Acerto de contas

Eu sempre soube que o Alonzo era um homem de apostas, um jogador na alma. Moreno, baixa estatura, todo atlético e com aquele sorriso descontraído que parecia desarmar qualquer problema. Eu, timida desse jeito, gordinha, sempre brigando com a balança e complexada com minha barriga saliente e meus seios grandes, caídos e pesados... com ele, eu me sentia uma rainha. Entre quatro paredes, eu esquecia as minhas inseguranças e virava outra pessoa. Eu me entregava porque confiava.
Mas a confiança virou poeira. A realidade bateu na porta com a brutalidade de um soco. E o soco tinha nome: Vidal.
Quando o Alonzo me contou sobre a dívida, meu mundo desabou. Eu não tinha o dinheiro todo. Tivemos uma briga feia na nossa sala, o cheiro de café amanhecido parecendo sublinhar o fracasso dele. Como ele pôde ser tão burro de se meter com um agiota?
A semana de prazo passou como um sopro gelado. E o telefone tocou. Era Vidal. O Alonzo atendeu tremendo, os nós dos dedos segurando o aparelho. Botou no viva-voz pra eu escutar. Ele começou gaguejando, disse que só tinha conseguido a metade do dinheiro...
Mas Vidal não aceitou. A voz dele do outro lado da linha estava fria, cortante como uma navalha. Ele disse que queria tudo, e com juros. O Alonzo entrou em desespero total. Ele suplicou, disse que não tinha, que se o Vidal não aceitaria algum bem material...
Houve um silêncio no telefone. Um silêncio que parecia eterno.
Então, Vidal falou. "A gente pode quitar essa dívida, Alonzo," ele disse. "Você tem algo que me interessa, sim."
O Alonzo se animou, coitado. "Sério, Vidal? O que você quer? Eu te dou! O que for preciso pra cobrir o que falta!"
"A Luara, sua mulher." Vidal respondeu, direto. "A Luara cobre a metade que falta."
Aquelas palavras me paralisaram. O ar sumiu dos meus pulmões. O barulho do telefone sendo desligado logo em seguida pareceu um tiro na sala.
O Alonzo ficou ali, parado, olhando pro telefone como se tivesse visto um fantasma. Eu estava em choque. Mas, lentamente, um tipo diferente de terror começou a serpentear pela minha espinha. Aquela voz... aquele tom de controle gelado... não era estranho.
Demorou alguns segundos até que as peças se encaixassem na minha cabeça, uma memória dolorosa e enterrada ressurgindo com força total. Vidal. Eu o conhecia.
Nós estudamos juntos no colégio. Na época, eu era diferente. Eu era linda, esbelta, chamava a atenção de todos os meninos do colégio com meu corpo perfeito e meu sorriso que eu sabia que era bonito. Eu era popular. E Vidal... Vidal era feio. Não era popular, era calado, ficava no canto. Naquele tempo, ele reuniu coragem e me pediu pra ficar com ele atrás da escola.
Eu disse não. Mas não foi só um não. Eu debochei dele. Ri na cara dele, fiz uma piada sobre o jeito que ele se vestia. E contei pra todo mundo. A humilhação dele se espalhou pelo colégio. Eu lembro direitinho dos olhos dele naquele dia: uma mistura de dor e uma raiva silenciosa, uma promessa que eu ignorei na minha prepotência de adolescente.
Ele nunca esqueceu. E agora, o monstro feio que eu humilhei tinha voltado como o dono das nossas vidas. Ele não queria apenas o sexo; ele queria a vingança. Ele queria possuir o que ele nunca pôde ter, e queria me rebaixar, me transformar em uma transação para salvar o homem que eu amava.
O Alonzo finalmente virou a cabeça e olhou pra mim. O rosto dele estava vermelho, as lágrimas desciam, mas o olhar... o olhar dele me deu nojo. Não era preocupação; era um desespero covarde. Ele estava se corroendo por dentro, eu via a vergonha em cada linha do rosto dele, na forma como ele abaixava a cabeça, incapaz de sustentar o meu olhar. Ele sabia que o que estava pedindo era escroto, mas a covardia dele era maior que a vergonha.
"Nem pense nisso, Alonzo," eu disse, a voz trêmula, mas firme.
"Mas Luara..." ele começou, a voz quebrada. "Ele sabe onde a gente mora. Se a gente não pagar... ele vai fazer algo terrível. Comigo. Com você. Eu tô com medo, meu amor."
Ele começou a chorar de novo, segurando as minhas mãos suadas. Ele dizia que era só uma vez, que ninguém precisava saber, que era pra salvar a vida dele, as nossas. Cada lágrima dele parecia uma acusação de que a culpa de tudo isso, agora, também era minha por ter sido cruel no passado.
Eu olhava pra ele e sentia uma tristeza infinita. Eu sabia o medo que ele tinha do Vidal agiota. Mas eu tinha medo do Vidal que eu criei, o Vidal que esperou anos por esse momento. No final... a covardia dele e a minha própria culpa falaram mais alto. Eu cedi: “Tá! tá bom, Alonzo. Eu vou me sacrificar por você... por nós.” Na minha cabeça: Mas que merda. Logo com quem esse filho da puta foi se envolver. Puta que pariu, agora vou ter que dar pro Vidal, aquele cara asqueroso.
O Alonzo pegou o telefone novamente. A vergonha era palpável em cada movimento dele. Ele respirou fundo, secando o rosto com a manga de uma camisa nova, que parecia agora um trapo nele. Ele ligou para Vidal. O telefone tocou três vezes antes de ser atendido.
"Vidal?" A voz de Alonzo saiu como um sussurro quebrado. "É o Alonzo. Sim, nós... nós aceitamos a proposta. A Luara vai pagar o que eu te devo. " Ele engoliu em seco, olhando pro chão, sem conseguir me encarar. "Onde e quando, Vidal?"
A resposta do Vidal deve ter sido curta. "Hoje à noite. Dez horas. No meu escritório." E desligou.
Agora eu estou aqui. Tremendo, imaginando como isso vai ser. O escritório do Vidal não era em um prédio corporativo elegante. Era nos fundos de um depósito de autopeças na periferia, em uma rua deserta e mal iluminada.
Foi uma eternidade pra hora passar, era tenso e sufocante pensar no que estava para acontecer. Meia hora antes do horário combinado, Alonzo me pergunta: “Tá quase na hora, amor. Já tomou seu banho pra irmos?”
Eu ainda estava com o uniforme do trabalho. Tinha sido um dia exaustivo, eu estava suada, pegajosa, suja. Se o Vidal queria a mulher que o humilhou no colégio, ele ia ter a pior versão, suada e sua. Foda-se. Ia daquele jeito mesmo.
— Você que manda, amor. Então vamos indo — ele respondeu, baixando a cabeça.
A vergonha dele era tanta que ele nem me olhava nos olhos. Parecia um animal acuado, mas um animal que estava entregando a própria fêmea para salvar a pele.
Entramos no carro e seguimos.
O Alonzo tinha ficado no carro, na esquina, a covardia dele o impedindo de me acompanhar até a porta. Ele disse que não conseguiria olhar pra mim enquanto eu entrasse. Mas se alguma coisa saísse do controle era pra eu gritar que ele chamaria a polícia.
Eu empurrei a porta. O interior era apertado e sombrio. Uma luz fraca e amarelada vinha de uma luminária de mesa antiga, lançando sombras longas e ameaçadoras pelas paredes descascadas. O escritório estava cheio de arquivos de papel acumulados, uma mesa grande de madeira robusta e, crucialmente, um sofá de couro sintético no canto, que parecia gritar a natureza transacional do encontro.
A vergonha aquecia meu rosto. Eu não era a Rainha; eu era a oferenda. Eu estava prestes a pagar os juros de uma dívida que nem minha era.
E no centro do escritório, atrás da mesa, estava ele. O Vidal. Robusto, alto, branco, sua aparência bruta e ameaçadora ainda mais imponente sob aquela luz fraca. Ele estava fumando, o ambiente estava impregnado de cheiro a cigarro. Ele olhava pra mim. Ele não sorria, mas eu sabia que ele estava rindo por dentro. Ele estava saboreando a minha humilhação. Ele estava olhando pra tudo que eu desprezava naquele tempo, pronto pra me dar o troco. Pra ele a dívida mais importante nem era do meu marido, mas a minha. Por tudo que fiz ele passar.
Ele levantou os olhos e me viu. Me viu de uniforme, o meu rosto cansado, o meu corpo que não era mais o da adolescente de 15 anos atrás. Ele ficou em silêncio por um instante, apenas me mapeando com o olhar, saboreando cada segundo da minha humilhação.
“Vim pagar a dívida do Alonzo.” Respondi, com a voz mais firme que consegui reunir.
“Você mudou, Luara.” ele disse, parando bem na minha frente. A voz dele era um trovão contido. “Onde está aquela menina de cintura fina que desfilava pelos corredores como se o chão fosse de ouro?”
Eu sustentei o olhar, embora minhas pernas quisessem falhar. “Ganhei um pouco de peso. O mundo gira, não é?”
“Gira mesmo.” ele repetiu, um sorriso amargo e quase imperceptível surgindo no canto da boca bruta. “Gira tanto que colocou você aqui, se oferecendo para pagar as contas de um moleque que nem coragem de atravessar essa porta e me olhar nos olhos.”
Ele estendeu a mão e, com as pontas dos dedos ásperos, tocou a gola do meu uniforme. Eu estremeci.
“Isso é Vingança? Por causa de uma brincadeira de colégio? Você é um homem feito, Vidal. Um homem que bota medo em todo mundo. Vai mesmo se rebaixar a cobrar uma brincadeira de quinze anos atrás?”
Vidal se aproximou mais, invadindo meu espaço. O calor que emanava do corpo dele era intimidador. Ele segurou meu queixo com força, me obrigando a olhar para o rosto dele, para as marcas que o tempo e a vida dura deixaram ali.
"Brincadeira"? — ele sibilou. — Você me fez ser o motivo de risada daquela escola inteira por meses, Luara. Eu era o "lixo", lembra? O "feio" que teve a audácia de olhar para a rainha. Eu não esqueci o som da sua risada. Eu ouvi aquela risada cada vez que eu levava um não da vida.”
Ele desceu o olhar lentamente pelo meu corpo. Parou nos meus seios, que subiam e desciam rapidamente sob o tecido do uniforme devido à minha respiração ofegante.
“ Mas veja só... a rainha perdeu a coroa. E agora ela está aqui, na minha frente, no meu território, cheirando a suor e desespero. Sabe o que é mais engraçado? Eu prefiro você assim. Desse jeito que você está. Suja, natural, sem o luxo que você usava para se esconder.”
Eu senti uma lágrima de ódio e vergonha queimar no canto do meu olho, mas não a deixei cair. Eu pensava no Alonzo, covarde, tremendo no carro ali fora. Pensava no quanto eu o amava e no quanto eu o odiava naquele momento.
“Então vamos acabar logo com isso, Vidal” eu disse, começando a abrir os botões do meu uniforme com as mãos trêmulas. “Receba o seu pagamento e deixe a gente em paz.”
Vidal segurou minhas mãos, interrompendo o movimento. Os olhos dele brilharam com uma intensidade que me fez perder o fôlego.
— Não tenha pressa, Luara. Eu esperei quinze anos. Vou querer apreciar cada segundo. Ele se afastou um passo e apontou para o sofá de couro sintético, aquele que parecia ter visto coisas demais.
— Tira o uniforme. Devagar. Eu quero ver o que o tempo fez com a mulher que me humilhou.
Eu engoli em seco. O escritório parecia estar diminuindo de tamanho. O Alonzo estava na esquina, o Vidal estava na minha frente, e eu... eu estava prestes a descobrir que o preço do passado era muito mais alto do que qualquer valor em dinheiro.
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Comentários


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adlg Comentou em 13/03/2026

Nossa que conto votado linda

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negao34 Comentou em 13/03/2026

Que belo conto esperando a continuação




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Ficha do conto

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Nome do conto:
Acerto de contas

Codigo do conto:
256767

Categoria:
Traição/Corno

Data da Publicação:
13/03/2026

Quant.de Votos:
12

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