O PSICÓLOGO, O MARIDO, A ESPOSA E O AMIGO ......



Nós três seguimos em direção ao quarto do casal, em um silêncio quebrado apenas pelo som dos passos.
A luz suave do corredor projetava sombras alongadas à nossa frente. Ela caminhava alguns passos à frente. Em determinado momento, saiu do alcance das minhas mãos, não como quem recua ou se afasta, mas como quem segue adiante por vontade própria. O gesto foi simples, quase imperceptível, mas carregava uma intenção que dispensava explicações.
Quando chegou próximo à primeira porta do corredor, ela diminuiu o passo.
Então ela se virou. Seu olhar passou primeiro pelo marido, depois encontrou o meu. Então falou, com a calma de quem compreendia perfeitamente o peso daquele momento:
— Quero que você apanhe as minhas roupas que deixarei no corredor.
A frase caiu no ambiente com peso. Não pelo conteúdo. Mas pelo que ela estabelecia.
O garçom absorveu a ordem, e já o colocando o seu lugar dentro daquele cenário.
— Sim respondeu, por fim. Simples. Direto. Sem questionar.
A esposa então levou as mãos discretamente ao próprio vestido, não para tirá-lo ainda, mas como quem marca uma intenção futura. Um gesto pequeno. Mas impossível de ignorar.
Eu alguns passos atrás, observava em silêncio.
E começava a entender que aquilo já não era apenas um jogo de papéis sugerido pelo marido. Era algo que a esposa havia assumido. Transformado. E agora, conduzia.
Ela não olhou para trás quando começou a caminhar novamente pelo corredor. Sabia que eu viria. Sabia que o garçom também cumpriria o que foi dito. O primeiro passo foi lento, o segundo, decidido. Então, ainda em movimento, levou as mãos ao vestido. Não havia pressa, havia intenção. O tecido deslizou pelos ombros, revelando a pele aos poucos, como se cada centímetro exposto fizesse parte da mensagem que ela vinha construindo desde o início da noite.
Antes de chegar na frente da porta do quarto, o vestido já não estava mais nela. Ficou para trás. Exatamente onde ela disse que ficaria. Sem interrupção, sem hesitação, a esposa seguiu em direção ao quarto.
Atrás, o garçom permaneceu imóvel por um segundo a mais do que deveria absorvendo a cena. O olhar desceu até o vestido no chão agora não apenas uma peça de roupa, mas parte do papel que ele havia aceitado. Então ele levantou os olhos para mim.
Havia algo diferente ali. Menos controle. Mais entrega.
— Vai disse ele, em voz baixa, mas firme.
Não era um pedido. Era permissão. Talvez mais do que isso.
Eu fiquei olhando para ele, e então fui em direção ao quarto.
O corredor parecia mais longo agora. Eu tinha plena consciência do que havia acabado de acontecer. Do que estava prestes a acontecer. E, principalmente, de quem estava conduzindo tudo aquilo.
Quando cheguei ao quarto, a porta já estava aberta. Entrei. E parei.
Ela estava deitada sobre a cama, iluminada pela luz suave do abajur ao lado. A claridade desenhava suas curvas sem revelá-las completamente. Usava apenas uma calcinha preta. Uma das pernas permanecia levemente dobrada, enquanto um dos braços descansava sobre o lençol.
Quando nossos olhos se encontraram, ela não desviou. Não havia pressa em seu olhar. Nem expectativa. Apenas a tranquilidade de quem aguardava exatamente o que esperava encontrar.
Meu olhar percorreu seu corpo até ser interrompido por um detalhe inesperado. As marquinhas de sol. Por um instante, demorei-me nelas sem compreender completamente o motivo. Então compreendi. Ela percebeu. O canto de seus lábios se ergueu num sorriso discreto. Nenhuma palavra foi necessária.
O silêncio entre nós foi interrompido por uma leve batida na porta. O marido entrou.
Fechou a porta atrás de si e permaneceu imóvel por alguns segundos, observando a cena diante dele. Seus olhos passaram por mim antes de repousarem sobre ela. O quarto permaneceu em silêncio.
Curiosamente, sua chegada não alterou a atmosfera. Era como se aquele espaço já tivesse sido reservado para os três muito antes daquele instante.
— Espero não estar atrasado, disse ele.
A esposa soltou uma pequena risada.
Eu também sorri.
A tensão que ainda restava pareceu afrouxar um pouco.
Ele caminhou até uma poltrona próxima à janela e sentou-se.
Por alguns instantes, ninguém falou.
Foi ela quem rompeu o silêncio.
— Vocês dois têm pensado demais esta noite.
A observação veio acompanhada de um sorriso leve.
— E você não? Eu perguntei.
— Eu apenas decido o próximo passo.
A resposta arrancou uma risada baixa do marido.
Ela voltou os olhos para ele.
— Você está muito quieto.
— Estou observando.
— E o que descobriu?
Ele apoiou os braços nos joelhos antes de responder.
— Que nada aconteceu como eu imaginei.
Ela o olhou com mais atenção.
— Isso é bom ou ruim?
— Melhor.
Pela primeira vez naquela noite, a resposta pareceu surpreendê-la. Ela permaneceu em silêncio, esperando que ele continuasse.
— Porque eu passei semanas tentando imaginar como tudo seria.
Então ele sorriu.
— E nenhuma dessas versões chegou perto da realidade.
— É mesmo?
— É.
O silêncio voltou a ocupar o quarto. Desta vez, porém, era um silêncio confortável. Então ela estendeu uma das mãos em direção a ele. Um convite simples.
Ele se levantou da poltrona e aproximou-se da cama.
Foi nesse momento que percebeu o detalhe que eu havia notado antes. Seu olhar se deteve por alguns segundos. Mais do que o próprio detalhe, parecia estar tentando compreender o que ele significava. Quando voltou a encará-la, um sorriso discreto surgiu em seu rosto. Ficou admirado, orgulhoso, pois percebeu que aquele detalhe não tinha sido preparado por pressão, expectativa ou obrigação.
Tinha sido uma iniciativa dela. Mais uma decisão tomada por conta própria. E isso alterava completamente o significado da cena. Naquele momento, compreendeu que já não observava apenas um plano sendo executado. Observava a esposa assumir o protagonismo da própria história. E, pela primeira vez naquela noite, pareceu genuinamente impressionado por ela.

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Ficha do conto

Foto Perfil Conto Erotico rob025

Nome do conto:
O PSICÓLOGO, O MARIDO, A ESPOSA E O AMIGO ......

Codigo do conto:
265361

Categoria:
Heterosexual

Data da Publicação:
25/06/2026

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