. 5.2 O DONO - LUANA SCHULTZ (9585)

Era por volta das 21:45hs quando o telefone de Luana toca, era Dante. Luana fica indecisa em atender, porém o atende:
- Alo...
- Luana precisamos conversar.
- Hoje não é o dia.
- Não há dia para isso, abra sua porta que estou na sua portaria.
- Meu filho está com a namorada aqui em casa.
- É esse o motivo que me traz aqui. Preciso falar com você na presença dele.
Luana fica transtornada e ao tentar fazer alguma pergunta a ligação é desligada. Sua campainha toca e ela atende. Dante entra, lhe olha nos olhos, porém nada diz. Vai para o centro da sala, onde esta o filho com a namorada, e diz:
- É com estes estúpidos e doentes presentes que precisamos ter uma conversa.
- O que eles fizeram agora?
- Seu filho ficou em Miami por três meses, você achando que estavam se cuidando e estudando. Nada disso, eles fizeram uma compra de 50 armas para serem entregues aqui no Brasil. Esta entrega será esta semana.
- Como pode descobrir isso?
- Eu e a Polícia Federal seu idiota.
Dante manteve-se de pé, no centro da sala, como se o espaço tivesse sido reorganizado ao redor dele. Não elevou a voz. Não precisava.
O silêncio que se seguiu à frase foi mais violento que qualquer grito.
— Isso é mentira… — disse o rapaz, num reflexo infantil, embora já não fosse um menino.
Dante virou lentamente o rosto em sua direção.
— Mentira é o que você contou à sua mãe por três meses — respondeu. — Estudo, estágio, amadurecimento.
O que fizeram foi turismo criminoso, financiado por ignorância e arrogância.
A namorada levou a mão à boca, pálida. Luana sentou-se no sofá como se as pernas tivessem desistido de sustentá-la.
— Meu Deus… — murmurou ela. — O que vai acontecer agora?
Dante respirou fundo antes de responder. Aquilo não era uma negociação. Era um limite.
— O que vai acontecer depende do que eu fizer nos próximos dez minutos — disse. — E do que vocês fizerem nos próximos dez anos.
O rapaz deu um passo à frente.
— Você não pode simplesmente…
— Posso — interrompeu Dante. — E já estou fazendo.
A carga está monitorada. Os nomes envolvidos, mapeados.
Se eu me retirar agora, vocês não chegam ao Natal fora de um presídio federal.
Luana levantou os olhos, desesperada.
— Então por que está aqui?
Dante finalmente olhou para ela de verdade. Não como quem acusa, mas como quem reconhece uma falha compartilhada.
— Porque você passou a vida protegendo demais quando deveria ter educado com limites.
— E porque, apesar disso, ainda é mãe.
Ele voltou-se para o casal.
— Vocês dois vão sair agora.
— Vão pegar o primeiro voo disponível e sair do Brasil.
— Não tocam em ninguém, não fazem contato, não tentam “resolver” nada.
— E a entrega? — perguntou a namorada, quase em prantos.
— Não haverá entrega — disse Dante. — Haverá apreensão silenciosa.
— Vocês desaparecerão do mapa dessa gente antes que percebam.
O rapaz engoliu seco.
— E depois?
Dante se aproximou até ficar a poucos centímetros dele.
— Depois você vai passar o resto da vida sabendo que teve uma chance única.
— Não de escapar da lei, mas de escapar de si mesmo.
Ele se afastou e pegou o telefone.
— Vocês têm cinco minutos para se despedir. O carro já está lá embaixo.
Quando a porta se fechou atrás do casal, Luana começou a chorar — não de histeria, mas de exaustão.
— Você me odeia por isso? — perguntou, quase num sussurro.
Dante balançou a cabeça.
— Não.
— Mas precisava que você visse quem ele estava se tornando antes que fosse tarde demais.
Ele caminhou até a porta, mas voltou em vez de sair.
— Luana…
— Há erros que se pagam com dinheiro.
— Outros se pagam com silêncio e vigilância para o resto da vida.
Ela assentiu, sem forças para responder.
Quando olhou para o filho, Luana entendeu algo que nunca mais esqueceria:
aquilo não tinha sido uma invasão.
Tinha sido um resgate brutal, daqueles que salvam o corpo —
e ferem o orgulho para sempre.
Luana em prantos diz:
- Você irá me ajudar mais uma vez não vai?
- Há um carro lá embaixo os esperando. Façam uma mala pequena e pegue seus passaportes. Um avião já esta liberado no aeroporto para os levarem para Quebec no Canada. Lá serão internados num hospital psiquiátrico, e ficarão internados até uma total recuperação.
- Não irei me internar num sanatório...
- Ok, tráfico internacional de armas é da aria terrorista. Ficara preso por resto de sua vida. Servindo de mulher para todos os detentos.
- Filho, arrume logo sua mala, siga o que ele está dizendo.
- Só me dê o código de recebimento. Ah, a compra foi feita presencialmente ou virtualmente?
- Virtual.
- Isso deve ter sido a fonte de informações da Interpol. Porém facilita sua despersonalização.
- Fique à vontade, irei arrumar a minha...
- Não você não irá.
- Não deixarei meu filho ser internado sem minha presença.
- Não entendo, ele trafica drogas e armas sem você e ser internado num hospital não pode ser você????
Luana começa a chorar intensamente, numa grande crise histérica. Quebra quase todos os moveis da sala. Seu filho desce já com a mala feita, os dois vão para a garagem e entram no carro com destino ao aeroporto. Dante fica, e quando Luana se recompõe, começam a conversar.
Dante lhe explica que na verdade o grande vetor de tudo isso é sua namorada. Ela sempre fez parte passiva do tráfico, e tendo você como uma potente agente protetora, tinham seu filho como uma mula segura para maioria das coisas. Isso ficou mais claro com a história de estupro múltiplo da namorada. Ao ser examinada foi comprovado que nada havia acontecido.
- E agora o que tenho que fazer? Tirar minha roupa, chupar seu pau?
Dante a pega pela mão a leva a seu quarto, a deita, retira sua roupa e a cobre.
- Durma um pouco, eles só chegarão ao Canada amanhã pela manhã. Quando chegarem me ligarão, passarei a ligação e você conversara com seu filho na hora da internação.
Sentou-se em sua cama a seu lado e acariciando seu cabelo, Luana adormece.
Ao acordar vai para o banheiro banhar-se e se dá conta que há uma nova tatuagem, em sua virilha esquerda.
***
CONTINUA...

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Ficha do conto

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Nome do conto:
. 5.2 O DONO - LUANA SCHULTZ (9585)

Codigo do conto:
251532

Categoria:
Heterosexual

Data da Publicação:
09/01/2026

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