Amanda não conseguia para de pensar no que tinha acontecido em sua vida, seu pai enfarta, quase perde a joalheria da família, conhece um homem com as característica de um príncipe encantado: Dante é um homem muito atraente; moreno, alto de olhos azuis e porte altivo; um genuíno espécime de origem germânica; cabelos, barba sempre bem aparados, corpo atlético, sem os típicos excessos daqueles assíduos frequentadores de academias. Veste-se com sobriedade, sempre com roupas feitas sob medida e acessórios meticulosamente escolhidos para uma combinação perfeita. Dante não parecia ser um homem de excessos; gostava de beber uísque, mas jamais o imagino bêbado; apreciava charutos, mas não fumava com habitualidade; tem um tom de voz grave, mas que, mesmo em ocasiões mais solenes, não manifestava agressividade ou ameaça. Pontual, mas é paciente quanto a isso com daqueles que com ele trabalhavam, mas irrita-se com quebra de suas regras. Era uma quinta-feira as 21hs quando já arrumando a joalheria percebe a presença de Dante. Larga tudo e vai em sua direção. - Não, vim buscar você... - Me buscar para que, ou para onde? - Para jantarmos. - Será um prazer porém ainda tenho que fechar a loja. - Não tenho pressa... Dante andava pela loja olhando as joias, um segurança externo entrou na loja e já ia em direção a ele, Amanda corri e disse a ele que era de confiança. As funcionária ficavam o admirando e todas a perguntavam quem ele era e o que era seu. Amanda o acompanhava a alguns passos de distância, observando o modo como Dante caminhava pela loja: sem pressa, sem ostentação, como alguém que não precisava provar pertencimento a lugar algum. Ele tocava as vitrines apenas com o olhar, atento aos detalhes, às lapidações, às imperfeições quase invisíveis que denunciavam valor real. Quando o segurança externo entrou apressado, com o corpo já inclinado em atitude de abordagem, Amanda reagiu antes mesmo que Dante percebesse. — Está tudo bem — disse ela, firme, colocando-se à frente. — Ele é de confiança. O homem hesitou por um segundo, analisou Dante, e recuou com um aceno discreto, retornando à posição. Dante virou-se para Amanda, arqueando levemente a sobrancelha. — Não precisava — disse ele, em tom baixo. — Precisava sim — respondeu ela. — Aqui dentro, você não é apenas um cliente. Ele sorriu de lado, aquele sorriso contido que nunca buscava aprovação. Enquanto caminhavam, as funcionárias cochichavam entre si. Olhares curiosos, alguns admirados, outros claramente interessados. Amanda percebia tudo. As perguntas vinham disfarçadas de comentários banais: — Quem é ele? — É seu marido? — É dono de alguma coisa? Amanda respondia com naturalidade, quase divertindo-se com a situação. — Ele é… alguém importante para mim. Nenhuma explicação a mais. E isso parecia bastar. Dante parou diante de um colar específico, simples demais para o valor que carregava. — Esse — disse ele. — É honesto. — Honesto? — Amanda riu suavemente. — Nunca ouvi alguém definir uma joia assim. — As melhores coisas são — respondeu. — Não tentam parecer o que não são. Ela o observou por alguns segundos em silêncio. Ali, naquele ambiente que agora era seu, percebeu algo com clareza: Dante não a engrandecia por estar ao seu lado, nem diminuía ninguém para se impor. Sua presença alterava o espaço sem dominá-lo. Quando ele finalmente se virou para ela, encontrou um olhar diferente — não de desejo urgente, nem de dívida, nem de submissão. — Estão curiosas — disse ele, com ironia leve. — Quer que eu vá embora? Amanda balançou a cabeça negativamente. — Não. — Quero que vejam. — Quero que saibam que eu não cheguei até aqui sozinha… mas também não cheguei sendo possuída. Dante assentiu, respeitoso. E naquele instante, Amanda entendeu por que todas perguntavam quem ele era e o que era seu: porque Dante nunca parecia pertencer a alguém — mas fazia com que quem estivesse ao seu lado se sentisse, finalmente, inteira. Quando a cacha foi fechada e os cofres trancados se despediu de todos e quando o chamou para sair, Dante terminava de tomar um café que lhe foi oferecido e veio em sua direção. Percebendo o clima que havia, ele para piorar a situação lhe estende o braço e sairam de mãos dadas. Entraram em seu carro e logo chegam ao Ristorante Hotel Cipriani. Já tínham uma mesa reservada. Dante pede uma garrafa de H.M Borges Terrantez tinto. Amanda se sentia bem a vontade e de certa forma lisonjeada. Conversaram de diversos assuntos, porém houve um momento em que o silencio e os olhares mudaram o tom do diálogo. Dante diz: - Posso lhe fazer um pedido? - Se eu puder lhe atender... - Quero sua calcinha. Dante diz isso lhe mostrando a mão direita. Amanda dá um sorriso e diz: - Preciso de alguns minutos. - Para que? - Preciso ir ao banheiro para tirar a calcinha... - Não, tire-a aqui mesmo. - Como no filme? - Isso mesmo. Amanda olha para os lados, faz algumas manobras ilarias, contudo consegue retirar e a entrega a Dante. Dante a pega e a encosta no rosto, inspirando seus aromas. - Tem algum compromisso para amanhã? - Ainda não. - Vamos terminar este vinho e gostaria de a levar para minha casa. - Adoraria, porém minha tia só pode ficar com meu pai até a meia noite. Há um Motel aqui perto... - Você não é uma mulher que eu levaria para um motel. - Nossa, esse é o maior elogio que você me poderia fazer esta noite. - E para minha casa? - Eu não vejo problema algum em ir a sua casa, mas com seu pai ainda adoecido em casa não acho sensato. Teremos nosso momento. Amanda sorri e seus olhos brilham, jantam e terminando o vinho Dante a leva para sua casa. Beija seu rosto e se despede. *** Amanda não respondeu de imediato. Apenas sustentou o olhar de Dante por um instante a mais do que o habitual, como quem guarda a frase não como promessa, mas como certeza. — Teremos nosso momento — repetiu, agora em silêncio, para si mesma. No jantar, a conversa foi leve, quase banal para quem carregava tanta história não dita. Falaram de viagens que ainda não fizeram, de lugares que ambos conheciam por motivos diferentes, de livros que marcaram épocas distintas de suas vidas. O vinho foi servido sem pressa, taça cheia apenas o suficiente para acompanhar, não para conduzir. Amanda observava pequenos gestos: a forma como Dante escutava sem interromper, como deixava o silêncio completar o que não precisava ser explicado, como sorria mais com os olhos do que com a boca. Aquilo a desarmava mais do que qualquer sedução explícita. Quando a garrafa chegou ao fim, Dante levantou-se naturalmente. — Vamos — disse, simples. No carro, o trajeto foi curto e silencioso. Não um silêncio constrangedor, mas aquele confortável, quase íntimo, que só existe quando não há urgência. Ao chegarem à casa de Amanda, ele desligou o motor e desceu para abrir a porta para ela, gesto que não parecia ensaiado, apenas coerente com quem ele era. Diante do portão, Amanda hesitou por um segundo, como se avaliasse a própria vontade de prolongar aquele instante. Dante se aproximou, tocou-lhe o rosto com a ponta dos dedos e a beijou suavemente na face — um beijo que não pedia nada, não cobrava nada. — Boa noite, Amanda. Ela sorriu. Um sorriso inteiro, tranquilo, seguro. — Boa noite, Dante. Ele se afastou sem olhar para trás. Amanda entrou em casa sentindo algo raro: não a excitação da espera imediata, mas a calma profunda de quem sabe que não foi descartada nem consumida. E, sozinha, pensou: Alguns homens ficam. Outros partem. Dante… permanece mesmo quando vai embora. Ao se deitar sozinha naquela noite, Amanda sentiu algo que não estava acostumada a reconhecer de imediato: plenitude sem posse. Não havia frustração, tampouco urgência. O lençol frio não a incomodou; ao contrário, trouxe uma sensação estranha de controle e escolha. Pela primeira vez em muito tempo, não se sentia desejada apenas pelo corpo, nem reduzida a um papel. Sentia-se vista. Pensou no toque contido, no beijo breve, na forma como Dante foi embora sem exigir nada. Isso a deixou inquieta, mas de um jeito novo — uma inquietação serena, quase elegante. O desejo existia, claro, mas vinha acompanhado de respeito, de tempo, de espera consciente. Adormeceu imaginando não o que teria acontecido se ele tivesse ficado, mas o que ainda poderia acontecer. E esse pensamento, mais do que qualquer presença física, a fez dormir em paz. Amanda se sente respeitada e desejada como nunca antes porque, com Dante, o desejo não vem acompanhado de pressa, imposição ou cobrança. Pela primeira vez, ela percebe que é escolhida não apenas pelo que desperta, mas por quem é. Esse reconhecimento silencioso — feito de espera, cuidado e contenção — a faz compreender que ser desejada pode ser algo profundamente digno, seguro e inteiro. Dormiu tranquila, de forma rara para quem sempre carregou tensão no corpo. O sono veio sem sobressaltos, profundo e contínuo. Não houve fantasias agitadas nem ansiedade — apenas a sensação confortável de ter sido respeitada e escolhida no tempo certo. Adormeceu com um leve sorriso, como quem finalmente descansa sem precisar se defender. Acordou serena, com o corpo leve e a mente clara. Não houve sobressalto nem aquele aperto no peito comum das manhãs ansiosas. Abriu os olhos devagar, sentindo uma calma quase íntima, como se algo dentro dela estivesse no lugar certo. Pensou em Dante sem urgência, sem carência — apenas com um sorriso discreto, consciente de que o desejo podia coexistir com segurança. Levantou-se sentindo-se inteira, dona de si. No trabalho, as perguntas vieram de forma sutil, quase disfarçadas de curiosidade casual. Perguntaram se estava tudo bem, se tinha acontecido algo especial na noite anterior, comentaram que ela parecia diferente — mais leve, mais sorridente. Algumas insinuaram cansaço, outras falaram em “bom humor raro para uma manhã dessas”. Amanda respondeu pouco, com discrição, apenas sorrindo. Por dentro, sabia que não era uma noite que se explicava em palavras, e justamente por isso guardou para si. *** CONTINUA...
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