Kalinka marcou uma consulta extra em caráter emergencial. Não pediu horário — pediu urgência. A secretária percebeu pelo tom de voz que não se tratava de um imprevisto banal. Quando entrou na sala, sentou-se sem ajeitar a bolsa, sem cruzar as pernas, sem os pequenos rituais de organização que costumava cumprir. O corpo estava ali, mas a atenção parecia atrasada alguns segundos. — O que aconteceu? — perguntei. Ela respirou fundo antes de responder. — Eu sonhei… — fez uma pausa curta, como quem mede o próprio juízo. — Sonhei como uma louca sonha. Esperei. — Como uma louca sonha? — perguntei. Kalinka levantou os olhos lentamente. — Sem metáfora — disse. — Sem disfarce. Apoiou os cotovelos nas coxas, inclinando-se para a frente. — No sonho, eu não tentava entender nada. Eu sabia. Engoliu em seco. — Não havia dúvida, nem pergunta, nem curiosidade. Só certeza. Perguntei do que se tratava essa certeza. — Que eu já tinha passado de um limite — respondeu. — Não por ter feito algo errado, mas por ter visto algo que não devia mais ser esquecido. Houve um silêncio denso. — Loucura — continuou — não é perder a razão. Ergueu levemente os ombros. — É quando a razão deixa de proteger. Perguntei se havia alguém no sonho. Kalinka assentiu. — Sim — disse. — Mas o pior é que ele não fazia nada. Olhou-me fixamente. — Ele só estava lá. E isso bastava para reorganizar tudo. Anotei algo. — Quando acordei — completou — não senti medo. Fez uma pausa final. — Senti clareza. E isso é o que me apavora. Encerramos ali. Kalinka estava da sala sem parecer aliviada. Estava como alguém que entende que o sonho não foi um episódio — foi um aviso. Porque quando o inconsciente deixa de falar em símbolos e passa a falar em afirmações, a mente já não está apenas elaborando. Está decidindo. * Em casa, depois de um banho, fui para o sofá da sala e liguei a televisão. Assistiu a um filme antigo e, depois, peguei um livro para ler. Olhei para o relógio e fiquei mais desanimada ainda: passava das dez horas e eu sabia que, inevitavelmente, teria mais uma noite sem sono. Mas ao deitar adormeci, e na verdade não sei se o que irei falar foi um sonho ou realmente aconteceu. Eu estava nua, deitada sobre minha cama…, mas eu não fazia a menor ideia do que estava acontecendo; de repente, a porta se abriu e Dante entrou no quarto. Eu não conseguia vê-lo com clareza, já que o quarto estava envolto por uma leve penumbra que impedia de o ver com clareza, mas pelo perfume era sem duvida Dante. Ele veio até minha cama com passos lentos e medidos, enquanto meu coração parecia querer pular de meu peito e minha respiração estava ofegante. Eu na verdade não sabia se aquilo era excitação, medo ou um sonho…, a única coisa que eu sabia é que aquela situação me causava algo diferente. Dante parou ao meu lado; parecia olhar para mim como que me observando detalhadamente, sem fazer ou dizer nada. Apenas olhava. Eu tentei me controlar, porém, com a respiração acentuada denunciava meu pânico e excitação ao mesmo tempo. Sentiu uma de suas mãos macias me tocar o seio e apertá-lo sem me machucar. Dante massageou um e depois o outro. Em seguida, segurou os mamilos, beliscando-os alternadamente. Eu não fui capaz de segurar o gemido que explodiu em meus lábios, fazendo Dante interromper suas carícias como quem observa a reação do que faz. Segurei o fôlego, controlando a excitação. Dante retomou as carícias. Logo, os dedos foram substituídos pela língua hábil, lambia os mamilos e as aureolas com movimentos circulares lentos e cadenciados. Os lábios e dentes completaram a carícia, me levando a um intenso gemido, espasmos e satisfação pois me sentia possuída de um modo que jamais fui. As carícias prosseguiram, cada vez mais intensas. A boca, ávida, tomou seu rumo, descendo dos seios em direção ao ventre; e seguiu até chegar a minha vulva, e meus pelos molhados eriçaram-se de imediato. Dante avançou, descendo sua língua em busca de minha buceta que estava inundada. Eu, a esta altura, gemia, derrotada pelo tesão que tomava conta de meu interior. Gemi ao sentir a língua tocar os grandes lábios, com lambidas suaves de cima para baixo, buscando descortinar a região a fim de encontrar o clítoris pulsante, que ao encontrar deliciosamente começou a chupar, me causando espasmos crescentes no corpo, me sentia à beira de uma explosão de prazer …, e isso se concretizou causando o melhor orgasmo que eu jamais tive. Ao acordar pela manhã, fui direto para o banho, ainda atravessada por tudo o que havia sonhado. As imagens não se dissolviam; permaneciam organizadas demais para serem descartadas como devaneio. Foi sob a água, no gesto automático de lavar o corpo, que a percepção se impôs. Havia algo novo. Uma marca na região inguinal esquerda — discreta, mas inequívoca. Não doía. Não ardia. Não parecia recente no sentido comum. Era como se sempre tivesse estado ali e apenas agora tivesse sido notada. A primeira reação foi a negação. A segunda, a tentativa de explicação. A terceira, o silêncio. Não reconheci o traço. Não lembrava de tê-lo visto antes. E, ainda assim, não havia estranhamento suficiente para sustentar o acaso. O sonho voltou inteiro, como se tivesse deixado um rastro físico. Ali, compreendi o que me apavorou de verdade: não era a marca em si, mas a sensação de continuidade. Como se o que acontecera durante a noite não tivesse terminado ao despertar. Como se o corpo tivesse aprendido algo que a consciência ainda tentava alcançar. Fechei o registro do chuveiro e permaneci imóvel por alguns segundos, observando o reflexo embaçado. Naquele instante, tornou-se claro que o sonho não havia sido uma metáfora. Tampouco uma alucinação. Tinha sido uma passagem. E eu acabara de acordar do lado errado dela. *** CONTINUA....
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