. 17. PACIENTE LUISA - MAIS UMA QUERENDO SER POSSUIDA POR DANTE...

Nome: Luísa Tomazio
Data e local de nascimento: 20/07/1998 - Porto Alegre / RS
Altura: 1,66
Quadril: 100
Cintura: 65
Busto: 98
Pés: 37
Luísa entrou na sala sem pressa. Observou o ambiente por alguns segundos antes de se sentar. Não demonstrava nervosismo — havia nela algo mais perigoso do que o medo: curiosidade organizada.
Dante aguardou. Não a interrompeu.
Quando finalmente falou, foi direto:
— Em que posso lhe ajudar?
Luísa sustentou o olhar dele por tempo suficiente para deixar claro que não estava ali por acaso.
— Eu e minha filha — começou — já vínhamos reparando há algum tempo.
Fez uma breve pausa, escolhendo as palavras.
— Muitas mulheres. Diferentes idades, contextos distintos. Todas com a mesma tatuagem.
Dante não reagiu.
— Não entendíamos o motivo — continuou ela. — Nem o padrão. Só sabíamos que se repetia.
Descruzou as mãos sobre o colo.
— Até que, numa festa, comentamos isso em voz alta. Uma mulher ouviu.
Luísa inclinou levemente a cabeça, lembrando-se da cena.
— Ela pediu silêncio, pegou o celular e nos mostrou uma foto. Perguntou se era aquela.
Engoliu em seco.
— Confirmamos que sim.
O silêncio entre eles se alongou.
— Então ela nos disse… — Luísa respirou fundo — que aquela tatuagem significava que a mulher tinha um dono.
Dante apoiou-se levemente na cadeira, sem alterar a expressão.
— E o que fez você vir até aqui? — perguntou.
Luísa não hesitou.
— Porque, depois disso, comecei a observar melhor.
Levantou o olhar, firme.
— As mulheres com o sinal não falam sobre ele. Mas se reconhecem. E, quando percebem que alguém sabe, mudam de comportamento.
Fez um gesto quase imperceptível com a mão.
— Não é vergonha. É cautela.
Dante permaneceu em silêncio.
— Vim porque quero entender — concluiu Luísa. — Antes que minha filha entenda sozinha.
A frase ficou suspensa no ar, densa demais para ser ignorada.
Dante inclinou levemente a cabeça.
— Então você não veio pedir ajuda — disse. — Veio confirmar algo.
Luísa assentiu.
— Sim.
Fez uma pausa final.
— Quero saber se aquilo que nos disseram… é verdade.
O olhar de Dante se fixou nela, agora com atenção plena.
Aquela conversa não era sobre posse.
Era sobre consciência.
E ele sabia: quando alguém começa a enxergar o símbolo,
já está, de alguma forma, dentro do jogo.
— Elas são escravas? — perguntou Luísa, sem elevar a voz, mas sem suavizá-la.
Por um instante, Dante manteve o olhar fixo nela. Então algo mudou. Não foi raiva, nem surpresa. Foi tédio. Como se a pergunta tivesse sido feita tarde demais.
Ele recostou-se na cadeira, desviou o olhar para um ponto qualquer da sala e respondeu:
— Por que não perguntam a elas?
Luísa franziu levemente a testa.
— Eu estou perguntando ao senhor.
Dante suspirou, curto, impaciente.
— Escravidão pressupõe ausência de escolha — disse. — Correntes. Violência aberta. Força bruta.
Voltou a encará-la.
— Nada disso é necessário quando as pessoas entregam o controle sozinhas.
O silêncio pesou.
— Elas trabalham. Vivem. Casam. Criam filhos — continuou ele, agora com voz neutra. — Ninguém as impede de ir embora.
Luísa sentiu um arrepio.
— Mas ficam.
— Sim — respondeu Dante. — Ficam.
Inclinou-se levemente para a frente.
— Pergunte a elas por quê.
Um leve sorriso surgiu, sem humor.
— Você vai descobrir que algumas chamam de gratidão. Outras, de acordo. Outras, de amor.
Fez uma pausa mínima.
— Nenhuma usa a palavra “escrava”.
Luísa engoliu em seco.
— E a sua filha? — perguntou ele, de repente. — O que ela acha?
A pergunta foi precisa demais.
— Ela ainda não sabe — respondeu Luísa. — Mas está começando a notar.
Dante assentiu lentamente.
— Então você fez bem em vir.
Levantou-se.
— Há perguntas que, quando surgem, não desaparecem mais.
Luísa permaneceu sentada.
— O senhor não respondeu — disse. — São ou não são?
Dante parou a poucos passos da porta e respondeu sem se virar:
— Quando alguém precisa que eu responda isso…
fez uma breve pausa
— a resposta já deixou de importar.
A porta se fechou atrás dele.
Luísa ficou sozinha na sala, compreendendo, com um desconforto crescente, que a pergunta que fizera não tinha resposta simples — porque o problema nunca fora o nome.
Fora o consentimento.
Luísa saiu atrás de Dante quase sem perceber que se levantara. O impulso foi mais rápido que o pensamento.
— Nós queremos fazer parte desse clube — disse, alcançando-o no corredor.
Dante parou.
Não se virou.
Ficou imóvel por um segundo longo demais para ser confortável. Então falou, com a voz baixa e sem emoção:
— Só o fato de você dizer isso — fez uma pausa mínima — demonstra que não é digna de fazer parte desta família.
Luísa sentiu o rosto queimar. Ainda tentou dizer algo, mas Dante já se afastava. Parou novamente diante de um balcão estreito, apoiou uma folha de papel e anotou algumas coisas com calma meticulosa, como se estivesse preenchendo um formulário banal.
Dobrou o papel uma única vez e estendeu-o para trás, sem olhar para ela.
— Este é o clube em que vocês precisam estar.
Antes que Luísa pudesse reagir, Dante retomou o passo. Não se despediu. Não se virou. Simplesmente desapareceu pelos corredores, engolido pela arquitetura impessoal do lugar.
Luísa ficou ali por alguns segundos, segurando o papel fechado, sentindo um misto de raiva, confusão e algo pior: dúvida.
Quando finalmente abriu o papel, leu:
Você precisa de um psiquiatra.
Sugiro o Dr. Hunsaker.
Nada mais.
Nenhuma assinatura. Nenhuma explicação.
Luísa dobrou o papel lentamente. Pela primeira vez desde que começara a investigar aquele símbolo, não sentiu curiosidade.
Sentiu-se vista.
E percebeu que havia perguntas que não levavam a respostas —
levavam a espelhos.
***
CONTINUA.....

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Nome do conto:
. 17. PACIENTE LUISA - MAIS UMA QUERENDO SER POSSUIDA POR DANTE...

Codigo do conto:
251476

Categoria:
Heterosexual

Data da Publicação:
08/01/2026

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