Era por volta das 21:45hs quando o telefone de Luana toca, era Dante. Luana fica indecisa em atender, porém o atende: - Alo... - Luana precisamos conversar. - Hoje não é o dia. - Não há dia para isso, abra sua porta que estou na sua portaria. - Meu filho está com a namorada aqui em casa. - É esse o motivo que me traz aqui. Preciso falar com você na presença dele. Luana fica transtornada e ao tentar fazer alguma pergunta a ligação é desligada. Sua campainha toca e ela atende. Dante entra, lhe olha nos olhos, porém nada diz. Vai para o centro da sala, onde esta o filho com a namorada, e diz: - É com estes estúpidos e doentes presentes que precisamos ter uma conversa. - O que eles fizeram agora? - Seu filho ficou em Miami por três meses, você achando que estavam se cuidando e estudando. Nada disso, eles fizeram uma compra de 50 armas para serem entregues aqui no Brasil. Esta entrega será esta semana. - Como pode descobrir isso? - Eu e a Polícia Federal seu idiota. Dante manteve-se de pé, no centro da sala, como se o espaço tivesse sido reorganizado ao redor dele. Não elevou a voz. Não precisava. O silêncio que se seguiu à frase foi mais violento que qualquer grito. — Isso é mentira… — disse o rapaz, num reflexo infantil, embora já não fosse um menino. Dante virou lentamente o rosto em sua direção. — Mentira é o que você contou à sua mãe por três meses — respondeu. — Estudo, estágio, amadurecimento. O que fizeram foi turismo criminoso, financiado por ignorância e arrogância. A namorada levou a mão à boca, pálida. Luana sentou-se no sofá como se as pernas tivessem desistido de sustentá-la. — Meu Deus… — murmurou ela. — O que vai acontecer agora? Dante respirou fundo antes de responder. Aquilo não era uma negociação. Era um limite. — O que vai acontecer depende do que eu fizer nos próximos dez minutos — disse. — E do que vocês fizerem nos próximos dez anos. O rapaz deu um passo à frente. — Você não pode simplesmente… — Posso — interrompeu Dante. — E já estou fazendo. A carga está monitorada. Os nomes envolvidos, mapeados. Se eu me retirar agora, vocês não chegam ao Natal fora de um presídio federal. Luana levantou os olhos, desesperada. — Então por que está aqui? Dante finalmente olhou para ela de verdade. Não como quem acusa, mas como quem reconhece uma falha compartilhada. — Porque você passou a vida protegendo demais quando deveria ter educado com limites. — E porque, apesar disso, ainda é mãe. Ele voltou-se para o casal. — Vocês dois vão sair agora. — Vão pegar o primeiro voo disponível e sair do Brasil. — Não tocam em ninguém, não fazem contato, não tentam “resolver” nada. — E a entrega? — perguntou a namorada, quase em prantos. — Não haverá entrega — disse Dante. — Haverá apreensão silenciosa. — Vocês desaparecerão do mapa dessa gente antes que percebam. O rapaz engoliu seco. — E depois? Dante se aproximou até ficar a poucos centímetros dele. — Depois você vai passar o resto da vida sabendo que teve uma chance única. — Não de escapar da lei, mas de escapar de si mesmo. Ele se afastou e pegou o telefone. — Vocês têm cinco minutos para se despedir. O carro já está lá embaixo. Quando a porta se fechou atrás do casal, Luana começou a chorar — não de histeria, mas de exaustão. — Você me odeia por isso? — perguntou, quase num sussurro. Dante balançou a cabeça. — Não. — Mas precisava que você visse quem ele estava se tornando antes que fosse tarde demais. Ele caminhou até a porta, mas voltou em vez de sair. — Luana… — Há erros que se pagam com dinheiro. — Outros se pagam com silêncio e vigilância para o resto da vida. Ela assentiu, sem forças para responder. Quando olhou para o filho, Luana entendeu algo que nunca mais esqueceria: aquilo não tinha sido uma invasão. Tinha sido um resgate brutal, daqueles que salvam o corpo — e ferem o orgulho para sempre. Luana em prantos diz: - Você irá me ajudar mais uma vez não vai? - Há um carro lá embaixo os esperando. Façam uma mala pequena e pegue seus passaportes. Um avião já esta liberado no aeroporto para os levarem para Quebec no Canada. Lá serão internados num hospital psiquiátrico, e ficarão internados até uma total recuperação. - Não irei me internar num sanatório... - Ok, tráfico internacional de armas é da aria terrorista. Ficara preso por resto de sua vida. Servindo de mulher para todos os detentos. - Filho, arrume logo sua mala, siga o que ele está dizendo. - Só me dê o código de recebimento. Ah, a compra foi feita presencialmente ou virtualmente? - Virtual. - Isso deve ter sido a fonte de informações da Interpol. Porém facilita sua despersonalização. - Fique à vontade, irei arrumar a minha... - Não você não irá. - Não deixarei meu filho ser internado sem minha presença. - Não entendo, ele trafica drogas e armas sem você e ser internado num hospital não pode ser você???? Luana começa a chorar intensamente, numa grande crise histérica. Quebra quase todos os moveis da sala. Seu filho desce já com a mala feita, os dois vão para a garagem e entram no carro com destino ao aeroporto. Dante fica, e quando Luana se recompõe, começam a conversar. Dante lhe explica que na verdade o grande vetor de tudo isso é sua namorada. Ela sempre fez parte passiva do tráfico, e tendo você como uma potente agente protetora, tinham seu filho como uma mula segura para maioria das coisas. Isso ficou mais claro com a história de estupro múltiplo da namorada. Ao ser examinada foi comprovado que nada havia acontecido. - E agora o que tenho que fazer? Tirar minha roupa, chupar seu pau? Dante a pega pela mão a leva a seu quarto, a deita, retira sua roupa e a cobre. - Durma um pouco, eles só chegarão ao Canada amanhã pela manhã. Quando chegarem me ligarão, passarei a ligação e você conversara com seu filho na hora da internação. Sentou-se em sua cama a seu lado e acariciando seu cabelo, Luana adormece. Ao acordar vai para o banheiro banhar-se e se dá conta que há uma nova tatuagem, em sua virilha esquerda. *** CONTINUA...
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