Amanda tem uma nova crise orgástica, contudo Dante a continua beijando e inicia movimentos a penetrando totalmente assim como se retirando do seu interior. Amanda não consegue interromper seus orgasmos, ficando quase a atômica. Dante para se mantendo sobre ela, porém sem fazer qualquer preção sobre seu corpo. Amanda não se movimentava, apenas respirava e olhava para Dante. Dante sai de seu interior e inicia acariciando seus seios, Amanda imediatamente se arrepia, começa a beijá-los e num momento da uma mordiscada, Amanda abre os lábios e parece desfalecer. Dante sai de dentro dela e a fica observando sentado ao seu lado. Estava aquela mulher loira, linda deitada, totalmente despida num estado de êxtase pleno. Amanda muito linda, loira de cabelos cor de ouro, lisos e longos, que emolduram seu rosto perfeito, lábios finos em uma boca convidativa; seios de porte médio, cuja firmeza me atraía a atenção; coxas e braços torneados, harmonizavam-se com suas nádegas roliças e cintura de anjo; enfim, Amanda é uma mulher muito atraente. Ao se recompor, Amanda o olha com uma vulnerabilidade que não tenta esconder e pergunta, quase temendo a resposta: — Não consegui lhe dar prazer, não foi? Dante a encara por um instante que parece longo demais para ser apenas silêncio. Sua voz vem baixa, firme, sem ensaio: — Amanda, meu amor… você é o meu prazer. Ela demora a reagir, como se precisasse confirmar o peso daquelas palavras. — Você me chamou de meu amor? A pergunta sai frágil, quase infantil. E então as lágrimas surgem, inesperadas, incontidas. Não são de dor, nem de medo — são de reconhecimento. Amanda chora porque, naquele instante, entende que algo mudou de lugar dentro dela. Não foi um gesto, nem uma noite. Foi ser nomeada, finalmente, sem condição. Amanda respira fundo antes de falar, como se aquelas palavras estivessem presas há muito tempo, esperando coragem para existir. — Desde que lhe conheci, estive me preparando para lhe dizer que o odeio… — faz uma pausa, a voz embargando — contudo, hoje só consigo dizer que lhe amo. Amo muito. Muito mais do que imaginei que seria capaz de amar alguém. Não há drama na declaração, apenas verdade. É um amor que nasce do conflito, da resistência quebrada, do reconhecimento tardio. Amanda não fala como quem se entrega cegamente, mas como quem aceita, finalmente, aquilo que sente. O silêncio que se segue não é vazio. É denso, carregado de tudo o que não precisa mais ser escondido. A noite cai lentamente, envolvendo a casa em um silêncio novo. Dante observa Amanda por alguns instantes antes de falar, como se medisse o peso do que estava prestes a dizer. Sua voz vem serena, sem solenidade, mas carregada de decisão. — Arrume tudo o que seja importante para você — diz, com naturalidade. — A partir de hoje, terá um novo endereço. Amanda não responde de imediato. Não há susto nem euforia. Apenas uma quietude profunda, aquela que antecede as grandes mudanças. Ela entende que não se trata apenas de um lugar físico, mas de um deslocamento maior — de vida, de escolhas, de identidade. Ao se levantar, sente algo raro: não está sendo arrancada de nada, nem fugindo de lugar algum. Está indo porque quer. E, enquanto começa a separar o que levar, percebe que o mais importante não cabe em caixas — já a acompanha por dentro. Ao chegarem, Amanda reconhece a casa de imediato — o mesmo lugar que já havia visto um dia, mas que agora parecia diferente, quase revelado por outra luz. Dante observa sua reação com atenção discreta e diz, sem impor nada: — Se não gostar, nos mudamos. Ela sorri, genuína, quase surpresa com a própria emoção. — Como não gostar? — responde, olhando em volta. — Aqui há de tudo… o mar tão perto, uma praia quase privada, piscina, academia, uma arquitetura perfeita. Faz uma pausa, como se algo novo tivesse acabado de se mostrar. — E tem uma coisa que eu não havia percebido da outra vez… Antes que complete a frase, um labrador branco se aproxima, calmo, curioso, abanando o rabo com dignidade tranquila. Amanda se abaixa quase por instinto. — Um cachorro… Dante sorri de leve. — O nome dele é Hero — diz, apresentando-o como se fosse parte essencial da casa. Hero encosta o focinho na mão de Amanda, aceita o carinho sem hesitação. Naquele gesto simples, ela entende algo que nenhuma vista ou luxo explicaria: aquela casa não era apenas um cenário impressionante — era um lugar onde havia espaço para afeto, rotina e presença real. E, pela primeira vez, Amanda não pensou em “gostar ou não”. Pensou apenas: é aqui. *** CONTINUA...
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