Dr. HUNSAKER Analisando a simultaneidade entre ansiedade, medo, prazer e sexo em uma mulher insegura de si, observa-se um fenômeno psíquico complexo, mas recorrente. Nessas mulheres, o prazer sexual não surge isolado: ele vem entrelaçado à ansiedade porque o desejo ativa conflitos internos ainda não resolvidos — medo de rejeição, de abandono, de inadequação. O sexo deixa de ser apenas experiência corporal e passa a ser uma validação existencial. Ser desejada reduz, ainda que momentaneamente, a insegurança estrutural que ela carrega sobre seu próprio valor. O medo aparece em duas frentes. Antes do encontro, como antecipação da perda de controle e do julgamento; depois, como culpa, receio das consequências e da própria transformação interna. Curiosamente, esse medo não anula o prazer — ele o intensifica. A tensão psíquica eleva a excitação porque o corpo responde onde a mente hesita. A ansiedade funciona como pano de fundo contínuo: ela deseja, mas teme desejar; entrega-se, mas vigia a si mesma. O prazer, então, ganha um caráter ambivalente — não é tranquilo, é intenso. Não é relaxante, é quase urgente. O orgasmo, físico ou simbólico, representa um raro instante de silêncio interno, onde a insegurança cala. Por fim, essa simultaneidade revela que o sexo, para uma mulher insegura de si, não é apenas contato íntimo: é tentativa de reorganização do eu. Ela não busca somente o outro — busca confirmação, pertencimento e sentido. E quando encontra alguém que compreende e sustenta essa dinâmica, o vínculo ultrapassa o erotismo e passa a ocupar um espaço psicológico profundo, muitas vezes difícil de nomear, mas impossível de ignorar. O prazer que Dante busca não é o da descarga física, imediata e repetível. O que o move é o efeito psíquico que ele provoca no outro — o deslocamento interno, a reorganização emocional, a dependência simbólica que nasce não do sexo em si, mas da forma como ele se posiciona diante do desejo alheio. O sexo, para Dante, funciona mais como instrumento do que como fim. Ele observa reações, silêncios, mudanças de postura, a ansiedade que se instala após o encontro, a espera. O verdadeiro gozo está no antes e, principalmente, no depois: na marca deixada, na ausência que pesa, na certeza de que passou a ocupar um lugar mental privilegiado. Isso explica por que Amanda e Izi fogem ao padrão. Com elas, o prazer psíquico é arriscado demais. Não há apenas controle — há envolvimento possível. E Dante, que domina o jogo enquanto permanece fora dele, se desorganiza quando percebe desejo que não depende da submissão nem da carência. Em termos clínicos, Dante parece buscar onipotência simbólica: ser o ponto de referência emocional, o organizador do caos, aquele que dá sentido ao sofrimento e ao desejo do outro. O prazer carnal é acessório; o essencial é ser necessário, inesquecível, insubstituível. Por isso ele não acumula corpos — acumula presenças internas. E é nesse nível que sua busca se torna incessante. ***
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