VOO 2284 – A INVERSÃO DOS PRAZERES

Meu nome é Rafaela, tenho 31 anos, sou comissária de bordo há oito anos. Morena, 1,68m, corpo malhado de academia três vezes por semana, cabelos cacheados até os ombros. Meu marido é o Lucas, 34 anos, médico, olhos verdes que me deixam molhada só de olhar. Somos casados há cinco anos e temos uma relação que os outros chamariam de "perfeita". Mas a perfeição, a gente aprendeu, não é sobre nunca brigar – é sobre nunca esconder o que se quer.
E nós nunca escondemos nada.
Pelo menos era o que eu pensava.
O Lucas sempre foi um homem seguro. Até demais. Dominante na cama. Gostava de me pegar pelos cabelos, me virar de quatro, me comer com força enquanto eu gemia o nome dele. Gostava de me chamar de "putinha", de "vadia", de "minha gostosa". E eu adorava. Adorava ser dominada por ele. Adorava sentir o peso do corpo dele no meu. Adorava quando ele apertava meu pescoço devagar, bem na hora de gozar.
Mas tinha uma coisa.
Uma coisa que eu percebia nos olhos dele, no meio da foda, quando eu estava por cima e ele olhava para cima, para mim, com um brilho diferente. Não era só tesão. Era algo como... entrega. Como se ele quisesse trocar de lugar. Como se ele quisesse ser eu.
Eu nunca perguntei. Tinha medo da resposta. Tinha medo de que ele dissesse "sim" e eu não soubesse o que fazer com isso. Tinha medo de que ele dissesse "não" e eu sentisse que estava enlouquecendo.
Então eu guardei essa dúvida num canto escuro da minha mente. E segui em frente.
Até o voo 2284.
Era uma quinta-feira, 6h30 da manhã. Eu estava no aeroporto de Guarulhos, no meio da sala de briefing da companhia. O voo 2284 para Fortaleza estava marcado para as 9h15. Lotação completa. O comandante, um senhor de bigode grisalho chamado Almeida, passou as instruções com a voz arrastada de quem já fez aquilo mil vezes. Pressão na cabine, turbulência prevista, procedimento de emergência.
Eu mal prestei atenção.
A noite anterior tinha sido longa. Eu e Lucas discutimos – não sobre algo grave, sobre onde passar o próximo feriado. Mas a discussão escalou. Palavras foram ditas. Ele dormiu no sofá. Eu dormi sozinha na cama king size, com os dedos enfiados na boceta, pensando se o casamento estava esfriando.
— Rafaela? Você está prestando atenção?
A voz da chefe de cabine, a Marlene, me tirou do devaneio.
— Sim. Claro.
— Você está com a cabeça nas nuvens. Hoje não, por favor. Voo lotado, passageiro nervoso, e a gente não pode errar.
— Desculpa. Tô bem. Pode ficar tranquila.
Marlene ergueu uma sobrancelha, mas não insistiu.
O embarque começou às 8h50. Eu me posicionei na porta da aeronave, ao lado da Ana e da Cláudia. Uniforme impecável – blazer azul marinho, saia justa logo acima dos joelhos, lenço vermelho no pescoço, cabelo preso num coque apertado. Salto baixo, mas que ainda assim me deixava com quase 1,75m. Sorriso no rosto. "Bom dia. Boa viagem. Bom dia. Boa viagem."
A maioria dos passageiros não olhava na nossa cara. Homens de terno com olheiras de quem não dormiu. Mulheres com crianças no colo. Grupos de amigos rindo alto, já no clima da praia.
Foi quando eu vi ele.
Lucas.
Meu marido.
Ele não deveria estar ali. Ele deveria estar em São Paulo, no consultório, atendendo pacientes de dermatologia. Mas ali estava ele, com uma mochila nas costas, uma rosa vermelha na mão, um sorriso safado no rosto. Jeans escuro, camisa branca, jaqueta de couro preta. Os olhos verdes brilhavam.
— Voo para Fortaleza? – ele perguntou, como se não me conhecesse. A voz era grave, séria.
— Sim, senhor. Posso ajudar? – respondi no mesmo tom.
Ele se aproximou, entregou a rosa. As pétalas vermelhas roçaram no meu uniforme.
— É para a comissária mais linda que já vi – ele disse, baixo, só para mim. – Será que ela aceita um jantar hoje à noite?
As outras comissárias arregalaram os olhos. A Cláudia soltou um "uau" baixinho. A Ana sorriu, disfarçando.
Fingi indiferença, mas meu coração disparou. A boceta – sim, eu chamo de boceta, não de vagina – deu uma contraída. Senti a umidade quente molhando a calcinha.
— Senhor, não é permitido flertar com a tripulação – eu disse, com a voz mais firme do que me sentia.
— Não é flerte – ele respondeu, entregando o bilhete de embarque. – É proposta de casamento. A segunda, no caso. A primeira já foi aceita há cinco anos.
Ele mostrou a aliança no dedo anelar.
Poltrona 12A – primeira classe. Claro. Ele não ia viajar de econômica. O Lucas nunca fazia nada pela metade.
— Senta logo, seu idiota – eu sussurrei, sem conseguir conter o sorriso. Peguei a rosa. Cheirei. Perfume de mulher – eu mesma, que sempre borrifava o meu nas roupas dele.
Ele passou pelo corredor e, ao passar, roçou a mão na minha bunda. Por baixo da saia. Por cima da calcinha. A ponta dos dedos pressionaram a fenda entre minhas nádegas.
Ninguém viu. Mas eu senti. A boceta já estava molhada. Escorrendo. Tive que apertar as coxas para não gemer.
— Lucas... – sibilei, baixo.
— O quê? – ele respondeu, sem olhar para trás. – Foi sem querer.
— Sem querer o caralho.
— Sua calcinha está molhada. Eu senti.
— Eu sei.
Ele se virou para mim, apenas os olhos. Sorriu. Lambeu os lábios devagar.
— Hoje à noite, você vai pagar por isso, sua putinha gostosa.
— Quem vai pagar sou eu? Você veio me perturbar no trabalho.
— Eu vim te buscar. Tem diferença.
— Diferença enorme. Você é um tarado.
— Tarado por você.
A porta da aeronave fechou. A aeromoça-chefe, Marlene, anunciou os procedimentos de segurança. Eu me posicionei no corredor, demonstrei o uso da máscara de oxigênio, o colete salva-vidas. Fiz tudo no piloto automático. Meu pensamento estava a 12 fileiras de distância, na poltrona 12A, onde meu marido estava sentado com uma rosa no colo e o pau duro dentro da calça jeans.
O voo transcorreu normalmente. Servimos café, suco de laranja, a refeição – frango com purê, salada, pudim de leite. Eu evitava olhar para ele. Mas sentia o olhar dele queimando a minha nuca. A cada passo que eu dava no corredor, ele acompanhava com os olhos verdes. Eu me sentia pelada.
Na primeira vez que passei, ele esticou a perna no corredor. Eu tropecei. Ele me segurou pela cintura. A mão dele apertou meu flanco.
— Atenção, comissária. Quase caiu.
— Foi sem querer, senhor?
— Foi. Juro.
— Jura?
— Juro pela nossa aliança.
Na segunda vez, ele repetiu. Dessa vez, a perna ficou mais esticada. Eu caí de verdade – quase caí. Me apoiei no braço da poltrona. Meu rosto ficou a centímetros do rosto dele.
— Você está fazendo de propósito – eu sussurrei.
— Não sei do que você está falando.
— Lucas.
— Rafaela.
Na terceira vez, ele não esticou a perna. Ele enfiou a mão por baixo da minha saia.
Eu estava passando com a bandeja de café. A turbulência era leve, apenas um tremor ocasional. Mas eu me desequilibrei – ou fingi me desequilibrar. A bandeja balançou. Ele segurou na minha cintura com uma mão e, com a outra, escorregou para cima, por dentro da saia.
A ponta dos dedos tocou a parte de trás da minha coxa. Depois subiu mais. Depois tocou a borda da minha calcinha – uma calcinha de renda preta, pequena, que ele mesmo tinha me dado de aniversário.
— Lucas... – eu avisei.
Ele não parou. O dedo médio deslizou por baixo do elástico da calcinha. Tocou a fenda da minha bunda. Escorregou para frente, entre as nádegas. A ponta do dedo pressionou o períneo.
Minha respiração falhou.
— Sua calcinha está encharcada – ele disse, com a voz baixa, grave, a boca perto do meu ouvido.
— Eu sei – repeti.
— Você está gostando de ser molestada no trabalho?
— Você não está me molestando. Você está me amando de um jeito que vai fazer a gente perder o emprego.
— Não vou perder. Você não vai gritar.
Ele enfiou o dedo mais fundo. A ponta tocou o tecido da minha calcinha por baixo – a parte que cobre a boceta. Sentiu o calor, a umidade, a textura do tecido encharcado.
— Porra, Rafa – ele sussurrou. – Você está pingando.
— Eu sei – falei pela terceira vez.
— Você está pensando na gente?
— Estou pensando na gente há horas. Desde que você apareceu na porta com aquela rosa idiota.
— A rosa não é idiota.
— É idiota. E linda. E eu vou te dar muito por causa dela.
— Pode dar. Pode ser agora. Pode ser no banheiro da aeronave. Pode ser na poltrona.
— Estamos a 30 mil pés de altura. Tem câmeras em todo lugar.
— Eu não ligo.
— Eu ligo. Tira o dedo.
Ele tirou. O dedo estava brilhando, molhado. Ele levou o dedo ao nariz, cheirou. Depois à boca. Chupou.
— Você é salgada hoje – ele disse.
— É o café. Café me dá tesão.
— O café ou o marido tarado?
— Os dois.
A aeromoça-chefe, Marlene, apareceu no corredor. Olhou para mim, para Lucas, para a posição suspeita em que estávamos. Ergueu uma sobrancelha. Eu sorri, peguei a bandeja, segui em frente.
Quando cheguei à copa, minhas mãos tremiam. Tirei a calcinha no banheiro do crew. Guardei no bolso do blazer. Fiquei sem calcinha pelo resto do voo. A saia justa escondia. O tecido frio do assento roçava diretamente na minha boceta.
Ocupei o assento do fundo, o de jump seat, de frente para a primeira classe. Abri as pernas. Deixei o ar gelado do ar-condicionado entrar por baixo da saia. Toquei-me rapidamente, dois dedos, só para aliviar a tensão. Não gozei. Guardei o tesão. Queria guardar para ele.
Pousamos em Fortaleza às 12h30, horário local. O sol estava forte, o ar quente e úmido. Os passageiros desembarcaram. Lucas foi o último. Parou na porta da aeronave, ao meu lado. A rosa ainda na mão.
— Hotel Ibis, quarto 412 – ele disse, baixo. – Estou esperando. Não demora.
— Quem disse que eu vou?
— Você vai. Porque você é minha esposa. E porque eu trouxe o brinquedo novo.
Meu coração deu um pulo.
— Que brinquedo?
— Surpresa.
Ele desceu os degraus. Eu fiquei na porta, a rosa vermelha na mão, a calcinha preta no bolso, a boceta escorrendo pela coxa.
Cheguei ao hotel por volta das 14h. Tomei banho – um banho demorado, espumante, com sais de lavanda. Me depilei toda. Não sobrou um pelo. Peito, barriga, axilas, pernas, boceta, cu. Tudo liso. Passei óleo de coco na pele, que ficou brilhando. Deixei o cabelo solto, com as ondas naturais caindo pelos ombros. Passei rímel, gloss, um blush leve. Coloquei um robe preto, transparente, de cetim. Salto alto – 12 centímetros. E desci para o quarto 412.
Bati na porta.
Ele abriu. Estava de toalha na cintura, o corpo ainda molhado do banho. O peito liso, os braços fortes com as veias saltadas, a tatuagem no ombro – uma âncora com a data do nosso casamento. O pau já marcava a toalha. O volume era impossível de esconder.
— Entra, minha comissária favorita – ele disse, estendendo a mão.
Entrei. A porta fechou com um clique atrás de mim.
O quarto era simples – cama de casal, mesa de cabeceira, televisão, cortinas brancas. Um cheiro de lavanda misturado com o perfume dele. E uma caixa preta sobre o lençol. Um estojo. De couro. Com zíper.
— O que tem ali? – perguntei, apontando.
— A surpresa.
— Abre.
— Não. Primeiro você vem aqui.
Ele me puxou. Me abraçou. O corpo dele estava quente, o cheiro de sabonete Phebo subiu. Seu pau duro pressionava minha barriga através da toalha.
— Por que você veio? – ele perguntou, com a voz grossa.
— Porque eu senti sua falta.
— Nós discutimos ontem.
— Eu sei. Por isso mesmo. Eu não gosto de dormir brigada com você. Não gosto de dormir longe de você.
— Nem eu. Por isso comprei a passagem.
— Você gastou dinheiro em uma passagem para Fortaleza só porque a gente discutiu?
— Gastei. E não me arrependo. Você é a melhor coisa que me aconteceu. Se eu tiver que gastar mil reais toda vez que a gente discutir para te buscar, eu gasto.
Meus olhos se encheram de lágrimas. Não de tristeza – de amor.
— Você é um idiota romântico.
— E você é uma gostosa chorona.
Ele beijou minha testa. Depois meus olhos. Depois minha boca.
O beijo foi lento, demorado. A língua dele entrou na minha boca com calma, como se tivesse todo o tempo do mundo. Sua mão desceu pelas minhas costas, apertou minha bunda por cima do robe. A outra mão abriu o cinto do robe.
O robe escorreu pelos meus ombros, caiu no chão.
Fiquei pelada na frente dele. A boceta lisa, rosada, já molhada. O suor do banho ainda brilhava na minha pele. Ele me olhou dos pés à cabeça, como se fosse a primeira vez.
— Você é linda – ele disse.
— Para de mentir. Estou com estria na barriga.
— Estria é mapa. Mapa de quem viveu. Eu amo seus mapas.
— Você é doente.
— Doente por você.
Ele se ajoelhou na minha frente. Abriu minha perna direita, passou por cima do ombro dele. A boceta ficou exposta, aberta, brilhando.
— Chupa – eu pedi.
Ele chupou.
A língua dele percorreu os grandes lábios, lentamente, como quem saboreia um doce raro. Depois subiu para o clitóris. Fez círculos. Devagar, depois rápido, depois devagar de novo.
— Isso... isso... – eu gemia, os dedos no cabelo dele, ainda molhado.
— Você está gostando?
— Estou.
Ele enfiou a língua. Fundo. Bem fundo.
— ASSIM, CARALHO. ASSIM QUE EU GOSTO.
Ele lambeu, chupou, mordeu. Não com força – com vontade. Eu me apoiei na parede do quarto, a perna direita no ombro dele, a esquerda no chão. O salto alto me deixava instável, mas o tesão me mantinha firme.
— VOU GOZAR! – avisei.
Ele não parou. Pelo contrário, acelerou.
Gozei. O líquido claro jorrou da minha boceta, escorreu pelo queixo dele, escorreu pelo meu pé, pingou no chão. O corpo inteiro tremeu. Ele segurou minha bunda com as duas mãos, me apoiou, impediu que eu caísse.
— Pronto – ele disse, com a boca lambuzada. – Uma.
— Quantas você quer?
— Três. Pelo menos.
— Então levanta. Tira essa toalha.
Ele se levantou. Tirou a toalha.
O pau dele pulou para fora – duro, grosso, veiado. A cabecinha roxa, brilhando de pré-gozo. Os testículos pesados, cheios. Eu nunca cansava de olhar.
— Deita – ordenei.
Ele deitou na cama, de costas. Eu montei nele. Encaixei a boceta na cabeça do pau dele. Sentei.
— CARALHO! – ele gemeu.
— Gostou?
— Você está apertada hoje.
— É o ódio. E o tesão.
Comecei a cavalgar. Devagar no início, sentindo cada centímetro do pau dele entrando e saindo. A velocidade aumentou. Os quadris dele se moviam para cima, encontrando os meus. Os gemidos dele eram altos, descontrolados.
— ASSIM, RAFA! ASSIM!
— AGORA NÃO!
— O QUÊ?
— AGORA NÃO! EU QUERO GOZAR POR CIMA!
— ENTÃO GOZA!
Aumentei o ritmo. Ele me segurava pela cintura, me puxava para baixo, forçava o pau ainda mais fundo.
— VOU GOZAR! – eu gritei.
— GOZA!
Gozei. O líquido claro jorrou, escorreu pelo pau dele, molhou as bolas dele, molhou o lençol. Meu corpo tremeu. Minhas pernas falharam. Caí para frente, encostei o peito no peito dele.
Ele me abraçou.
— Duas – ele disse.
— Tá cansado?
— Não. Você?
— Não. Mas quero trocar. Quero você por cima.
Ele me virou. Ficou por cima. Abriu minhas pernas com os joelhos. Enfiou o pau na boceta já gozada. Metti. Forte. Rápido.
— ISSO, LUCAS! ARROMBA ESSA BOCETA!
— VOCÊ É MINHA PUTA!
— SOU! SOU SUA PUTA!
Ele enfiou a mão no meu pescoço. Não apertou – apenas apoiou. A pressão era simbólica. A submissão era real.
— ME COME! ME COME ATÉ EU ESQUECER O MEU NOME!
Ele meteu mais rápido. As bolas batiam no meu cu. O som molhado enchia o quarto.
— VOU GOZAR! – ele avisou.
— GOZA DENTRO!
Ele gozou. Jatos grossos, quentes, dentro de mim. A boceta encheu. O líquido escorreu pelos meus lábios, escorreu pelo meu cu, molhou o lençol.
— Pronto – ele disse, ofegante, caindo ao meu lado. – Três.
— Três – repeti. – Para mim. Para você foi só uma.
— A noite está começando.
Depois de nos recuperarmos, fomos jantar. Restaurante no térreo do hotel. Comida baiana – moqueca de peixe, arroz, farofa, vinho branco gelado. Conversamos sobre o voo, sobre a briga na noite anterior, sobre bobagens. Mas eu não conseguia tirar os olhos da caixa preta que ele havia deixado no quarto.
— Você vai me contar o que tem na caixa?
— Depois do jantar.
— Por que não agora?
— Porque agora é hora de comer.
— Você está me provocando.
— Estou. É intencional.
Comemos. Bebemos. Rimos. A química entre nós era elétrica, como nos primeiros meses de namoro. As mãos se encontravam sobre a mesa. Os pés se tocavam por baixo. Seu pé descalço subia pela minha canela, pelo meu joelho, pela minha coxa.
— Para – eu disse, rindo.
— Para o quê? – ele perguntou, com cara de anjo.
— Você sabe o quê.
— Não sei, não. Explica.
— O seu pé está na minha boceta.
— Está? Desculpa. Foi sem querer.
— Seu mentiroso.
Ele riu. Levantou, pagou a conta, me puxou pela mão.
Voltamos para o quarto.
A caixa ainda estava sobre o lençol. O zíper ainda fechado.
— Abre – ele disse.
— Você abre.
— Não. Você.
Respirei fundo. Abri o zíper.
O estojo revelou três objetos. Um vibrador – pequeno, prateado, de silicone. Um plug anal, preto, do tamanho de um dedo médio. E um cintaralho. Um strapon preto, de 18 centímetros, com textura realista – veias, cabeça roxa, testículos de silicone.
Fechei o estojo.
Olhei para ele.
— Lucas...
— Senta – ele disse, apontando para a cama.
Sentei.
Ele se ajoelhou na minha frente.
— Eu quero te contar uma coisa – ele começou, a voz diferente. Mais baixa. Mais hesitante.
— Estou ouvindo.
— Eu tenho pensado nisso há meses. Talvez anos. E nunca tive coragem de falar.
— Falar o quê?
— Sobre... a gente. Sobre a nossa cama. Sobre o que a gente faz.
— O que tem a nossa cama? A gente transa bem. Todo mundo sabe disso. As amigas falam.
— Não é sobre transar bem. É sobre transar diferente.
— Diferente como?
Ele desviou o olhar. Olhou para as próprias mãos. Depois para mim.
— Eu quero saber como é estar do outro lado.
— Outro lado?
— O seu lado. Eu quero saber como é ser penetrado. Como é sentir algo dentro de mim.
Meu coração parou. Depois disparou.
— Você está falando de... inversão?
— Estou.
— Você quer que eu te coma?
— Quero.
— Com o strapon?
— Com o strapon. E com os dedos. E com a língua. Tudo.
Silêncio.
— Você já fez isso antes? Em você mesmo? – perguntei, com a voz mais calma do que me sentia.
— Sim. Usei o vibrador no banho. Usei meus dedos. Pesquisei na internet. Li relatos. Vi vídeos. Sei como fazer. Sei que tem que ter lubrificante. Sei que tem que ir devagar. Sei que pode doer no começo. Sei que depois não dói mais.
— Por que você nunca me falou?
— Porque eu tive medo.
— Medo de quê?
— De você me achar menos homem. De você me achar estranho. De você me achar... puta.
— Lucas...
— Eu sei, é idiota. Você nunca me julgaria. Mas o medo não é racional. O medo não escuta razão.
Levantei. Ajoelhei na frente dele. Segurei o rosto dele com as duas mãos.
— Eu jamais vou te achar menos homem. Você é o homem mais homem que eu conheço. E se você quer ser penetrado, eu vou te penetrar. Com amor. Com carinho. Com tesão. Porque eu te amo. E porque não existe nada que eu não queira fazer com você.
Os olhos dele se encheram de lágrimas.
— Você é muito boa para mim.
— Eu sou boa para você porque você é bom para mim. Agora, tira a roupa.
Ele tirou. Ficou pelado. O pau dele já estava duro de novo.
— Deita de bruços – ordenei.
Ele deitou.
Empinou a bunda.
O cu dele apareceu. Era rosado, pequeno, cercado por pelos finos e claros. Nunca tinha reparado nisso. Nunca tinha reparado na beleza que é um cu masculino quando está limpo, relaxado, esperando.
— Você se depilou – disse.
— Sim. Para você.
— Você é caprichoso.
— Você merece.
Peguei o plug. Passei lubrificante na ponta. Passei no cu dele.
— Vai doer um pouco – avisei.
— Pode doer.
Enfiei a ponta.
Ele arqueou as costas.
— ISSO... DEVAGAR...
Enfiei mais. O plug entrou devagar, centímetro por centímetro. Os dedos dele apertavam o lençol.
— TÁ QUASE INTEIRO!
Enfiei tudo. A base do plug ficou para fora, preta, contrastando com a pele rosada dele.
— Pronto – eu disse. – Agora você vai usar isso enquanto a gente janta.
— Não jantamos?
— Jantamos. Agora é para sobremesa. Levanta.
Ele se levantou. O plug estava no cu dele. Cada passo que ele dava, o plug se mexia.
— Como você está se sentindo? – perguntei.
— Cheio. Muito cheio.
— É assim que eu me sinto quando você me come.
— É gostoso.
— É. E vai ficar mais.
Vestimos roupas leves – ele de short e camiseta, eu de vestido curto, sem calcinha. Descemos para o bar do hotel. Sentamos no balcão. O plug não o incomodava – pelo contrário, ele gemia baixo cada vez que se mexia na banqueta.
— Você está gemendo – eu sussurrei.
— O plug está latejando.
— Quer que eu tire?
— Não. Quero que você enfie mais.
— Depois.
Bebemos caipirinha. Dois goles. Três. Na terceira, a mão dele desceu pela minha coxa, por baixo da saia. Tocou minha boceta pelada.
— Você não está de calcinha – ele disse.
— Você não está de consciência limpa.
— Nunca estive. Mas hoje menos.
A mão dele subiu. Os dedos encontraram meu clitóris. Massageou em círculos, ali mesmo, no bar, com pessoas ao redor. Ninguém viu. O balcão escondia.
— Para – eu pedi.
— Por quê? Você está gostando.
— Estou. Por isso mesmo. Se você continuar, eu vou gozar no bar.
— Goza. Eu limpo.
— Lucas...
— Rafaela.
Tirei a mão dele da minha boceta.
— Vamos para o quarto.
— Agora?
— Agora.
Pagamos. Subimos. A porta mal fechou e eu já estava tirando o vestido. Ele já estava tirando o short.
O plug ainda estava lá.
— Tira – ele pediu.
— Não. Eu quero tirar com os dentes.
Ajoelhei atrás dele. Segurei o plug com os dentes. Puxei devagar.
Ele gemeu.
O plug saiu. O cu dele ficou aberto, piscando, chamando.
— Deita de bruços – ordenei.
Ele deitou.
Vesti o strapon. Passei lubrificante na ponta. Passei no cu dele.
— Você tem certeza?
— Tenho.
— Se doer, a gente para.
— Se doer, eu peço para continuar.
Enfiei a ponta.
Ele gritou. Não de dor – de prazer.
— ISSO, CARALHO! ENFIA!
Enfiei mais. O strapon entrou devagar. Ele gemia a cada centímetro.
— TÁ QUASE INTEIRO!
— Aguenta.
Enfiei tudo. O strapon sumiu no cu do meu marido.
— AGORA METE!
Metti. Devagar no início, sentindo o plástico deslizar no cu dele. Depois rápido. Ele gemia, os dedos arrancando o lençol. Eu metia com força, com amor, com tesão.
— VOCÊ É MINHA PUTA!
— SOU! SOU SUA PUTA, RAFAELA! COME MEU CU!
Metti mais forte. Ele gozou. O pau dele jorrou no lençol, jatos grossos, quentes, abundantes. Continuei metendo. Ele gozou de novo. Só de cu. Só com o strapon.
— VOU GOZAR TAMBÉM! – gritei.
Gozei. A boceta jorrou na coxa dele. Caí na cama ao lado dele, ofegante, o strapon ainda na cintura.
— Pronto – eu disse, depois de um longo silêncio. – Agora você é minha puta.
— Sempre fui – ele respondeu, a voz falhando. – Só não sabia.
Nós rimos. Nós choramos. Nós dormimos abraçados.

No dia seguinte, acordamos tarde. O sol já estava alto, entrando pelas frestas da cortina do quarto 412 do Ibis. Lucas ainda dormia, o rosto virado para mim, a respiração lenta e profunda. O lençol cobria apenas a sua cintura. O peito liso e musculoso subia e descia devagar. Eu fiquei alguns minutos só olhando para ele – para os ombros largos, para a tatuagem da âncora, para os cílios longos que eu sempre invejei. O homem mais bonito que eu já vi na minha vida. E ele era meu.
Mas algo tinha mudado na noite anterior. Não era só o sexo. Não era só o strapon, o plug, a inversão. Era a forma como ele me olhou depois. Como se eu fosse a única pessoa no mundo que podia ver aquela parte dele. Como se tivéssemos atravessado uma fronteira invisível e agora estivéssemos num território novo, desconhecido, só nosso.
Levantei devagar para não acordá-lo. Fui ao banheiro. Olhei-me no espelho. Cabelo bagunçado, olheiras leves, os mamilos ainda marcados pelos beijos dele da noite anterior. A boceta ainda estava um pouco inchada. O cu – que ele havia lambido, dedado, adorado – ainda estava sensível. Passei a mão. Senti. Sorri.
Tomei um banho rápido. Água quente, sabonete de ervas do hotel. Quando voltei para o quarto, enrolada na toalha, Lucas já estava acordado. Sentado na cama, o lençol nos braços, o café da manhã que ele pediu no quarto já estava na mesa de centro.
— Bom dia, minha comissária favorita – ele disse, a voz rouca de sono.
— Bom dia, meu médico tarado.
— Você está linda de manhã.
— Estou uma bagunça. Para de mentir.
— Não é mentira. Você está linda porque está feliz. E está feliz porque ontem foi um dos melhores dias da minha vida.
Sentei na cama ao lado dele. Peguei o café. Tomei um gole.
— Foi um dos melhores dias da minha vida também – disse. – Mas...
— Mas o quê?
— Mas eu sinto que a gente ainda não falou tudo. Que a gente ainda está guardando coisa.
Ele colocou a xícara na mesa. Pegou minhas mãos.
— Você está certa. A gente ainda não falou tudo. Porque eu ainda não sei como falar.
— Então não fala. Mostra.
— Mostra como?
— Me leva para a praia. Vamos comer alguma coisa. Vamos beber. Vamos parar de pensar e só viver. O resto a gente descobre no caminho.
Ele sorriu. Me beijou na testa.
— Você é a mulher mais sábia que eu conheço.
— Sou a mulher mais tarada que você conhece. Tem diferença.
— Não tem. Não pra mim.
No outro dia fomos para a praia por volta do meio-dia. O sol estava forte, o ar quente e úmido, o cheiro de sal e coco impregnado em tudo. Alugamos duas espreguiçadeiras, um guarda-sol, pedimos água de coco e camarão grelhado. Lucas estava de sunga preta – a mesma que ele usava na lua de mel, que já estava velha, desbotada, mas ainda assim deixava todo mundo olhando. Eu estava de biquíni fio dental, vermelho, sem calcinha por baixo – claro. Sunga e biquíni escondiam pouco. A pele já estava começando a dourar.
Por volta das 14h, quando o sol já estava mais baixo e a praia menos cheia, eu vi dois corpos familiares se aproximando. Duas silhuetas que eu conhecia bem, mesmo de longe.
— Rafa? Rafa! É você?
A voz era inconfundível. Fernanda. Minha amiga de longa data de São Paulo. Personal trainer, 32 anos, morena de olhos verdes, corpo violão – magra, mas com curvas nos lugares certos. Cabelo preto e liso, preso num rabo de cavalo alto. Ela estava de biquíni verde, pequeno, mostrando a barriga chapada e os quadris largos.
Ao lado dela, Caio. O marido. 34 anos, engenheiro, loiro de olhos azuis, corpo sarado de quem malha cinco vezes por semana. Peito liso, ombros largos, aquele tanquinho de dar inveja. Ele usava uma sunga estampada, meio brega, mas que destacava o volume avantajado.
— Fernanda? Meu Deus! – gritei, levantando da espreguiçadeira. A gente se abraçou forte, rindo, quase caindo na areia. – O que vocês estão fazendo aqui?
— Feriado, ué. A gente sempre vem para Fortaleza no feriado. Você sabe disso. A pergunta é: o que vocês estão fazendo aqui?
— Lucas me sequestrou – respondi, olhando para ele, que já estava de pé, cumprimentando Caio com um aperto de mão firme demais. – Simples assim. Apareceu no meu voo, me deu uma rosa, me trouxe para um hotel. Do nada.
— Do nada nada? – Caio perguntou, com um sorriso malicioso. – Ele não parece ser homem de fazer nada do nada.
— Ele não é – Lucas respondeu, chegando perto de mim e passando o braço pela minha cintura. – A gente discutiu. Eu fiz besteira. Tive que pedir desculpas de um jeito criativo.
— Criativo como? – Fernanda perguntou, os olhos verdes brilhando.
— Levei ela para jantar. Comprei um presente. O básico.
— Que presente?
Lucas e eu nos olhamos. Sorrimos.
— Isso fica entre a gente – ele disse, com a voz baixa. – Segredo de casal.
— Credo – Fernanda riu. – Vocês são tão misteriosos. Senta aqui, conta tudo. A gente não vai embora sem saber o que vocês aprontaram.
Sentamos juntos. Pedimos mais água de coco, uma porção de queijo coalho, cerveja gelada. O papo fluiu. Rimos das histórias antigas – o casamento deles, o nosso, as loucuras da lua de mel. O assunto, como sempre entre amigos próximos, foi se desenrolando naturalmente.
— Vocês têm feito algo diferente ultimamente? – Fernanda perguntou, em algum momento. Ela estava deitada de bruços na espreguiçadeira, o queixo apoiado nas mãos, a bunda empinada para o sol. A sunga verde marcava cada centímetro da sua boceta. – Para sair da rotina, digo. A gente está junto há oito anos. Às vezes a cama esfria. A gente precisa inventar.
— Diferente como? – Lucas perguntou, cauteloso.
— Diferente diferente. Coisa nova. Coisa que vocês nunca fizeram antes. Temos a sensação de que a rotina do casamento vai matando a paixão aos poucos, e a gente não quer isso. A gente quer continuar se olhando com tesão daqui a vinte, trinta anos.
— E o que vocês fizeram? – perguntei, me inclinando para frente. O biquíni fio dental escorregou um pouco. Não arrumei.
Fernanda olhou para Caio. Ele corou. Coçou a nuca.
— A gente fez uma coisa... diferente – ela começou, escolhendo as palavras. – A gente saiu com um casal. Em São Paulo. Conhecemos eles num site.
— Um casal? – Lucas perguntou, erguendo as sobrancelhas.
— Um casal de amigos. Eles têm a mesma idade que a gente. A gente foi para a casa deles, jantamos, bebemos... e aí as coisas foram acontecendo.
— Que coisas? – insisti, sentindo a boceta dar uma contraída.
— Tudo – Caio disse, direto. – Nós dois demos o cu para todos. E também comemos todos. Quem não tinha pau usava um strapon. Foi uma troca de casal bissexual. Todos comeram todos. Todo mundo beijou todo mundo. Todo mundo lambeu todo mundo.
O silêncio que se seguiu foi tão denso que dava para cortar com faca. Os quatro – eu, Lucas, Fernanda e Caio – estávamos sentados na praia, os corpos semi-nus, o sol se pondo no horizonte. O bar na beira da praia estava quase vazio. A cerveja gelada na minha mão já era a terceira. O cheiro de sal, de coco, de protetor solar, e de tesão – um tesão que não vinha do mar, mas dos nossos próprios corpos.
— Vocês gostaram? – perguntei, finalmente. A voz saiu mais baixa do que eu esperava. Quase um sussurro.
— Amei – Fernanda respondeu, os olhos verdes brilhando de excitação. – Não foi só o sexo. Foi a intimidade de fazer aquilo com pessoas que a gente confiava. Foi ver o Caio beijando outro homem e sentir tesão por ele. Foi ser comida por uma mulher e descobrir que eu gosto. Foi uma experiência que renovou nossa relação.
— A renovação é essa? – Lucas perguntou. – Trocar de casal?
— Não é só trocar – Caio disse, se inclinando para frente. O tronco dele estava coberto por uma fina camada de areia. A sunga estampada marcava o pau semi-duro. – É sobre se permitir. É sobre deixar de lado o que "deveria" ser e fazer o que dá prazer. Sobre confiar no outro. Sobre saber que o amor não diminui porque a gente transa com outras pessoas. O amor é uma coisa. O sexo é outra.
— E não deu ciúmes? – perguntei.
— Deu – Fernanda confessou. – Na primeira vez, quando o Caio enfiou o pau na boca do outro cara, eu senti uma pontada. Mas aí ele olhou para mim. Ele pediu minha permissão com os olhos. E eu vi que aquilo não era traição. Era a gente se descobrindo juntos.
Outro silêncio. Dessa vez, mais curto.
— A gente também fez algo novo – Lucas disse, a voz grave, os olhos verdes fixos nos meus.
— O quê? – Caio perguntou.
— Inversão. Pela primeira vez. Eu quis saber como era ser penetrado. Ela me comeu com um strapon. Usei plug. Ela me dedou. Me chupou. Me fez gozar duas vezes só com o cu.
— Caralho – Fernanda disse, as mãos nas próprias coxas. – Isso é raro. Homem gozar só com a próstata.
— É raro – Lucas concordou. – Mas acontece. Quando a pessoa sabe o que está fazendo. E ela sabia.
Ele me olhou. Eu sorri.
— Foi a primeira vez que usei um strapon – completei. – Foi estranho no começo. O plástico é frio. Não tem a mesma textura. Mas ver ele debaixo de mim, gemendo, entregue... isso não tem preço.
— E você? Você gostou de comer ele? – Fernanda perguntou, os olhos fixos nos meus.
— Gostei. Gostei muito. Mas não foi só isso. O que eu mais gostei foi do que veio depois.
— O quê?
— A conversa. Ele me contou que sempre teve vontade. Que se masturbava no chuveiro pensando nisso. Que ficava com vergonha de me falar. E aí a gente chorou junto. E transou de novo. E dormiu abraçado.
— Isso é mais íntimo do que qualquer foda – Caio disse, a voz baixa. – É sobre confiança.
— Exatamente – Lucas disse. – Sobre confiança.
O sol estava quase se pondo. O céu estava alaranjado, com nuvens rosadas. O vento tinha diminuído. A praia estava deserta. E os quatro estavam com os corpos quentes, os olhos brilhando, os paus e bocetas latejando por baixo das sungas e biquínis.
— E aí? – Fernanda perguntou, quebrando o silêncio. – O que a gente faz agora? Porque eu não estou com vontade de ir jantar fora. Estou com vontade de continuar essa conversa num lugar mais... privado.
— Temos um quarto – Lucas disse. – É pequeno. Mas cabe todo mundo.
— Cabe – Caio confirmou. – Se a gente se espremer.
— E vocês querem? – perguntei, olhando para cada um. – Vocês querem continuar essa conversa no nosso quarto? Com a gente?
— Queremos – Fernanda respondeu por ela e por Caio.
Não falamos mais nada. Levantamos, pegamos as toalhas, os óculos, a bolsa. Pagamos a conta no bar. Caminhamos em silêncio até o hotel. O trajeto foi curto – uns quinze minutos – mas pareceu uma eternidade. Os quatro corações batendo rápido. Os olhares se encontrando.
No quarto, a porta mal foi fechada.
Não começamos a transar imediatamente. Começamos conversando. Sentamos na cama – os quatro, pernas cruzadas, como adolescentes num acampamento. A luz do abajur era fraca, quente. O ar-condicionado estava ligado no máximo, mas não adiantava. O calor dos corpos era maior.
— Vocês sentem falta de alguma coisa? – Fernanda perguntou, os olhos nos olhos de Lucas. – No sexo de vocês. Tem alguma coisa que vocês não fazem mas gostariam de fazer?
— Muita – Lucas respondeu, sincero. – A gente está numa fase de descobertas. Inversão foi uma. A gente quer tentar mais.
— Mais o quê? – Caio perguntou.
— Mais tudo. Menage. Troca de casal. Fazer com mais pessoas ao mesmo tempo. A gente conversa sobre isso há meses. Mas nunca tivemos coragem de dar o primeiro passo.
— Pois deem – Fernanda disse, simples. – A gente está aqui. A gente topa.
— Vocês topam o quê? – eu perguntei.
— Topamos tudo – Caio disse. – A gente topa fazer com vocês. Se vocês quiserem.
O silêncio durou apenas um segundo.
— Queremos – Lucas disse.
— Queremos – eu repeti.
Foi aí que a gente começou.
Decidimos que não haveria regras. Todos comeriam todos. Todos seriam comidos. De todas as formas. Boceta, cu, pau, boca – tudo seria usado. E ninguém dormiria até o sol nascer.
Fernanda foi a primeira a tirar a roupa. O biquíni verde caiu no chão. Os seios dela apareceram – médios, firmes, os mamilos escuros e duros. A boceta era lisa, depilada, os grandes lábios rosados e inchados, já brilhando de lubrificação.
Caio tirou a sunga. O pau dele era grande – uns 19 centímetros, grosso, a cabeça roxa, os testículos pesados. Ele não estava completamente duro ainda, mas já impunha respeito.
Lucas tirou a sunga. O pau dele era médio – uns 17 centímetros, mas muito grosso, veiado. Eu sempre amei o pau dele. A cabecinha era vermelha, brilhando de pré-gozo.
Eu tirei o biquíni. Os seios caíram – médios também, com mamilos claros. A boceta lisa, depilada, os pequenos lábios abertos, escorrendo.
Os quatro pelados. O quarto cheirava a tesão, a suor, a sexo.
— Quem começa? – Fernanda perguntou.
— Eu – Lucas respondeu.
Ele foi até Fernanda. Ajoelhou na frente dela. Abriu as pernas dela. Enterrou o rosto na boceta lisa e molhada dela.
— ISSO, LUCAS! LAMBE! – Fernanda gemeu, os dedos nos cabelos dele.
Enquanto isso, Caio veio até mim. Me beijou. A língua dele entrou na minha boca com sede. As mãos dele apertaram minha bunda.
— Você é linda – ele disse, a boca na minha orelha.
— Você também – respondi.
Ele me deitou na cama. Abriu minhas pernas. Olhou para a minha boceta.
— Lisa – ele disse. – Perfeita.
— Lambe.
Ele lambeu. A língua percorreu os grandes lábios, o clitóris, a entrada. Eu gemia.
Lucas estava com a cara enfiada na boceta de Fernanda, chupando com vontade. Caio lambia a minha. Os quatro gemiam.
— VAMOS TROCAR! – Fernanda gritou.
Trocamos. Eu fui para cima de Fernanda. Nossas bocetas se encontraram. Nós nos beijamos – eu e ela, língua na língua. Os seios dela roçavam nos meus. Ela enfiou a mão na minha boceta. Eu enfiei a mão na dela.
— ISSO... ISSO... QUE DELÍCIA – ela gemeu.
— SUA BOCETA É QUENTE – respondi.
Enquanto isso, Lucas e Caio estavam se beijando. Dois homens. Línguas se encontrando. Os paus duros se encostando. Caio segurou o pau de Lucas, começou a masturbar. Lucas fez o mesmo.
— ASSIM, CARALHO – Lucas gemeu.
— GOSTOU? – Caio perguntou.
— GOSTEI.
Eu e Fernanda nos revezamos – uma chupava a boceta da outra, a outra chupava os peitos da outra. O suor escorria. O cheiro de boceta encharcava o quarto.
— VOU GOZAR! – Fernanda gritou.
— GOZA NA MINHA CARA!
Ela gozou. O líquido claro jorrou da boceta dela, escorreu pelo meu rosto, escorreu pelo meu pescoço, escorreu pelos meus seios. Eu lambi o que escorreu.
— DELÍCIA – eu disse.
— VEM AQUI, CAIO! – Fernanda chamou.
Caio foi até ela. Enfiou o pau na boceta dela. Ela gritou.
— ASSIM, CARALHO! METE!
Ele metia forte. Eu me ajoelhei atrás de Caio. Enfiei a língua no cu dele. Ele nunca tinha sido lambido ali – gemeu alto, surpreso.
— ISSO... ISSO... ENFIA A LÍNGUA!
Enfiei. A língua entrou no cu dele. Ele gozou quase na hora – dentro da boceta de Fernanda.
— CARALHO! GOZEI! – ele gritou.
— AINDA NÃO ACABOU! – Fernanda respondeu.
Lucas chegou perto de mim. Me virou de quatro. Enfiou o pau na minha boceta – já gozada, molhada, escorrendo.
— SUA PUTA GOSTOSA! – ele gemeu.
— SUA PUTA! – respondi, no mesmo tom.
Ele metia com força. Eu mordia o travesseiro. Fernanda veio para a minha frente, sentou na minha cara. A boceta dela escorria na minha língua.
— LAMBE! LAMBE ATÉ EU GOZAR!
Lambia. Ela gozou de novo. O líquido claro escorreu pelo meu queixo.
Caio se ajoelhou atrás de Lucas. Passou a língua no cu do meu marido. Lucas arqueou as costas – nunca tinha sido lambido ali também.
— ISSO, CAIO! ENFIA A LÍNGUA!
Caio enfiou. Lucas gemeu, gozou dentro de mim.
— VOU GOZAR! – ele gritou. – VOU GOZAR DENTRO DA MINHA ESPOSA!
Gozou. Os jatos quentes encheram a minha boceta. Eu gozei junto, sentindo o pau dele pulsando dentro de mim.
Os quatro caíram na cama, ofegantes, suados.
— Primeira rodada – Fernanda disse, rindo.
— Quantas vão ter? – Caio perguntou.
— Até o sol nascer.
Ficamos uns vinte minutos deitados, nos recuperando. Lucas foi buscar água. Voltou com quatro garrafas. Bebemos em silêncio, os corpos ainda colados.
— Eu nunca tinha feito nada assim – Fernanda confessou, a cabeça apoiada no peito de Lucas. – Com amigos. Com pessoas que a gente conhece e confia. É diferente.
— É melhor – eu disse. – Porque não tem medo. Não tem julgamento.
— E tem o cheiro – Lucas disse.
— Cheiro? – Caio perguntou.
— Cheiro de tesão. Cada pessoa tem um cheiro diferente. A Fernanda tem cheiro de mel. A Rafaela tem cheiro de flor. O Caio tem cheiro de mar. E eu tenho cheiro de terra molhada.
— Você é doido – Caio riu.
— Doido de tesão.
Nós rimos. Nos beijamos. As línguas se encontraram de novo – agora mais devagar, mais preguiçosas.
— Quem quer ser comido agora? – eu perguntei.
— Eu – Caio respondeu.
— Por quem?
— Por você. E pelo Lucas. Os dois ao mesmo tempo.
Olhei para Lucas. Ele assentiu.
— Vamos ter que usar o strapon – eu disse.
— Temos – Lucas confirmou, pegando a caixa preta no criado-mudo.
Caio deitou de bruços. Empinou a bunda. O cu dele era pequeno, rosado, com pelos finos e loiros.
— Vai doer – avisei.
— Pode doer.
Vesti o strapon. Passei lubrificante. Lucas passou lubrificante no pau dele.
— Eu enfio primeiro – Lucas disse. – Depois você encaixa o strapon ao lado.
— Combinado.
Lucas enfiou a ponta do pau no cu de Caio. Caio gemeu baixo.
— ISSO... DEVAGAR...
Lucas enfiou mais. Caio apertou o travesseiro.
— TÁ DENTRO – Lucas disse.
— ENFIA TUDO.
Ele enfiou tudo. O pau dele sumiu no cu de Caio. Caio gemia, os dedos arrancando o lençol.
— AGORA VOCÊ! – ele pediu, para mim.
Encaixei a ponta do strapon ao lado do pau de Lucas. O cu de Caio se abriu ainda mais. Ele gritou.
— DOIS! OS DOIS AO MESMO TEMPO!
Começamos a meter. Eu e Lucas, no mesmo ritmo. O strapon e o pau de verdade entrando e saindo, entrando e saindo.
— ASSIM, CARALHO! ASSIM QUE É BOM! – Caio gritava.
Fernanda estava de joelhos na frente de Caio, enfiando o pau dele na boca dela. Ele gemia com a boca cheia.
Eu metia com força. Lucas também. O cu de Caio já estava escancarado, vermelho, brilhando de lubrificante.
— VOU GOZAR! – Caio gritou.
— GOZA! – Fernanda ordenou, com a boca no pau dele.
Caio gozou. O jato quente acertou a garganta de Fernanda. Ela engoliu. Lambeu os lábios.
— DELÍCIA – ela disse.
Lucas gozou dentro do cu de Caio. Eu gozei só de ver – a boceta jorrou no pé de Caio.
Os quatro caíram na cama de novo.
— Segunda rodada – Fernanda disse.
— Terceira – corrigi. – A gente já perdeu a conta.
— Quem está com o pau duro ainda? – Caio perguntou.
Todos levantaram a mão.
O sol já estava nascendo quando decidimos que seria a última vez. Mas seria a melhor.
— Todo mundo de quatro – Fernanda ordenou.
Os quatro ficaram de quatro na cama. Um círculo. Cada cu apontando para um pau. Cada boceta apontando para uma boca.
— Vamos fazer um círculo. Cada um come quem está na frente. E lambe quem está atrás.
Começamos.
Eu estava na frente do Caio. Encaixei o pau dele na minha boceta. Ele metia. Ao mesmo tempo, eu enfiava a língua no cu de Lucas, que estava na minha frente. Lucas estava enfiando o pau na boceta de Fernanda. E Fernanda estava enfiando o strapon – ela tinha vestido – no cu de Caio.
Era uma corrente de carne e plástico. Todos comendo todos. Todos sendo comidos.
— ASSIM, CARALHO! – Fernanda gritou. – ASSIM QUE É BOM!
— NINGUÉM SAI DAQUI! – Lucas gritou.
— VOU GOZAR! – Caio gritou.
— TODOS JUNTOS! – eu ordenei.
Gozamos. Ao mesmo tempo. Eu gozei no pau de Caio. Caio gozou no strapon de Fernanda. Fernanda gozou no pau de Lucas. Lucas gozou no meu cu.
Os quatro caíram na cama, exaustos, suados, as bocetas e cus escorrendo.
O sol entrou pela janela.
— Pronto – Fernanda disse, ofegante. – Agora somos todos amantes.
— E amigos – eu completei.
— E amigos.
Deitamos os quatro, um abraço só, os corpos ainda suados, os cheiros misturados. O cheiro da Fernanda, doce. O cheiro do Caio, salgado. O cheiro do Lucas, terra molhada. E o meu cheiro – flor, segundo ele.
— A gente precisa repetir – Lucas disse.
— Em São Paulo – Caio disse.
— Na nossa casa – Fernanda disse.
— Com mais gente? – eu perguntei.
— Com mais gente – Fernanda confirmou.
— Quantas? – Caio perguntou.
— Quantas couberem.
Eu sorri. Fechei os olhos. O sol já estava alto. Mas a gente não tinha pressa para acordar.
FIM

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Ficha do conto

Foto Perfil casalbisexpa
casalbisexpa

Nome do conto:
VOO 2284 – A INVERSÃO DOS PRAZERES

Codigo do conto:
262366

Categoria:
Bissexual

Data da Publicação:
18/05/2026

Quant.de Votos:
3

Quant.de Fotos:
5