. 12.3 – DANTE RECONHECE IZI COMO SUA.

Num sábado, Izi permaneceu deitada na cama por horas, presa aos próprios pensamentos. O silêncio do quarto amplificava uma constatação incômoda: ele se fora sem ultrapassar limites que, para ela, já não existiam. Por alguns segundos, sentiu a frustração de um desejo interrompido — não apenas físico, mas sobretudo simbólico. O que mais queria dizer, e não disse, era simples e absoluto: *eu pertenço a você*. Ele foi embora. Ela chorou. A vida retomou a aparência de normalidade, mas algo essencial havia mudado. Izi passou a sair todos os fins de semana, frequentar festas, encontrar pessoas. Permitía-se beijos, conversas, distrações — nada além disso. Em tudo, Dante permanecia como referência silenciosa. O telefone que ele lhe dera raramente atendia. A distância começou a ocupar espaço. Para anestesiar o vazio, Izi passou a beber socialmente. Não buscava excesso; buscava alívio. Ainda assim, o desejo permanecia direcionado a um único nome. Com o tempo — meses — acostumou-se à ausência e ao contraste com o que antes recebera: viagens frequentes, atenção constante, uma rotina que a fazia sentir-se escolhida. Quando isso cessou, sentiu-se deixada para trás. O que surgiu então não foi apenas saudade, mas ciúme crônico — uma sensação possessiva que a consumia. Um dia, movida por essa inquietação, foi até a empresa dele e perguntou por que não a procurava mais, por que não a incluía como antes. A resposta veio direta: ele estava se envolvendo com outra mulher, de idade próxima à dela. O choque foi imediato. Izi chorou ali mesmo, sem conseguir conter a dor. Entre lágrimas, disse que se sentia substituída, esquecida, traída — como se o cuidado tivesse sido transferido, e com ele, o lugar que acreditava ocupar. Dante estranhou o tom e perguntou, com calma desconcertante, como ela imaginava esse vínculo, lembrando-lhe do enquadramento que sempre existira. A pergunta desorganizou tudo. Tomada pelo impulso, Izi aproximou-se demais, buscou contato, implorou por um último encontro — não como negociação, mas como despedida. Prometeu não pedir mais nada. Queria apenas fechar o ciclo. Dante ficou imóvel. A expressão mudou. Antes de qualquer resposta, fez uma única pergunta — não sobre desejo, mas sobre consequência. Perguntou se ela compreendia o que estava pedindo e o que aquilo significava para ele. Izi assentiu. Repetiu o pedido, agora em voz baixa. E foi ali, naquele limite, que ficou claro: não era o encontro que ela buscava, mas a confirmação de que ainda ocupava um lugar.
Ele enxugou minhas lágrimas com calma e me beijou longamente, um beijo profundo, intenso, que não tinha pressa de terminar. Em seguida, tomou-me nos braços e me levou até o quarto, deitando-me na cama com cuidado. Eu ainda soluçava, tentando recuperar o fôlego, quando Dante falou, em tom firme e tranquilizador: — Calma… eu vou cuidar de você inteira. Perguntei, quase num sussurro, se aquilo seria bom, se eu me lembraria daquele momento. Ele respondeu que sim, que seria algo que eu jamais esqueceria. Suas palavras não soaram como promessa vazia, mas como certeza. Pedi que me deixasse sentir aquele instante sem pressa, que retirasse minha roupa devagar. Ele o fez com atenção extrema, como se cada gesto tivesse um significado próprio. A lentidão aumentava minha ansiedade, tornando impossível pensar em qualquer outra coisa além dele. Eu mal conseguia controlar o que sentia. Meu corpo reagia antes da razão, e meus olhos buscavam sinais dele, qualquer indício do que estava por vir. Dante se despiu rapidamente e se aproximou de mim com uma presença que me deixou sem forças. O impacto não foi apenas físico. Foi a consciência plena de estar diante de alguém que eu desejava de forma absoluta, sem reservas. Meu corpo respondia sem pudor, e ele percebeu — não como quem se aproveita, mas como quem reconhece. Antes de qualquer coisa, Dante se inclinou sobre mim, mantendo-me presa naquele instante suspenso, como se quisesse prolongar o momento exato em que expectativa e entrega se confundem. E foi ali, nesse intervalo, que compreendi: o que me consumia não era apenas o desejo, era a sensação de finalmente ser vista, tomada e reconhecida — não como alguém qualquer, mas como a escolhida daquele momento.
Depois que ele retirou minha roupa íntima, percebeu o quanto eu estava tomada pelo momento. O toque seguinte foi inesperado e preciso, fazendo um arrepio atravessar todo o meu corpo. Soltei um pequeno grito involuntário e fechei os olhos, tomada por uma sensação intensa que me fez perder a noção do tempo.
Havia cuidado, atenção, uma dedicação quase meticulosa. Dante não tinha pressa. Cada gesto era calculado para prolongar o instante, para me manter suspensa entre expectativa e entrega. Seu murmúrio baixo, quase imperceptível, me deixou ainda mais vulnerável, como se estivesse sendo reconhecida em algo íntimo demais para ser explicado.
Meu corpo reagia em ondas. Espasmos leves, respiração entrecortada, a sensação de ser atravessada por algo maior do que o próprio desejo. Quando a intensidade atingiu o limite, senti-me completamente esgotada, incapaz de qualquer movimento.
Ele então se aproximou novamente, beijando-me com calma — a boca, o pescoço, o colo — como se quisesse me trazer de volta aos poucos. Cada toque reacendia o que eu mal conseguia sustentar. O cansaço misturava-se a uma excitação renovada, quase insuportável.
Já sem conseguir conter o que sentia, implorei em voz baixa para que ele não se afastasse, para que continuasse. Não era apenas o corpo que pedia, mas algo mais profundo, urgente, que precisava se completar.
Naquele momento, não havia mais palavras adequadas.
Havia apenas a entrega total ao que estava prestes a acontecer.
Ele me olhou por longos segundos, como se tentasse compreender o peso do que estava prestes a acontecer. Havia incredulidade e decisão naquele olhar. Aproximou-se lentamente, mantendo-se ali, no limite exato entre expectativa e entrega, como se esperasse que meu corpo reconhecesse aquele momento antes de avançar. Quando finalmente se aproximou mais, fez isso com extrema lentidão. Fechei os olhos e me concentrei em cada sensação, deixando que o tempo se dilatasse. Tudo parecia irreal, quase onírico, como se eu estivesse atravessando algo que desejara por muito tempo apenas em pensamento. Quando ele se acomodou por completo, não houve pressa. Permanecemos assim por alguns minutos, imóveis, permitindo que o corpo se ajustasse, que a intensidade encontrasse equilíbrio. Nesse intervalo, fui envolvida por beijos profundos e demorados, carregados de afeto e desejo contido. Suas palavras, sussurradas junto ao meu ouvido, misturavam promessas, afirmações e uma vontade quase bruta de permanecer. Eu repetia, sem perceber, que o queria ali, inteiro, que desejava aquela presença por completo. Não era apenas o corpo que falava — era a entrega absoluta, sem defesas. Então ele respondeu, com voz firme e baixa, como quem encerra qualquer dúvida: — Então você terá o que quer. Naquele instante, compreendi que não se tratava apenas do ato, mas da confirmação de um vínculo que, para mim, já era irreversível
Então tudo ganhou um ritmo intenso, avassalador. Um movimento contínuo que me fazia perder o fôlego, alternando suspiros e espasmos, como se meu corpo inteiro estivesse sendo atravessado por ondas sucessivas de sensação. Eu sentia que poderia perder os sentidos a qualquer instante, tamanha a intensidade do momento.
Havia algo de quase selvagem naquela entrega, uma força que não se deixava conter. Dante mudou nossa posição com naturalidade, e o novo ângulo ampliou ainda mais a percepção do que estava acontecendo. No espelho do quarto, vi a imagem refletida daquela união e isso me arrebatou de vez — era como assistir, de fora, à própria perda de controle.
Minha voz escapava em pedidos e exclamações que já não eram totalmente conscientes. Eu precisava ouvir dele aquilo que confirmasse o que sempre imaginei: que aquele desejo não era unilateral, que também me quisera, que aquela entrega fazia sentido para nós dois.
Quando o clímax chegou, foi absoluto. Uma sensação de plenitude que se espalhou pelo corpo inteiro, deixando-me exausta, saciada, incapaz de qualquer movimento imediato. Permaneci ali, sentindo o calor do que acabara de acontecer, com a certeza de que aquilo não era apenas um excesso momentâneo.
Era a confirmação de algo que, para mim, já estava decidido —
ainda que fosse apenas por enquanto.
Izi não interpretava aquele momento como apenas sexo.
Para ela, o que aconteceu foi vivido como confirmação, pertencimento e reparação.
Naquele instante, Izi acreditou que tudo finalmente fazia sentido.
Ela interpretou o encontro como a prova de que não estava enganada, de que não havia sido apenas uma figura descartável ou uma expectativa unilateral. O gesto de Dante não foi lido como impulso ou desejo momentâneo, mas como reconhecimento tardio. Para Izi, aquele momento dizia: “eu sempre estive aqui, você não imaginou tudo sozinha”.
Havia, sobretudo, três camadas na interpretação dela:
Izi sentiu que, naquele momento, recuperava o lugar que julgava ter perdido. O encontro funcionou como resposta concreta à angústia que a consumira por meses: a dúvida sobre ser esquecida ou substituída. Para ela, o ato significava que ainda ocupava um espaço real na vida dele.
Pertencimento validado
O que mais a atravessou não foi a intensidade física, mas a sensação de ser escolhida naquele instante específico. Izi interpretou aquilo como um “sim” definitivo à frase que nunca tivera coragem de dizer em voz alta: eu lhe pertenço. E, mais importante, como se ele tivesse respondido: e eu aceito.
Alívio do ciúme e da abstinência emocional
Todo o ciúme, a raiva e o sentimento de abandono encontraram ali uma descarga. O momento foi vivido como reparação simbólica: não apagava o sofrimento passado, mas o tornava suportável, quase justificável. Por alguns instantes, Izi sentiu que a dor anterior tinha valido a pena.
No entanto — e isso é crucial — Izi não interpretou o momento como promessa de continuidade. Havia ali uma ambiguidade silenciosa. No fundo, ela sabia que aquilo poderia ser único, talvez irrepetível. Por isso, viveu como se fosse absoluto.
Para Izi, aquele instante não dizia “agora tudo será diferente”,
mas dizia “agora eu sei que fui desejada de verdade”.
E isso, para ela, bastava.
O problema é que, quando um momento se torna prova de valor pessoal, ele também se torna referência impossível de superar. O que veio depois — a ausência, o silêncio, a normalidade — jamais poderia competir com aquela interpretação.
Por isso, Izi não saiu dali saciada.
Saiu marcada internamente.
Não pelo corpo.
Mas pela certeza — ainda que ilusória — de que, por um instante, foi tudo o que ela sempre quis ser.
***
CONTINUA....

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Nome do conto:
. 12.3 – DANTE RECONHECE IZI COMO SUA.

Codigo do conto:
251697

Categoria:
Heterosexual

Data da Publicação:
10/01/2026

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