Eu sentia os olhares.
Meu vestido chamava atenção. Curto, justo, com um decote profundo que deixava meus seios quase à mostra. Eu sabia exatamente o efeito que causava.
Alonzo se inclinou até meu ouvido.
"Você tem certeza que quer sair assim?"
Eu sorri.
"É carnaval."
Segurei as mãos dele e comecei a dançar no meio da multidão.
Depois me aproximei novamente.
"Eu quero provocar hoje."
Ele olhou ao redor, percebendo alguns homens que já me observavam.
Então sorriu.
"Então vai."
Comecei a dançar com mais liberdade ainda, sentindo o ritmo dos tambores atravessar meu corpo.
Depois de um tempo, inclinei a cabeça até o ouvido dele.
"Vou ao banheiro."
Ele assentiu.
"Te espero aqui."
Abri caminho até os banheiros químicos na lateral da rua. Quando terminei e abri a porta para sair, quase esbarrei em um homem parado ali.
Ele me olhou de cima a baixo, com um sorriso lento.
"Desculpa", eu disse, tentando passar.
Mas ele se aproximou.
Antes que eu reagisse, ele roubou um beijo rápido.
Meu coração disparou.
Ele murmurou no meu ouvido:
"Você sabe que está deixando todos os homens aqui loucos, né?"
Senti um calor subir pelo corpo quando a mão dele passou de leve pela minha cintura.
Afastei o braço dele.
"Calma…"
Saí dali e voltei para a multidão.
Quando encontrei Alonzo, ele percebeu na hora que algo tinha acontecido.
"Demorou."
Cheguei perto e contei tudo: o homem, o beijo, o que ele tinha dito.
Alonzo ouviu com atenção.
Então perguntou:
"E o que você sentiu?"
Hesitei por um segundo.
"Eu fiquei… excitada."
Ele sorriu levemente.
Nesse momento vi o homem passando perto da gente no meio do bloco.
Toquei o braço de Alonzo.
"É ele."
Alonzo observou por alguns segundos e depois voltou os olhos para mim.
"Você gostaria de brincar um pouco com ele?"
Senti um arrepio.
"Você está falando… nós três?"
Ele assentiu.
"Se você quiser."
Respirei fundo.
"Eu quero."
Fui até o homem e fiz a proposta.
Ele ouviu, sorriu… mas balançou a cabeça.
Voltei até Alonzo desapontada.
"Ele não quer nós três."
"Não?"
"Ele disse que… se for para acontecer… tem que ser só eu e ele."
O barulho do bloco continuava alto ao nosso redor.
Alonzo me olhou nos olhos. Percebeu que eu estava desapontada porque não ia rolar.
"E você… o que acha disso?"
Meu coração ainda batia forte.
Naquele momento eu sabia que aquela resposta podia mudar completamente o rumo daquela noite. Eu havia ficado frustrada porque aquele homem tinha me deixado com muito tesão lá no banheiro, e eu queria muito ir com ele. Mas voltei a sorrir quando percebi que meu marido deixava no ar que eu poderia ir mesmo sem ele.
Mordi o lábio inferior.
"Quero."
Apontei discretamente na direção onde o homem estava esperando.
"Ele disse que conhece um lugar ali atrás do bloco."
Alonzo respirou fundo.
"Então vai."
Ele segurou meu braço por um instante.
"Você vem comigo."
E desaparecemos lentamente da música e da multidão, caminhando para uma área mais escura atrás dos prédios, onde o som do bloco chegava abafado… e onde algumas pessoas já usavam as paredes de uma construção abandonada para se aliviar da bebida da noite.
Percebi o cheiro antes mesmo de entrar. Fedia a mijo.
E naquele momento entendi que o "lugar tranquilo" talvez não fosse exatamente o que eu tinha imaginado.
Parei na entrada por um instante. Era uma construção abandonada, escura, com paredes manchadas e o chão sujo. Do lado de fora ainda dava para ouvir gente passando, vozes altas, risadas de bêbados e o som de alguém urinando contra a parede.
Olhei para ele, um pouco surpresa.
"É aqui?"
O homem apenas deu de ombros, como se aquilo fosse completamente normal.
Meu primeiro impulso foi pensar em ir embora. Eu tinha imaginado algo diferente… talvez o carro dele, algum lugar mais reservado.
Mas então ele me olhou de um jeito direto, quase impaciente, como se esperasse que eu tomasse logo uma decisão.
Do lado de fora, alguém passou rindo alto.
Eu respirei fundo.
E entrei.
Continua...

Uiiii delícia ansioso pela continuação